Mikve e o Batismo


Mikve, do hebraico, significa “reunião”, “ajuntamento” em uma piscina de água “viva”, acumulada da chuva ou de uma fonte, que é usada no ritual de purificação ou ablução. Quando um mikvê é formado por uma quantidade mínima de água natural, pode-se acrescentar água encanada.

Mikvê
Na época do Templo, muitas impurezas eram removidas por meio do mikvê, mas hoje ele tem função mais restrita. Prosélitos devem mergulhar no mikvê, tevilá, como parte da conversão ao judaísmo, sendo essa a origem do batismo cristão. Mulheres casadas usam o mikvê após a menstruação, nidá, antes de recomeçarem as relações sexuais com seus maridos.
mulher I

Utensílios de cozinha comprados a um gentio são mergulhados num mikvê, tevilá kelim, antes de serem usados na preparação de comida. Os homens banham-se no mikvê antes do jejum do Iom Kipur, para se postarem diante de Deus em estado de pureza, e os influenciados pelo ensinamento cabalístico banham-se no mikvê toda véspera de Shabbat, ou, no caso dos membros do Movimento Chassídico, diariamente, antes das orações.
Aquilo que uma mulher vê ao emergir de seu banho pós-menstrual no mikvê irá influir na criança que ela vier a conceber durante as relações conjugais daquela noite. Se deparar um cão, a criança terá um rosto feio, com feições caninas, se for um burro, será estúpida, se for um homem ignorante, será ignorante. Por isso, se tal suceder, ela deve voltar e se banhar novamente. Há até relatos de mulheres que se fizeram guiar de olhos fechados de volta do mikvê, para que pudesse pensar que só estavam cruzando com homens devotos. Se, no entanto, uma mulher topar com um cavalo, é um bom sinal, e ela terá um filho feliz, que encontrará alegria na Torá, ou, se encontrar um erudito, também é um bom sinal.
Mikvê II
O Talmud conta com rabi Iochanan, um sábio palestino de bela aparência, costumava sentar-se à entrada do mikvê, para que as mulheres pudessem vê-lo e ter filhos bonitos como ele. Aos que questionavam seu comportamento, respondia que não era perturbado por pensamentos lúbricos ao ver as mulheres emergirem do mikvê, pois para ele elas eram como cisnes brancos. Fonte: Allan Unterman, Dicionário de Lendas e Tradições – Jorge Zahar Editor.
mikveh

Herança Judaica

Analisando a vida da comunidade de crentes em Yeshua/Jesus devemos levar em conta que seus componentes eram em sua maioria, senão todos, pelo menos nos primeiros tempos, judeus. Como tais tinham grande apreço pela Bíblia Hebraica, que, aliás, era sua única Bíblia.
Na Torah, especificamente em Vaicrá/Levíticos 15, por exemplo, dez versos prescrevem a lavagem e o banho para purificar de diversos tipos de impureza (5-9, 11, 13,21,22,27). Lendo exatamente o que o texto da Torah diz, as impurezas estavam associadas ao estado de saúde das pessoas e não necessariamente há alguma “impureza espiritual”, embora pudesse ser símbolo do pecado em relação aos rituais do Tabernáculo e posteriormente do Templo, mas afinal quando Moshé escreveu, o Eterno tinha uma segunda intenção:
“Qualquer homem que emanar de sua carne fluxo, por seu fluxo ele é impuro…”Vaicrá 15:2 – Bíblia Hebraica Sêfer – BHS.

