As Festas do Calendário Israelita 7ª Parte Yom Kipur/Dia da Expiação (Revisado)


            A parte mais importante do ministério diário no Santuário e/ou no Templo de Jerusalém era a oferta efetuada em prol do indivíduo. O pecador arrependido trazia a sua oferta à porta do Santuário e, colocando a mão sobre a cabeça da vítima, confessava seus pecados, transferindo-os assim, figuradamente, de si para o sacrifício inocente. Pela sua própria mão era então morto o animal, e o sangue era levado pelo sacerdote ao lugar santo e aspergido diante do véu, atrás do qual estava a arca que continha a lei que o pecador transgredira. Por esta cerimônia, mediante o sangue, o pecado era figuradamente transferido para o santuário. Nalguns casos o sangue não era levado ao lugar santo; mas a carne deveria então ser comida pelo sacerdote, conforme instruiu Moshé/Moisés aos filhos de Aran/Arão, dizendo:

“…o Eterno o deu para vós, para levardes a iniquidade da congregação, a fim de perdoar por eles diante do Eterno”. Vaicrá/Levítico 10:17.[i]

            Ambas as cerimônias simbolizavam semelhantemente a transferência do pecado, do penitente para o santuário.

            Tal era a obra que dia após dia continuava, durante o ano todo. Os pecados de Israel, sendo assim transferidos para o santuário, ficavam contaminados os lugares santos, e uma obra especial se tornava necessária para sua remoção. D’us ordenara que se fizesse expiação por cada um dos compartimentos sagrados, assim como pelo altar, para o purificar “…e o purificará e o santificará das impurezas dos filhos de Israel”. Vaicrá/Levítico 16:19.

            Uma vez ao ano, no grande dia da expiação/Yom Kipur, o Cohen Há Gadol/Sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo para a purificação do santuário. O cerimonial ali efetuado completava o ciclo anual do ministério sacerdotal.

            No dia da expiação dois bodes eram trazidos à porta do tabernáculo, e lançavam-se sortes sobre eles, “… lançará sortes sobre os dois cabritos – uma para o Eterno e outra para Azazel[ii]”. O cabrito/bode sobre o qual caía a primeira sorte deveria ser morto como oferta pelos pecados do povo. E o sacerdote deveria levar seu sangue para dentro do véu, e aspergi-lo sobre o tampo da arca/propiciatório.

“Assim ele fará expiação pela santidade às impurezas dos filhos de Israel, seus delitos e todos seus pecados; e assim fará à tenda da reunião que está com eles no meio de suas impurezas.”. Vaicrá/Levítico 16:16

“E Aarão colocará suas duas mãos sobre a cabeça do cabrito vivo, e manifestará sobre ele todas as iniquidades dos filhos de Israel, todos os seus delitos e todos os seus pecados, e os porá sobre a cabeça do cabrito, e o enviará ao deserto através de um homem designado para isso. E o cabrito levará sobre si todas as suas iniquidades à terra inabitada, e deixará ir o cabrito pelo deserto.”. Levítico 16:21, 22.

            Antes que o bode tivesse desta maneira sido enviado não se considerava o povo livre do fardo de seus pecados. Cada homem deveria afligir sua alma, enquanto prosseguia a obra da expiação. Toda ocupação era posta de lado, e toda a congregação de Israel passava o dia em humilhação solene perante D’us, com oração, jejum e profundo exame de coração, o Dia da Expiação é o centro de todo o processo cerimonial.

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Quiasmo Levítico

            Importantes verdades concernentes à obra expiatória eram ensinadas ao povo por meio deste serviço anual. Nas ofertas para o pecado apresentadas durante o ano, havia sido aceito um substituto em lugar do pecador; mas o sangue da vítima não fizera completa expiação pelo pecado. Apenas provera o meio pelo qual este fora transferido para o santuário. Pela oferta do sangue, o pecador reconhecia a autoridade da lei, confessava a culpa de sua transgressão, e exprimia sua fé nAquele que tiraria o pecado do mundo; mas não estava inteiramente livre da condenação da lei.

