Lição 3 – Korban – Sacrifício


As lições do Tanakh são idealizadas dentro de uma visão abarcante da Bíblia Hebraica e de sua Herança transmitida a B’rit Hadashah servindo para se notar a coerência ou não dos temas analisados. Dai a importância de você adquirir a Bíblia Sêfer, Editora Sêfer, e a Bíblia Judaica Completa, Editora Vida, o que naturalmente facilitará a consulta das passagens bíblicas indicadas e as respostas as perguntas feitas.

Shabat à tarde
Ano Bíblico: Mattityahu – Mt 24–26

VERSO PARA MEMORIZAR:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de D’us, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a D’us, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1).

Leituras da Semana:
Gn 3:9-21; Êx 12:21-27; Lv 2:1-3; Gn 22:1-19; Lv 17:10, 11; Fp 4:18

O conceito do korban é fundamental em toda as Boas Novas da Bíblia. Nas línguas bíblicas, as palavras para “sacrifício” frequentemente retratam a ideia de aproximar-se, e de trazer algo para Hashem. O significado básico do hebraico para oferta ou sacrifício descreve o ato de se aproximar, o ato de trazer algo à presença do Eterno. O equivalente grego significa “dádiva” e descreve a apresentação de um sacrifício.

Da mesma forma, a palavra oferta vem do latim offerre, a apresentação de uma dádiva. A palavra sacrifício é uma combinação do latim sacer (sagrado) e facere (fazer), e se refere ao ato de tornar algo sagrado.

Nesta semana, examinaremos alguns dos sacrifícios que os fiéis ofereceram a Deus. Descobriremos que Deus sempre pediu sacrifícios, e hoje Ele ainda pede.

Certamente, e acima de tudo, Hashem proveu o principal sacrifício, de Si mesmo na pessoa do Mashiach.

sacrifício II

Domingo
Ano Bíblico: Mt 27, 28

O primeiro korban

1. Qual foi a resposta do Eterno a Adão e Eva depois que eles pecaram? Gn 3:9-21

Adão e Eva viviam em um mundo perfeito, em um jardim semelhante a um santuário, e o Criador mantinha comunhão face a face com eles. O primeiro pecado deles abriu um abismo quase intransponível em seu relacionamento com Adonai. No entanto, Hashem já havia planejado uma forma de superar essa quebra de confiança e, antes mesmo de qualquer julgamento contra eles, o Eterno lhes deu a esperança do Mashiach (Gn 3:15).

“Adão e Eva se achavam como criminosos diante de seu Criador, aguardando a sentença, que a transgressão havia atraído sobre eles. Antes, porém, de ouvirem falar nos cardos e espinhos, na dor e na angústia que lhes caberia em quinhão, e do pó a que deveriam voltar, escutaram palavras que lhes deviam inspirar esperança. Se bem que devessem sofrer […], poderiam aguardar no futuro a vitória final” (Ellen Gould White)

Adonai lhes mostrou o fundamento principal dessa vitória quando, imediatamente depois do pronunciamento de Seu julgamento, Ele fez para eles vestes de pele para cobrir sua nudez e vergonha. Embora não declarado, pode ser razoável supor que um animal inocente teve que morrer por isso, e talvez até mesmo que esse ato tenha sido entendido como uma espécie de sacrifício (Gn 3:21).

A provisão divina de vestes para os culpados se tornou um ato simbólico. Assim como os sacrifícios no santuário do deserto garantiam o relacionamento especial entre o Eterno e Seu povo, as vestes no Jardim asseguraram aos culpados a imutável boa vontade de Hashem para com eles.

Portanto, desde os primeiros dias da história humana, os sacrifícios ensinaram que os seres humanos pecadores poderiam encontrar união com Adonai, mas apenas mediante o sacrifício que o Machiach faria, prefigurada nesses sacrifícios.

