Lição 3 Jesus (Yeshua) e a Tradição Judaica


(Yeshua, diminutivo de Yehoshua, que significa o ‘Eterno’ salvará. O mesmo nome foi transcrito, ao mesmo tempo, como Josué, sucessor de Moshe (Moisés), e como Jesus. Como os chiados e os guturais não existem em grego, Yeshua tornou-se, Iesou, de onde deriva Jesus. André Chouraqui)

Shabbat a tarde

Verso para Memorizar:

“Um dos mestres da Torah se aproximou e ouviu o debate. Notando que Yeshua lhes dera uma boa resposta, perguntou-lhe: “Qual é a mitzvah mais importante?”. Yeshua respondeu: “A mais importante é: ‘Sh’ma Yisra’el, Adonai Eloheinu, Adonai echad (Ouve, ó Yisra’el, o Senhor, nosso Deus, o Senhor é um), e você deve amar Adonai, seu Deus, de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e com toda a força, a segunda é esta: ‘Ame o próximo como a si mesmo’. Marcos 12:28 a 31 (BJC-Bíblia Judaica Completa).
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JOHN WESLEY opinava que a teologia de qualquer pessoa era influenciada por quatro fatores:

1º a razão.
2º as Escrituras.
3º a tradição.
4º a opinião pessoal.

Não queria dizer, porém, que todos estes aspectos têm, de igual modo, o mesmo grau de autoridade. Ele reconhecia que a Bíblia era o fundamental, mas também reconhecia que a fé individual da pessoa, bem como a sua capacidade de raciocínio e a sua tradição religiosa influenciavam a maneira como a Bíblia é interpretada. Se Wesley voltasse a vida hoje, ficaria chocado ao descobrir que muitos dos teólogos modernos na tradição wesleyana (e igualmente noutras tradições) valorizam a razão, a tradição e a opinião pessoal acima de um claro ensino das Escrituras.
No Judaísmo o chacham, sábio em hebraico, é o erudito da tradição judaica. Este termo é usado principalmente em referência aos sábios que compuseram o Talmude e que foram os herdeiros da tradição oral. O chacham na compreensão do judaísmo dos rabinos é o estudioso ideal, tendo precedência até mesmo sobre os profetas, é um “talmid chacham”, um “estudante sábio”.
A lição desta semana investiga as tradições religiosas sobre as quais os escribas e os Fariseus baseavam muitos dos respetivos ensinos. Os rabis que primeiramente redigiram essas tradições respeitavam grandemente as Escrituras e não tinham qualquer intenção de que essas tradições fossem colocadas acima do estatuto da Palavra de Deus. Contudo, alguns dos seus zelosos discípulos confundiam o método com a mensagem e, ao fazê-lo, deslocaram o foco da divina revelação escrita para a tradição humana.

Domingo

A CADEIRA DE MOSHÉ

Embora os escribas, soferim, e Fariseus, perushim, parecessem dois grupos distintos que, por casualidade, foram postos lado a lado, o mais provável que os escribas fossem uma classe dos Fariseus (ver Atos 23:9). Os Fariseus tornaram-se num grupo conhecido durante o período do Império Grego. Crê-se que era o remanescente de um piedoso grupo judaico, conhecido como os Hasidim, os piedosos, que participaram na luta durante a revolução dos Macabeus contra o reino helenístico de Antíoco Epifânio.
O termo “Fariseu” deriva da palavra hebraica paras, a qual significa “separar”. Numa época em que muitos Judeus se tinham deixado influenciar grandemente pelas culturas pagãs, os Fariseus consideravam ser sua obrigação garantir que fosse ensinada a Torah a todo o homem judeu. Para a realização desta tarefa, criaram a função de rabino, que, literalmente, significa “o meu grande”, “o meu mestre” ou “o meu professor”.
Ao dizer que “na cadeira de Moisés” estavam assentados os escribas e Fariseus, Jesus reconhecia as posições que eles ocupavam como mestres do povo (Mat. 23:2 e 3). Afinal, estes tinham, pelo menos, assumido a responsabilidade de garantir que as pessoas fossem instruídas nos caminhos da Torah.

