Kaparot – Yom Kipur


A “kapará”, expiação, e “mechilá”, perdão são de suma importância para a absolvição de um judeu. As Escrituras Ancestrais, isto é, a Bíblia Hebraica indica que o pecado é uma situação muito séria e desastrosa, é só olhar ao nosso redor ou assistir os noticiários e teremos as provas da degeneração dominante. D’us leva o pecado a sério porque leva o homem a sério.

O perdão, “mechilá”, está ligado diretamente à ação de D’us agir, porém, como agir sem comprometer Sua perfeição?

Como deixar o pecado pra lá sem considerar sua realidade devastadora ou ser perdoador e ser justo ao mesmo tempo?

O que D’us poderia fazer ou o homem para que o perdão fosse efetuado?

Naturalmente a ação reconciliadora deveria levar em conta à gravidade do pecado, a responsabilidade moral do homem, a culpa humana e a reação de D’us.

O pecado é a intenção e a ação do ser humano de viver independente da vontade de D’us, por este motivo ele transgride a Lei Divina, aliás, o homem nasce pecador e por isso peca, é uma condição de berço, de útero, de DNA.

bebês

Somos diferentes dos animais, somos moralmente responsáveis, o Criador nos fez assim e, como criaturas vivas, somos devedores a Ele por aquilo que fazemos ou não durante o curto espaço de tempo que chamamos “minha vida”.
Quanto à culpa, todos são inescusáveis por tudo aquilo que a natureza mostra da Pessoa de D’us, seja o Seu poder extraordinário visto nas noites estreladas, ou Sua delicadeza na macia pétala de uma flor. Seja no conhecimento da Lei de D’us dada aos judeus, ou a luz moral dada aos gentios, todos são responsáveis diante do Todo Poderoso.
Para termos uma ideia da reação de D’us diante do pecado, o Tanakh nos fala primeiramente da reação do homem diante de D’us:

1. Moisés escondeu o rosto diante de D’us.

2. Isaías viu O Entronizado Celeste, e o senso de sua impureza o dominou imediatamente.

3. Jó diante da auto-revelação divina jogou pó e cinza sobre a cabeça e o corpo, uma atitude típica de alguém que reconhece o seu estado pessoal.

4. Ezequiel caiu prostrado no chão.

5. Daniel diante de uma visão semelhante perdeu o fôlego e as forças.

D’us é Santo, Santo, Santo, (veja Ieshaiáhu/Isaías 06:03) e Sua reação diante do pecado é de ira santa devido a tudo o que o pecado trouxe a vida de bilhões de seres humanos neste mundo. A reação de D’us é uma reação moral, um antagonismo ao mal, uma indignação do amor diante da injustiça do pecado e da maldade.

caparot II

Mechilá para ser efetiva, segundo a Bíblia, precisa da kapará.

O Judaísmo Rabínico ensina que “o arrependimento, mesmo no leito de morte, sempre leva ao perdão divino, não importa quão graves tenham sido os pecados. Orações, como o kadish, também podem granjear o perdão… D’us deseja perdoar, e até reza a Si mesmo para ser clemente…” Dicionário Judaico – Perdão – Jorge Zahar Editor

Quanto à kapará, a expiação, o Judaísmo Tradicional diz que após a destruição do segundo Templo no ano 70 e.c. (era comum) o Iom Kipur, o dia da expiação continuou a ter poder expiatório, daí que muitas comunidades judaicas asquenazitas, que são os de origem europeia central e do leste, ainda hoje, realizam a kaparot, sacrificando uma galinha para cada pessoa.

A pessoa que participa deste ritual deve dizer:

– Isso é em substituição a mim, isso é em vez de mim, isso é minha Expiação. Este galo (ou galinha) irá morrer, e eu irei para uma vida boa e longa e para a paz. (Dicionário Judaico – Kaparot – Jorge Zahar Editor.)

