DINAMARCA NUNCA TEVE ANTISSEMITISMO E AJUDOU JUDEUS NA II GUERRA MUNDIAL




Uma pequena comunidade judaica da Dinamarca, que recentemente enterrou um jovem judeu morto a tiros, do lado de fora de uma sinagoga em Copenhagen, tem sido alvo de antissemitismo nos últimos anos, depois de ter vivido séculos em paz.

Ao contrário de muitos judeus europeus, os judeus da Dinamarca nunca foram obrigados a usar uma estrela amarela, nem foram alvo de medidas antijudaicas durante a ocupação nazista alemã da II Guerra Mundial.

No entanto, o país nórdico de 5,6 milhões de pessoas, atualmente, está provando não estar fora dos ataques antissemitas em todo o continente.

A maior parte da comunidade judaica do país – estimada entre 6.400 a 8.000 pessoas – vive na capital, Copenhagen, que foi abalada por tiroteios gêmeos num final de semana.

Description: Funeral of Dan Uzan who was shot dead outside Copenhagen synagogue (Photo: AFP)
Sepultamento do jovem judeu-dinamarques assassinado na porta da sinagoga

“A comunidade judaica tem vivido neste país durante séculos. Ela está em casa na Dinamarca, faz parte da comunidade dinamarquesa”, disse o primeiro-ministro Helle Thorning-Schmidt ecoando sentimentos nacionais após os ataques mortais.

Estabelecidos no reino, a partir de 1600, os judeus ajudaram a modernizar um país conhecido por sua tolerância, com poucas emigrações hoje em dia para Israel.

Mas, mesmo antes do ataque à sinagoga, que matou Dan Uzan de 37 anos, atos antissemitas estavam em ascensão.

Em 2012, o embaixador israelense Arthur Avnon aconselhou turistas israelenses a não exibirem sua religião ou falarem a língua hebraica em público. A organização da comunidade judaica tinha também aconselhado os pais com filhos nas escolas judaicas, em Copenhague, para tomarem precauções extras.

E a luta amarga do verão passado entre Israel e os palestinos na Faixa de Gaza trouxe uma onda de atos antissemitas, que vão desde insultos a agressão física. Autoridades relataram 29 de tais atos em seis semanas, de julho a meados de agosto, o que é mais do que em todo o ano de 2009.

Os líderes políticos responderam organizando uma “Marcha do Kippah” através de Copenhagen e do distrito de Noerrebro, lar de muitos imigrantes do Oriente Médio, e que decorreu de forma pacífica.

Mas menos de uma semana depois, a escola judaica Carolineskolen foi impregnada com grafites antissemitas e teve suas janelas quebradas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, no entanto, os dinamarqueses apoiaram a comunidade judaica, nunca recorrendo à perseguição.

Invadida pelos nazistas em 1940, a Dinamarca foi capaz de manter suas instituições democráticas em troca de comércio com a Alemanha, nomeadamente através da exportação de seus produtos agrícolas para Berlim.

O antissemitismo não era generalizado na Dinamarca, naquele momento e, ao contrário do que aconteceu na França e na Noruega, as autoridades no tempo de guerra não discriminavam judeus.

Os raids das SS foram recebidos com hostilidade entre o povo dinamarquês.

Description: Danish Jews escape to Sweden during Holocaust with Danes' help
Judeus fogem pelo mar da ocupação nazista na Dinamarca

Em agosto de 1943, o governo dinamarquês renunciou, recusando-se a esmagar a resistência dentro do país à ocupação nazista.

Dois meses depois, os nazistas montaram uma grande operação para rastrear judeus no país, mas a maioria fugiu pelas águas para a neutra Suécia, com a ajuda da resistência dinamarquesa.

Historiadores estimam que mais de 7.000 pessoas evitaram a deportação, enquanto apenas 500 judeus dinamarqueses foram presos e 51 mortos.

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