Kapará, Mechilá e o Judaísmo Rabínico – Parte 5


Judaismo II

YIDDISHKEIT

 

“Como poderia eu até mesmo vislumbrar a idéia de ser proscrita do meu povo? Quão absurdo era pensar que um homem que os gentios chamavam Jesus Cristo poderia ser o Messias dos judeus! Assim eu disse a mim mesma: ‘Sharon, alguma coisa deve ter lhe escapado.”

Lembrei-me de que os rabinos dizem:

“Não se pode entender a Bíblia sem os Comentários Judaicos”.

Assim eu comprei os comentários de Rashi, os comentários de Soncino e os últimos comentários judaicos chamados The Artscroll Tanach Series da Mesorah Publications. E, à medida que eu lia os comentários, mais eu queria ler. Trouxe também para casa os textos do Talmude Babilônico, da Enciclopédia Judaica, Midrash Rabbah, Mishneh Torá de Maiomônides, Targum Onkelos, Targumin Jonathan, Os Textos Messiânicos de Raphael Patai e o Guia para os Perplexos de Maimônides. E continuei estudando, dia após dia. Cada texto que estudava, eu pensava que talvez fosse esse que traria a resposta, a chave para destruir o pensamento de que o messias dos gentios era na “verdade”, o Messias Judaico!

Tudo isso estava começando a afetar a minha vida. Quando me perguntaram se eu aceitaria um papel de liderança como a próxima presidente de “Mulheres de Chabad”, eu senti que tinha que rejeitar porque eu estava tendo uma vida dupla.

Eu era plenamente aceita no Chabad e participava de todas as tradições. Cheguei até mesmo a ir periodicamente a uma estação de TV a cabo para ouvir o Rebbe Menachem M. Schneerson falar aos seus seguidores via satélite. Eu tinha esse homem em alta estima. Ele era respeitado e consultado por líderes do mundo todo. Todos nós que o ouvíamos acreditávamos que ele estava falando a verdade. Sempre tivemos a impressão, naqueles dias, de que bem poderia ser que um dia viesse a ser revelado que o Rebbe Menachem M. Schneerson era o Messias…

Eu estava ficando mais e mais perturbada em minha pesquisa. Até aquele momento eu vinha estudando sozinha. Apenas a minha família sabia o que eu estava lendo. Mas chegou o tempo em que senti necessidade de ter ajuda de outros,e assim fui atrás do meu rabino.

Telefonei para Mendel e Rochel e pedi que eles viesse à minha casa. Quando eles chegaram, sentamo-nos na biblioteca e mostrei-lhes os meus livros. Disse-lhes que quando eu lia a minha Bíblia eu via Jesus. Pedi a Mendel que me ajudasse.. eles cochicharam entre si. Então viraram para mim e Mendel disse:

           Não se preocupe.

Ele tinha o homem certo pra mim – um profissional que trabalha com pessoas como eu. Ele daria a esse profissional o meu número de telefone e ele me chamaria. Agradeci-lhes quando saíram. Então me senti tão grata e aliviada, porque iria ter a ajuda de que precisava e as respostas que tão desesperadamente procurava.

Duas noites depois recebi um telefonema do rabino Ben Tzion Kravitz. Dei-lhe um pequeno retrospecto sobre minhas pesquisas e expliquei com tudo tinha começado. Ele me escutou e disse-me para não me preocupar. Ele até mencionou uma fita de vídeo que ele tinha de pessoas que tinham renunciado sua fé em Jesus. Eu lhe pedi que a trouxesse consigo quando viesse à minha casa.

Era uma bela manhã, ensolarada, de céu azul, quando o rabino Kravitz, tido como um “desfazedor de cabeças”, chegou em casa. Eu tinha preparado para ele frutas frescas servidas em prato de papel. Eu queria q2ue ele soubesse que eu tinha familiaridade com as leis de Kashrut, mas queria honrar sua hesitação em comer qualquer coisa fora de sua casa. Não queria causar-lhe nenhuma preocupação com o que lhe estaria sendo servido.

Quando o rabino chegou, apresentei-o a Ron, que então se retirou e subiu as escadas para o quarto onde permaneceu o dia todo trabalhando. Ron ficou em casa, não porque tivesse qualquer receio em relação ao rabino, mas porque não seria conveniente que o rabino e eu permanecêssemos sozinhos em casa.

Ficamos, o rabino e eu, cerca de 10 horas discutindo a Bíblia, a história dos judeus e a tradição. O rabino tinha uma abordagem das Escrituras bem moderna, mas eu tinha uma abordagem tradicional. Depois de ler o Talmude, o Midrash, o Targumim e outros comentários, expressei o desejo de falar sobe o que os nossos antepassados acreditavam e o que os escritos judaicos antigos tinha a dizer com respeito ao Messias.