Releia Gênesis 3:9-21. Mesmo antes do Eterno proferir o juízo contra o casal culpado, Ele lhes deu a promessa da “vitória final”. O que isso diz sobre a atitude de Deus para conosco, mesmo em nossa condição de pecado?

sacrificio

Segunda
Ano Bíblico: Mc 1–3

Tipos de ofertas

Nos tempos da Bíblia Hebraica, os fiéis podiam trazer ofertas em diferentes ocasiões e em diversas circunstâncias pessoais. As diferentes ofertas que eles eram autorizados a “apresentar” incluíam animais limpos, cereais, bebidas e outras coisas. O sacrifício de animais é o elemento mais antigo no serviço do santuário e, com o ministério sacerdotal, está no centro do culto israelita. Vida religiosa sem sacrifícios era inconcebível.

2. Quais tipos de ofertas são descritas nos textos a seguir? Êx 12:21-27; Lv 2:1-3; Êx 25:2-7; Lv 4:27-31

D’us estabeleceu o sistema de sacrifícios para que os fiéis pudessem entrar em íntimo relacionamento com Ele. Por isso, as ofertas poderiam ser trazidas em diferentes situações: ação de graças, expressão de alegria e celebração, dádiva, pedido de perdão, apelo penitencial, como símbolo de dedicação, ou para restituição.

Entre os mais importantes tipos de ofertas estavam o holocausto (Lv 1) e as ofertas de cereais (ofertas de manjares; Lv 2), bem como os sacrifícios pacíficos (ofertas de comunhão; Lv 3), ofertas de purificação (Lv 4), e a oferta de reparação (pela transgressão ou pela culpa; Lv 5:14–6:7). As três primeiras eram ofertas voluntárias, que deviam lembrar ao doador (e a nós) que, no fim, tudo o que somos e temos pertence a D’us. O holocausto simboliza a dedicação total de quem faz a oferta. A oferta de cereais simboliza a dedicação de nossos bens materiais a Deus, sejam eles alimentos, animais, ou qualquer outra coisa. Os sacrifícios pacíficos eram a única oferta da qual o participante recebia uma parte para consumo pessoal.

Os outros dois sacrifícios eram obrigatórios. Relembravam às pessoas que, embora as transgressões tenham consequências, elas podem ser “curadas”. A oferta de purificação, muitas vezes chamada de “oferta pelo pecado”, era oferecida após a contaminação ritual ou depois que uma pessoa se tornava consciente de uma contaminação moral pelo pecado.

A ampla função das ofertas mostra que cada aspecto de nossa vida deve estar sob o controle de Hashem. Como você pode entregar completamente a Ele o que você tem e o que você é? O que acontece quando você não faz isso?

abraao_isaque

Terça
Ano Bíblico: Mc 4–6

Sacrifício no Monte Moriá

3. Leia Gênesis 22:1-19. O que nosso pai Abraão aprendeu sobre sacrifício?

Qual foi o propósito de Hashem nesse incrível desafio à fé do patriarca? A vida de Abraão com o Eterno sempre foi acompanhada pelas promessas divinas: a promessa da terra, descendentes e bênçãos; a promessa de um filho e de que Adonai cuidaria de Ismael. Abraão sacrificava, mas sempre à luz de alguma promessa. No entanto, na situação descrita em Gênesis 22, Abraão não recebeu nenhuma promessa divina. Em vez disso, ele foi instruído a sacrificar a promessa viva, seu filho. Prosseguindo conforme a ordem de Deus, Abraão mostrou que Adonai era mais importante para ele do que qualquer outra coisa.

“Foi para impressionar Abraão com a realidade de Boas Novas de teshuvá, bem como para lhe provar a emuná shelema (fé completa), que Hashem o mandou matar seu filho. A angústia que ele sofreu durante os dias tenebrosos daquela terrível prova foi permitida para que ele compreendesse por sua própria experiência algo da grandeza do sacrifício feito pelo infinito Hashem para a redenção do homem. Nenhuma outra prova poderia ter causado a Abraão tal tortura de alma, como fez a oferta de seu filho… (Ellen Gould White).

