Purim


Purim é uma festividade judaica única. Enquanto as demais festas religiosas enfatizam a espiritualidade – em Chanucá, por exemplo, acendemos velas que simbolizam a alma do homem e a Torá – Purim é guardada cumprindo-se quatro mandamentos, três do quais envolvem alimentos e bebidas.

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Precisamos ter uma refeição festiva e abundante; enviar presentes com dois ou mais alimentos prontos para os amigos; doar dinheiro aos pobres, para que eles, também, possam desfrutar da festa; e estar presente na sinagoga para ouvir a leitura da Meguilat Esther. O principal tema de  Purim é a alegria, assim, além dos fartos alimentos e bebidas, realizam-se desfiles e celebrações, e as pessoas e crianças se fantasiam e usam divertidas máscaras.

Purim é uma ocasião festiva, mas pode dar a impressão de ser extremamente materialista. Mesmo a leitura pública daMeguilat Esther aparenta ser despida de espiritualidade, pois entre os 24 livros do Tanach (Torá, Profetas e Escritos Sagrados), é o único que nunca menciona o nome de D’us. Isso parece indicar que D’us não participou na história dePurim.

O mandamento dessa leitura da Meguilá parece ser a antítese das luzes de Chanucá: ao invés de dar publicidade a um milagre Divino, aparentemente aqui há uma negação do mesmo. De fato, podemos perguntar-nos por que a Meguilat Esther foi incluída no Tanach. Não se trata de um livro de mandamentos Divinos, como a Torá, tampouco uma ode a D’us, como o Livro dos Salmos. Pelo contrário, lê-se o Livro de Esther como um romance, onde há heróis e vilãos, tramas de conspirações e assassinatos, amor e sedução, reviravoltas, e, por fim, um final que foi plagiado, repetidamente, por escritores e cineastas: o mal se volta contra quem o iniciou, enquanto os heróis, após passar por um período de turbulência e sofrimento, emergem triunfantes.  Uma história fascinante e divertida, com certeza; mas seus autores acharam por bem não elencar D’us como um de seus personagens.

Um dia no qual comemos e bebemos, vestimo-nos com fantasias, realizamos festas e vamos à sinagoga para ouvir a leitura pública de uma história na qual não se menciona nem uma única vez o nome do Todo Poderoso parece contrário ao espírito do judaísmo. Contudo, nossos Sábios sempre prezaram a festa de Purim e nos ensinaram que deve ser celebrada como o dia mais jubiloso do calendário judaico. Os Cabalistas chegam ao ponto de equipará-la ao dia mais sagrado do ano: eles indicam que Yom HaKipurim literalmente significa “o Dia da Expiação”, mas também, o “Dia como Purim” (Yom (Ha) ke´Purim). Quanto ao texto que conta sua história, além de ter sido escolhido para integrar o Tanach, a Meguilat Esther foi comentada por nossos maiores Sábios.  Há um tratado inteiro do Talmud – Tratado Meguilá – que discute, entre outros, a Meguilat Esther e a história e as leis de Purim.

Mas, se Purim é uma festividade tão sagrada, por que razão seus mandamentos são tão materialistas? E se a Meguilat Esther é um livro sagrado, digno de ser incluído no Tanach, por que razão não faz menção a D’us sequer uma única vez?

Uma história feliz e inesperada

A história de Purim, segundo o relato da Meguilat Esther e a elucidação do Talmud e do Midrash, é uma saga com final feliz e inesperado, constituída por um sem fim de eventos fortuitos – a que muitos chamam de “coincidências”.

O rei da Pérsia, Achashverosh, que reinava sobre um grande império, organizara uma celebração com duração de um semestre. Ele ordenou à sua mulher, a rainha Vashti, que desfilasse nua durante as celebrações, como forma de mostrar sua grande beleza. Normalmente, ela não se teria oposto àquele pedido, no entanto, como havia contraído uma terrível doença de pele, não quis revelar o seu aspecto desagradável. O rei, furioso com sua recusa, fez com que a banissem do reino e a executassem.

Como o rei necessitava uma nova rainha, seus mensageiros saíram em busca de lindas moças, levando-as ao harém real. Uma delas era Esther, que era judia.  Ela também, por “coincidência”, era parenta de Mordechai – líder, à época, do Povo Judeu – que a criara.  Entre todas as mulheres do harém, é com Esther que o Rei se encanta e por quem se apaixona.

Enquanto Esther vive com Achashverosh em seu palácio, Mordechai toma conhecimento de um complô para assassinar o rei. Ele se apressa em levar a informação à Esther. O assunto é investigado e corroborado, sendo executados os que conspiravam contra a vida do soberano. Esther comunica a Achashverosh que fora Mordechai quem os prevenira sobre a conspiração. Inexplicavelmente, Mordechai não é recompensado por ter salvado a vida do rei; mas seu ato heroico é registrado nas crônicas reais.

A trama se intensifica quando Haman – um homem que, como Hitler, era obcecado com a idéia de extirpar o Povo Judeu da face da Terra, de uma hora para outra, sobe ao poder e se torna primeiro ministro do reino. Ele convence Achashverosh – que não sabe que sua amada esposa Esther é judia – a lhe dar permissão de executar uma Solução Final para o Problema Judeu.  Haman estava determinado a executar Mordechai, que se recusa a se curvar perante ele, e, em seguida, a exterminar todos os judeus – homens, mulheres e crianças.

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