            No dia da expiação, o sumo sacerdote, havendo tomado uma oferta para a congregação, ia ao lugar santíssimo com o sangue e o aspergia sobre o propiciatório, em cima das tábuas da lei. Assim se satisfaziam os reclamos da lei, que exigia a vida do pecador. Então, em seu caráter de mediador, o sacerdote tomava sobre si os pecados e, saindo do santuário, levava consigo o fardo das culpas de Israel. À porta do tabernáculo colocava as mãos sobre a cabeça do bode Azazel e confessava sobre ele “todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados”, pondo-as sobre a cabeça do bode. E, assim como o bode que levava esses pecados era enviado dali; tais pecados, juntamente com o bode, eram considerados separados do povo para sempre. Este era o cerimonial efetuado “… apenas cópia e sombra do original que está no céu”. Hebreus 8:5[iii].

          Todas as cerimônias e exigências sacrificais e festivas não tinham valor de salvação e perdão reais em si mesmas, os atos eram reais, mas, os significados eram espirituais e apontavam para algo além de si mesmo, pois:

“…é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados.” Hebr.10:04

           A revelação progressiva da Verdade de D’us nos ensina que todo o ritual do Santuário e suas Festas:

  • “…são sombras do que virá; o corpo, porém, é do Messias.” Colossenses 02:17
  • “…kohanim…servem no que é apenas cópia e sombra do original que está no céu…” Hebr. 08:04 e 05.
  • “Ora, a primeira aliança também tinha preceitos de serviço… é isto uma parábola para a época presente…” Hebr. 09:01 e 09
  • “…A Torah tem em si uma sombra das coisas boas que virão, mas não a manifestação real das coisas originais…” Hebr. 10:01

            O propósito do Eterno vai além da nação de Israel e do povo judeu, abrange toda a Terra e porque não dizer o Universo, pois, afinal foi o caráter de D’us foi colocado em dúvida pelo acusador.

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            Como foi declarado, o santuário terrestre fora construído por Moshe/Moisés, conforme o modelo a ele mostrado no monte. Era uma figura para o tempo então presente, no qual se ofereciam tanto dons como sacrifícios; seus dois lugares santos eram “figuras das coisas que estão no Céu” (Hebreus 9:9, 23); o Mashiach, nosso grande Cohen Há Gadol/Sumo Sacerdote, “…serve no Lugar Sagrado, isto é, na verdadeira Tenda do Encontro, não erigida por mãos humanas, mas por Adonai”. Hebreus 8:2.

            Sendo em visão concedida a Yochanan/João uma vista do templo de D’us no Céu, contemplou ele ali “sete tochas” (Apocalipse 4:5) que ardiam diante do trono, uma grande Menorah. Viu um anjo, “…e lhe foi dada uma grande quantidade de incenso para adicionar às orações de todo o povo de Deus sobre o altar de outro diante do trono…” Apocalipse 8:3,4.

            Com isto permitiu-se ao profeta ver o primeiro compartimento do santuário celestial; e viu ali as “sete tochas” e o “altar de ouro” representados pela Menorah de ouro e o altar de incenso no santuário terrestre, o terrestre era sombra e figura do celeste. 

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            Novamente, “abriu-se no Céu o templo de Deus” (Apocalipse 11:19), e ele olhou para dentro do véu interno, no santo dos santos. Ali viu a “arca do Seu concerto”, representada pelo escrínio sagrado construído por Moisés a fim de conter a lei de Deus.

            Moisés fizera o santuário terrestre segundo o modelo que tinha visto:

“…a tenda do testemunho…fora feita segundo a ordem de Deus a Mosheh, de acordo com o padrão que ele viu.” Atos 07:44

            O escritor aos Hebreus declara que:

“Da mesma aspergiu com o sangue a Tenda e todos os utensílios de suas cerimônias, pois, segundo a Torah, quase todas as coisas são purificadas com sangue; de fato, sem derramamento de sangue não há perdão de pecados. Portanto, essa é a razão pela qual as cópias das coisas celestiais deveriam ser purificadas, mas as próprias coisas celestiais requerem sacrifícios superiores a esses…”Hebreus 9:21 a 23.

