A Pedra


Na medida em que a profecia de Daniel 2 move-se na direção do estabelecimento da pedra-reino, é vital para este estudo descobrir o uso bíblico e o significado do termo “rocha” ou “pedra”. No Tanach com frequência “rocha” é um nome para o Eterno…
O conceito de rocha sendo aplicado a D’us pode remontar a uma passagem básica de Gênesis (49:24) onde se diz que o “Poderoso de Jacó” é a “Rocha de Israel” (‘eben). Daí por diante, esse conceito é repetido em numerosas outras passagens. Em Deuteronômio 32:4, D’us é mencionado como uma rocha (sûr) e, posteriormente, em Isaías 8:14 e 15 Ele é chamado tanto de pedra quanto de rocha (‘eben, sûr). No capítulo seguinte (Is. 09:06) o escritor fala do Messias …
A partir desse conceito o leitor pode apreciar o significado messiânico da seguinte declaração:
“Portanto, assim diz o Adonai D’us: Eis que eu assentei um Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge” (Isaías 28:1)…
Um targum judaico (uma paráfrase aramaica pós-exílica) também provê uma interpretação messiânica de Isaías 28:16:
“Eis que Eu (D’us) ponho em Sião um rei, um poderoso rei, poderoso e terrível, a que Eu sustentarei e fortalecerei; diz o profeta: e os justos em que está a confiança não tremerão quando vier a aflição.” TDNT, 4:272
Em Isaías 8:14 e 15 D’us é apresentado como um firme fundamento e uma rocha inabalável. Em Isaías 28:16 e 17 Ele se destaca como um refúgio confiável (em contraste com u instável refugio de mentira). Parece que os judeus estavam confiando nas promessas políticas de um bordão de cana esmagada – Egito. Isso nós recolhemos dos capítulos 30:01 a 07 e 36:06 a 09. Para Judá, entretanto, colocar sua confiança no Egito era confiar em “mentiras” e “falsidade”. Em vez disso, D’us prometeu assentar em Sião uma pedra que tinha sido provada – que podia manter-se firme sob pressão – por “um firme fundamento” (Isaías 28:16).

A estabilidade e durabilidade da pedra foi autenticada pelo teste. Contudo, segundo as passagens de Isaías 08:14 e 15, ela (isto é, Ele) se tornará uma prova para a humanidade – um santuário de proteção e apoio para aqueles que se lançam sobre Ele, mas uma rocha de tropeço e uma armadilha para aqueles que o rejeitam.
Em Isaías 28:16 essa pedra é também descrita como “uma pedra preciosa, angular’… evidentemente, sendo que ela é uma pedra angular, liga duas paredes de um edifício e cumpria uma posição significativa na estrutura suportando o peso da construção. É digno de nota observar que a pedra é preciosa, e o que índia que a pedra tem valor; não algo comum. É também significativo que ela provê um “firme fundamento”, ou seja, esse fundamento foi firmemente estabelecido, de sorte que não pode ser movido.
Nos textos de Qumran a comunidade escatológica é comparada a um edifício com fundamentos sobre a rocha. A imagem da pedra angular mencionada na B’rit Hadashah está também presente nessa literatura. “É uma parede provada, essa preciosa pedra angular, cujos fundamentos não balançarão e nem oscilarão em seu lugar.” Aqueles que confiam plenamente no que essa pedra representa (D’us) não se precipitarão em contraste com aqueles mencionados nos versículos 14 e 15, que não põem sua confiança em D’us. Os últimos estão correndo apressadamente a fim de recorrer à política de conveniência com o Egito, Assíria e outros para se protegerem. Mas aqueles que olham para a pedra – a majestade de D’us – estão confiantes e em paz; consequentemente, a necessidade de dependência humana é refutada.
É significativo que a literatura rabínica contenha muitas referencias em que se dá à pedra de 2:34ss significado messiânico. Por exemplo, é suscitada a pergunta:
“Donde (vem que o Messias reinará) sobre a terra? (Resposta:) porque está escrito: Salmo 72:11…; Daniel 07:13s…; Daniel 2:35: A pedra… encheu toda a terra.” TDNT, 4:272-73.
O Rabi Lagish (250 d.C.) do mesmo modo interpretava a pedra como sendo o rei Messias. TDNT, 4:273…

Fonte: adaptado de Douglas Bennet em Estudos sobre Daniel – Origem, Unidade e Relevância Profética – Editor Frank B. Holbrook – 2009 – UNASPRESS, págs. 290 e 293.

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