Religião e Hipertensão Arterial


A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA).(1)
Segundo o Ministério da Saúde, os fatoresde risco associados à hipertensão estão entre os indivíduos que mais consomem bebida alcoólica, usam muito sal na alimentação, têm excesso de peso, não têm uma alimentação saudável, são sedentários e possuem na família pessoas
com hipertensão, diabetes e são da raça negra.(2)

No Brasil, a pesquisa feita pelo Vigitel (3) revela que, de 2006 a 2009, a HASaumentou em todas as faixas etárias, principalmente entre os idosos. Atualmente,63,2% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem do problema, contra 57,8% em 2006. O percentual de hipertensos
não passa de 14% na população até os 34 anos. Dos 35 aos 44 anos, a proporção
sobe para 20,9%. O índice salta para 34,5%, dos 45 aos 54 anos, e para50,4%, dos 55 aos 64 anos.
Estudando sobre a hipertensão e a espiritualidade, Oliveira e Araújo (4) afirmaramque a fé em Deus, o apoio da família,a realização de atividades ocupacionaise a participação grupal foram os principais mecanismos de enfrentamento da doença; sendo a fé em Deus o mecanismo mais utilizado. Num estudo sobre atividades religiosas e hipertensão em idosos na comunidade, encontrou-se que aqueles que possuíam religiosidade ativa (pública
e privada) tendiam a ter uma PA mais baixa em relação aos que possuíam uma religiosidade inativa. Concluíram que uma diminuição mínima de 1 a 4 mmHg na PA resultaria numa redução
de 10 a 20% nas doenças cardiovasculares; o que representaria um grande impacto
na saúde pública.(5) Numa revisão de literatura feita sobre a relação da religiosidade/Espiritualidade e hipertensão, no período de 2000 a 2010, foram encontrados 14 estudos que analisavam essa associação. Desses, 12 (85,7%) apresentaram associação positiva entre essas variáveis, ou seja, praticar atividades espirituais é um fator
protetor para a pressão arterial.

Com efeitos positivos encontrou-se que mulheres de meia-idade apresentaram menor risco para hipertensão (6); houve diminuição em 1,6 mmHg na pressão sistólica através de programas estruturados nas igrejas (7); maior controle do estresse por meio de práticas religiosas, como ir à igreja, orar, ler a Bíblia e fazer o bem (8); diminuição da pressão diastólica, por meio da frequência aos cultos, oração e o perdão (9); melhora da PA entre afro-americanos através do coping religioso.(10)
Num desses estudos de práticas religiosas entre os árabes, descobriu-se que a prática do jejum de Ramadan é segura para os hipertensos em uso contínuo de medicamento durante o jejum.(11)

Outro estudo demonstrou que aqueles que iam semanalmente ou mais de uma vez por semana ao culto religioso, a prevalência da PA ajustada estava menor (12,13). Fazendo uma comparação com faixa etária mais jovem, encontrou-se que escores mais baixos de espiritualidade para os jovens funcionavam como preditores de maior PA sistólica (14).
A religiosidade, independentemente da sua forma praticada, funciona como uma estratégia de coping ao lidar com a raiva, o medo e o estresse (15), e a frequência aos cultos religiosos está associada com melhor sobrevivência entre mulheres de 65 anos ou mais.(16)
Do total de 14 estudos, apenas dois (14,3%) não apresentaram associação positiva entre espiritualidade e hipertensão.~

No estudo de Masters, Lesengrav-Benson, Kircher e Hill (17) (2005), a religiosidade intrínseca (como o indivíduo percebe a importância da religião em sua vida e o quanto ela ajuda nas dificuldades) descrevia risco para o desenvolvimento de hipertensão
em adultos mais idosos. No estudo de Etnyre et al (18) (2006), não houve associação
entre espiritualidade e HA, mas a religiosidade esteve associada com menor
nível de ansiedade.
Evidenciou-se que no Brasil esse tema ainda é muito tímido, pois foi encontrada
somente uma referência do tipo estudo de caso, com uma amostra de 11 idosos (16) evidenciando em análise qualitativa que a fé em Deus foi o mecanismo mais utilizado para o enfrentamento da hipertensão arterial. Foi encontrado um artigo sobre a influência
da religiosidade e espiritualidade na hipertensão arterial sistêmica de Lucchetti et al,(19) mas apenas comunicação breve de duas páginas, comentando alguns artigos que associam
positivamente coping religioso e menores níveis de PA ambulatorial e em avaliação
clínica.
Esta breve revisão de literatura tem como propósito contribuir para a divulgação
do conhecimento científico sobre os efeitos da espiritualidade e religiosidade
no controle da hipertensão arterial, não significando, é claro, na anulação do
tratamento convencional da HA.