“Em cada sacrifício ocorre à idéia de substituição: a vítima toma o lugar do pecador… A substituição e transferência dos pecados são realizadas.” (The Jewish Encyclopedia, vol. II, pág. 286, Artigo: Atonement)

Porém, muitos judeus da atualidade dão tzdaká, isto é, uma esmola que, consideram, pode substituir o sacrifício. Já o sofrimento e até a morte de um judeu pode ter o caráter expiatório, um judeu pode até dizer:

– Que isto de ruim que aconteceu comigo seja uma expiação. Ou antes, de morrer, fazer uma prece – que seja a minha morte uma expiação por meus pecados.

O que precisamos refletir é se esmolas aos pobres, sofrimentos pessoais ou mesmo a morte da própria pessoa são suficientes para o perdão dos pecados individuais. Ou, se a morte de uma galinha ou galo satisfaz a D’us.
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sacrificio 4

Afinal, de que D’us estamos falando? Um ser que precisa ser aplacado, acalmado ou comprado?

Seria o sangue de animais escorridos em uma bacia por um sacrificador qualificado o preço para culpas morais humanas?

Seria a condição de pecadores morais livres para escolher, expiada por sofrimentos e amarguras pessoais?

Será que todas as esmolas do mundo modificariam a gravidade do pecado, a responsabilidade e condição moral do homem, a culpa humana e a reação de D’us?

Boas obras, que afinal, são esperadas de todos nós, ou o derramamento do sangue de uma ave, que se repetem anualmente, nunca jamais tornam alguém aperfeiçoado, visto que no ano seguinte tem que se repetir novamente fazendo recordação dos pecados.

É certo que o D’us de Israel ensinou que a ‘vida da carne está no sangue’ e que o sangue faria expiação em virtude da vida” conforme Levítico 17:1 e que as boas obras devem acompanhar a vida de um verdadeiro israelita, porém, a que tudo isto leva?

Torah  Scroll

Quando a Torá diz que o sangue faria expiação em virtude da vida, esta querendo dizer:

1.Que é vida por vida.

2.Alguém morre para que alguém viva.

3.Há um substituto que normalmente é um cordeiro ou bode, e alguém era substituído, o judeu devoto.

É um conceito judaico de que uma vítima inocente morre no lugar do transgressor, assim, a justiça é aplicada, o pecado leva à morte e a misericórdia é concedida, o devoto é perdoado, ambos os fatos em cada sacrifício na Bíblia Hebraica caminham juntos.
A questão mais profunda é se o sangue de animais equivalem ao sangue humano. Um animal era sacrificado no Tabernáculo de Moshe ou no Templo, uma ave é sacrificada na kaparot, um animal por um ser humano?

Tabernáculo desenho

Esta balança esta correta? A culpa moral de um ser humano feito à imagem e semelhança de D’us é liberada pela morte de um animal irracional?

Talvez a forma de responder estas inquietantes perguntas seria olhar os sacrifícios de outro ângulo. Seriam os sacrifícios um fim e si mesmos?

Seriam eles o remédio para os pecados do povo ou seriam eles uma amostra de uma realidade superior?

Haveria a possibilidade de todo o sistema sacrifical mosaico ser na realidade uma figura, ou profecia em larga escala, uma dramatização de um evento tremendamente impactante para o Judaísmo e para o mundo?

Bem, o pensamento de que sangue ou a vida de animais não equivalem ao sangue e vida de um ser humano feito a imagem de D’us parece ser bem clara. Digamos que a possibilidade levantada acima no último parágrafo seja a verdadeira questão, e que o animal sacrificado seja apenas um símbolo profético, talvez ele represente a morte de um ser humano, mas, não qualquer ser humano.

Qualquer ser humano é cheio de erros e pecados. O sacrifício deveria ser imaculado:

“E, por sua oferta pela culpa, trará, do rebanho, ao ETERNO um carneiro sem defeito, conforme tua avaliação, para oferta pela culpa; trá-lo-á ao sacerdote. E o sacerdote fará expiação por ela diante do ETERNO, e será perdoada de qualquer de todas as coisas que fez, tornando-se, por isso, culpada.” Vaicrá/Levítico 06:06 e 07

Afinal, o que significa a kaparot? Será que existe alguma Verdade que vá além do ritual do Tabernáculo ou do Templo?

Wladimir – Editor da Revista Virtual Herança Judaica

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