Lição 5 – Kapará: oferta da purificação


Sacrificio 1
Shabbat à tarde

Ano Bíblico: Lc 18–20

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VERSO PARA MEMORIZAR:
“Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue do Mashiach” (1 Kefa 1:18, 19 I Pedro).

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Leituras da Semana:
2Cr 33:12, 13; 2Sm 14:1-11; Lv 4:27-31; Jr 17:1; Lv 10:16-18; Mq 7:18-20

O sistema sacrifical provavelmente seja a parte mais conhecida do ritual do santuário, porque é a que aponta diretamente para o sacrifício que o Mashiach deveria fazer. O sangue do animal que morria pelo pecador se torna um símbolo do sangue do Mashiach, que morreu por nós.
Nesta semana, estudaremos vários conceitos ligados à “oferta da purificação” (também chamada de “oferta pelo pecado”), que foi a forma designada por D’us para nos ajudar a entender melhor como Ele nos reconcilia consigo mesmo mediante o único e verdadeiro sacrifício: Yeshua há Mashiach. Às vezes, esta lição usa o termo oferta da purificação em lugar de oferta pelo pecado, para evitar a impressão de que, por exemplo, dar à luz uma criança era considerado uma falha moral, uma vez que a mãe que acabava de dar à luz devia apresentar tal oferta (Lv 12:5-8). Esse sacrifício é mais bem compreendido como oferta de purificação por sua impureza ritual, e não como um sacrifício por causa do chet, pecado.

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Domingo

Ano Bíblico: Lc 21, 22

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Chet e misericórdia

Como os que conhecem a Hashem podem testemunhar, o chet nos separa de D’us. A boa notícia é que o Eterno colocou em prática um sistema para acabar com a separação causada pelo chet (pecado) e nos levar de volta para Ele. Evidentemente, a kapará (o sacrifício) está no centro desse sistema.

Existem basicamente três tipos de pecado descritos na Bíblia Hebraica, o Tanakh, cada um correspondendo ao nível de consciência do pecador quando ele cometeu a transgressão:

1. Pecado inadvertido ou involuntário,
2. Pecado deliberado ou intencional,
3. E pecado de rebelião.

As “ofertas de purificação” prescritas em Vayikra,Levítico 4:1–5:13 se aplicavam a casos de pecado não intencional, bem como a alguns casos de pecado deliberado (Lv 5:1). Enquanto havia uma oferta para essas duas primeiras categorias de pecado,
nenhuma oferta foi mencionada para o pecado de rebelião, o tipo mais hediondo. O pecado de rebelião era cometido “na face” de D’us, com mão levantada, e o rebelde não merecia nada menos do que ser eliminado (Nm 15:29-31). No entanto, parece que mesmo nesses casos, como ocorreu com Manassés, Hashem oferecia perdão (2Cr 33:12, 13).

1. O que Sh’um’el Bet, 2 Samuel 14:9 revela sobre misericórdia, justiça e culpa? Leia também D’varim Dt 25:1, Sh’um’el,2 Sm 14:1-11

Hashem é justo ao perdoar o pecador? Afinal, não é o pecador injusto e, portanto, digno de condenação (Dt 25:1)?

A história da mulher de Tecoa pode ilustrar a resposta. Fingindo ser uma viúva, conforme orientação de Joabe, ela foi ao rei Davi, buscando seu julgamento. Joabe inventou uma história sobre seus dois filhos, na qual um havia matado o outro, e pediu que ela contasse a Davi. A lei israelita exigia a morte do assassino (Nm 35:31), mesmo que ele fosse o único homem que restasse na família. A mulher suplicou a Davi (que atuou como juiz) permissão para que o filho culpado ficasse livre.

Então, curiosamente, ela declarou:

“A culpa, ó rei, meu senhor, caia sobre mim e sobre a casa de meu pai; o rei, porém, e o seu trono sejam inocentes” (2Sm 14:9). Tanto a mulher quanto Davi entendiam que, se o rei decidisse permitir que o assassino ficasse livre, o próprio rei assumiria a culpa do assassino, e o seu trono de justiça (isto é, sua reputação como juiz) estaria em perigo. O juiz era moralmente responsável pelo que decidia. Por isso, a mulher se ofereceu para assumir essa culpa.