            E Yochanan/João diz que viu o santuário no Céu. Aquele santuário em que Yeshua/Jesus ministra em nosso favor (Hebr. 08:01-05), que  é o grande original, de que o santuário construído por Moshe/Moisés era uma cópia:

“Então o templo de Deus no céu, foi aberto, e a arca da aliança foi vista no templo…” Apoc. 11:19

            Nas visões de Yochanan/João cada cena se abre com um aspecto do santuário celestial compondo toda a primeira metade do seu livro, todas elas acontecem no primeiro compartimento, o lugar santo. No entanto, a partir de Apocalipse 11:19, o Yom Kipur celestial, o foco do livro muda para o segundo compartimento, o santíssimo, conectando o santuário celestial com os eventos do tempo do fim, exatamente como a Festa de Yom Kipur na Bíblia Hebraica está para o fim do calendário israelita.

            É importante ressaltar que o profeta Daniel presenciou uma cena de Julgamento diferente da cena de Julgamento que Yochanan/João viu em Patmos, são duas fases; a primeira começando pelo povo de D’us e a segunda e final terminando com o ímpio: 

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DANIEL 7 E APOCALIPSE 20 comparados

            Enquanto Daniel localiza a visão do tribunal após a divisão do quarto reino de sua profecia no capítulo 7, e sua divisão e consequentes tentativas de união, perseguição ao povo de D’us, mudança nos Dez Mandamentos, e o período de um tempo, dois tempos e metade de um tempo ou 1260 anos, Yochanan/ João localiza a cena de julgamento após o milênio, repare que as sentenças são distintas, em Daniel o foco está sobre o povo de D’us que é vindicado e receberá o Reino, já em Apocalipse a sentença é dada a todo aquele que não está escrito no Livro da Vida e como “juízes coadjuvantes” os filhos de D’us receberão autoridade para julgar a todos incluindo os anjos caídos conforme Shaul/Paulo escreveu em I Coríntios 06:02 e 03 e o Mashiach confrontará os ímpios de Seu trono branco como Juiz supremo após a ressurreição dos injustos.  

Missio Dei

            Do templo celestial, morada do Rei dos reis, onde milhares de milhares O servem, e milhões de milhões estão diante dEle (Daniel 7:10), templo repleto da glória do trono eterno, onde serafins, seus guardas resplandecentes, velam o rosto em adoração; sim, desse templo, nenhuma estrutura terrestre poderia representar a vastidão e glória. Todavia, importantes verdades relativas ao santuário celestial e à grande obra ali prosseguida em prol da redenção do homem, deveriam ser ensinadas pelo santuário terrestre e seu cerimonial.

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Tabela das Festas Judaicas 2

            Depois de Sua ascensão, nosso Salvador iniciaria Sua obra como nosso Cohen há Gadol/Sumo Sacerdote.

“Porque o Messias entrou no Lugar Sagrado, que não foi feito por seres humanos – mera cópia do verdadeiro; ele entrou no próprio céu, para se apresentar agora a nosso favor na presença de Deus”. Hebreus 9:24.

            Assim como o ministério do Mashiach devia consistir em duas grandes divisões, ocupando cada uma delas um período de tempo e tendo um lugar distinto no santuário celeste, semelhantemente o ministério típico consistia em duas divisões — o serviço diário e o anual — e a cada um deles era dedicado um compartimento do tabernáculo.

            Assim como o Mashiach, por ocasião de Sua ascensão, compareceu à presença de D’us, a fim de pleitear com Seu sangue em favor dos crentes arrependidos, assim o sacerdote, no ministério diário, aspergia o sangue do sacrifício no lugar santo em favor do pecador.

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Expiação Final

            O sangue do Mashiach, ao mesmo tempo em que livraria da condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o registro no santuário até o juízo final, o Yom Kipur celestial; assim como no cerimonial típico, o sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas este permanecia no santuário até ao dia da expiação/Yom Kipur.

            No grande dia da paga final, após o milênio, os ímpios devem ser “… julgados com base no que estava escrito nos livros, segundo o que tinham feito”. Apocalipse 20:12. Então, pela virtude do sangue expiatório do Mashiach, os pecados de todo o verdadeiro arrependido serão eliminados dos livros do Céu. Assim o santuário estará livre ou purificado, do registro de pecado. No tipo, esta grande obra de expiação, ou cancelamento de pecados, era representada pelas cerimônias do dia da expiação, a saber, pela purificação do santuário terrestre, a qual se realizava pela remoção dos pecados com que ele ficara contaminado, remoção efetuada pela virtude do sangue da oferta para o pecado o primeiro cabrito.

