As Festas do Calendário Israelita 6ª Parte – Shofarot e o Apocalipse (Revisado)


           No primeiro dia do sétimo mês era um sábado ritual, quando ocorria a “santa convocação”. Nesse dia as trombetas soavam, pois o Dia da Expiação estava próximo e os primeiros nove dias do mês eram de preparação para esse dia solene.    O primeiro dia do sétimo mês do calendário religioso era, também, Rosh Hashana, a cabeça do ano novo, o primeiro dia do calendário civil.

trombetas

            A palavra “trombetas” não aparece em Vaicrá/Levítico 23:24, o termo teruah, traduzido por “sonido de trombetas”, é citado em Vaicrá/Levítico 25:09 como shofar, ou “chifre de carneiro”.

            No contexto do culto israelita, o toque do shofar nesta época do ano religioso tinha como objetivo chamar a atenção das pessoas de suas ocupações cotidianas, pois, mesmo pessoas religiosas tendem a ficar indiferentes aos verdadeiros objetivos da vida diante de tantas coisas que nos distraem, como que imersos em um mornidão laodiceana. Eis que, repentinamente, o sonido penetrante era tocado e tocava os ouvidos e os corações, e em sua plenitude através dos séculos chega aos nossos dias. É o chamado do shofar, é o despertar para a expiação, purificação e perdão. É o calendário divino se cumprindo através da história, rumo a Yom Kipur e Sucót com a intenção de despertar e motivar ao arrependimento e fazer lembrar que o Eterno tomou todas as providências para uma emuná shelemá/fé completa.

shofar

            O som do shofar soava como um apelo sem palavras cuja eloquência e expressão era capaz de transmitir uma mensagem de redenção e arrependimento para todo o mundo. É como um alerta a nos lembrar que estes são os dias do Julgamento Celestial e que é preciso nos conscientizarmos da presença do Criador.

            Em Rosh Hashaná, pode-se dizer que é o inicio de uma nova vida com os olhos fixos em D’us e em Seu Santuário Celestial quando cada um de nós está sendo julgado por D’us quando precisamos “tocar o shofar” para invocar os méritos do Tsadik/Justo:

“…o Justíssimo perante todas as nações, suportando as iniquidades delas…pois mesmo suportando os pecados de tantos, intercedeu pelos transgressores.” Ieshaiáhu/Isaías 53:11,12.[i]

            Os Dez Dias de Teshuvá (arrependimento e retorno) se iniciam em Rosh Hashaná pelo toque do shofar como uma advertência: “Aperfeiçoa-te!” Profeticamente nos remete ao Dia do Julgamento original, aquele que o Eterno fará com a humanidade e é anunciado através do vai e vem da história das nações e seus conflitos. 

            A Torá através de todo o seu sistema de culto foi dada para o nosso bem apontando para a Obra final de purificação e expiação universal, em primeiro momento dizia respeito somente a Israel, mas, a partir de Shavuot se cumprir na B’rit Hadasha, o Eterno Se volta para toda a humanidade buscando uma aproximação e restauração da harmonia que se havia perdido desde o Éden.

            Em Shofarot as pessoas são levadas a pensar seus pecados. Quando o ser humano comete algum pecado ou transgressão, ele está ferindo sua própria alma com sua intenção de viver separado do Eterno em uma pretensa independência de D’us, o homem sem D’us quer ser D’us de si mesmo.

            Essa ego-idolatria tem que ser rendida aos pés do Eterno que um dia irá restaurar esse mundo para que volte a ser o que era antes do pecado. Escutar o shofar profético na história humana é escutar a D’us e entender onde os ponteiros proféticos estão apontando.

Ritual do Santuário

            No ritual do Santuário durante a época do deserto e também após a construção do Templo de Jerusalém havia muitos sacrifícios, ofertas, ritos, dias sagrados (festas), etc., porém, quaisquer que fossem o número ou variedade, todos apontavam para uma realidade superior aquela que no próprio serviço se realizava.

            Havia o sacrifício contínuo que era oferecido todos os dias sem exceção pela manhã e a tarde, ele não era oferecido por algum pecador, era oferecido em favor de todo o povo coletivamente e oferecido pelo próprio D’us em favor de Seu povo quer o povo O reconhecesse ou não, fazendo com que qualquer pessoa que acessasse ao Eterno teria a justiça e a misericórdia aplicada ao seu caso pessoal. 

“O contínuo sacrifício diário (em hebraico, tamid) foi mais tarde chamado “o tamid”. Sendo oferecido ao longo do ano todo, ele era “o centro e o âmago do culto público no judaísmo” H. Hertz[ii]

            Seu valor expiatório estava naquilo para o que apontava profeticamente, e que se cumpriria na vida e morte e ressurreição do Mashiach, quando o judeu devoto se apoderava dos Seus méritos prefigurados por tais sacrifícios substitutivos, não era um meio de salvação, mas, uma evidência de fé, pois:

“… é impossível que sangue de touros e bodes remova pecados”.