Mais estudos devem ser incentivados na Universidade, estabelecendo associações
mais robustas entre espiritualidade/religiosidade e o controle da hipertensão
arterial. Como diz Pessini: “Ter fé e cultivar uma religião é um fator decisivo para
viver mais e de forma saudável.”(20) A Bíblia está repleta de conselhos e evidências sobre a relação direta da espiritualidade e a saúde. Em Mishlei/Provérbios 3:7,8 lemos:
“Não seja vaidoso com sua própri sabedoria; mas tema Adonai e se afaste do mal. Isso trará saúde para seu corpo e força para seus ossos” veja tambám Yesha’yahu/Isaías 33:24.”

Fonte: adaptado da RA – Junho de 2012 – autora: GInA AnDRADe AbDALA é enfermeira,mestre em Saúde Coletiva (UEFS) e doutoranda em Ciências – Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EE/USP).

Previna a pressão arterial

Adote uma rotina de exercícios diários que o leve a movimentar os músculos, como nadar,
caminhar, andar de bicicleta ou correr. Comece aos poucos e vá aumentando o ritmo
gradativamente. Evite exercícios que demandem força mais do que movimentos, pois esses tendem a elevar a pressão.

O exercício físico tem como virtude diminuir a pressão, bem como melhorar a qualidade das gorduras do sangue. Antes de começar uma rotina de exercícios, aconselhe-se com seu médico quanto à sua situação cardiovascular.
Use alimentos integrais, ricos em fi bras, muitas frutas e verduras, pois são ricos em potássio e pobres em sódio. Alimentos como queijos, carnes e embutidos ou processados,
têm muito sal e favorecem a hipertensão. Leia sempre as tabelas dos alimentos industrializados para saber o teor de sal.

Diminua seu peso, trazendo-o a níveis compatíveis com sua altura e estrutura corporal.
Para cada quilo que se perde, diminui-se um milímetro da pressão arterial. Assim, se você
diminuir 10 kg, a pressão, se antes era de 160 x 100 mmHg, passará para 150 x 90 mmhg. Se conseguir diminuir mais 10 kg, a pressão fi cará em 140x 80 mmHg aproximadamente.
Não tome café e outras bebidas cafeinadas (refrigerantes, chá preto), pois elas tendem a
elevar a pressão arterial.

O álcool, em qualquer quantidade, também deve ser eliminado.Controle o estresse, se esse for o caso. A vida demanda muito de todos, mas temos que agendar o cuidado com a saúde. Dormir mais cedo, tirar períodos de descanso de maneira regular, visitar cenários naturais e praticar esportes, entre outras coisas – tais hábitos ajudam a controlar o estresse. Não fumar é também uma medida de prevenção.
Pode não ser fácil fazer todas essas mudanças – até mesmo algumas delas –, pois muitos não gostam de mudar. Entretanto, seria muito mais difícil fazer essas mudanças
se a pressão se elevasse incontrolavelmente.
Finalmente, se ela nos causar a paralisia de um dos lados do corpo, ou se formos obrigados
a uma rígida dieta porque os rins pararam de funcionar, ou se tivermos
que enfrentar um enfarte do coração, as coisas poderão ficar mesmo ruins. Mas se você tomar consciência da importância desse assunto e decidir mudar, aprenderá a apreciar o novo estilo de vida e os efeitos benéfi cos sobre sua saúde e bem-estar.

Fonte: Manfred Krusche, cardiologista e consultor médico da revista Vida e Saúde.