impuro
De que “fluxo” poderia se tratar? Sangue? Pus? Ou seja, lá o que for é resultado de doença e a medida profilática era a lavagem e o isolamento por certo período de tempo, leia você mesmo o que está escrito na Torah, e quando o povo seguia esses regulamentos a promessa do Eterno se cumpria:
“Se ouvires atentamente a voz do Eterno, teu Deus, fizeres o direito a Seus olhos, escutares Seus mandamentos e guardares todos os Seus estatutos, toda enfermidade que enviei aos egípcios não porei sobre ti, pois Eu sou o Eterno, que te cura.” Shemot/Êxodo 15:26 – BHS.
felicidade
Os banhos e abluções feitas pelos judeus na época da reforma e ampliação no Templo feita por Herodes eram comuns, nas ruinas de Qumran, esses banhos e abluções rituais atingiram um grau elevado de importância espiritual de piedade para os essênios. Os banhos eram o meio pelo qual os goyim (gentios) adentravam na comunhão de Israel.
Com João Batista/ Yochanan o imersor, a questão da ablução ganha contornos escatológicos com uma mensagem de arrependimento devido à proximidade do Reino Messiânico:
“…a palavra de Deus veio a Yochanan Ben-Z’kharyah, no deserto. Ele percorreu toda a região do Yarden, anunciando a imersão que envolvia o abandono do pecado e a volta a Deus a fim de receber perdão.” Lucas 03:02 e 03. Bíblia Judaica Completa – BJC.
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O próprio Yeshua/Jesus passou pela mikvê provida por João/Yochanan:
“Então Yeshua veio da Galil ao Yarden para receber a imersão de Yochanan. Yochanan, porém, tentou impedi-lo: “Você vem até mim? Eu preciso ser imerso por você!”. Entretanto , Yeshua lhe disse: “Deixe assim por enquanto, porque devemos realizar tudo o que a justiça exige”. Então Yochanan concordou. Assim que Yeshua foi imerso, saiu da água. Naquele momento, o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo sobre si como uma pomba, e uma voz do céu disse: “Este é meu Filho, a quem amo; tenho muito prazer nele.” Mattityahu/Mateus 03:13-17 – BJC.
Assim, Yeshua/Jesus endossou completamente a missão e o batismo de Yochanan o imersor.

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A B’rit Hadashah/Novo Testamento afirma que, depois da ressurreição, Yeshua/Jesus deu aos talmidim a tarefa de ensinar em todo o mundo as boas novas de Hashem e que todos os que confiassem em Sua Palavra deveriam ser imersos/batizados.
“As palavras “batizar” e “batismo” vêm da raiz grega “baptizo” , “imergir”. Uma raiz correlata é bapto, “mergulhar em ou sob”, que ocorre várias vezes na B’rit Hadashah. A raiz “baptizo” é usada mais de 60 vezes para designar o batismo de pessoas por imersão para o arrependimento, como no batismo de João/Yochanan ou, depois da ressurreição, o batismo por causa da fé em Yeshua como o Mashiach. A mesma raiz, encontrada em Marcos 07:04, Lucas 11:38 e Hebreus 09:10, aplica-se à lavagem cerimonial judaica.” Adaptado do Tratado de Teologia, pág. 647, CPB, 2013.
Com a pregação messiânica de Yeshua/Jesus a imersão feita pelos talmidim daqueles que aceitavam através da teshuvá ganhou contornos mais profundos:

“Vocês não sabem que aqueles de nós, que foram imersos no Messias Yeshua, foram imersos na sua morte? Por meio da imersão em sua morte, fomos sepultados com ele; para que, de modo semelhante á glória do Pai pela qual o Messias foi ressuscitado dentre os mortos, também possamos viver uma nova vida. Porque, se fomos unidos a ele na morte semelhante à dele, também estaremos unidos a ele na ressurreição semelhante à dele. “
Romanos 06:03 a 05 – BJC.
batismo no rio Jordão, Israel
Na imersão/batismo a vida da pessoa é impactada, porém, na imersão não há nenhum poder de purificação inerente à água. A imersão simboliza, porém, a purificação do pecado e da contaminação moral.
Uma vez esclarecida pelo Espírito Santo/Ruach HaKodesh a pessoa reconhece sua condição perdida e por meio do arrependimento/teshuvá e confissão a D’us é possível libertar-se do fardo que o pecado traz e da culpa consequente, é disso que o batismo/imersão trata e é símbolo.

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