 

Após muitas conversas, o rabino sugeriu que eu falasse com uma outra pessoa. Ele recomendou Gerald Sigal do Brookyn, Nova York , autor de “A Resposta Judaica aos Missionários Cristãos”. O rabino Kravitz disse-me que telefonaria para o senhor Sigal, contaria para que ele a minha situação, e deixaria que nos dois discutíssemos várias questões pelo telefone…

Nossas conversas continuaram por algum tempo até que o senhor Sigal disse ao rabino Kravitz que eu tinha ido “longe demais” para ser ajudada. O rabino Kravitz ficou bravo comigo e disse-me que eu deveria ter aceitado o que quer que fosse que o senhor Sigal tivesse dito. Ele acusou-me de realmente não querer conhecer a verdade. O rabino não entendia que de fato eu estava desesperadamente procurando a verdade e faria tudo para encontrá-la. O rabino Kravitz provavelmente estava também embaraçado porque o rabino Duchman ficava lhe perguntando: “Você ainda não a ajudou?”.

 

Pouco tempo depois disso, recebi um telefonema do rabino Duchman. Ele me falou sobre um especialista conhecido internacionalmente como “desfazedor de cabeças”, Rabino J. Immanuel Schochet, que estaria falando em breve no Yeshiva de minha filha. Eu lhe disse que iria.

Aquela noite, em que ouvi o rabino Schochet, veio a ser uma hora decisiva na minha pesquisa da verdade. Minha família e eu sentamos bem na frente porque minha filha estava freqüentando a academia e sentíamos-nos à vontade sentando perto do orador…

Após o rabino ter completado a sua fala, ele deu a oportunidade de fazerem perguntas. Uma pessoa perguntou ao rabino como ele poderia proteger seus filhos da influência cristã. O rabino declarou que se as tradições fosse respeitadas e seguidas dentro de um lar judaico, haveria menos oportunidade de uma

 criança extraviar-se.

Uma outra pessoa expressou a sua preocupação acerca de missionários que queriam ensinar sobre Jesus a seus filhos. O rabino reiterou o valor que ter tradições judaicas no lar, mas também insistiu na importância de mandar nossas crianças para escolas judaicas e Yeshivas.

A terceira pergunta veio de um homem que perguntou o que ele poderia fazer quando seu filho vinha para casa perguntando-lhe sobre as Escrituras, com as quais ele, um pai judeu, não estava familiarizado. Nesse ponto o rabino Schochet agarrou os lados do pódio e gritou para o auditório:

           Nunca, sob nenhuma circunstância, um judeu entendido se volta para Aquele Homem! – (“Aquele Homem” é com os judeus chamam Jesus quando eles não querem dizer os eu nome).

Eu senti que o rabino estava falando diretamente comigo, e assim peguei a mão de Ron e cochichei:

           Devo falar alguma coisa? – Ron disse:

           Deve!

Então pequei a mão de Elisa e cochichei para ela:

           Devo falar alguma coisa? – Ela disse:

           Sim!

Então levantei a mão e perguntei:

           Rabino, o que o senhor diz a alguém como eu, que conheço o Yiddishkeit, que sigo o judaísmo, que tenho um lar judaico, mas que, no entanto, quando leio a Bíblia judaica, nela eu vejo Aquele Homem?!!

Com tantas famílias judaicas e rabinos na sala, minha pergunta detonou como uma bomba. Pelas 4 ou 5 horas seguintes, até a meia-noite, o rabino Schochet e eu discutimos o Yiddishkeit, os costumes judaicos, a Bíblia e outros assuntos…

Eu não digo que sou uma pessoa erudita em hebraico, ou erudita na Bíblia. Sou apenas uma simples mulher judia, como qualquer outra, que ama o Yiddishkeit e que apenas quis conhecer a verdade.

Naquela noite eu disse a meu marido e à minha filha:

           Eu não tenho mais dúvida alguma…”

 

(Para a leitura completa e mais 11 histórias de judeus, procure o livro:

“Eles Pensaram Por Si Mesmos e Ousaram Examinar o Proibido”, autor Sid Roth, IFC Editora. Vinhedo – (SP)

 
 

"Vale a pena refletir no irrefletido e não ter medo de pensar  naquilo que outros não tiveram medo de pensar, se você rejeitar saberá o porque. Se não rejeitar terá muitos motivos para isto." 

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