JUDEUS EM SÃO PAULO SÃO ATIVOS EM DIVERSAS ÁREAS


A megalópole São Paulo tem 20 milhões de habitantes, 70 mil dos quais são judeus. Uma minoria, porém ativa, como mostram três exemplos: um hospital, uma livraria e um lar para crianças.

O Hospital Albert Einstein de São Paulo é considerado o melhor do Brasil e um dos mais respeitados no mundo em transplante de fígado. O hospital é uma verdadeira cidade dentro da metrópole São Paulo, fundado justamente no dia 18 de abril de 1955, dia em que faleceu o cientista que lhe dá o nome.
Hospital Albert Einstein Fundado em 1925

Hospital Albert Einstein foi fundado em 1955

Dar e receber

Hoje, estima-se que vivam em São Paulo aproximadamente 70 mil judeus. E o consenso entre eles parece ser que o Brasil os acolheu bem, de braços abertos. E, por isso, é preciso retribuir de alguma forma. “Decidimos fazer algo por aquilo que para nós é o mais importante: a vida”, diz Claudio Lottenberg, oftalmologista e presidente do Hospital Albert Einstein.

São Paulo é uma cidade de contradições opressivas, entre a riqueza ostentada de forma gritante e a miséria mais amarga, uma cidade de muitos deuses, multiforme como Nova York, um cadinho de diferentes povos, com suas cozinhas e culturas.

A comunidade judaica é ativa em toda a cidade, afirma Lottenberg: na política, na economia, nas ciências, pesquisa e cultura. É gente das classes média e alta, culta e de boa formação profissional, que não reflete necessariamente a média da população da cidade. Um acaso? Não, diz o rabino Ruben Sternschein. Afinal, entre os judeus que vivem em São Paulo, muitos têm raízes alemãs. “E esse judaísmo liberal se caracteriza pela responsabilidade social e um interesse pela educação.”

Oferta cultural

Pedro Herz vende cultura em livrarias em São Paulo e em outras cidades do país. Com um total de dois mil funcionários, ele importa, a cada semana, por via aérea, aproximadamente dez toneladas, sobretudo dos EUA e da Inglaterra. A maior parte é de livros, claro, mas há também CDs, DVDs, jogos e revistas – um império. Herz é proprietário da Livraria Cultura, uma rede de grandes lojas de cultura que já se tornou conhecida para além das fronteiras do país. Para Pedro Herz, uma fonte de orgulho.

Tudo começou com uma mínima biblioteca para empréstimos, em 1947, pois os amigos e conhecidos de seus pais queriam ter algo para ler. Eles eram imigrantes como Eva Herz e o marido, fugidos de Berlim no ano de 1938. Encontrar livros em alemão em São Paulo, em 1947, era praticamente impossível. O pouco que havia estava nas mãos de particulares. Ainda assim, Eva Herz conseguiu reunir dez livros, que emprestava semanalmente.

O início foi assim, narra Pedro Herz, que 20 anos mais tarde abriria na Avenida Paulista a primeira Livraria Cultura. A loja principal, localizada no prédio de um antigo cinema, tem três andares e é o maior estabelecimento do ramo no país.

Há ainda um pequeno teatro em anexo e, a poucos metros de distância, livrarias especializadas em artes, fotografia, assim como o catálogo completo de algumas editoras selecionadas. “Acho que construímos algo fantástico, meus filhos e eu”, alegra-se Herz. O que não significa que esteja acomodado: diversas filiais da Livraria Cultura estão prestes a ser inauguradas.

Lar das Crianças, em São Paulo, oferece possibilidade de crescimento pessoal

“Ajudar é humano”

O percurso da Avenida Paulista até o Lar das Crianças dura pelo menos meia hora de carro. Quando tudo corre bem, isto é: se o trânsito não entrou mais uma vez em colapso, deixando tudo parado. O orfanato dirigido por Margret Herzberg foi fundado por duas imigrantes: a berlinense Charlotte Hamburger e Ida Hoffmann, do sul da Alemanha.

De início, tratava-se de uma creche para crianças judias, a fim de que os pais tivessem tempo de construir a nova existência. Com a diminuição da demanda entre os membros da comunidade judaica, a instituição não foi fechada, mas se voltou para um novo público, as crianças brasileiras carentes.

“Não faz a menor diferença de onde eu venho”, diz Margret Herzberg, diretora da instituição. Ela crê que é normal no ser humano ajudar os outros, tão logo se encontre numa situação melhor. Cerca de 250 menores se beneficiam dessa filosofia – crianças e adolescentes que ali recebem atenção e a possibilidade de se desenvolverem. “No Lar das Crianças, elas aprendem a acreditar em si mesmas”, explica o rabino Ruben Sternschein, e isso facilita que encontrem o seu lugar na vida. Sternschein conhece centenas de casos que deram certo.

Autora: Silke Bartlick (sv)
Revisão: Augusto Valente
DW.DE

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