As Festas do Calendário Israelita 5ª Parte – Shavuot/Pentecostes (revisado)


              Ao voltarem os talmidim/discípulos do Monte das Oliveiras para Jerusalém, o povo não tirava os olhos deles, esperando ver expressões de tristeza, confusão e derrota, mas viram alegria e triunfo. Os discípulos não pranteavam desapontadas esperanças. Viram o Mashiach ressurgido, as primícias, e Sua promessa na despedida lhes ecoava constantemente aos ouvidos.

A Contagem do Ômer?

“E contareis para vós desde o dia seguinte ao primeiro dia festivo, desde o dia em que tiverdes trazido o ômer da movimentação – sete semanas completas serão. Até o dia seguinte da sétima semana contareis 50 dias; e então oferecereis oblação nova ao Eterno”. Vaicrá/Levítico 23:15,16. (1)

            A partir de Pessah, há Matzot e Bikurim e seu cumprimento profético no sacrifício do Mashiach, Seu corpo sem pecado e sua ressurreição respectivamente, devia-se comemorar, Shavuot, as sete semanas que eram contadas a partir da apresentação do molho/feixe movido, no dia 16 de Abibe, e estava ligada pelo calendário agrícola a Festa das Primícias (Êx. 23:16; 34:22 e Núm 28:26).

Santuário Contagem do Ômer

            Em obediência à ordem do Mashiach, esperaram em Jerusalém o cumprimento da promessa do Pai — o derramamento do Espírito/Ruach Há Kodesh. Não esperaram ociosos. Diz o registro que:

“e permaneciam constantemente na área do templo, louvando a Deus”. Lucas 24:53. (2)

            Reuniram-se também para, em nome de Yeshua/Jesus, apresentar seus pedidos ao Eterno. Mais e mais alto eles estenderam a mão da fé completa/emuná shelemá, com o poderoso argumento:

“… O Messias Yeshua, que morreu e – mais do que isso – ressuscitou, encontra-se à destra de Deus e está agora pedindo a nosso favor!”. Romanos 8:34.

            Ao esperarem os talmidim/discípulos pelo cumprimento da promessa, humilharam o coração em verdadeiro arrependimento e confessaram sua incredulidade. Ao trazerem à lembrança as palavras que o Mashiach lhes havia dito antes da morte, entenderam mais amplamente seu significado. Verdades que lhes tinham escapado à lembrança lhes voltavam à mente, e eles as repetiam uns aos outros. Reprovavam-se por não haverem compreendido o Tsadik/Justo . Como em uma sequência, cena após cena de Sua maravilhosa vida passou perante eles. Meditando sobre Sua vida pura, santa, sentiram que nenhum trabalho seria árduo demais, nenhum sacrifício demasiado grande, contanto que pudessem testemunhar na própria vida, da amabilidade do caráter do Mashiach.

discipulos 2

         Os discípulos oraram com intenso fervor para serem habilitados a se aproximar das pessoas e, em seu trato diário, falar palavras que levassem os pecadores ao Mashiach. Pondo de parte todas as divergências, todo o desejo de supremacia, uniram-se em íntima comunhão. Aproximaram-se mais e mais de D’us e, fazendo isso, sentiram que era um privilégio poderem associar-se tão intimamente com o Mashiach. A tristeza lhes inundava o coração ao se lembrarem de quantas vezes O haviam mortificado por terem sido tardos de compreensão, falhos em entender as lições que, para seu bem, Ele estivera buscando ensinar-lhes.

         Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Eterno a santa unção que os devia capacitar para a obra da yeshu’ah/salvação. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que pesava sobre eles. Compreendiam que a mensagem devia ser proclamada ao mundo e clamavam pelo poder que o Mashiach prometera. Ele próprio havia aparecido aos talmidim/discípulos “durante 40 dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus”. Atos 01:03

         Os dez dias restantes foram de oração e busca sincera pela presença de D’us em suas vidas o que atingiu seu clímax em Shavuot o quinquagésimo dia.

 

 

 

 

Tabela das Festas Judaicas 2

Sefirat há Ômer?

 

                    No Judaísmo Tradicional e Rabínico o período entre Ha Bikurim e Shavuot  é marcado pela contagem do Ômer, isto é, o molho agrícola foi movido diante do Eterno na Festa das Primícias e agora se passariam sete semanas totalizando 49 dias e no quinquagésimo comemorar-se-ia a Festa de Shavuot (Semanas ou Pentecostes em grego), o dia cinquenta.  Neste espaço de tempo reza a Cabala (3) que há 50 níveis de impureza e de elevação espiritual quando o judeu pode ser aperfeiçoado para receber a Torah. (4)

santuário contagem do ômer 2

            Porém, não foi isto o que aconteceu com os talmidim/discípulos, devido talvez, porque este ensinamento tenha se estruturado somente  por volta do século XIII D.C., embora se alegue uma origem mais remota, mas, o mais provável é que tais ensinos vieram de Babilônia via “sábios” sincretistas

santuário contagem do omer 3

                     É muito estranho que este tipo de referência possa estar presente em literaturas messiânicas e cristãs da atualidade apresentando aos crentes em Yeshua/Jesus a oportunidade de se atingir um “nível espiritual elevado” neste período que antecede Shavuot.

