Sementes do ódio A intolerância nasce no preconceito e é a face violenta da discriminação



Anteontem, uma notícia me deixou perplexa. Um religioso, que passeava com seu cachorro pela vizinhança, paramentado com as vestes típicas da sua religião, foi agredido verbalmente. O pior aconteceu com a mãe dele, que foi agredida fisicamente. A razão? As vítimas professam uma fé diferente da crença do agressor.

Evidentemente, esse caso deve nos ensinar lições. Não se pode apenas passar por ele sem fazer reflexões de ordem geral, legal, humanista e de cidadania. Por sinal, essa história não é diferente do que está acontecendo no Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, onde religiosos de matriz africana estão sendo expulsos de suas casas e locais de culto por adeptos de outros segmentos religiosos.

O sinal de alerta deve ser aceso por todos nós! É muito fácil prestigiar os iguais. O maior desafio é conviver, respeitar e reconhecer o diferente. O que me preocupa então, não são apenas os casos mencionados, que por si só são gravíssimos, mas a possibilidade de serem expressões visíveis de uma cultura de ódio e intolerância que pode estar em franco avanço.

Pare agora e pense: quando você se senta ao lado de um muçulmano em um avião, o que sente e pensa? Quando se assenta num ônibus ou metrô ao lado de um religioso de matriz africana, o que você sente e pensa? Mais do que isso, o que faz? Quando um colega de escola ou de trabalho tem costumes religiosos diferentes dos seus, como dieta alimentar, dias de guarda e vestimentas, como você reage?

fanatismo
Refletir sobre isso nos ajuda a entender a diferença entre preconceito, discriminação e intolerância. O preconceito é a face oculta, subjetiva e interna da discriminação. Quando ele é exteriorizado se caracteriza como discriminação. Discriminar é separar pessoas por sua raça, etnia, religião, condição social, cultural e outros.

Se o preconceito é a face oculta, a intolerância é o lado mais odioso da discriminação, que pode levar o preconceituoso a agir de forma violenta contra o objeto do seu preconceito. Desse modo, os dois casos mencionados são exemplos de preconceito, expressos na forma mais agressiva de discriminação, a intolerância.

Esses exemplos são de natureza extrema, produto de radicalismo e fundamentalismo religiosos, mas sua manifestação nem sempre se dá de forma violenta. Ela pode ocorrer em pequenos atos, gestos, palavras e sentimentos, que funcionam como sementes do ódio e de possível ataque à tão valiosa liberdade religiosa. Direito de todas as pessoas, em todos os lugares.

Autor: Damaris Moura – Publicado em: 01/10/2013 – Fonte: http://conexao.educacaoadventista.org.br/blogs/direito-de-crer/sementes-do-odio

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