Hebreus 10:04[iii]

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            As três festas de peregrinação, Pessah/Matzot, Shavuot e Sucót, só podiam ser comemoradas em Jerusalém, (Devarim/Deut.16:16), para se cumprir os “parágrafos” do estatuto perpétuo que os ligava aos sacrifícios realizados no Templo, o “lugar que Ele escolher para habitar o Seu nome”. Porém, aqueles que moravam em terras distantes de difícil acesso ou países longínquos tinham, pelo menos, o sacrifício contínuo, “tamid”, garantindo o acesso a Hashem e concedendo o perdão a cada dia ao contrito que beneficiava-se provisão que o Eterno estabelecera.

            Shofarot preparava o povo para uma obra diferente daquela praticada durante todo o ano em Israel.                   No dia da expiação que se aproximava o sangue do bode expiatório proveria:

  1. Purificação para o sumo sacerdote e sua casa.
  2. Para todo o povo.
  3. Para o santuário, o altar, etc.

Shofarot/Trombetas no livro de Apocalipse

            Shofarot/Trombetas anunciava o ponto culminante de todo o sistema cerimonial, que completaria os sacrifícios oferecidos no decorrer do ano no dia da expiação, o décimo dia do sétimo mês, era um dia de Juízo quando o Sumo Sacerdote/Cohen HaGadol acessava o Santíssimo:

            “Sentado em Seu trono para julgar o mundo, sendo ao mesmo tempo Juiz, Advogado, Perito e Testemunha, Deus abre o Livro de Registros… Soa a grande trombeta; ouve-se uma voz branda e suave,… dizendo: Este é o dia do juízo… No Dia do Ano Novo é redigido o decreto; no Dia da Expiação é determinado quem deve viver quem deve morrer.”[iv]

            Sendo que a Torah tem em si uma sombra das coisas boas que virão, apontando para a manifestação real das coisas originais, o grande profeta Moshe/Moisés é o grande precursor do profeta Yochanan/João que escreveu sobre a Torah original, a celestial, no livro do Apocalipse. Esta “revelação” é um livro judaico, pois, estudiosos tem notado elementos do culto hebraico em todo o livro constatando o uso frequente de uma série de alusões intertextuais que ecoam a textos da Bíblia Hebraica podendo ser detectados nas Festas, no mobiliário e nos rituais do Santuário, que são a:

 “… verdadeira Tenda do Encontro, não erigida por mãos humanas… cópia e sombra do original que está no céu. Quando Moshe ia começar a erigir a Tenda, Deus o advertiu: “Tenha o cuidado de fazer tudo conforme o padrão que lhe foi mostrado no monte.” Hebreus 08:02,05.

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            ‘Apocalipse 6 e 7 são muito significativos. Terríveis são os juízos de Deus revelados. Os sete anjos estavam em pé diante de Deus para receber sua incumbência. Foram-lhes dadas sete trombetas. O Eterno saía do Seu lugar, para castigar os habitantes da Terra por causa da sua iniquidade….’

            As Festas e todo o sistema sacrifical anual culminando no Dia da Expiação/Yom Kipur e em seguida com a Festa de Sucót em realidade não eram um fim em si mesmo:

  • “…são sombras do que virá; o corpo, porém, é do Messias.” Colossenses 02:17
  • “…kohanim…servem no que é apenas cópia e sombra do original que está no céu…” Hebr. 08:04 e 05.
  • “Ora, a primeira aliança também tinha preceitos de serviço… é isto uma parábola para a época presente…” Hebr. 09:01 e 09[v]
  • “…A Torah tem em si uma sombra das coisas boas que virão, mas não a manifestação real das coisas originais…” Hebr. 10:01

Se a Torah através de todo o ritual hebraico apontava para algo superior a si mesma o Apocalipse só será plenamente entendido quando estudado a luz da Torah.

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            A visão panorâmica é formidável, D’us dá a Seu povo uma visão antecipada da maneira que pretende banir a iniquidade e restaurar o Éden perdido.

            Glória ao Eterno!

 

Fonte: Herança Judaica/Wladimir

[i] Caso não haja outra citação as passagens do Velho Testamento são retiradas da Bíblia Hebraica Sêfer.

[ii] The Pentateuch and Haftorahs, sobre Números 28:02-08, p. 694.

[iii] Caso não haja outra citação as passagens do Novo Testamento são retiradas da Bíblia Judaica Completa, Vida.

[iv] The Jewish Encyclopedia, v. 2, p. 286.

[v] Bíblia Tradução Almeida Revista e Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil.

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