Da mesma forma, D’us assumiu a culpa dos pecadores, a fim de declará-los justos. Para que fôssemos perdoados, o próprio D’us devia suportar nossa punição. Essa é a razão legal pela qual o Mashiach tinha que morrer para que fôssemos salvos. Esse é um conceito judaico primitivo expresso em todas as cerimônias do Tabernáculo de Moshe e no Templo de Shlomoh e que juntamente com Isaias 53 formavam uma grande nevuá inspirada pelo Ruach há-Kodesh.

A Bíblia é o registro dos ensinamentos dos profetas hebreus e sendo Moisés o maior de todos os profetas as cerimônias do Mishkan (Tabernáculo), representava a morada de D’us em meio à comunidade (Shechiná) e lhe revelava o futuro.

O Mishkan tinha um desenho que simbolizava a Criação, daí que até o Jardim do Éden parece retratá-lo, e reflete a realidade do Cosmo apontando para a história futura do povo de Israel até a chegada do Mashiach, ou tempos messiânicos, e isso é bem judaico.

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Segunda

Ano Bíblico: Lc 23, 24

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Imposição de mãos

2. Leia Vayikra-Levítico 4:27-31. Quais atividades eram realizadas juntamente com o sacrifício?

O objetivo da oferta era remover o pecado e a culpa do pecador, transferir a responsabilidade para o santuário, e permitir que o pecador saísse perdoado e purificado (em casos extremamente raros, a pessoa poderia trazer certa quantidade da melhor farinha como oferta de purificação. Embora essa oferta de purificação fosse sem derramamento de sangue, havia o entendimento de que “sem derramamento de sangue, não há remissão” [Hb 9:22]).

O ritual incluía a imposição das mãos, a morte do animal, a manipulação do sangue, a queima da gordura, e o consumo da carne do animal. O pecador que levava a oferta recebia o perdão, mas somente após o ritual do sangue.

sacrificio III
Uma parte crucial desse processo envolvia a imposição das mãos (Lv 1:4; 4:4). A imposição das mãos transferia o pecado para o animal inocente.

Depois que o animal era morto, o sangue derramado era usado para fazer expiação sobre o altar:

“E tomará o sacrifício do sangue do sacrifício de pecado com seu dedo e porá sobre os ressaltos do altar da oferta de elevação, e seu sangue verterá na base do altar da oferta de elevação.”
(Bíblia Hebraica Vaicrá-Lv 4:25).

“Porque a vida da carne está no sangue. Eu vô-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Lv 17:11).

É um conceito judaico:

“… porquanto o sangue, ele é que expiará pela alma.” Bíblia Hebraica Vaicrá 17:11

Uma vez que os pecados eram transferidos para o animal pela imposição das mãos, devemos entender a morte do animal como substitutiva.

O animal morria em lugar do pecador. Isso pode explicar por que o ato de matar o animal tinha que ser realizado pelo pecador culpado, e não pelo sacerdote. O inocente morre no lugar do culpado.

Da próxima vez que você for tentado a pecar, imagine o sacrifício que o Mashiach precisou fazer e veja você mesmo colocando as mãos sobre Sua cabeça e confessando seus pecados sobre Ele.

“Ferido estava, porém, por nossas transgressões, e oprimido por nossas iniquidades; seu penar era para nosso benefício e, através de suas chagas, fomos curados… sobre ele fez o Eterno recair a iniquidade de todos nós. Foi oprimido e afligido, mas calou e não se pronunciou. Como cordeiro que é levado para a matança, e como ovelha que fica muda ante seus tosquiadores, não abriu sua boca…” Bíblia Hebraica Ieshaiáhu, Isaias 53:05 a 07.

Pensar nisso ajuda a entender o preço do perdão? Como essa ideia pode ajudá-lo a não cair em tentação?

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Terça

Ano Bíblico: Jo 1–3

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Transferência de Chet

“O pecado, chet de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares” (Jr 17:1).

Após a imposição das mãos e a morte do animal, a atividade seguinte no ritual da kapará era a manipulação do sangue. O sacerdote aplicava o sangue sacrifical às pontas do altar. Como o sangue estava envolvido, essa parte do ritual estava relacionada à expiação (Lv 17:11). Se o pecado fosse cometido por uma pessoa comum ou um líder, o sangue era aplicado sobre o altar do holocausto (Lv 4:25, 30); se o pecado fosse cometido pelo sumo sacerdote ou por toda a congregação, o sangue era aplicado sobre o altar interior, o altar do incenso (Lv 4:7, 18). Todo esse ritual apontava a era Messiânica.

3. Na transferência do chet, pecado, do pecador para o Mishikan, santuário, o que significava colocar o sangue sobre as pontas do altar, as elevações?

