Temas variados no livro de Daniel


A presença de pelo menos oito cópias do livro de Daniel (preservados somente em forma de fragmentos) entre os Rolos do Mar Morto sugere que ele era um dos livros populares do Qumran (compare: 14 cópias de Deuteronômio, 12 de Isaías e 10 de Salmos). A referência ao “livro de Daniel, o profeta” por outro documento (4QFlor) indica que Daniel foi considerado um profeta canônico. Dois fragmentos mostram as mesmas mudanças do hebraico para o aramaico e de volta para o hebraico nos mesmos pontos encontrados em nossa Bíblia Hebraica (massorética) atual (2:v e 8:1).

Nenhum acréscimo apócrifo aparece nesses materiais fragmentados. Uma cópia de Daniel, escrita num estilo pertencente ao segundo século a.C., propõe um problema para defensores de uma data do período de macabeus para o livro. Tal manuscrito diminui o tempo necessário para qualquer distribuição extensiva e para o reconhecimento da canonicidade do livro.
A posição de Daniel na terceira divisão do cânon hebraico atual não constitui base suficiente para inferir uma origem posterior. A evidência sugere que os judeus originalmente listaram Daniel entre os profetas. Parece que uma mudança na terceira divisão ocorreu no segundo século d.C., instigada por um ponto de vista da minoria. Daniel provavelmente foi omitido da lista apresentada em Eclesiástico (escrito por volta de 180 a.C.) não porque ele ou seu livro fosse desconhecidos, mas porque ele não se ajustava aos critérios do autor para heróis da Palestina do passado que estivessem desempenhado um papel no estabelecimento e manutenção das instituições judaicas.

A teologia de Daniel sobre os anjos e a ressurreição pode ser adequada ao contexto do sexto século. Ela não fornece argumentação para uma origem no segundo século. Nem é possível, à luz da nova evidência da Mesopotâmia, argumentar que o autor tirou seu esquema dos quatro impérios mundiais de fontes gregas e persas.
O principal argumento da Escola Crítico-Histórica para a composição de Daniel no segundo século está baseado nas profecias do capítulo 11. Pode-se demonstrar, entretanto, que a informação no capítulo conflita com o que é conhecido sobre a época de Antíoco IV. Em essência, a questão sobre a data de Daniel está na crença do leitor com respeito a Deus e seu anseio de revelar o futuro por meio de seus servos, os profetas.

Sem exagero, pode-se dizer que sempre que nova evidência veio à tona nos últimos cem anos tendo impacto sobre o livro de Daniel, ela apoiou a data do sexto século para a composição do livro.
Fonte: Gerhard F. Hasel – Estudos sobre Daniel – Origem, Unidade e Relevância Profética – pag. 101 –  UNASPRES – 2009.

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