Histórias da B’rit Hadashah – 1 – A Escolha e o Treinamento dos Doze Talmidim/Discípulos


Para a tarefa de levar avante Sua obra, o Mashiach (1) não escolheu os doutos ou eloquentes do Sinédrio judaico ou do poder de Roma. Passando por alto os ensinadores cheios de justiça própria, o Mestre por excelência escolheu homens humildes, iletrados, para proclamarem as verdades que deviam abalar o mundo. Ele Se propôs preparar e educar esses homens para dirigentes de Sua sinagoga. Eles, por sua vez, deviam educar outros e enviá-los com a mensagem do tikkun-ha’olam/conserto do mundo. Para que pudessem ter sucesso em sua obra, deviam eles receber o poder do Ruach há Kodesh/Espírito Santo . Não pelo poder humano ou humana sabedoria devia a mensagem ser proclamada, mas pelo poder de D’us.
discipulos Talmidim
Por três anos e meio estiveram os talmidim/discípulos sob a direção do maior Professor que o mundo já conheceu. Por associação e contato pessoal, o Mashiach preparou-os para Seu serviço. Dia a dia caminhavam a Seu lado, conversando com Ele, ouvindo Suas palavras de ânimo aos cansados e quebrantados, e vendo a manifestação de Seu poder em favor dos doentes e sofredores.
Às vezes Ele os instruía, assentando-Se entre eles junto às montanhas; outras vezes, junto ao mar ou andando pelo caminho, lhes revelava os mistérios do reino de D’us. Onde quer que houvesse corações abertos para receber a divina mensagem, Ele desdobrava as verdades do caminho da yeshu’ah/salvação.
Não mandava que os talmidim fizessem isto ou aquilo, mas dizia: “Segue-Me.” Mar. 2:14. Em Suas jornadas através dos campos e das cidades, levava-os com Ele para que pudessem ver como ensinava o povo. Viajavam com Ele de um lugar a outro. Tomavam parte nas Suas frugais refeições e, como Ele, estiveram algumas vezes famintos e não raro cansados. Estiveram com Ele nas ruas apinhadas, junto ao lago e no solitário deserto. Viram-nO em todos os aspectos da vida.
Foi na ordenação dos doze que se deram os primeiros passos na organização de Sua ‘sinagoga que no mundo de fala grega passou a ser conhecida pela palavra “Eclésia”, isto é, “assembleia”’… A respeito desta ordenação, diz o relato: “E subiu ao monte, e chamou para Si os que Ele quis; e vieram a Ele. E nomeou doze para que estivessem com Ele e os mandasse a pregar.” Mar. 3:13 e 14.
Jesus e os discipulos
Considerai a tocante cena. Vede a Majestade do Céu tendo em torno os doze por Ele escolhidos. Logo os separará para a obra que lhes destinou. Por meio desses débeis instrumentos, mediante Sua Palavra e Espírito, Ele Se propõe colocar a yeshu’ah/salvação ao alcance de todos.
Com alegria e júbilo, D’us e os anjos contemplavam esta cena. O Eterno sabia que por intermédio desses homens a luz do Céu haveria de brilhar; que as palavras por eles ditas ao testemunharem de Seu Filho (2) haveriam de ecoar de geração em geração, até o fim dos séculos.
Os talmidim deviam sair como testemunhas do Mashiach para anunciar ao mundo o que dEle tinham visto e ouvido. Seu cargo era o mais importante dos cargos a que já haviam sido chamados seres humanos, apenas inferior ao do próprio Mashiach. Eles deviam ser coobreiros de D’us na yeshu’ah dos homens. Como na Bíblia Hebraica, o Tanach, os doze patriarcas ocupavam o lugar de representantes de Israel, assim os doze apóstolos representam a Sua sinagoga e Sua mensagem.
Durante Seu ministério terrestre o Mashiach deu início à obra de derribar o muro de separação entre judeus e goin’s/gentios e apregoar a salvação a toda a humanidade. Embora judeu, comunicava livremente com os samaritanos, anulando costumes farisaicos com respeito a este desprezado povo. Dormia sob seu teto, comia a suas mesas e ensinava em suas ruas.
Jesus em Nazaré, na sinagoga e vai para Jerusalém onde expulsa os cambistas 008
O Rabino ansiava por desdobrar aos talmidim a verdade referente à demolição da “parede de separação” (Efés. 2:14) entre Israel e as outras nações – a verdade de que “os goin’s/gentios são co-herdeiros” dos judeus, “e participantes da promessa no Mashiach crendo em Sua Mensagem”. Efés. 3:6. Esta Mensagem foi revelada em parte quando Ele recompensou a fé do centurião de Cafarnaum, e quando pregou aos habitantes de Sicar. Isto foi ainda mais plenamente revelado por ocasião de Sua visita à Fenícia, quando curou a filha da mulher cananeia. Estas experiências ajudaram os talmidim a compreender que entre aqueles a quem muitos consideravam como indignos da yeshu’ah, havia almas famintas pela luz da verdade.
Assim buscou o Mashiach ensinar aos talmidim a verdade de que no reino de D’us não há fronteiras territoriais, nem classes sociais; que eles deviam ir a todas as nações, levando-lhes a mensagem do amor do Salvador. Mas não foi senão mais tarde que eles compreenderam em toda a plenitude que D’us “de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da Terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Eterno, se porventura, tateando, O pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós”. Atos 17:26 e 27.