As pontas eram os pontos mais altos do altar e, como tais, poderiam significar a dimensão vertical da teshuvá. O sangue era levado à presença de D’us.

Irmiáhu, Jeremias 17:1 é de especial importância para entender o que acontecia: o pecado de Judá estava gravado “na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares”. Embora o texto esteja se referindo a altares envolvidos na adoração idólatra, o princípio é o mesmo: o altar reflete a condição moral do povo. O sangue transferia a culpa do pecado. O sangue colocado nas pontas do altar transferia o pecado do pecador para o santuário, uma verdade fundamental para compreendermos o plano da salvação, revelado no ritual do santuário terrestre, que simboliza a obra do Mashiach no Tabernáculo celestial em nosso favor.

Uma vez que o sangue levava o pecado, ele também contaminava o santuário. Encontramos um exemplo dessa contaminação nos casos em que o sangue da oferta da purificação respingava acidentalmente em uma veste, que precisava ser limpa, não simplesmente em qualquer lugar, mas apenas “no lugar santo” (Lv 6:27).

Finalmente, a queima da gordura sobre o altar indicava que tudo em torno da oferta da purificação pertencia a D’us (Lv 3:16).

Graças à morte de Yeshua, simbolizada por esses sacrifícios, nosso pecado foi tirado de nós, colocado sobre Ele e transferido para o santuário celestial. Isso é fundamental para o plano da teshuvá nestes últimos dias, yom há din.

Como o ritual do santuário ajuda a entender nossa total dependência de D’us para o perdão dos pecados? Que conforto essa verdade traz a você? Que importantes responsabilidades vêm com essa mensagem? (leia 1 Kefa, 1 Pe 1:22).

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Quarta

Ano Bíblico: Jo 4–6

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Levando o pecado

4. Leia Vaicrá-Levítico 6:25, 26; BH 06:18,19, 10:16-18. Que verdade fundamental é revelada nesses textos?

Ao comer a oferta em um lugar santo, o sacerdote oficiante “[levaria] a iniquidade” do ofensor. A carne dessa oferta não era apenas o pagamento pelos serviços dos sacerdotes (caso contrário, Moisés não teria ficado tão irado com os filhos de Arão por não comê-la), mas ela era uma parte fundamental da expiação.

De que modo o ato de comer do sacrifício contribuía para o processo de expiação? Só era exigido que se comesse das ofertas das quais o sangue não entrava no lugar santo, ou seja, as ofertas do líder e das pessoas comuns.

A Bíblia Hebraica diz explicitamente que, ao comer do sacrifício o sacerdote levaria a iniquidade, o que faria a expiação pelo pecador. O simbolismo de levar a culpa do pecador sugere que ele se tornava livre.

Em hebraico, Êxodo 34:7 diz que D’us “leva a iniquidade”, as mesmas duas palavras hebraicas usadas em Levítico 10:16, onde está claro que o ato do sacerdote levar o pecado é o que traz perdão ao pecador. Caso contrário, sem essa transferência, o pecador teria que levar seu próprio pecado (Lv 5:1), e isso, naturalmente, levaria à morte (Rm 6:23).

A obra do sacerdote de levar o pecado de outra pessoa é exatamente o que o Mashiach fez por nós. Ele morreu em nosso lugar. Concluímos, então, que o trabalho sacerdotal no santuário terrestre tipifica a obra do Mashiach e a Era Messiânica a nosso favor, porque Ele assumiu a culpa dos nossos pecados. Tudo isto é uma verdade judaica primitiva e não uma interpretação cristã.

“A bênção vem por causa do perdão; o perdão vem mediante a emuná shelemá, fé completa em que o pecado, do qual nos arrependemos e confessamos, é suportado pelo grande Portador de pecados. Todas as nossas bênçãos provêm, assim, do Mashiach. Sua morte é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Ele é o grande meio através do qual recebemos a misericórdia e o favor de Hashem. Ele é, na realidade, o Originador, Autor, bem como o Consumador de nossa emuná, fé” (Ellen Gould White).

Imagine ficar diante de D’us no juízo. Em que você se apoiaria: boas obras, observância do Shabbat, as coisas boas que fez ou as coisas ruins que não fez? Isso seria suficiente para justificar você diante de um D’us santo e perfeito? Se não, qual é sua única esperança nesse julgamento?