“Deus ofereceu Yeshua como kapparah pelo pecado, mediante sua fidelidade no tocante ao sangue da sua morte sacrifical…” Rom. 03:24

            Assim como na expiação final os pecados dos verdadeiros arrependidos serão apagados dos registros do Céu, para não mais serem lembrados nem virem à mente, assim no serviço típico eram levados ao deserto, para sempre separados da congregação devolvidos a sua fonte de origem.

            Visto que Satanás é o originador do pecado, o instigador direto de todos os pecados que ocasionaram a morte do Filho de D’us, exige a justiça que Satanás sofra a sua própria punição final por ser ele o responsável, em sua origem, por toda rebeldia contra D’us. A obra do Mashiach e o Plano da Salvação/Yeshua dos homens e purificação do Universo da contaminação do pecado encerrar-se-á pela remoção dos pecados do santuário celestial e deposição dos mesmos sobre Satã, que cumprirá a sua pena final não pelo pecador, mas, por sua própria culpa.

            Assim no cerimonial típico[iv], o ciclo anual do ministério encerrava-se com a purificação do santuário e confissão dos pecados sobre a cabeça do bode Azazel. Em tais condições, no ministério do tabernáculo e do templo que mais tarde tomou o seu lugar, ensinavam-se ao povo cada dia as grandes verdades relativas à morte e ministério do Mashiach, e uma vez ao ano sua mente era transportada para os acontecimentos finais do grande conflito entre o Mashiach e Satã, e para a final purificação do Universo, de pecado e pecadores.

Pesquisa, edição e adaptação: Herança Judaica/Wladimir

[i] Salvo outra indicação os textos são da Bíblia Hebraica Sêfer.

[ii] Azazel, “embora a palavra Azazel possa se referir um lugar, ou bode, também foi explicada como sendo o nome de um demônio. Os pecados de Israel estariam, pois, sendo devolvidos à sua fonte de impureza… Azazel também é o nome de um anjo caído. Alan Unterman, Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, Jorge Zahar Editor. Pág. 38.

“… o vocábulo Azazel é um nome próprio no original, sendo particularmente o nome de um poderoso espírito ou demônio”. A. R. S. Kennedy, Hasting’s Dictionary of the Bible, p. 77.

“Um espírito mau, que as pessoas supunham habitar no deserto. Essa palavra ocorre apenas aqui no Antigo Testamento… A tradução bode emissário, procedente de Símaco por intermédio de Jerônimo, certamente é incorreta; não concorda como verso 26, e implica uma derivação que se opõe à natureza da língua hebraica, como se Azazel fosse uma palavra composta… Além disso, a acentuada antítese entre PARA Azazel e PARA Jhvh não deixa dúvidas de que o primeiro encerra a ideia de um ser pessoal”. Book of Leviticus, p. 81

“Não resta dúvida alguma de que Azazel é um ser pessoal, sobre-humano e maligno – em realidade, um demônio perverso… Isso foi confirmado por antigos escritores cristãos, que identificam Azazel com Satanás (Orígenes, Contra Celso V1 43, p. 305, ed. Spencer; Irineu, Contra heresias I. 12; Epifânio, Heresias XXXIV. 11), e por muitos eruditos posteriores e modernos” (A Historical and Critical Commentary on the Old Testament, v. 2, p. 328,329). International Standard Bible Encyclopedia: “Pelo emprego da mesma preposição… no tocante a Jeová e a Azazel, parece natural… deduzir algum ser pessoal” (“Azazel”, v. 1, p. 343), etc. etc. etc.

[iii] Salvo outra indicação os textos são da Bíblia Judaica Completa Vida.

[iv] Tipos (do grego TYPOS) são figuras que D’us utilizou ao longo da história bíblica para revelar acontecimentos futuros. Ele tem seu cumprimento na vinda do Messias. Este cumprimento é chamado antítipo. Num tipo há uma correspondência entre certas pessoas, eventos ou coisas da Bíblia Hebraica e Yeshua/Jesus na B’rit Hadashah/Novo Testamento.

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