Lição 1 – Mishikan Kodesh Celestial


As lições do Tanakh são divididas por dias para facilitar a assimilação, sugerimos que você adquira a Bíblia Judaica Completa, Editora Vida, e a Bíblia Hebraica Sêfer para facilitar as consultas sitadas tanto do Tanakh quanto da B’rit Hadashah.

Santissimo

Shabat à tarde
Ano Bíblico: Ageu

VERSO PARA MEMORIZAR:
“Ouve Tu nos Céus, lugar da Tua habitação, a sua prece e a sua súplica e faze-lhes justiça” (1Rs 8:49).

Leituras da Semana:
Jr 23:23, 24; Sl 89:14; Ap 4; 5; Sl 11:4-7; Dt 25:1; Hb 8:1, 2

Pensamento-chave: Mesmo em meio ao adultério espiritual e ao juízo divino, o amor do Eterno por Seu povo nunca vacila.
“Onde Hashem habita?” A pergunta inocente de uma criança de seis anos pode ser desconcertante. Essa questão pode levar a outras questões mais difíceis, como: “Se Ele vive em um lugar, como é possível que Ele esteja em toda parte?”; “D’us precisa de um lugar de habitação?”; Ou “Se Ele não precisa, por que tem um?”; “Se Ele precisa de um, por que precisa?”

Boas perguntas e, dado o pouco que sabemos (e o muito que não sabemos), elas não são tão fáceis de responder.
No entanto, podemos responder com o que sabemos. A Bíblia diz que o Eterno habita no Paraíso, que Ele atua intensamente em nosso favor “lá em cima” e que o centro de Sua obra está no santuário celestial.

A Bíblia é clara: o santuário celestial é um lugar real e, a partir dele, podemos aprender verdades sobre o caráter e a obra de D’us. Assim, o foco da lição desta semana é o santuário celestial e o que o Eterno está fazendo ali por nós, porque o que Ele está fazendo no santuário é, de fato, em nosso favor.

natureza II

Domingo
Ano Bíblico: Zc 1–4

A habitação de Hashem

Costumamos dizer que “D’us está em todo lugar”, ou que Ele é “onipresente”, o que significa que Ele está presente em todo o Universo. “Acaso, sou D’us apenas de perto […] e não também de longe? […] porventura, não encho Eu os céus e a Terra?” (Jr 23:23, 24). Davi entendia também que ninguém pode fugir de D’us (Sl 139). Como Paulo argumenta, D’us está perto de todos, pelo menos no sentido espiritual (At 17:27, 28).

A existência eterna de Adonai é complementada pelo atributo da onipresença. O Eterno não tem começo nem fim (Sl 90:2). Ele sempre foi e sempre será (Jd 1:25).

1. Leia 1 Reis 8:49 e Salmo 102:19. Onde o Eterno habita? O que isso significa? É possível entender essa questão?

Muitas vezes as Escrituras declaram que a habitação de Hashem está no Céu (1Rs 8:30, 43, 49). Isso significa que o Eterno está mais presente no Céu do que em outro lugar? Obviamente, de modo especial, Deus habita no Céu, em Sua gloriosa presença e santidade. No Céu, é vista a maior manifestação da presença de Deus.

Há uma diferença, porém, entre a “presença geral” de D’us e Sua “presença especial”. O Eterno está geralmente presente em todos os lugares. No entanto, escolhe Se revelar de modo especial no Céu e, como veremos, no santuário celestial.

Temos que admitir que somos limitados em nossa compreensão de Sua natureza física. Ele é espírito, Ruach ha Kodesh (Jo 4:24) e, como tal, não pode ser contido em nenhuma estrutura ou dimensão (1Rs 8:27). Mesmo assim, a Bíblia apresenta o Céu (Jo 14:1-3) e o santuário celestial como lugares reais (Hb 8:2), nos quais Ele pode ser visto (At 7:55, 56; Ap 4:2, 3). Temos que concluir que até mesmo o Céu e o santuário celestial são lugares nos quais o Eterno condescende em Se encontrar com Sua Criação.

Há muitas coisas difíceis de imaginar ou entender, tais como a morada do Eterno. No entanto, a Bíblia diz que essa morada é real. Como podemos aprender a confiar em tudo o que a Bíblia nos ensina, mesmo que não entendamos? Por que é importante confiar, ainda que não compreendamos?

tsitsiyot

Segunda
Ano Bíblico: Zc 5–8

Sala do trono

2. O que a Bíblia ensina sobre Deus e Seu trono? Sl 47:6-9; 93:1, 2; 103:19

Na Bíblia, ocorrem várias visões do trono celestial. A maioria delas retrata uma espécie de assembleia celestial, tendo Adonai como Rei. Curiosamente, a maior parte delas se relaciona com assuntos humanos, geralmente apresentando o Eterno agindo ou falando em favor dos justos.