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Quinta

Ano Bíblico: Lc 12–14

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O Remanescente de Sua Herança

5. Leia Mihá-Miqueias 7:18-20. Que imagem do Eterno encontramos nessa passagem?

Os três últimos versos do livro de Mihá-Miqueias focalizam o relacionamento entre D’us e Seu povo remanescente. De forma bela, o texto descreve por que D’us é incomparável. Ele é incomparável por causa de Sua graça e amor perdoador. A característica marcante de Hashem, revelada em Miqueias (e em outros livros da Bíblia), é Sua disposição de perdoar. Miqueias enfatizou esse ponto usando várias expressões para os atributos (v. 18) e realizações (v. 19, 20) do Eterno. Seus atributos e realizações são explicados na linguagem do Credo Israelita em Êxodo 34:6, 7, uma das mais amadas descrições bíblicas do caráter de D’us.
Curiosamente, várias palavras fundamentais de Miqueias 7:18-20 também são usadas no Cântico do Servo em Ieshaiáhu-Isaías 53, apontando para o fato de que o meio para o perdão vem dAquele que sofre pelas pessoas.

Infelizmente, nem todos apreciam a divina graça, essa bênção de gomel imerecida. O perdão de D’us não é barato nem automático. Ele envolve lealdade. Os que experimentaram Sua graça respondem de maneira semelhante, como vemos em Miqueias 6:8, um texto central no livro. Assim como o Eterno “tem prazer na misericórdia”, Ele chama Seu povo remanescente para “[amar] a misericórdia”. O povo de D’us imitará o Seu caráter. A vida deles refletirá Seu amor, Sua compaixão e bondade.

Miqueias 7:18-20, com sua ênfase sobre o perdão, é seguido pelo livro de Nahum-Naum 1:2, 3, com sua ênfase no juízo. Isso revela as duas dimensões do relacionamento de D’us conosco: perdoar o arrependido e punir os ímpios. D’us é tanto Salvador quanto Juiz. Esses dois aspectos do caráter de Hashem são complementares, não contrários. Um D’us compassivo também pode ser justo. Sabendo disso, podemos confiar no Seu amor, perdão e justiça final.

Leia Mihá-Miqueias 6:8. Qual é a vantagem de uma emuná sem os princípios que revelam a realidade dessa alegação? O que é mais fácil: afirmar a fé no Mashiach ou viver essa fé, conforme expresso em Miqueias 6:8? Você precisa melhorar nesse aspecto?

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Sexta

Ano Bíblico: Jo 10, 11

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Estudo adicional

Assim como o Mashiach, por ocasião de Sua ida ao Tabernáculo celestial, compareceu à presença de Hashem, a fim de pleitear com Seu sangue em favor dos crentes arrependidos, também o sacerdote, no ministério diário, aspergia o sangue do sacrifício no lugar santo em favor do pecador.

“O sangue do sacrifício do Mashiach, ao mesmo tempo em que livraria da condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado. Este ficaria registrado no santuário até a expiação final no dia do Yom Kipur. Assim, no cerimonial típico, o sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas esse permanecia no santuário até o dia da expiação” (Ellen Gould White)

Perguntas para reflexão

1. Alguns argumentaram que o conceito de substituição não é judaico e sim uma mentira inventada pelos cristãos para justificar a morte de Jesus. No entanto, vimos que o conceito de substituição é judaico e bíblico. Sendo assim, precisamos refletir:

Por que o inocente deveria morrer no lugar do culpado? Não seria injusto e cruel?
No entanto, visto que essa verdade está no centro da mensagem bíblica, como podemos responder a essas acusações? Será que essa “injustiça” nos ajuda a compreender a graça revelada a fim de nos trazer perdão? De que forma essa “injustiça” mostra a bondade, misericórdia e amor de Hashem?

2. Peça que alguém leia Miqueias 6:8. Como podemos cumprir essa clara ordem? Como podemos aprender a fazer todas essas coisas, inclusive andar humildemente com D’us? O que isso significa? Como a humildade para com o Eterno pode ser traduzida na humildade para com os semelhantes?

3. O único meio de perdão era através da teshuvá e da kapará, e essa verdade expressa no Mishikan apontava para a Era Messiânica no yom há din, os últimos dias. O que essa maravilhosa verdade ensina sobre a maldade do pecado? Tentar salvar a si mesmo por suas próprias obras não seria tão inútil quanto lavar um porco na esperança de torná-lo
um alimento kosher?

4. Você confia em suas obras para salvá-lo ou confia apenas no perdão de D’us? Acredita na mensagem de salvação apresentada nas boas novas messiânicas do mishikan?

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