Antíoco IV Epifânio


“Segundo a escola preterista de interpretação (que coloca o cumprimento profético no passado), Antíoco IV Epifânio, o oitavo monarca da linhagem selêucida de reis (175-164 a.C.), é a figura dominante no cumprimento das profecias do livro de Daniel. Alega-se que ele é representado pelos chifres pequenos dos capítulos 7 e 8, sendo a figura conclusiva na profecia de 09:24-27, e ocupando a maior parte do capítulo 11 (v. 16-45). Somente no capítulo 2 não há nenhum desacordo significativo entre os interpretes preteristas quanto ao grau de sua presença. Intérpretes mais antigos sustentam que ele estava presente também ali. (1) interpretes mais recentes têm mantido que essa profecia chegou à sua conclusão antes do seu tempo. (2)

Antioco IV Epifanis

            Existe um consenso geral entre a opinião futurista (que coloca o cumprimento profético no futuro, agora representado por escritores dispensacionalistas) e a opinião preterista quanto aos capítulos 8 e 11. Para ambas as escolas, o chifre pequeno do capítulo 8 é Antíoco. E os futuristas inserem uma lacuna de dois milênios. Assim, eles sustentam que os versículos 36-45 se aplicam a um anticristo pessoal a aparecer nos últimos dias. (3)

            Embora os futuristas creiam que o chifre pequeno do capítulo 8 prefigura o anticristo final, eles não sustentam que ele está diretamente predito nessa profecia. (4). Os futuristas não estão de acordo com os preteristas sobre os capítulos 02 e 07. Eles veem o quarto reino em cada uma dessas profecias como Roma (5), ao passo que os preteristas o veem como a Grécia.

Daniel 2 - Tanakh

            Na outra extremidade do espectro do preterismo estão os comentaristas da escola historicista de intepretação (agora representada principalmente por escritores adventistas do sétimo dia). (6) eles veem Antíoco Epifânio ocupando apenas uma parte mínima do quadro histórico geral retratado por essas profecias.  Como um monarca grego, ele naturalmente pertenceria ao ventre e às coxas de bronze do capítulo 2. Seria uma parte de uma das quatro cabeças do leopardo grego do capítulo 7,e parte de um dos quatro chifres do bode grego do capítulo 8. O período de tempo do capítulo 9 passaria de largo por ele em seu caminho para o cumprimento no período romano.  Ele provavelmente seria encontrado em algum lugar em torno da junção entre os dominadores selêucidas e romanos no capítulo 11, isto é, entre o versículo 14 e o versículo 21. (7)

            A partir dessa breve pesquisa pode-se ver que há uma divergência de opinião sobre a relação de Antíoco Epifânio com as profecias de Daniel. Em uma extremidade está a opinião preterista que vê Antíoco como a figura dominante nessas profecias. Na outra extremidade está a opinião historicista, que o veria ocupando uma posição de importância insignificante em relação ao fluxo da história predito nessas mesmas profecias.  A opinião futurista fica a meio caminho entre os dois polos de opinião. Concorda em geral com a opinião preterista quanto aos capítulos 8 e 11, e concorda em geral com a opinião historicista quanto aos capítulos 2, 7 e 9. Há elementos de diferença, é claro, em cada um desses pontos de contato.

AntiochusIV175-164 Moeda

            Aqui está, portanto, a abrangência de pensamento com que alguém tem de lidar em se tratando da intepretação das profecias de Daniel em relação a Antíoco Epifânio. Contudo o propósito deste ensaio não é criticar esses pontos de vista mas explorar o desenvolvimento histórico da intepretação que tem aplicado as figuras proféticas de Daniel a Antíoco e ao seu tempo.

Autor: William Shea – Estudos Sobre Daniel – Origem, Unidade e Relevância Profética – Unaspress – Editor Frank B. Holbrook – págs. 210 a 212.

Notas:

1 – Um representante da geração mais antiga desta escola de pensamento é H. H. Rowley, Darius the Mede and the Four World Empires in the Book of Daniel (Cardiff, 1935), p. 93-97.

2 – Liderando o caminho na ênfase dessa nova mudança de pinião estava H. L. Ginsberg, Studies in Daniel, Textos e Estudos do Seminário Teológico Judaico da America, vol. 14 (New Yord: Jewish Theological Seminary of America, 1948), p. 06-10.

3 – O representante aqui é J. F. Walvoord, Daniel: The Key to Propheti Revelation (Chicago, 1971), p. 270ss.

4 – Ibid., p. 190, 195-96

5 – Ibid., p. 68ss, 159ss.

6 – Padrão neste sentido é The Seventh-day Adventist Biblie Commentary 4 (Washington, D.C., 1955): 771-76, 820-76. Uma obra mais recente escrita a partir do mesmo ponto de vista é C. M. Maxwell, God Cares (Moutain View, CA, 1981). Embora tenha sido publicado por uma editora adventista, Daniel de D. Ford (Nashville, 1978) é excepcional ao tentar harmonizar todas as três destas principais escolas de interpretação profética por meio de seu “Princípio Apotelesmático”.

7 – Os intérpretes de Daniel 11 concordam de forma unânime que a linguagem selêucida pode ser seguida claramente até Antíoco III no verso 13. Sem documentar o ponto em questão, eu simplesmente sugeriria que o versículo 15 descreve o ataque de Antíoco Epifânio contra o Egito, e “o que, pois, vier contra ele”, isto é, contra Antíoco no versículo 16, introduz o poder de Roma nesta narrativa.

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