Relação entre Daniel 2 e Daniel 7


Daniel o ProfetaExiste uma clara correlação entre o panorama das nações apresentando na série de metais no capítulo 2 e a série de animais no capitulo 7. Portanto, esses dois capítulos devem ser estudados em conjunto. As correlações envolvem, em primeiro lugar, o fato de que ambas as profecias apresentam uma vista geral dos quatro reinos no qual o quarto será dividido. Por sua vez, essa divisão está indicada por uma mistura de ferro e barro no capítulo 2 e pelo surgimento dos dez chifres no capítulo 7.
Em algum momento após a ocorrência dessa divisão, o reino de D’us será estabelecido. Isso é representado pelo reino de pedra no capítulo 2 e pela referência ao reino no qual os santos do Altíssimo habitarão no capítulo 7. Em se tratando de relações históricas, portanto, essas duas profecias podem ser vistas como descrevendo basicamente a mesma sucessão de entidades históricas.
No nível mais detalhado de correspondências linguísticas, as mesmas relações podem ser demonstradas pelo uso de palavras e frases semelhantes em ambos os capítulos. Uma vez que ambos os capítulos foram escritos em aramaico, essas correspondências são bem diretas.
Deve-se notar que a presença de exatamente quatro reinos mundiais em ambas as sequencias não está em nossa enumeração apenas.
Slide1
O próprio escritor faz a enumeração nesses termos específicos. Ele já nos disse que haveria exatamente quatro grandes reinos mundiais em cada uma dessas profecias. Não temos que contá-las por nós mesmos. Visto que estamos lidando com quatro grandes reinos em ambas as profecias, e o quarto será seguido do reino eterno de D’us (02:22 conforme 07:13,14 e 27), os quatro reinos presentes nesses dois resumos devem ser os mesmos.
Essa conclusão é confirmada por um exame da segunda parte da lista de correspondências linguísticas elas demonstram que o quarto reino nessas duas linhas de profecias é descrito numa terminologia comum (compartilhando um adjetivo, dois substantivos e dois verbos). Assim, se o quarto reino é o mesmo em ambas as linhas proféticas, então os três reinos precedentes também deve ser equivalentes.
Slide2
Tendo determinado que os quatro reinos dos capítulos 2 e 7 são os mesmos, nos voltamos para a sua identificação. Nenhum desses reinos é identificado no capítulo 7, mas o primeiro deles é identificado no capítulo 2. Ao interpretar o sonho de Nabucodonosor ao rei, Daniel disse:
“…tu és a cabeça de ouro. Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao teu…”
Daniel 02:36 a 39.
A Cabeça de Ouro representava Babilônia
O fato de a palavra para “reino” aparecer no lugar da palavra para “rei” na segunda metade dessa declaração indica que aqui estamos lidando com reinos. A palavra usada para “reino” em outros lugares em ambas as profecias ilustra o mesmo ponto.
Daniel não foi inexato ou impreciso ao identificar o império neo-babilônico com Nabucodonosor, uma vez que esse rei o governou por 43 anos dos 66 anos que existiu. Ele conquistou muito do território pertencente àquele império e foi responsável pela grande expansão arquitetônica de sua capital. A partir da identificação do império neo-babilônico como o primeiro desses quatro reinos, devemos nos voltar para a história a fim de identificarmos os três seguintes.
O império medo-persa sucedeu o neo-babilônico como é evidente no próprio livro de Daniel (05:28, 30,31; 10:01). Alexandre destruiu o império medo-persa em sua expansão no Oriente Médio. Assim, o terceiro reino deve ser identificado como a Grécia.
Começando com sua consolidação do controle sobre a península italiana no terceiro século a.C., Roma prosseguiu expandindo suas propriedades. Seu império acabou incluindo praticamente todo o mundo mediterrâneo e algumas regiões além. Dessa forma, absorveu as entidades políticas e territoriais que surgiram das divisões do império alexandrino. Assim, mesmo um conhecimento rudimentar da história mundial indica que, começando com Babilônia (identificada no capítulo 2), os três reinos seguintes devem ser identificados como Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Pode-se chegar à mesma conclusão retrocedendo ao capítulo 7 a partir do 8, onde Medo-Pérsia e Grécia são identificadas pelo nome (08:20,21)…
Da perspectiva do imaginário profético, os metais da imagem no capítulo 2 estão listados em ordem decrescente de valor, porém, crescente no quesito força. Por consequência, o ouro da cabeça representa a riqueza do primeiro reino, enquanto que o ferro das pernas representa a glória e o poder do quarto reino…
Daniel 2 e Daniel 7 em Paralelo II
Os animais do capitulo 7 seguem um padrão um tanto semelhante. O leão que representava o primeiro reino é conhecido como o rei dos animais, mas o poder esmagador do quarto reino não era passível de representação por um animal conhecido na natureza….
Há outras formas nas quais os capítulos 2 e 7 são semelhantes. Ambas as profecias foram dadas em sonhos noturnos – a primeira, a Nabucodonosor, e a segunda, a Daniel. Isso contrasta com as formas pelas quais Daniel recebeu as últimas revelações dadas a ele. Ambas as descrições nessas duas profecias também se concentram mais sobre as consequências do quarto e último reino terrestre, o que enfatiza a sua importância.
Embora existam várias semelhanças e correlações entre essas duas profecias, há também contrastes. Uma vez que os símbolos de animais empregados nas últimas eram animados, transmitem mais informações sobre as atividades desses reinos. Isso é simplesmente uma amplificação de elementos presentes na primeira profecia. Os elementos realmente novos do capítulo 7 envolvem sua nova revelação sobre o chifre pequeno e o julgamento no Céu que o sucede. Por que eles não foram mostrados a Nabucodonosor?
Nabucodonosor confrontado pelo Eterno
Uma vez que as convicções religiosas do rei sem dúvida era as de um pagão politeísta, uma quantidade razoável de informações do capítulo 7 não teriam significado para ele. A fim de compreender a grandiosidade da “blasfêmia” dita pelo chifre pequeno, ele teria que entender a religião monoteísta de Adonai Elohim. Nabucodonosor teria bastante dificuldade de entender sobre “os santos do Altíssimo” que foram designados como os recebedores do reino eterno no capítulo 7.
Esses novos elementos na segunda visão eram mais relevantes para o povo de D’us do que para Nabucodonosor. O rei recebeu uma descrição mais rudimentar da história do mundo, a qual ele estava mais apto a compreender. Os diferentes contextos nos quais essas duas revelações foram dadas tornam suas diferenças mais compreensíveis.

Fonte: Estudos sobre Daniel, Origem, Unidade e Relevância Profética, editor Frank B. Holbrook, autor: William H. Shea, págs. 137 a 141, UNASPRESS, 2009.

Anúncios