Lição 1 – Leis no tempo de Yeshua (Jesus)


Shabbat à tarde

Jesus em Nazaré, na sinagoga e vai para Jerusalém onde expulsa os cambistas 007

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VERSO PARA MEMORIZAR:
“Pois todas as vezes que os gentios, que não têm a Torah, fazem naturalmente o que a Torah requer, esses, apesar de não terem a Torah, são a Torah para si mesmos!” (Rm 2:14- BJC – Bíblia Judaica Completa).

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Leituras da Semana:
Lc 2:1-5; Hb 10:28; Dt – Devarim 17:2-6; Lv – Vaicrá 1:1-9; Lc 14:1-6; Tg – Ya’akov 2:8-12

Na maioria das sociedades, várias leis funcionam ao mesmo tempo. Pode haver leis gerais que se aplicam a todos e leis que têm validade apenas em uma comunidade específica.

Nos tempos da B’rit Hadashah, Novo Testamento, quando uma pessoa usava a palavra comum para “lei” (nomos, em grego, lex em latim e Torah em hebraico), podia estar se referindo a qualquer uma de uma série de leis. Muitas vezes, o único indicador quanto à lei exata que estava em discussão era o contexto da conversa. Assim, à medida que estudarmos neste trimestre, sempre precisaremos ter em mente o contexto imediato, a fim de entender melhor qual lei está sendo discutida.

A lição desta semana examina as várias leis que estavam em vigência na comunidade durante o tempo de Yeshua (Jesus) e da comunidade judaica crente nEle.. Estudaremos essas diversas leis, mas apenas no contexto de sua utilidade para estabelecer a base para o estudo da lei que será nosso foco principal neste trimestre: a lei moral de D’us, os Dez Mandamentos.

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Domingo

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Lei romana

soldado romano II

1. Leia na Bíblia Judaica Completa Lucas 2:1-5. De que forma José e Maria interagiram com o poder político? Que lições podemos aprender com isso?

Desde o tempo da primeira república, os romanos reconheciam a importância das leis escritas para o governo da sociedade. Na verdade, o sistema de direito constitucional estabelecido pelos romanos continua sendo a base dos sistemas jurídicos encontrados em muitas sociedades democráticas atuais.

Na maior parte das vezes, Roma permitia que os reinos vassalos mantivessem os próprios costumes, mas todos os súditos deviam obedecer às leis do império e do senado romano. Obviamente, isso era válido também para Yosef e Miryam.

A ênfase da lei romana era a ordem na sociedade. Por isso, ela não abordava apenas questões de governo, mas também estabelecia regras para o comportamento no âmbito doméstico. Além de estipular os procedimentos para a seleção de pessoas para cargos públicos, o direito romano também lidava com coisas como o adultério e a relação entre senhores e escravos. Muitos dos códigos sociais são semelhantes aos encontrados no Tanakh e em outras sociedades.

Todas as tentativas de entender a cultura em que os livros da B’rit Hadashah (Novo Testamento) foram escritos devem levar em conta o fato de que o Império Romano formava o cenário político para o mundo em que viveram Yeshua e Sua comunidade judaica crente. Muitas coisas que ocorreram na B’rit Hadashah, desde a morte de Yeshua até a prisão de Shaul (Paulo), fazem muito mais sentido quando conhecemos o contexto de seu tempo. Não é preciso ser especialista em história romana a fim de compreender o que precisamos para a yeshu’ah (salvação). No entanto, o conhecimento histórico é realmente útil.

Apesar do milagre da gravidez de Miryam e da atuação de Hashem nesse acontecimento, o casal ainda obedeceu à lei, que exigia que eles deixassem seu lar, mesmo quando Maria estava em um estágio avançado da gravidez. Não teria sido melhor simplesmente ter ficado em casa, considerando as circunstâncias extraordinárias? O que suas ações ensinam sobre a atitude que devemos ter para com a lei civil? Pense na facilidade que eles teriam para justificar a desobediência.

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Segunda

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Lei civil na Bíblia Hebraica

Massoretas

Embora os judeus estivessem sob o domínio romano na época de Yeshua, eles receberam autoridade sobre questões exclusivas de seus costumes e religião (At 18:15). O órgão legislativo responsável pela administração da lei judaica era chamado Sinédrio. Às vezes mencionado como conselho (Jo 11:47; At 5:27, ARC), o Sinédrio era composto por 71 homens escolhidos entre os sacerdotes, anciãos e rabinos e era presidido pelo kohen gadol (sumo sacerdote). Servia como uma espécie de Supremo Tribunal Federal que lidava com costumes, tradições e leis dos judeus.

A lei civil judaica estava fundamentada nos códigos civis revelados nos cinco livros de Moshe, a Torah. Porque Moshe foi o autor dos cinco primeiros livros bíblicos, as leis são mencionadas como a lei de Moisés. Quando D’us originalmente deu as leis a Moisés, planejou um estado em que Ele seria o governante e o povo cumpriria Seus mandamentos. Na época de Yeshua, os judeus estavam sujeitos ao direito romano. No entanto, o governo romano permitia que eles usassem a lei mosaica a fim de resolver questões relacionadas com seus costumes. Nesse aspecto, o trabalho do Sinédrio era especialmente importante.