Quanto ao korban, Abraão compreendeu dois princípios essenciais:

Primeiro, ninguém, senão o próprio Hashem pode oferecer o verdadeiro sacrifício e o meio de teshuvá. Certamente Hashem proverá. Abraão eternizou esse princípio ao chamar o lugar de “Hashem Jireh” [… Jiré], que significa “Hashem Proverá”.

Segundo, o sacrifício real é de substituição, que salva a vida de Isaque. O carneiro foi oferecido “em lugar de” Isaque (Gn 22:13). Esse animal, que o Eterno proveu, prefigurou o o koban oferecido pelo Mashiach sobre quem “Hashem fez cair […] a iniquidade de nós todos” (Is 53:6, 7; At 8:32).

Que impressionante entrega de Adonai! Podemos imaginar como deve ter sido essa experiência para Abraão? Pense sobre a última vez que você teve de avançar pela fé pura e fazer algo que lhe causou muita angústia. O que você aprendeu com suas ações?

sacrificio III

Quarta
Ano Bíblico: Mc 7–9

Vida por vida

4. Leia Levítico 17:10, 11. Que função Hashem deu ao sangue?

Numa passagem em que Adonai instruiu os israelitas a não comer sangue, Ele proveu uma razão interessante para essa proibição: o sangue representa a vida, e Hashem tornou o sangue sacrifical um resgate pela vida humana. Uma vida, representada pelo sangue, resgata outra vida. O princípio de substituição, que se tornou explícito no Monte Moriá, quando Abraão ofereceu o sangue do carneiro em lugar do sangue de seu filho, está firmemente ancorado nos requisitos legais do Eterno para o antigo Israel.
Como em Gênesis 22, o Eterno mostra que Ele mesmo provê o meio para a expiação. Em hebraico, há uma ênfase na palavra “Eu”, na expressão “Eu o dei a vocês” (Lv 17:11, NVI). Não podemos prover nosso próprio resgate. O Eterno deve concedê-lo.

O conceito é diferente do de outras religiões que utilizam sacrifícios. Na Bíblia, não é o ser humano que se aproxima de Hashem na tentativa de acalmá-Lo, mas é o Eterno que oferece o meio para que a pessoa entre em Sua santa presença. No Mashiach, o próprio Hashem oferece o sangue para o resgate.

5. Leia 1 Samuel 15:22 e Miqueias 6:6-8. Quais são alguns dos perigos do sistema de sacrifícios?

Hashem nunca pretendeu que o sistema de sacrifícios fosse um substituto para a atitude do coração. Ao contrário, os sacrifícios deviam abrir o coração do fiel para Adonai. Se perdermos de vista o fato de que os sacrifícios expressam um relacionamento espiritual entre Hashem e as pessoas, e que todos eles apontam para um sacrifício muito maior, podemos facilmente confundir o ritual de sacrifícios com um aparelho automático para fazer expiação. Além do sacrifício, o Eterno deseja realmente que nosso coração esteja em paz com Ele (Sl 51:16, 17). Constantemente, os profetas de Israel acusaram o povo de falsa piedade e o exortaram a “[praticar] a justiça, e [amar] a misericórdia, e [andar] humildemente com o [seu] Deus” (Mq 6:6-8; Compare com Is 1:10-17).

De que forma enfrentamos o mesmo perigo apresentado acima? Por que é tão difícil perceber que podemos estar fazendo a mesma coisa que os antigos israelitas fizeram? Como podemos evitar esse erro?

sacrificio IV

Quinta
Ano Bíblico: Mc 10–12

Sacrifícios hoje: o sacrifício vivo

Embora após expiação promovida pelo Mashiach, Isaías 53, não mais houvesse necessidade de sacrifícios de animais, o B’rit Hadashash fala sobre a necessidade de outro tipo de sacrifício.

6. Quais tipos de ofertas devemos apresentar a Hashem hoje? Rm 12:1, 2; Fp 4:18; Hb 13:15, 16; 1Pe 2:5

A terminologia do sistema de sacrifícios funcionou muito bem ao descrever o conceito primitivo do que significava ter uma vida totalmente consagrada ao Eterno. Na verdade, mesmo quando Shaul estava pensando em seu martírio, ele descreveu a si mesmo como uma libação (oferta de bebida; Fp 2:17; 2Tm 4:6).