 

B’rit Hadashah

 

                     O que o Tanach e a B’rit Hadashah parecem nos ensinar é que em Shavuot algo tremendamente superior estava para acontecer. Durante a era patriarcal, a influência do Ruach Há Kodesh/Espírito Santo tinha sido muitas vezes revelada de maneira muito notável, mas nunca em Sua plenitude. Agora, em obediência à palavra do Mashiach, os discípulos faziam suas súplicas por esse dom e, no Santuário Celestial, o Mashiach  como Cohen HaGadol/Sumo Sacerdote, acrescentou Sua intercessão. Ele reclamou o dom do Espírito para que pudesse derramá-lo sobre Seu povo:

 

“não escrita com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo não em tábuas de pedra, mas em corações humanos”.

II Cor. 03:03..

Tanach

       “Aproximam-se os dias – diz o Eterno – quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito, pois violaram Minha aliança, embora eu fosse seu Deus – diz o Eterno. Pois este é o pacto que farei com a Casa de Israel após aqueles dias – diz o Eterno: Farei com que internalizem Minha Torá em todo o seu ser e a gravarei em seu coração: serei seu Deus e eles serão Meu povo…” Irmiáhu/Jeremias 31:30-32.

 

“Ele nos tornou apto para o trabalho a serviço da Nova Aliança, cuja essência não é um texto escrito, mas o Espírito. Porque o texto traz morte, mas o Espírito concede vida.”

II Cor. 03:06.

 

            O sangue de Yeshua/Jesus estabeleceria a Nova Aliança que mediante o Ruach há Kodesh/Espírito Santo seria inaugurada capacitando o crente a caminhar em novidade de vida e retidão de fé diante de D’us. Um novo coração, onde o resumo de toda a Torah, os Dez Mandamentos, seriam escritos pelo “dedo de D’us” em todo aquele que crê.

Jesus Glorificado

    Após quarenta dias de contatos pontuais com Seus talmidim/discípulos o Mashiach apresentou-Se ao Eterno e isso foi, para Seus seguidores, um sinal de que estavam para receber a bênção prometida. Por ela deviam esperar antes de iniciarem a obra que lhes fora ordenada. Ao transpor as portas celestiais, foi Yeshua/Jesus entronizado em meio à adoração dos anjos. Tão logo foi essa cerimônia concluída, o Ruach HaKodesh/Espírito Santo desceu em ricas torrentes sobre os talmidim/discípulos, e o Mashiach foi, de fato, glorificado com aquela glória que tinha como Pai desde toda a eternidade:

 

“…vestido com uma roupa que chegava aos pés e um cinturão de ouro ao redor do peito. Sua cabeça e cabelos eram brancos como a lã da cor da neve, seus olhos como chamas flamejantes, seus pés como bronze polido em uma fornalha, e sua voz como o som de águas em arremetida…o Primeiro e o último, o Vivente…estou vivo para todo o sempre…” Apocalipse 01:13 a 15

 

            O derramamento em Shavuot/Pentecostes foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. De conformidade com Sua promessa, Yeshua/Jesus enviou do Céu o Ruach HaKodesh/Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, recebera todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido sobre Seu povo.

 

Dia Cinquenta

 

             “Chegou a Festa de Shavuot, e os crentes estavam todos reunidos em um só lugar. Repentinamente, veio do céu um som como de um vento muito forte e encheu toda a casa na qual estavam sentados”. Atos 2:1, 2.

 

                O Espírito do Eterno veio sobre os discípulos que, expectantes, oravam, com uma plenitude que alcançou cada coração. O Ser infinito revelou-Se em poder a Sua congregação. Era como se por séculos essa influência estivesse sendo reprimida e, agora, o Céu se regozijasse em poder derramar sobre a congregação as riquezas da graça do Espírito. E sob a influência do Espírito, palavras de arrependimento e confissão misturavam-se com cânticos de louvor por pecados perdoados. Eram ouvidas palavras de gratidão e de profecia. Todo o Céu se inclinou na contemplação da sabedoria do incomparável e incompreensível amor. Absortos em admiração, os talmidim exclamaram: “Nisto consiste o amor”! 1 João 4:10. Eles se apossaram do dom que lhes era repartido. E que se seguiu? A espada do Espírito, de novo afiada com poder e banhada nos relâmpagos do Céu, abriu caminho através da incredulidade.