Jesus e os discipulos colhendo espigas no sábado
Havia nesses primeiros talmidim frisante diversidade. Eles deviam ser ensinadores do mundo e representavam amplamente variados tipos de caráter. Para conduzir com êxito a obra para a qual haviam sido chamados, esses homens, diferindo em características naturais e em hábitos de vida, necessitavam chegar à unidade de sentimentos, pensamento e ação. Esta unidade o Mashiach tinha por objetivo assegurar. Para alcançar este fim Ele procurou mantê-los em união consigo próprio. A responsabilidade que Ele sentia em Sua obra por eles é expressa em Sua oração ao Pai:
“Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e Eu em Ti; que também eles sejam um em Nós.” “Para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim.” João 17:21 e 23.
Sua constante oração por eles era que fossem separados do mal pela verdade; e Ele orou com segurança, sabendo que um decreto da parte do Todo-poderoso tinha sido feito antes que o mundo tivesse vindo à existência. Sabia que a mensagem do reino devia ser pregada a todas as nações para testemunho; que a verdade armada com a onipotência do Ruach HaKodesh seria vitoriosa na batalha contra o mal, e que a bandeira sangrenta um dia haveria de tremular triunfante sobre Seus seguidores.
Ao aproximar-se o término do ministério terrestre do Mashiach e reconhecer Ele que logo precisaria deixar que Seus talmidim levassem avante a obra sem Sua pessoal supervisão, procurou encorajá-los e prepará-los para o futuro. Não os enganou com falsas esperanças. Como num livro aberto, leu o que devia acontecer. Sabia que estava prestes a ser separado deles, para deixá-los como ovelhas entre lobos. Sabia que haviam de sofrer perseguição, que seriam lançados fora das sinagogas e metidos nas prisões. Sabia que por testemunharem dEle como o Messias, alguns experimentariam a morte. E falou-lhes alguma coisa disto. Referindo-Se ao futuro deles, foi claro e definido, para que nas aflições que viriam pudessem lembrar Suas palavras e ser fortalecidos para crer nEle como o Redentor.
Jesus em Nazaré, na sinagoga e vai para Jerusalém onde expulsa os cambistas 007
Falou-lhes também palavras de encorajamento e de esperança. “Não se turbe o vosso coração; credes em D’us, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.” João 14:1-4. Em vosso benefício vim ao mundo; em vosso favor tenho estado trabalhando. Quando Eu for, ainda trabalharei ardentemente por vós. Eu vim ao mundo para Me revelar a vós a fim de que pudésseis crer. Vou para o Meu Pai e o vosso Pai, para cooperar com Ele em vosso benefício.
“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço, e as fará maiores do que estas; porque Eu vou para Meu Pai.” João 14:12. Não queria o Mashiach dizer com isto que os talmidim fariam maiores esforços do que os que Ele havia feito, mas que sua obra teria maior amplitude. Ele não Se referiu meramente à operação de milagres, mas a tudo quanto iria acontecer sob a influência do Ruach HaKodesh. “Mas, quando vier o Consolador”, disse Ele, “que Eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Ruach HaKodesh de verdade que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio.” João 15:26 e 27.
Maravilhosamente foram estas palavras cumpridas. Depois da descida do Ruach HaKodesh os talmidim sentiram tanto amor por Ele, e por aqueles por quem Ele morreu, que corações se comoveram pelas palavras que falaram e pelas orações que fizeram. Falaram no poder do Ruach; e sob a influência desse poder, milhares se converteram.
Jesus e os ricos I
Como representantes do Mashiach, os apóstolos deviam fazer decidida impressão sobre o mundo. O fato de serem homens humildes não devia diminuir-lhes a influência, antes incrementá-la; pois a mente de seus ouvintes devia ser levada deles para o Salvador que, conquanto invisível, estava ainda operando com eles. O maravilhoso ensino dos apóstolos, suas palavras desânimo e confiança, assegurariam a todos que não era em seu próprio poder que operavam, mas no poder do Mashiach. Humilhando-se a si mesmos declarariam que Aquele que ‘em nome dEle haviam agido’.
Em Sua conversação de despedida com os talmidim, na noite anterior à Sua morte, o Yeshua não fez referência ao sofrimento que Ele havia suportado e teria ainda de suportar. Não falou da humilhação que estava a sua frente, mas buscou levar-lhes à mente o que lhes pudesse fortalecer a fé, levando-os a olhar para frente, à recompensa que espera o vencedor. Ele Se regozijava na certeza de que poderia fazer por Seus seguidores mais do que havia prometido, e o faria; de que dEle brotariam amor e compaixão que purificariam o templo da alma e fariam os homens semelhantes a Ele no caráter; de que Sua verdade, armada com o poder do Ruach HaKodesh, sairia vencendo e para vencer.

