Os Falashas -judeus etíopes – e os desafios da democracia racial em Israel


Se partirmos de um princípio que toda sociedade em qualquer país do mundo tem seus defeitos e qualidades, não deveríamos nos espantar em saber que Israel possui defeitos como qualquer país.

Nesta semana que passou, vimos assustados protestos que se tornaram violentos entre integrantes da comunidade Israelense/Etíope e a polícia de Israel. Para entendermos os motivos de tais cenas, precisamos entender as razões iniciais.

Há poucos dias, um soldado israelense descendente de etíopes foi agredido sem motivos aparentes por dois policiais israelenses. A cena foi gravada por câmeras de segurança, e se tornou viral, e as consequências todos nós conhecemos. Israel viu a maior revolta pública violenta da sua história.

Há 30 anos, Israel começou a trazer imigrantes judeus Etíopes em missões secretas. Essa onda de “Alyia” continua até hoje. Atualmente 126 mil judeus Etíopes vivem em Israel. O governo, através de seus ministérios, entre eles o ministério da absorção, é o responsável por receber imigrantes no país e integra-los na sociedade de maneira igualitária e imparcial. Porém, esse processo é falho.

Muitos etíopes vivem em comunidades fechadas, tem dificuldade em se desenvolver pessoalmente, socialmente, academicamente e economicamente. Outros,  sofrem preconceito para conseguir trabalho ou até mesmo morar em certos bairros ou prédios. Recentemente, uma reportagem do canal 2 de Israel revelou um acordo “secreto” entre donos de apartamentos em uma determinada rua e a construtora dos edifícios. O acordo: não vender apartamentos para etíopes.

Existe um alto grau de diferença social entre os etíopes israelenses e o resto da população, o que ocasiona altos índices criminais entre eles, muito acima da proporcionalidade do tamanho de sua população. A explosão dos recentes protestos trouxe à tona uma dor e angustia de uma população sionista que contribui diariamente para o Estado de Israel como um país judeu e democrático. Dores antigas e novas, racismos sofridos recentemente ou há muitos anos. Muitos tiveram pela primeira vez a oportunidade de gritar: Chega, Chega!

Outros, porém, levaram a violência às ruas de Tel Aviv, depredando propriedades públicas e jogando pedras e garrafas em policiais.

Cabe agora, ao novo governo de Israel levar a sério os protestos, criar uma comissão séria para analisar os dados, aumentar a fiscalização de leis antirracistas e, principalmente, dar maior importância a essa população.

Cabe ao governo e à população de Israel inteira mudar de uma vez por todas este cenário triste, para voltarmos a dizer um dia: Isto não existe em Israel.

Fonte: Rua Judaica 08/05/2015 Por Andre Lajst – Diretor do Hillel Rio, título original: Desafios diários para a manutenção democrática.

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