 

              Sob a influência dos ensinos do Mashiach, os discípulos tinham sido induzidos a sentir sua necessidade do Espírito. Mediante a instrução do Espírito receberam a habilitação final, saindo no desempenho de sua vocação. Não mais eram ignorantes e iletrados. Haviam deixado de ser um grupo de unidades independentes, ou elementos discordantes em conflito. Sua esperança não mais repousava sobre a grandeza terrestre.

 

                Todos eram “unânimes” (Atos 2:46) e “era um o coração e a alma da multidão dos que criam”. Atos 4:32. O Mashiach lhes enchia os pensamentos; e eles visavam ao avançamento de Seu reino. Na mente e no caráter, haviam-se tornado semelhantes a seu Mestre, e os homens “tinham conhecimento que eles haviam estado com Yeshua/Jesus”. Atos 4:13.

 

                 A promessa do Ruach há Kodesh/Espírito Santo e a Nova Aliança não é limitada a uma época ou povo. O Mashiach declarou que a divina influência do Espírito deveria estar com Seus seguidores até o fim. Desde o dia de Shavuot até ao presente o Confortador tem sido enviado a todos os que se rendem inteiramente ao Eterno e a Seu serviço. A todos os que aceitam ao Mashiach como Salvador pessoal, o Ruach há Kodesh/Espírito Santo vem como consolador, santificador, guia e testemunha.

 tehilim salmo

                   Quanto mais intimamente os crentes andam com D’us, tanto mais clara e poderosamente testificam do amor do Redentor e da Sua graça salvadora. Os homens e mulheres que através dos longos séculos de perseguição e prova desfrutaram em larga escala, a presença do Espírito em sua vida, permaneceram como sinais e maravilhas no mundo. Revelaram, diante dos anjos e dos homens, o transformador poder do amor que redime na B’rit Hadashah/Nova Aliança.

 

                    D’us somente outorgou a Torá uma única vez, mas nós temos que recebê-la para a vida toda pela obra do Ruach há Kodesh/Espírito Santo em nosso coração.

 

                    Somente com a ação do Espirito de D’us derramado de forma intencional pode nos refinar internamente, dia após dia, estágio após estágio, de modo a praticar a obediência da fé, somente Ele pode nos refinar e nos tornar melhores seres humanos.

 

                    E o Fruto do Espírito é:

 

“Amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, humildade, autocontrole”. Gálatas 5:22

 

              “Por isto, das nações separarei para ele uma porção e entre os poderosos receberá despojo, porque expôs sua alma à destruição e se deixou enumerar entre os transgressores…” Isaías/Ieshaiáhu 53:12.

 

Pesquisa, edição e adaptação: Herança Judaica, pesquisador Wladimir.

(1) Salvo outra indicação utilizamos a versão da Bíblia Hebraica Sêfer.

(2) Salvo outra indicação utilizamos para o Novo Testamento a Bíblia Judaica Completa Vida.

(3) “Cabala (hebraico,  “tradição recebida”). Termo genérico para a tradição mística, porém, mais exatamente, os ensinamentos esotéricos que começaram a surgir primeiramente no sul da França e na Espanha no séc. XIII. Os cabalistas alegavam que sua tradição havia sido dada originalmente a Moisés no Sinai, junto com a Torá. A Cabala pode ser vista, no entanto, como o desenvolvimento do antigo misticismo…alguns cabalistas enfatizaram a exploração teosófica das dez Sefirot, através das quais o mundo emergiu da incognoscível Divindade por um processo de emanação… A influência da Cabala no Judaísmo esotérico foi muito ampla, oferecendo aos judeus um poderoso conjunto de símbolos místicos, disseminando a crença na transmigração das almas, estabelecendo novos rituais e costumes, influenciando a Halachá e conferindo respeitabilidade às práticas de magia, como elementos da Cabala prática”. Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, Alan Unterman, Jorge Zahar Editor, pág. 53.

(4) “Mas antes que isso aconteça, temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, ou seja, tentar atingir o 49º nível de elevação espiritual.  Para o Povo Judeu chegar a se deparar com o Infinito e receber a Sua Torá, não bastou deixar o Egito. Foi necessário não apenas anular, mas reverter o seu estado espiritual anterior. D’us os removera dos 49 níveis de impureza espiritual, mas, uma vez livres, cabia a eles elevarem-se aos 49 níveis de pureza espiritual para que estivessem aptos a se deparar com o Infinito e receber Sua Torá, expressão de Sua Vontade e Sua Sabedoria.”  A Contagem do Omer, Revista Morashá, Edição 79 – março de 2013, http://www.morasha.com.br/ 10/03/2015.

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