Estabelecendo uma data para o livro de Daniel



Embora a data do período dos macabeus para o livro de Daniel tenha se tornado uma posição firmada, permanece o fato de que esse consenso crítico-histórico está apresentando cada vez mais problemas. O século 20, especialmente nas décadas posteriores à segunda Guerra Mundial, produziu uma corrente de estudos que defendem o sexto século como data da origem do livro. Dados acumulados têm minado afirmações críticas e fornecido novas ideias e soluções para supostos problemas anteriormente apontados como evidências de uma data posterior.

Algumas das questões históricas relacionadas a pessoas e cronologia estão resumidas neste capítulo. Por exemplo:
Os antigos escritores gregos e romanos nunca se referiram a Nabucodonosor como o construtor da nova Babilônia. Entretanto, registros cuneiformes contemporâneos corroboram grandemente o registo da arrogância do rei no livro de Daniel. Um tablete babilônico fragmentado pode, pela primeira vez, fornecer evidência contemporânea para a loucura temporária de Nabucodonosor. Uma nova análise dos dados fornecidos por registros de época e a Bíblia indica que a experiência dos três notáveis hebreus nas planícies de Dura pode ser data com exatidão a 594/593 a.C.

Nenhum registro cuneiforme que se refira a Belsazar como “rei” foi encontrado. Mas os registros afirmam que ele foi o primogênito de Nabonido, rei de Babilônia. A história babilônica e assíria fornece a ideia de que a co-regência (pai e filho compartilhando o trono) era praticada ocasionalmente pelos governantes dessas nações.
Este evidentemente foi o caso nos últimos anos do império neo-babilônico. Os registros declaram que quando Nabonido partiu para uma longa estada em Tema (Arábia), ele “confiou o reino” a Belsazar. Outros registros revelam que Belsazar exerceu todas as prerrogativas comuns de poder real. Os registros cuneiformes também esclarecem o fato de Daniel ter sido apontado por Belsazar como o “terceiro” no reino. Uma vez que Nabonido compartilhava seu trono com Belsazar, a “terceira” posição era a mais alta a ser conferida.
Algumas vezes, o livro de Daniel se refere a Nabucodonosor como o “pai” de Belsazar. Isso não é um erro, haja vista que no pensamento semita o termo “pai” poderia também denotar um avô ou ancestral mais distante, ou mesmo um predecessor.

Dario, o medo, permanece sendo identificado de forma convincente com um conhecido personagem histórico. Entretanto, registro cuneiformes da época indicam que Ciro só assumiu o título “rei de Babilônia” depois de quase um ano da captura de Babilônia em 539 a.C. Isso indica que outra pessoa atuou como rei de Babilônia subordinado a Ciro durante esse tempo. Assim, os registros revelam que houve um período de tempo para o governo de Dario, o medo. Sugeriu-se mais recentemente que Gubaru/Ugbaru, o general do exército que conquistou Babilônia, deveria ser identificado como esse Dario. Ele viveu apenas um ano e três semanas após a queda da cidade.
Informações sobre os sistemas de ascensão e não-ascensão pelos quais os antigos contavam os anos de reinado de seus reis demonstraram que a data cronológica de Daniel 01:01 está em perfeita harmonia com os fatos. Além disso, o ano de 605 a.C. para a invasão inicial de Nabucodonosor a Judá foi firmemente estabelecida por evidência astronômica. Também é possível agora data precisamente o primeiro ano do reinado de Belsazar em 550/549 a. C. (7:01) e seu terceiro ano em 548/547 a.C. (8:01).

Essas informações tiradas de fontes contemporâneas e estudos recentes esclareceram e dissolveram várias questões uma vez levantadas contra a autenticidade de Daniel com base em pessoas e cronologia. Mas servem a um propósito mais amplo no fato de coletivamente defenderem o sexto século como data para a composição do livro de Daniel.

Somente um autor que viveu durante os eventos do sexto século descritos no documento poderia ser tão preciso nesses detalhes específicos. Esse conhecimento profundo estava aparentemente perdido, pois não é mencionado por escritores posteriores da história antiga. Assim, estaria além da percepção de um escritor macabeu do segundo século.

Fonte: Gerhard F. Hasel, Estudos sobre Daniel, Origem, Unidade e Relevância Profética, UNASPRESS – 2009 – Vol. II.

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