A B’rit Hadashah (Novo Testamento) apresenta vários exemplos de aplicação da lei mosaica, ou de referências a ela, em questões civis: homens judeus ainda deviam pagar o imposto de meio siclo para o templo (Mt 17:24-27 Shemot, Êx 30:13); divórcios ainda eram regidos pelas disposições estabelecidas por Moisés (Mt 19:7; Devarim Dt 24:1-4); as pessoas ainda seguiam a lei do levirato, em que a viúva devia se casar com o irmão de seu marido (Mt 22:24; Devarim Dt 25:5); meninos ainda eram circuncidados no oitavo dia (Jo 7:23; Vaicrá Lv 12:3) e os adúlteros deviam ser punidos por apedrejamento (Jo 8:5; Devarim Dt 22:23, 24).

2. Leia Mattityahu (Mateus) 26:59-61; Hebreus 10:28; Devarim (Deuteronômio) 17:2-6. Que princípio importante é visto nesses textos? O que isso nos diz a respeito dos conceitos bíblicos de justiça e igualdade?

Leia algumas leis civis encontradas nos primeiros livros da Bíblia. Algumas dessas leis não nos parecem estranhas? Veja, por exemplo, Deuteronômio 21. Considerando que D’us é o autor dessas leis, o que isso nos diz sobre a confiança que devemos ter nEle em todas as coisas, principalmente naquilo que não compreendemos completamente?

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Terça

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Lei cerimonial do Tanakh

Azael 2

3. Leia Vaicrá (Levítico) 1:1-9; 2:14-16; 5:11-13. A que essas leis se referiam? Que importantes verdades elas ensinavam?

Além das leis civis de Israel, havia também o que é geralmente chamado de “lei cerimonial”. Essa lei estava centralizada no santuário e em seus rituais, os quais foram projetados para ensinar aos filhos de Israel o plano da mechilá (perdão) e apontar para eles o Messias que viria. Nas passagens bíblicas acima, por duas vezes é mencionado que a “expiação” seria feita por intermédio dessas cerimônias. Essas leis foram consideradas “miniprofecias” do Mashiach e Sua obra expiatória pelos pecados do povo, veja Ieshaiáhu-Isaías 53.

“A lei cerimonial foi dada pelo Mashiach. Mesmo depois que ela não mais devia ser observada, Shaul a apresentou aos judeus em sua verdadeira posição e valor, mostrando seu lugar no plano da mechilá e sua relação com a obra do Mashiach. E o grande rabi declara gloriosa essa lei, digna de seu divino Autor. O serviço solene do santuário tipificava as grandiosas verdades que seriam reveladas durante gerações sucessivas. […] Assim, através de séculos e séculos de trevas e apostasia, a fé se conservou viva no coração dos homens até chegar o tempo para o advento do Messias prometido” (Ellen Gould White, Patriarcas e Profetas, p. 367).

Embora instituído pelo Mashiach, o sistema cerimonial foi concebido para funcionar apenas como um tipo, um símbolo de uma realidade futura: a vinda dEle, Sua morte e ministério sacerdotal. Uma vez que Ele completasse Sua obra na Terra, esse antigo sistema, com seus sacrifícios e rituais já não seriam necessários (Hb 9:9-12), a ponto do Eterno ter permitido a destruição do Templo em Jerusalém.

Embora já não observemos a lei cerimonial, ao estudá-la, podemos reunir ideias sobre o plano da mechilá.

No centro do serviço do santuário estava o sacrifício de animais, que apontava para a morte de Yeshua. Por que emuná shelemá, fé completa, depende da Sua morte em nosso favor? O que isso diz sobre o
custo do chet, pecado conforme ensinado pela Torah?

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Quarta

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Lei rabínica

Judeus Chabad_Lubavitch_Conference_t607

Além das leis mosaicas, os judeus da época de Yeshua também estavam familiarizados com a lei dos rabinos. Estes eram o braço acadêmico dos fariseus, e assumiam a responsabilidade de garantir que a lei mosaica permanecesse relevante para o povo. Os rabinos contaram 613 leis nos cinco livros de Moisés (incluindo 39 relacionadas ao sábado). Eles usavam essas leis como base para sua legislação e complementavam as leis escritas com uma lei oral que consistia em interpretações dos principais rabinos.

A lei oral é conhecida como halakha, que significa “caminhar”. Os rabinos consideravam que, se o povo seguisse suas numerosas halakoth (plural de halakha), eles iriam andar no caminho das 613 leis principais. Embora tenham surgido como lei oral, as halakoth rabínicas foram organizadas e registradas em forma de livro. Algumas das interpretações da época de Yeshua sobreviveram em comentários conhecidos como Midrash, enquanto outras estão registradas em uma coleção de leis chamada Mishná. Muitos judeus religiosos ao longo dos séculos, e até hoje, procuram cumprir rigorosamente essas leis.