Referências

1. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Revista
Brasileira de Hipertensão. Sociedade Brasileira de Hipertensão:
São Paulo, v. 17, n. 1, jan/mar. 2010. Disponível em: http://www.
saude.al.gov.br/fi les/VI_Diretrizes_Bras_Hipertens_RDHA.pdf
(acesso em 26 de agosto de 2010).
2. Brasil. Ministério da Saúde. 2010. Disponível em: http://
portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.
cfm?idtxt=23616&janela=1 (acesso em 26 de agosto de 2010).
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde.
Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil
2009. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas
por inquérito telefone. Brasília, Ministério da Saúde, 2010. 116p. Il
(Série G. Estatística e Informação em Saúde).
4. Oliveira T. C., Araújo T. L. Mecanismos Desenvolvidos por Idosos
Para Enfrentar a Hipertensão Arterial. São Paulo: Rev. Esc. Enferm.
USP 2002; 36(3): 276-81.
5. Koenig H. et al. The Relationship Between Religious Activities and
Blood Pressure in Older Adults. Intl. J. Psychiatry in Medicine
1998, v. 28(2) 189-213.
6. Fitchett G., Powell L. H. Daily Spiritual Experiences, Systolic
Pressure, and Hypertension Among Midlife Women in SWAN. Ann.
Behav. Med. 2009; junho; 37(3):257-267.
7. Yanek L. R., Becker D. M., Moy T. F., Gittelsonhn J., Koffman D. M.
Project JOY: Faith Based Cardiovascular Health Promotion for African
American Women. Public Health Reports 2001; supplement 1.
V. 116.
8. Naewbood S., Sorayjakool S., Triamchaisri S. K. The Role of
Religion in Relation to Blood Pressure Control among a Southern
California Thai Population with Hypertension. J. Relig. Health 2010;
Springer Published online:16 de março de 2010.
9. Buck A., Williams D. R., Musick M. A., Stemthal M. J. An
Examination of the Relationship Between Multiple Dimensions of
Religiosity, Blood Pressure, and Hypertension. Soc. Sci. Med. 2009;
janeiro de 68(2):314-322.
10. Steffen P. R., Hinderliter A. L., Blumenthal J. A., Sherwood A.
Religious Coping, Ethnicity, and Ambulatory Blood Pressure. Psych.
Med. 2001; 63: 523-530.
11. Perk G., Ghanem J., Aamar S., Bem-Ishay D., Bursztyn M. The
Effect of the Fast of Ramadan on Ambulatory Blood Pressure in
Treated Hypertensive. Jour. of Hum. Hypert. 2001; 15, 723-725.
12. Gillum R. F., Ingram D. D.. Frequency of Attendance at Religion
Services, Hypertension, and Blood Pressure: the third National
Health and Nutrition Examination (NHANES III). Psych. Med.
2006; 68:382-385.
13. Loustalot F. Race, Religion and Blood Pressure. [Tese Doctoral].
University of Mississippi Medical Center 2006; Proquest.
umi.com.
14. Sethness R. et A. L. Cardiac Health Relationship Among Hostility,
Spirituality, and Health Risk. J. Nurs. Care 2005; v. 20, n. 1, 81-89.
15. Giaquinto S., Spiridigliozzi C. Possible Infl uence of Spiritual and
Religious Beliefs on Hypertension. Clin. and Experim. Hypert.
2007; 29:457-464.
16. Teinonent T., Vahlberg T., Isoaho R., Kivela S. Religious
Attendance and 12 Year Survival in Older Person. SIR. Ageing.
orxfordjournals.org (acesso em 5 de dezembro de 2010).
FMRP/USP/Bib Central dói:10.1093/ageing/afi 10. Site: www.
ageing.oupjournals.org
17. Masters K. S., Lensegrav-Benson T. L., Kircher J. C., Hill R. D.
Effects of Religious Orientation and Gender on Cardiovascular
Reactivity among Older Adults. Research on Aging. 2005. 27:221.
A versão online desse artigo pode ser encontrada em: http://
roa.sagepub.com/content/27/2/221
18. Etnyre A. et al. Cardiovascular Risk Among Older Hispanic Women
– A Pilot Study. AAOHN Journal 2006; março, v. 54, n. 3.
19. Lucchetti G., Granero A. L., Nobre F., Avezum Jr. A. Infl uência da
Religiosidade e Espiritualidade na Hipertensão Arterial Sistêmica.
Rev. Bras. Hipertens. 2010; 17(3):186-188.
20. Pessini L., Barchifontaine C. P. Buscar Sentido e Plenitude de Vida:
Bioética, Saúde e Espiritualidade. São Paulo: Paulinas, 2008.

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Um comentário sobre “Religião e Hipertensão Arterial

  1. Boa tarde,caros leitores
    Estou impressionado de que os muculmanos quando jejuam e que em vez de comerem de dia comem de noite e a tensao arterial nao sobe .
    Gostaria de lembrar de que o Senhor Jesus Cristo jejuou 40 dias e 40 noites ,para mostrar como se jejua ,um jejum é um dia e uma noite, e nao meio dia ,seja de dia ou de noite ,senao nao fazia sentido jejuar ,comer de noite nao é saudável e para isso nao é preciso ser médico .
    Gostaria de saber como os judeus fazem o seu jejum.
    Cumprimentos

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