7. Que mensagem específica encontramos em Romanos 12:1? De que forma devemos manifestar essa verdade em nossa vida?

“Sacrifício vivo” significa que toda a pessoa é consagrada ao Eterno D’us de Israel. Inclui a dedicação do corpo (Rm 12:1), bem como a transformação do ser interior (v. 2). Devemos ser separados (“santos”) para o propósito único de servir ao Eterno. Os crentes se apresentarão inteiramente a Adonai por causa das “misericórdias de Hashem”, descritas em Romanos 12:1-11, que apresentam Mashiach como nosso korban, o meio da nossa teshuvá.

Nesse contexto, o apelo de Paulo é que os talmidim imitem o Machiach. A verdadeira compreensão da graça de Hashem leva a uma vida consagrada a Ele e ao serviço de amor pelos outros. Submeter o próprio eu e os desejos pessoais à vontade de Hashem é a única resposta razoável ao supremo sacrifício de Yeshua por nós.

No fim, deve haver harmonia entre nossa compreensão da verdade espiritual e doutrinária e nosso serviço aos outros. Cada aspecto da vida deve expressar o genuíno compromisso do crente com Deus. A verdadeira adoração nunca é apenas interior e espiritual, mas deve abranger atos exteriores de serviço altruísta. Afinal de contas, pense no que o Mashiach fez por nós.

sal

Sexta
Ano Bíblico: Mt 21–23

Estudo adicional

“Tinha sido difícil, mesmo para os anjos, apreender o mistério da teshuvá, isto é, compreender que o Comandante do Paraíso, o Mashiach de Hashem, devia morrer pelo homem culpado. Quando foi dada a Abraão a ordem para oferecer seu filho, isso atraiu o interesse de todos os entes celestiais. Com ânsia intensa, observavam cada passo no cumprimento daquela ordem. Quando à pergunta de Isaque: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”, Abraão respondeu: “o Eterno proverá para Si o cordeiro” (Gn 22:7, 8, RC), e quando a mão do pai foi detida estando a ponto de matar seu filho, e foi oferecido o cordeiro que Deus provera em lugar de Isaque, derramou-se então luz sobre o mistério da emuná shelema, e mesmo os anjos compreenderam mais claramente a maravilhosa provisão que Hashem havia feito para a teshuvá do homem” (1Pe 1:12; Ellen Gould White)

interrogação I
Perguntas para reflexão

1. “Nossos pés andarão em Seus caminhos, nossos lábios falarão a verdade e espalharão o Boas Novas da Teshuvá, nossa língua trará cura, nossas mãos levantarão os que caíram, e realizarão muitas tarefas comuns, como cozinhar, limpar, digitar e costurar. Nossos braços abraçarão os solitários e necessitados de amor, nossos ouvidos ouvirão o clamor dos aflitos, e os nossos olhos olharão com humildade e paciência para Hashem”.

De que forma essa citação mostra o significado de ser um “sacrifício vivo”? Por que somente morrendo para o próprio eu podemos ser capazes de viver assim?

2. Um dos grandes problemas que o povo enfrentou foi considerar o sistema de sacrifícios como fim em si mesmo, e não como meio para alcançar uma vida consagrada a Hashem, manifesta no serviço de amor aos outros. De que forma nós, crentes (que recebemos tanta luz), estamos em perigo de seguir pelo mesmo caminho, talvez ao pensarmos que as grandes verdades que possuímos sejam um fim em si mesmas, e não um meio para um fim?

3. Pense mais sobre a história de Abraão e Isaque no Monte Moriá. Por mais inquietante que seja essa história, pode-se argumentar que ela foi “planejada” para inquietar e causar consternação e angústia. Por que alguém diria que essa história foi “planejada”, entre outras coisas, para evocar essas emoções no leitor?

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