A Bíblia também revela o Eterno como soberano. Por exemplo, a realeza de Adonai é um tema recorrente nos Salmos. O Eterno não é somente Rei no Céu, mas também “Rei de toda a Terra” (Sl 47:7), e não apenas no futuro, mas aqui e agora (Sl 93:2).
O fato de que o trono de Hashem esteja no Céu tem vários desdobramentos. Um deles é que Ele é independente e superior ao Universo.

3. Quais são as características do caráter e do governo do Eterno? Sl 89:14; 97:2

O governo de D’us abrange retidão e justiça, bem como amor e verdade. Essas qualidades morais descrevem Sua maneira de agir no mundo e ressaltam Sua posição em todo o Universo. O Eterno deseja que essas qualidades, que compõem Seu governo, se manifestem na vida de Seu povo (Mq 6:8; Is 59:14). É nosso sagrado privilégio fazer isso.

“Assim como, em obediência às leis naturais, a Terra deve produzir seus tesouros, da mesma forma, em obediência à Sua lei moral o coração do povo deveria refletir os atributos de Seu caráter” (Ellen Gould White, LA p. 144).

o Machiach assumiu nossa humanidade e morreu como nosso Substituto, isto é, todos os erros que cometemos e pelos quais deveríamos ser punidos, caíram sobre Ele. O que significa essa verdade? Por que ela deve motivar tudo o que fazemos?

Ultimos dias yom ha din

Terça
Ano Bíblico: Zc 9–11

Adoração no Paraíso

4. Leia Apocalipse 4 e 5. O que esses dois capítulos nos ensinam sobre a morada celestial do Eterno? De que maneira o plano da teshuvá (arrependimento, retorno) é revelado nesses textos?

A visão da sala do trono celestial é uma visão do santuário celestial. Isso se torna evidente a partir da linguagem relacionada ao sistema religioso hebraico. Por exemplo, as palavras traduzidas como porta e trombeta em Apocalipse 4:1 aparecem muitas vezes na Septuaginta (antiga tradução grega da Bíblia Hebraica), em referência ao santuário. As três pedras preciosas em Apocalipse 4:3 fazem parte do peitoral do sumo sacerdote. Os sete candeeiros lembram os castiçais do templo de Salomão. Os vinte e quatro anciãos lembram as 24 divisões de serviço para os sacerdotes do templo durante o ano e sua oferta de oração nas taças de ouro cheias de “incenso” (Sl 141:2). Todos esses versos apontam para o serviço de adoração da Bíblia Hebraica, centralizado no santuário terrestre.

Finalmente, o Cordeiro morto de Apocalipse 5 aponta para a morte sacrifical de Yeshua. O Machiach, o Cordeiro, é o único mediador da teshuvá divina e é considerado digno por causa de Seu triunfo (Ap 5:5), Seu sacrifício (Ap 5:9, 12)…

“O Mashiach tomou sobre Si a natureza humana e depôs Sua vida como sacrifício, para que o homem, …pudesse ter vida eterna”

Nesses dois capítulos, centralizados no trono do Eterno, vemos uma representação da obra de D’us para a teshuvá da humanidade. Podemos ver, também, que essa obra foi revelada diante dos outros seres inteligentes do Céu, um tema-chave no assunto do grande conflito.

união IV
Quarta
Ano Bíblico: Zc 12–14

Sala do tribunal

5. Leia o Salmo 11:4-7 e Habacuque 2:20. O que mais D’us faz em Seu templo celestial? Por que é importante saber a respeito disso?

Muitos salmos revelam que o Senhor não é indiferente às necessidades dos justos nem às injustiças que eles enfrentam. Ele reage às questões que clamam por reparação, e “[justificará] ao justo e [condenará] ao culpado” (Dt 25:1), à semelhança do que faz todo bom juiz.

Quando Adonai julga, a sala do trono se torna uma sala de julgamento, e o trono celestial, um tribunal. Aquele que está entronizado é o juiz (Sl 9:4-8), um conceito conhecido no antigo Oriente Médio, onde os reis muitas vezes atuavam como juízes.

O juízo divino envolve tanto ímpios quanto justos. Enquanto os ímpios receberão punição semelhante à de Sodoma e Gomorra, “os retos Lhe contemplarão a face” (Sl 11:6, 7). A combinação clássica da sala do trono e o juízo aparece em Daniel 7:9-14 (uma passagem significativa que estudaremos posteriormente). Mais uma vez, o juízo consiste em duas vertentes: veredito de justificação dos santos e sentença de condenação para os inimigos do Eterno.

Depois que Habacuque perguntou a Adonai por que Ele estava em silêncio a respeito da injustiça (Hc 1), Ele respondeu que certamente julgará (Hc 2:1-5). Enquanto os ídolos não têm “fôlego” nem “espírito” (Hc 2:19), Criador está entronizado em Seu templo, o santuário celestial, e está pronto para julgar.

O apelo profético é: “Cale-se diante dEle toda a Terra” (Hc 2:20). A atitude adequada para com o governo e julgamento do Eterno é reverência e silêncio respeitoso.