Jesus e os ricos I

Leia Mattityahu/Mateus 23:1-7. Com base no que é afirmado nestes versículos, qual foi um dos maiores problemas que Yeshua/Jesus teve com os escribas e os Fariseus?

Os fariseus/perushim ao interpretar as Escrituras não a entendiam literalmente como os saduceus e não eram ascetas como os essênios. O ensinamento dos fariseus influenciou fortemente o grupo dos rabinos que começou a tomar a dianteira do Judaísmo a partir da destruição do segundo templo no ano 70 d.C.
Os fariseus/perushim eram extremamente preocupados com regras de pureza ritual ou alimentar e devoção derivada do Templo e seus ritos aplicando-as ao judeu comum, isto esta presente até hoje no Judaísmo rabínico, e procuraram manter preservadas as tradições populares que os judeus foram adquirindo pelas terras onde moravam.

Leia de novo o que Yeshua/Jesus disse acerca dos escribas e Fariseus. Como podemos assegurar-nos de que também nós não nos tornamos culpados de atitudes semelhantes?

Segunda-feira

A Tradição Oral – Torah Oral – Torah she-beal-pé

Embora os escribas e os Fariseus estivessem “na cadeira de Moisés”, a sua fonte de autoridade para a instrução religiosa ultrapassava a Bíblia Hebraica. A ‘Torah’ que os Fariseus utilizavam consistia em interpretações bíblicas dos principais rabis. Tais interpretações não se destinavam a substituir as Escrituras, mas a complementá-las. De início, as interpretações circulavam oralmente; mais tarde os escribas começaram a compila-las em livros.
A primeira publicação oficial das leis rabínicas— surgiram no final do século dois da Era comum, quando o rabi Yehua Ha-Nasi (Judá, o Príncipe) publicou a Mishná. As leis registadas na Mishná refletem cerca de quatro séculos de interpretação rabínica. Entre os rabis que contribuíram para essa compilação incluem-se muitos dos que viveram no tempo de Yeshua/Jesus, sendo os mais notáveis Hillel e Shammai. Havia também Gamaliel, neto de Hillel e professor de Saulo de Tarso, mais tarde chamado Paulo.

Talmude Babilônico

Leia Mattityahu/Mateus 15:1-6. Que questão controversa surge nesta passagem? Que interpretação tentou Yeshua/Jesus corrigir?

Aprendemos na Lição 1 que as leis rabínicas eram chamadas halakah, termo que significa “caminhar”. Os rabis achavam que, se uma pessoa andasse nos caminhos das leis menores, ela andaria também no caminho das maiores. Contudo, algures ao longo do percurso, as leis menores começaram a adquirir um status maior e, depois de algum tempo, começou a ser difícil distinguir o que era tradicional do que era bíblico.
O Judaísmo rabínico justifica a crença na autoridade da tradição dos sábios baseado na ideia de que paralelo ao que o Eterno revelou a Moshé e foi escrito na Torah, Ele também revelou outro “conhecimento” que foi transmitido aos sábios e profetas de forma não escrita, isto é, de forma oral e que foi desenvolvido e acrescentado através dos séculos pelas discussões e debates de mestres e alunos Inteligentes.
Ensinam que a tradição oral é a alma da Torah escrita, e sem ela e suas interpretações a Bíblia ficaria sem explicação compreensível.
Não parece que fosse um problema para Yeshua/Jesus os Fariseus terem as suas próprias regras. Contudo, Ele considerou problemática a elevação dessas regras ao estatuto de “doutrina”. Nenhum ser humano tem a autoridade para criar restrições religiosas e elevá-las ao nível de Mandamento Divino. Isto, porém, não quer dizer que grupos de crentes estejam proibidos de criar regulamentos que contribuam para a orientação do comportamento em comunidade. A instrução prática poderia ajudar, em grande medida, as pessoas a guardarem a Torah. No entanto, não se deve consentir nunca que a instrução ocupe o lugar da própria Torah escrita.