4. Leia Lucas 14:1-6; Yochanan (João) 9. Embora Yeshua tenha sido acusado de transgredir o Shabbat com Seus milagres de cura, será que a Bíblia Hebraica considerava pecado curar no dia de sábado? Como podemos evitar os erros farisaicos enquanto procuramos “andar fielmente no caminho”?

Embora seja fácil, da perspectiva de alguns, ridicularizar muitas dessas leis orais, especialmente porque elas foram usadas contra Yeshua, a falha estava mais na atitude dos líderes, não nas leis. Ainda que fosse cumprida de maneira legalista, as halakoth foram feitas para ser muito espirituais, infundindo um elemento espiritual nas atividades mais rotineiras, dando-lhes um significado religioso.

Como podemos dar um significado religioso às mais corriqueiras atividades de nossa vida?

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Quinta

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A lei moral

Moisés o Libertador

Por mais que o direito romano, a lei mosaica e a lei rabínica impactassem a vida dos judeus que viveram em Israel no primeiro século, muitas pessoas que seguiam a religião de Israel viviam fora da Palestina e além das fronteiras do Império Romano. Assim, muitas dessas leis não teriam desempenhado um papel importante em sua vida.

No entanto, todo seguidor do D’us de Israel teria sido fiel aos Dez Mandamentos.

“Os Dez Mandamentos proviam a estrutura moral que sustentava Israel. A metáfora que a Bíblia usa para expressar essa relação é aliança. Embora a metáfora venha da esfera do direito internacional, é errado compreender os mandamentos apenas como um resumo das obrigações de Israel para com D’us. […] A obediência de Israel aos mandamentos era mais uma resposta ao amor do que uma questão de submissão à vontade divina” (Leslie J. Hoppe, “Ten Commandments” [Dez Mandamentos], Eerdmans Dictionary of the Bible [Dicionário da Bíblia]; Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2000, p. 1.285).

Os Dez Mandamentos superavam qualquer sistema jurídico conhecido por judeus no primeiro século. Mesmo os fariseus, que tinham memorizado meticulosamente as 613 leis mosaicas, reconheciam a importância dos Dez Mandamentos. A divisão da Mishná chamada Tamid (5:1) contém um mandamento rabínico de recitar os Dez Mandamentos diariamente. Acreditava-se que todas as outras leis estavam contidas nos Dez Mandamentos. Na verdade, o filósofo judeu Filo, contemporâneo de Yeshua, escreveu um livro sobre a posição central que os Dez Mandamentos tinham entre todas as leis bíblicas.

5. Leia Mattityahu (Mateus) 19:16-19; Romanos 13:8-10; Ya’akov (Tiago) 2:8-12. O que esses versos dizem sobre o papel dos Dez Mandamentos na vida dos seguidores de Yeshua?

À semelhança de seus irmãos judeus, os escritores da B’rit Hadashah reconheciam o propósito dos Dez Mandamentos para o povo de D’us. Algumas das próximas lições falarão sobre a maneira pela qual Yeshua interagiu com outros sistemas de leis do Seu tempo. No entanto, a ênfase principal será Sua relação com os Dez Mandamentos, conhecidos como a “lei moral”.

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Sexta

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Estudo adicional

Adão e Eva I

“Se Adão não tivesse transgredido a lei de D’us, nunca teria sido instituída a lei cerimonial. As boas-novas foram primeiramente dadas a Adão na declaração que lhe foi feita, de que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente; e foi transmitido através de sucessivas gerações a Noé, Abraão e Moisés. O conhecimento da lei de D’us e do plano da mechilá foi comunicado a Adão e Eva pelo próprio Mashiach. Entesouraram cuidadosamente a importante lição, transmitindo-a verbalmente aos filhos e aos filhos dos filhos. Assim foi preservado o conhecimento da lei de D’us” (Ellen Gould White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 230).

Perguntas para reflexão

1. Antes de Moisés escrever as leis de Israel, os egípcios e babilônios tinham leis civis que eram, em alguns casos, semelhantes às leis de D’us. Até mesmo as sociedades ateístas têm leis que protegem o povo e as propriedades. A lei geralmente é fundamentada em conceitos morais; a lei deve levar as pessoas a evitar o mal e a praticar o bem. Onde as sociedades obtêm esse senso do bem e do mal?

2. Como o conceito do bem e do mal afeta a questão da existência de D’us? Em outras palavras, se D’us não existe, de onde vêm os conceitos do bem e do mal?

3. Falamos sobre diversas leis: Lei da gravidade, lei do movimento, leis internacionais, Constituição Federal e legislação tributária. O que todas essas leis têm em comum? No que elas diferem? Quais são as consequências da violação dessas leis? Quais são os benefícios de se cooperar com elas? Como os princípios dessas leis nos ajudam a entender o propósito dos Dez Mandamentos em relação à vida dos crentes?

4. A tradição “cercou” a lei de D’us com regras para protege-la, porém foram planejadas pelo ser humano, mentes finitas. Como evitar essa tendência de tornar a fé em Hashem um grande fardo de regras e preceitos em nossos dias? Por que é fácil seguir esse caminho, ainda que estejamos bem-intencionados? Afinal, o que a Bíblia e somente ela tem a nos dizer?

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