O lugar em que Deus revela Sua presença especial e recebe a adoração dos seres celestiais é o mesmo lugar em que Ele realiza julgamento justo para com todos os seres humanos: o santuário no Céu. D’us é justo, e todas as nossas perguntas sobre justiça serão respondidas no tempo dEle, não no nosso.

Biblia
Quinta
Ano Bíblico: Malaquias

Lugar de teshuvá (arrependimento, retorno)

6. Leia Hebreus 8:1, 2. O que o Mashiach está fazendo junto ao trono do Eterno?

O livro de Hebreus ensina que o Mashiach está ministrando no santuário celestial como nosso Sumo Sacerdote. Ali, Sua obra está focalizada em nossa salvação, porque Ele “[comparece], agora, por nós, na presença de D’us” (Hb 9:24). Ele simpatiza conosco, dando-nos certeza de que não seremos rejeitados, mas, em vez disso, receberemos misericórdia e graça (Hb 4:15, 16) por causa do que o Machiach fez por nós. Como ocorria no santuário terrestre, o santuário celestial é o local em que é feita a “propiciação” (expiação ou reconciliação) pelos pecados dos crentes (Hb 2:17). O Mashiach que Se sacrificou (Isaías 53) por nós é o mesmo que ministra no Paraiso em nosso favor.

7. Leia Apocalipse 1:12-20; 8:2-6; 11:19 e 15:5-8. Que símbolos do santuário aparecem nessas passagens?

Os versos do estudo de hoje são apenas alguns dos textos do Apocalipse em que aparecem símbolos do santuário. Na verdade, a maioria das principais seções do livro contém ou começa com uma cena do santuário.

A primeira cena introdutória mostra Yeshua, vestido como Sumo Sacerdote, andando entre os sete candeeiros (Ap 1:12-20).

A segunda mostra a sala do trono celestial, e os versos revelam uma grande variedade de imagens do santuário: trono, tochas de fogo, mar, Cordeiro que foi morto, sangue, taças de ouro cheias de incenso (Ap 4; 5).

A terceira cena se refere ao serviço contínuo de intercessão no contexto do primeiro compartimento do santuário celestial (Ap 8:2-6).

A quarta cena, central, nos dá um vislumbre da arca da aliança no segundo compartimento (Ap 11:19).

A quinta cena revela todo o tabernáculo no terceiro Céu (Ap 15:5-8).

A sexta cena é única, no sentido de que não contém referências explícitas ao santuário, talvez para ilustrar que a obra do Mashiach ali está concluída (Ap 19:1-10). A cena final trata da gloriosa cidade santa na Terra, retratada como o tabernáculo que “descia do Céu” (Ap 21:1-8).

Um estudo cuidadoso dessas cenas revela que elas estão interligadas, mostrando uma progressão interna na emuná shelema (fé completa) realizada por D’us: o Mashiach na Terra, Seu ministério celestial no primeiro e segundo compartimentos do Santuário celestial, o fim de Seu ministério como Sumo Sacerdote e, finalmente, o tabernáculo da Nova Terra.

Paulo
Sexta
Ano Bíblico: Vista geral da Bíblia Hebraica

Estudo adicional

“Shaul, Paulo teve uma visão do Paraíso e, ao falar sobre as glórias dali, a melhor coisa que podia fazer era não tentar descrevê-las. Ele nos disse que os olhos não viram e os ouvidos não ouviram, nem penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam. Você pode chegar aos limites da sua imaginação e aplicar suas maiores habilidades para compreender e considerar o peso eterno de glória e, no entanto, seus sentidos finitos, fracos e cansados com o esforço, não podem alcançá-lo, pois há um infinito para além. Será necessária toda a eternidade para desdobrar as glórias e revelar os preciosos tesouros da Palavra de Deus” (Ellen Gould White, SDA Bible Commentary v. 6, p. 1107).

“A morada do Rei dos reis, em que milhares de milhares O servem, e milhões de milhões estão em pé diante dEle (Dn 7:10), sim, aquele templo, repleto da glória do trono eterno, onde serafins, seus resplandecentes guardas, velam a face em adoração – não poderia encontrar na estrutura mais magnificente que hajam erigido as mãos humanas, senão pálido reflexo de sua imensidade e glória. Contudo, importantes verdades relativas ao santuário celestial e à grande obra ali levada a efeito pela teshuvá do homem, eram ensinadas pelo santuário terrestre e seu culto”

Perguntas para reflexão

1. O que significa dizer que o Eterno “habita” no Céu? Como você entende esse conceito?

2. A lição desta semana abordou a ideia de que o Universo observa a obra que Adonai está fazendo em favor da humanidade. Como esse conceito nos ajuda a entender o tema do grande conflito e o que esse tema significa para o plano da teshuvá? Hashem permite que Suas criaturas examinem Seus caminhos. O que isso nos diz sobre Seu caráter?

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