A “Nova Busca”


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Depois que Rudolf Bultmann e seus discípulos lançaram esse programa, durante muito tempo foi praticamente nulo o interesse pela pesquisa história acerca de Jesus. Foi então que Ernst Kasemann “retomou” a busca pelo Jesus histórico. Kasemann advogava um critério histórico simples por meio do qual seria possível discernir quais das palavras atribuídas a Jesus nos evangelhos foram de fato ditas por ele. Se um dizer de Jesus não puder ser entendido como expressão da teologia judaica daquela época, nem tampouco como expressão da teologia cristã, segue-se disso que é grande a probabilidade de que se trate de um discurso autêntico. É o que normalmente se chama de “critério da dessemelhança”. A ideia de Kasemann era de que esse critério permitiria chegar a um núcleo que poderia ser considerado “mínimo no que se refere aos dizeres autênticos criticamente estabelecidos”. Na prática, esse mínimo era geralmente identificado com a mensagem do “Jesus histórico”.

Nem é preciso dizer que o Jesus histórico reconstruído por esse método não se enquadrava de forma alguma no judaísmo daquela época. O critério de dessemelhança tendia a eliminar os dizeres mais óbvios de Jesus classificando-os como falsos. O método só podia levar a um Jesus diferente, por definição, daquele do judaísmo.

É natural que os estudiosos judeus interessados na pesquisa sobre Jesus reagissem com veemência a essa metodologia. Tratava-se, para eles – e não sem razão -, de outra variedade da velha tendência cristã de extirpar tudo o que fosse judeu de Jesus, ou ainda, negar por completo sua essência judaica. Em vez disso, lançaram o que poderíamos chamar de “critério da continuidade”: seriam consideradas autenticas aquelas palavras de Jesus com maior possibilidade de terem sido proferidas (em aramaico ou hebraico) por um judeu do primeiro século, ao passo que seriam considerados suspeitos todos os dizeres estranhos à mentalidade religiosa de tal indivíduo que não pudesse ser facilmente retrovertidos à sintaxe aramaica.

Essa é basicamente a tese de David Flusser. Mas não apenas de Flusser – os estudiosos, de maneira geral, chegaram em grande parte à conclusão de que o critério da dessemelhança é simples demais em termos históricos, e de que o caráter judeu básico de Jesus deveria ser, isto sim, a premissa fundamental de toda a pesquisa histórica a seu respeito. Nesse ponto, estudiosos partidários da “terceira busca” afastam-se decididamente de representantes da “nova busca”.

Este artigo é continuação do anterior “A Velha Busca”, e o posterior será a “A Terceira Busca” completando a tríptico dos estudos sobre o “Jesus Histórico”.

Fonte: Oskar Skarsaune, “A Sombra do Templo”, págs. 135 e 136, editora Vida.

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