shalom-31
“Tenho-vos dito isto”, declarou Ele, “para que em Mim tenhais o Shalom; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo.” João 16:33. O Mashiach não fracassou, nem Se desencorajou; e Seus discípulos deviam mostrar fé da mesma persistente natureza. Deviam trabalhar como Ele havia trabalhado, buscando dEle forças. Embora seu caminho fosse obstruído por aparentes impossibilidades, por Sua graça deviam ir para a frente, de nada desesperando e esperando por tudo.
O Mashiach havia terminado a obra que Lhe fora dada para fazer. Tinha reunido os que deviam continuar Sua obra entre os homens. E disse: “E nisso sou glorificado. E Eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como Nós.” “Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela Sua palavra hão de crer em Mim; para que todos sejam um.” “Eu neles, e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim, e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim.” João 17:10-11, 20-21 e 23.


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Fonte: Ellen Gould White, Atos dos Apóstolos, págs. 17 a 24, adaptado por Herança Judaica.
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(1) Mashiach em hebraico significa o “ungido”, termo utilizado no primeiro século para se falar de Yeshua/Jesus por seus talmidim/discípulos. Para não perdermos o sentimento que essa palavra evocava aos primeiros crentes judeus assim utilizamos essa nomenclatura.

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(2) O termo “Filho” foi largamente utilizado em referencia a Yeshua/Jesus derivado da expectativa messiânica profetizada no Salmo 2. Este Salmo é reconhecido como um cântico de coroação dos reis de Israel e ali o Rei é apresentado como sendo “gerado por D’us”: “Proclamarei o que me disse o Eterno: ‘Tu és Meu filho, hoje te gerei. Pede-Me e te darei os povos como herança, e os confins da terra como possessão. Com um cetro de ferro os esmagarás como um vaso de barro os estilhaçará…” vs 07 a 09. O registro talmúdico declara: “Nossos rabinos ensinaram, o Santo, bendito seja Ele, dirá ao Messias, o filho de Davi (revele-se ele rapidamente em nossos dias!). “Peça de Mim algo, e Eu lho concederei, como é dito, falarei do decreto… este dia tenho te gerado… Sukkah, 52ª (p. 247 da edição Soncino de 1938). Dai dizer-se que o Mashiach é o FILHO de D’us.

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