Terça-feira

Tradição dos Sábios

Como vimos, alguns dos rabis prestavam tanta atenção às regras e as tradições criadas para promover a guarda da Torah escrita que deixaram de ser capazes de distinguir entre os dois conjuntos de regras.
Passado algum tempo, as palavras dos rabis adquiriram estatuto de “Palavra do Deus vivo”; as pessoas pensavam que eram tão vinculativas como as palavras das Escrituras. Foi muitíssimo provável que, quando os rabis escreveram de início os seus comentários, não tivessem nenhuma intenção de fazer acréscimos as páginas das Escrituras. Contudo, os dedicados discípulos desses rabis consideraram ser seu dever divulgar essas singulares interpretações junto da população judaica.

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Leia de novo Mattityahu/Mateus 15:1 e 2. Em que texto dos primeiros cinco livros de Moisés se baseia a tradição?                          Que importância tem a resposta que você deu? Veja também Marcos 7:3 e 4; Mat. 15:11.

Somos levados a procurar um texto bíblico que ordene: “Tu deves lavar as mãos antes de comer”. Contudo, esta regra de procedimento não teria surpreendido os escribas e os Fariseus quando confrontaram Jesus, pois tornaram bem claro que não era uma questão de os discípulos estarem a violar a Torah escrita, mas, sim, a “tradição dos anciãos”. A veemência com que eles apresentaram a pergunta faz parecer que, para os Fariseus, aquilo se tratava de uma séria violação religiosa.
Os profissionais de saúde e os pais provavelmente gostariam de ter uma razoável justificativa higiênica ou psicológica para a aparente compulsão obsessiva dos Fariseus em lavar as mãos. No entanto, os acadêmicos creem que a questão tinha realmente a ver com a impureza cerimonial. Ao que parece, os Fariseus preocupavam-se muito que as pessoas, ao andarem na sua rotina da vida, tocassem em coisas que as pudessem tornar impuras ou imundas. Consequentemente, se as pessoas comessem sem se lavarem, iriam contaminar-se cerimonialmente ao tocarem nos alimentos.
Considerando o fato de que fundamentaram a sua acusação contra os discípulos de Jesus, podemos chegar a conclusão de que o próprio Yeshua/Jesus não estava em transgressão dessa bem conhecida tradição (Marcos 7:3). Não obstante, Ele estava bem ciente de que os Fariseus estavam a atribuir grande importância a coisas menores.
Leia no Tanach Yesha’yahu/Isaias 29:13. Que princípios bíblicos cruciais são aqui revelados? Que razão torna tão importante que nos lembremos deles?

Quarta-feira

Mitzvah (Mandamento) de Origem Humana

Desde tempos remotos não era permitido colocar por escrito os ensinamentos da tradição oral, devendo ser memorizadas pelos mestres tanaíticos, e transmitidos para seus alunos e assim sucessivamente através das gerações.
A consideração era e ainda é grande, mesmo quando os ensinamentos dos sábios entram em contradição entre si.                          Ainda assim devem ser levados em conta como revelação divina.
Após a destruição do segundo Templo, ano 70 d.C. essa proibição começou a ser revogada devido a ameaça romana de extinção dos mestres tanaíticos, os repetidores, o que colocaria em risco o acervo de conhecimento tradicional adquirido através dos séculos, surgem o Talmude e a Mishná.
O lar judaico passou a ser considerado uma extensão do Templo que fora destruído, o marido representa o kohen/sacerdote e as refeições um tipo de sacrifício apresentado diante do Eterno, tome, por exemplo, o ato de salpicar com sal o pão, chalá, ao por do sol de sexta-feira ao modo como se fazia com o sacrifício em Jerusalém.
Conforme ensina a tradição antes de comer pão, é costume realizar o ritual de lavar as mãos. Não é somente uma mediada higiênica, pois as mãos já devem estar previamente limpas, mas implica em um símbolo de purificação espiritual, para isso usa-se uma jarra de lavagem ritual das mãos: Netilat Iadaim.
“Pode-se fazer isso ao acordar pela manhã para que se remova o espírito impuro residente na ponta dos dedos, antes de orar, antes de comer pão, antes de proferir a bênção sacerdotal e depois de visitar um cemitério ou ter contato com um morto.” (Unterman)
O procedimento é o seguinte: pega-se um recipiente cheio de água e verte-se líquido suficiente (até o punho) sobre a mão direita três vezes e se repete o processo sobre a esquerda. Assim, lavam-se ambas as mãos e se recita a bênção da seguinte maneira, enquanto as mãos vão se secando:

BARUCH ATÁ ADONAI ELOHEINU MELECH HAOLAM, ASHER KIDESHANU BEMITZVOTAV VETZIVANU AL NETILAT IADAIM.
Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus preceitos e nos ordenaste o ritual de lavar as mãos.

lavar as mãos
A questão mais profunda que deveria incomodar a quem busca a D’us é, onde na Torah escrita ou nos profetas e escritos, o Tanach em geral encontra-se tal mitzvah?

