A Realidade do Santuário Celestial


            Hebreus é categórico quanto à existência e realidade do santuário celestial, Johnsson ressalta este importante aspecto:

“Embora ele não faça uma descrição do santuário celestial e da liturgia, sua linguagem parece sugerir várias conclusões. Primeiro, ele confirma suas realidades. Sua preocupação ao longo do sermão é fundamentar a convicção em fatos objetivos, como vimos. A deidade real, a humanidade real, o sacerdócio real – podendo-se acrescentar, um ministério real e um santuário real.” (1)

santuário celestial

            Referindo-se ao santuário terrestre como uma “figura” (hupodeigma) e “sombra” (skia [8:5]), o escritor descreve o arquétipo como “o santuário” (ta hagia) e “o verdadeiro tabernáculo” (hê skênê hê alêthinê) “que o Senhor erigiu, não o homem” (8:2). O adjetivo alêthinos significa “genuíno”, “real”. Essa palavra denota a realidade do santuário celestial; é “verdadeiro no sentido da realidade possuída somente pelo arquétipo”. (2)

            O capítulo 9 de Hebreus contém inúmeras referências acerca do santuário. O versículo 8 diz “o caminho do santuário” não estava descoberto, enquanto “se conservava em pé o primeiro tabernáculo” (tradução da RSV). O versículo 11 fala do santuário celestial como “o maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, quer dizer, não desta criação”)”. E o versículo 24 afirma que o ‘Mashiach’ não entrou “em um santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu”. A seguir (10:19), o autor escreve: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus (Yeshua)” (tradução da RSV).

Santissimo

            Para os leitores de Hebreus, estas declarações acerca do santuário celestial foram feitas com o fim de dar-lhes confiança. (3) por causa da ampla hostilidade tanto da família como de toda a nação, os leitores judaico-cristãos de Hebreus haviam sido separados da vida religiosa do judaísmo. E se, como parece provável, a destruição de Jerusalém e de seu templo estava próxima, mais ainda precisariam ter tal confiança. Esses versículos diziam-lhes que tinham acesso a um “templo” superior – um santuário celestial onde Jesus (Yeshua) ministrava.

            A aplicação desses versículos hoje deve se desenvolver a partir da intenção original do autor. Assim como ocorreu com os leitores do primeiro século, também precisamos ter a convicção do nosso acesso ao trono de Deus no santuário celestial. Em uma época que ameaça todos os valores religiosos, precisamos saber que temos um “grande sumo sacerdote que penetrou nos céus” e que podemos nos achegar “junto ao trono da graça” a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça.(4:14,16).

Autor: Alwyn P. Salom, A Luz de Hebreus – Intercessão, Expiação e Juízo no Santuário Celestial, Editor Frank B. Holbrook, UNASPRESS, 2008.

Notas:

1 – Johnsson, In Absolute Confidence, p. 91.

2 – William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 2ª rev. (Chicago, 1979), p. 37.

3 – Ver por exemplo, Hebreus 10:19: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus.”

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