Questões Históricas Relacionadas à Cronologia


Vários eruditos que pesquisam a informação cronológica no livro de Daniel têm alegado que ela contém discrepâncias e erros. Essas descobertas são usadas para indicar que o livro de Daniel é cronologicamente incorreto e não-confiável.

Terceiro ou Quarto ano de Jeoaquim

Por muito tempo certos estudiosos (alguns ainda o fazem) sustentaram o ponto de vista de que há um evidente erro cronológico em Daniel 01:01, como pode ser visto comparando-se a passagem com Jeremias 25:01 e 09. Ainda em 1978, pode-se ler que “nosso autor simplesmente seguiu uma lenda folclórica anterior sem preocupar-se com a exatidão da data”. Em 1979, foi outra vez sugerido: “O versículo 1 fornece detalhes cronológicos que são impossíveis de ser aceitos”. “O livro de Daniel apresenta um erro histórico.” Qual o problema com o terceiro ano de Daniel 01:01?
A data da vinda de Nabucodonosor a Jerusalém “no ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá” (01:01) contradiz a informação fornecida em Jeremias 25:01 e 09. A última passagem refere-se ao “ano quarto de Jeoaquim”, que é o “primeiro ano de Nabucodonosor”. Essa invasão aconteceu em 605 a.C., e seu “terceiro ano” é também 605 a.C. o leitor atento perguntará como podem o “quarto” e o “terceiro” ano de um rei serem o mesmo? Esta é uma pergunta válida e crucial. Os autores cometeram um erro, ou a resposta está no sistema de contagem?
Uma autoridade mundialmente conhecida na cronologia hebraica, Edwin R. Thiele informa-nos de que “dois sistemas de contagem eram empregados para os reis hebreus: o ano de ascensão (pós-data) e ano de não-ascensão (antedata). No sistema ano de ascensão (pós-data) a parte do ano que restava era designado o ano de ascensão do novo rei entronizado. Ele não era contado. O primeiro ano do rei começava com o primeiro mês do ano seguinte. A contagem ano de não-ascensão, ou antedata, era o método de contar os anos do reinado de um rei começando por seu ano de ascensão e mudando para o seu segundo ano no próximo novo ano. O seguinte diagrama ilustra esses métodos de contagem e mostra como o “terceiro ano” e “quarto ano” de Jeoaquim seriam o mesmo se calculados por ambos os métodos.

Em 1956, D. J. Wiseman publicou a famosa Crônica Babilônica dos Reis Caldeus, a qual indica que em Babilônia era empregado o método ano de ascensão. Jeremias parece ter seguido o método judeu-palestino usual de ano de não-ascensão. Assim, não há erro histórico ou cronológico aqui.
É um tanto contrário aos fatos agora conhecidos reivindicar (como foi feito recentemente) que o autor de Daniel “não estava preocupado com tais detalhes históricos que não significavam nada para sua mensagem espiritual”. Na verdade, Daniel, que morava em Babilônia, empregava o sistema babilônico de data; e Jeremias, que morava na Palestina, utilizava o método palestino. Usando o método de ano de ascensão, Daniel pôde identificar 605 a.C. como o terceiro ano de Jeoaquim e ano de ascensão de Nabucodonosor como “rei de Babilônia”. Por outro lado, Jeremias pôde designar o mesmo ano como o quarto de Jeoaquim e o primeiro de Nabucodonosor seguindo o método ano de não-ascensão.
Além disso, há agora evidência astronômica irrefutável de e3clipses de que o terceiro/quarto ano de Jeoaquim, que foi também o primeiro ano/ascensão de Nabucodonosor, foi de fato o ano de 605 a.C., e não 606 a.C. ou 604 a.C. a historicidade da data agora está firmemente estabelecida.
A tabulação diagrama segundo essa evidência pode ser demonstrada da seguinte forma:

Com base na evidência presente, a informação bíblica ajusta-se perfeitamente consigo mesma e com a informação dos registros babilônicos no Oriente Médio antigo. De fato, ela se ajusta tão bem que aponta para um autor que tinha conhecimento detalhado desses intricados eventos. Essa é outra evidência de que o autor da Daniel viveu e escreve na época por ele descrita.
Datas de Daniel 07:01, 08:01 e 09:01
Comentaristas do passado acharam mais difícil datar o primeiro e terceiro anos de Belsazar (07:01 e 08:01) com algum nível de exatidão. Mas nossas fontes de informação se ampliaram recentemente. Agora sabemos com certeza que Nabonido ficou em Tema por dez anos, como a estela de Harã (publicada em 1958) indica. Também sabemos que Belsazar recebeu o “reinado” na época em que Nabonido partiu para Tema, ou seja, no ano sexto do reinado desse último (550/549 a.C), com indica outra evidência histórica de registros cuneiformes. Isso significa que, pela primeira vez, as datas para Belsazar pode ser calculadas com exatidão.
O primeiro ano de Belsazar como “rei de Babilônia” (07:01) foi o ano 550/549 a.C., e de forma correspondente, o terceiro ano de Belsazar (08:01) foi 548/547 a.C. Assim, apenas um período relativamente pequeno se passou entre as datas fornecidas pelos capítulos 08 e 09, a saber nove anos, se o capítulo 09 está datado do ano da queda de Babilônia (539 a.C.).
Por outro lado, o período entre os capítulos 02 e 07 é relativamente longo, se o “segundo ano” de Nabucodonosor é o seu segundo ano de reinado de 603 a.C.
A informação cronológica em 07:01, 08:01 e 09:01 corresponde e está em harmonia com a melhor informação histórica conhecida atualmente das fontes babilônicas contemporâneas.
Fonte: Estudos Sobre Daniel, Origem, Unidade e Relevância Profética – Unaspress – 2009 – Editor: Frank B. Holbrook. Este tópico é de autoria de Gerhard F. Hasel, págs. 85 a 88.

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