Leia Mateus 15:3-6 no contexto de Shemot/Êxodo 20:12; D’varim/Deuteronômio 5:16; Mattityahu/Mateus 19:19; Efésios 6:2. O que estava envolvido na reprovação de Yeshua/Jesus?

Quando os Fariseus confrontaram Yeshua/Jesus acerca do incidente da lavagem das mãos, estavam esperavam que Ele respondesse diretamente sua acusação. Contudo, no Seu estilo singular, Jesus confrontou-os com uma questão que atingiu bem o centro da disputa. Yeshua quis que eles soubessem que o problema não tinha a ver com a lavagem das mãos ou com a devolução do dízimo, mas com a elevação de normas humanas acima de normas divinas. Os Fariseus conseguiam apresentar explicações lógicas para a sua posição sobre a lavagem das mãos. Sem dúvida que, provavelmente, também raciocinavam que canalizar recursos para a causa de D’us, em vez de fazê-lo para o sustento dos respetivos progenitores, era uma expressão sem paralelo do seu amor por Deus.
Embora os Fariseus pudessem ter tido motivos lógicos para os seus atos, D’us não estava esperando que os seres humanos O amassem nos seus próprios termos. Era bom que eles se mostrassem interessados na disciplina e no viver em santidade, mas esse interesse não deveria nunca eclipsar a vontade de D’us.
Os Fariseus deviam ter-se recordado de que as 613 regras registadas na lei de Moisés eram harmoniosas e não contraditórias. Nenhuma dessas leis devia suplantar qualquer outra. Contudo, a sua insistência em seguir a “tradição dos anciãos” invalidava a Palavra de D’us (Mat. 15:6), pelo menos no que a eles próprios dizia respeito. Vendo a si mesmos como os protetores da Torah, eles devem ter ficado chocados, e até escandalizados, pela afirmação de que estavam, de fato, a violar essa                      Lei, tornando até “nulo o seu efeito”, mediante as mesmas tradições com que pensavam estarem a ajudar as pessoas a observar melhor a Torah!

Quinta-feira

JUSTIÇA EXCESSIVA (Mattityahu/Mateus 5:20)

Leia Mattityahu/Mateus 5:17-20. No contexto da lição desta semana, quais são algumas das maneiras como deve ser entendida a admoestação de Jesus em Mattityahu/Mateus 5:20? Veja também Romanos 10:3.

Lido isoladamente, Mattityahu/Mateus 5:20 poderia ser visto como um convite a exceder os Fariseus; isto é, faz o que eles fazem, mas de um modo mais intenso.
Seria, porém, isso o que Yeshua estava a dizer? Felizmente, a resposta a esta interrogação está ao nosso alcance. A lição de ontem salientou que não era invulgar os escribas e Fariseus elevarem a tradição dos sábios acima da Lei de D’us. Jesus teve de lhes dizer que os seus atos invalidavam, de fato, a simples Palavra de D’us. A lição de segunda-feira também mencionava que, embora os escribas e os Fariseus tivessem boas intenções quanto ao que ensinavam, muitos viviam uma vida hipócrita.
Atendendo a este antecedente, não é difícil perceber o verdadeiro sentimento por detrás da afirmação de Jesus. Ele poderia muito bem estar a referir-Se aquilo a que, noutro momento, já tinha feito referência:
“Qualquer, pois, que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus” (Mat. 5:19). Os Fariseus estavam tão fixados na “Torah” oral baseada em conclusões humanas que abertamente violavam a Lei de D’us. A sua justiça tinha por base os seus próprios esforços e, como tal, era defeituosa. Isaias tinha há muito declarado que a justiça humana nada mais é do que trapos de imundícia (Yesha’yahu/Isa. 64:6).
O tipo de justiça que Yeshua promovia era o que tem início no coração. No incidente da lavagem das mãos, Jesus salientou o erro dos Fariseus, citando de Yesha’yahu/Isaias 29:13: “Este povo… com os seus lábios Me honra, mas o seu coração está longe de Mim”, A justiça que Deus pretende penetra mais profundamente do que os atos visíveis.
Jesus apela a uma justiça que exceda aquilo que os Fariseus pensavam que eles próprios possuíam. A justiça que tem valor não se obtém preenchendo todos os itens de uma lista de deveres; aquela só pode ser obtida mediante a fé na obra do Mashiach de Israel e reclamando para nós mesmos a Sua justiça. É uma justiça que resulta de uma total entrega do eu e de uma compreensão veemente de que precisamos dEle como nosso Substituto e exemplo.
Judaísmo V

Leia em sua Bíblia Judaica Completa, Romanos 10:3. De que modo este texto nos ajuda a ver o que está envolvido na verdadeira justiça?

Sexta-feira

ESTUDO ADICIONAL:

“Na cadeira de Moisés”, disse ele, “estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.” Mat. 23:2 e 3. Os escribas e fariseus pretendiam achar-se investidos de divina autoridade idêntica à de Moisés. Arrogavam-se seu lugar como expositores da lei e juízes do povo. Como tais, exigiam do mesmo a mais completa deferência e submissão. Yeshua mandou que Seus ouvintes fizessem aquilo que os rabis ensinassem de acordo com a lei, mas não lhes seguissem o exemplo. Eles próprios não praticavam o que ensinavam.
E ensinavam muito que era contrário às Escrituras. Disse Jesus: “Atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los.” Mat. 23:4. Os fariseus impunham uma multidão de regulamentos, com base na tradição, os quais restringiam irrazoavelmente a liberdade pessoal. E certas porções da lei explicavam de maneira a impor ao povo observância que eles próprios, secretamente, passavam por alto, e das quais, quando convinha aos seus desígnios, pretendiam na verdade estar isentos.
Fazer ostentação de sua piedade, eis seu constante objetivo. Coisa alguma era considerada demasiado sagrada para servir a esse fim. D’us dissera a Moisés com referência a Suas ordenanças: “Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeira entre os teus olhos.” Deut. 6:8. Essas palavras têm profunda significação. À medida que a Palavra de D’us é meditada e posta em prática, o homem todo é enobrecido. Num trato justo e misericordioso, as mãos revelarão, como um selo, os princípios da lei divina. Conservar-se-ão limpas de suborno, e de tudo quanto é corrompido e enganoso. Serão ativas em obras de amor e compaixão. Os olhos, dirigidos para um nobre fito, serão limpos e leais. O semblante expressivo, o eloquente olhar, testificarão do irrepreensível caráter daquele que ama e honra a Palavra divina. Pelos judeus dos dias de Yeshua, porém, todas estas coisas não eram discernidas.

O mandamento dado a Moisés fora interpretado no sentido de que os preceitos da Escritura deviam ser usados sobre o corpo. Eram, portanto, escritos em tiras de pergaminho e presos, muito ostensivamente, em torno da cabeça e dos punhos. Isso, porém, não fazia com que a lei de D’us se firmasse mais na mente e no coração. Esses pergaminhos eram usados meramente como insígnias, para chamar a atenção. Supunha-se que davam aos que os usavam um ar de devoção que imporia reverência ao povo. Jesus desferiu um golpe nessa vã pretensão:
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“Fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas de seus vestidos, e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens – Rabi, Rabi.
Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Mashiach, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na Terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos Céus. Nem vos chameis mestres, porque só um é o vosso Mestre, que é o Mashiach.” Mat. 23:5-10.

Em palavras assim positivas revelou o Salvador as ambições egoístas que sempre buscavam lugar e poder, exibindo uma fictícia humildade, enquanto o coração estava cheio de avareza e inveja. Ao serem as pessoas convidadas a um banquete, colocavam-se os convivas segundo sua posição, e aqueles a quem se concedia o mais honroso lugar, eram objeto de maiores atenções e favores especiais. Os fariseus sempre estavam manejando para assegurar-se essas honras. Esse costume Jesus censurou. Ellen Gould White, DTN 611 a 613

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