A Bênção do Shabatt/Sábado


  Associada aos atos da Criação Moshe/Moisés descreve três bênçãos:

  • Gên. 01:22[1]– “Então Deus os abençoou, dizendo: “Frutificai, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares, e que a ave se multiplique na terra! ”
  • Gên. 01:28 – “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: “Frutificai, multiplicai, enchei a terra e subjugai-a, e dominai sobre o peixe do mar, sobre a ave dos céus e sobre todo animal que se arrasta na terra! ”
  • Gên. 02:01 a 03 – “…E Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o, porque nele cessou toda Sua obra, que Deus criara para fazer.”

                        O que é uma bênção?

Bênção é uma palavra fácil de entender e difícil de explicar, as vezes podemos falar: “Aquela pessoa é uma bênção” ou“Este emprego é uma bênção” ou ainda, “quando os noivos pedem a bênção divina sobre o seu casamento”. Existe aquele costume antigo que veio do catolicismo: “Bênção madrinha”.

alegria

A palavra bênção traz dentro de si um sentido de:

  1. Felicidade.
  2. Prosperidade.
  3. Graça divina.
  4. Proteção.
  5. Harmonia.
  6. etc.

            A bênção divina traz uma perspectiva de vida, traz o cumprimento das promessas de D’us.[2] A palavra bênção tem em si mesma a ideia de que sem a bênção de D’us nada dá certo,

 B’rakhah

            No judaísmo, a b’rakhah (hebraico ברכה; b’rakhot plural; relacionado com a palavra Baruch) é uma bênção, geralmente recitada em um momento específico durante uma cerimônia ou outra atividade.

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“Depois de instruir a multidão para se sentar na grama, ele pegou os cinco pães e os dois peixes e, olhando para cima, em direção ao céu, disse uma b’rakhah.” Mattityahu/Mateus 14:19[3]

“Assim que disse isso, pegou o pão, e disse a b’rakhah de agradecimento a Deus diante de todos…”

Atos 27:35

            Yeshua[4]/Jesus fez um b’rakhah, ou disse uma bênção. Embora o texto não diz isso especificamente, é razoável supor que ele recitou o b’rakhah habitual (“bênção”) que os judeus têm dito há mais de dois mil anos antes das refeições, que incluem pão:

            “Barukh Attah, Adonai Eloheynu, Melekh-ha’olam, Hamotzi lechem min Ha’aretz “(” Louvado sejas, Adonai nosso Deus, Rei do Universo, que traz o pão da terra “).

Shavat/Cessar

            A palavra hebraica Shabatt vem do hebraico shavat, um verbo, que significa literalmente “para cessar”, ou Shev que significa “sentar”. Embora a palavra Shabatt seja quase universalmente traduzida como “descanso” ou um “período de descanso”, uma tradução mais literal seria “cessar”, com a implicação de “cessar de trabalho”. Assim, o Shabatt é o dia do cessar o trabalho”.[5]

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 Com o significado de “cessar” entendemos que D’us não precisava de “descanso” no sétimo dia da Criação, mas, Ele “deixou” seu trabalho, em vez de “descansou” de seu trabalho, o uso é mais consistente com a visão bíblica de um D’us onipotente que não precisa de “descanso”.

            A observância do Shabatt é mencionada várias vezes na Torah, mais notadamente como o quarto dos Dez Mandamentos (Êxodo 20: 8-11 e Deuteronômio 5: 12-15). Outros exemplos são Êxodo 31: 12-17 e 35: 2-3, Levítico 19: 3 e 30, 23: 3 e Números 28: 9-10 (os sacrifícios). É referido diretamente pelos profetas Isaías (56: 4,6) e Ezequiel (capítulos 20, 22, 23) e Neemias 09:14, além de inúmeras outras alusões na Bíblia Hebraica.

            A lei judaica, assim como na descrição bíblica, define como um dia que começa ao anoitecer e termina ao anoitecer, assim, o Shabatt começa antes do pôr do sol na sexta à noite e termina no sábado à noite depois do anoitecer (tradicionalmente, depois de três estrelas poderem ser vistas no céu).

            Em outras citações a palavra Shabatt pode referir-se à lei de shemitá (ano sabático) ou para os feriados judaicos ou para uma semana de dias, dependendo do contexto.

Sábado e Jesus

            O sétimo dia foi um dia abençoado pelo Eterno. Existe uma bênção especial pronunciada sobre esse dia. Nenhum outro dia da semana tem uma bênção específica. Anteriormente os seres vivos, animais, e homens, já tinham sido abençoados, mas agora, o Eterno abençoa um dia, um lapso de tempo de 24 horas. Mas não só o abençoou, como o santificou. 

            “…o verbo “santificar” está no tempo piel que indica intensificação e repetição da ação.[6] A intensificação implica que a santificação teve um efeito imediato, e a repetição implica que a bênção do sábado deve ser repetida a todos posteriormente. O sábado não foi estabelecido apenas para ser uma bênção judaica”.[7]

            … a bênção do sábado, porém, poderia indicar a intenção de D’us para conectar intimamente a bênção do sábado com o trabalho humano diário, assim como Ele abençoou Sua obra de criação (Gên.01:22,28). O trabalho, é claro, foi a intenção divina para os seres humanos, mesmo no Éden (Gên. 01:26 e 02:15).[8]

            ‘Santificar tem duas conotações, apartar de algo, e apartar para algo. Neste caso, o sétimo dia foi apartado dos demais dias para ser diferente. Mas não foi apenas isso; foi também separado para o Eterno, para ser de Sua exclusiva propriedade. Algo que é santificado, só pode ser usado para o propósito para o qual foi santificado. Se é utilizado para outra coisa ou com outro motivo, é profanado. 

            Logo, o Shabatt foi santificado entre os demais dias da semana, para ser diferente e foi santificado para ser exclusiva propriedade do Criador. Esse dia é seu, foi separado para Ele, para ser o seu próprio dia, por isso Isaías o cita como “ meu dia santo ” em Yesha’yahu/Isaías 58:13 – 14 onde está escrito: ’

“Se você contiver seu pé no Shabatt e não procurar os próprios interesses no meu dia santo; se você chamar o Shabatt de delícia, o dia santo de Adonai, digno de honra; e então o honrar, não cuidando dos afazeres comuns nem procurando os seus interesses ou falando a respeito deles; se você o fizer, terá prazer em Adonai…”

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            ‘O Shabatt é convertido num santuário no tempo. Este foi o primeiro tipo de templo que o Eterno fez. Mais adiante designou também um lugar físico para um templo. Há tempos santos e lugares santos, tempos apartados e lugares apartados. Estes são princípios incorporados na criação, que ajudam o homem a relacionar-se de forma correta com o Criador. 

            O propósito do Shabatt não foi estabelecido no Sinai, com a entrega da Torá a Israel, mas sim na criação. Não foi estabelecido para Israel, mas sim para o homem. O Shabatt foi instituído logo após a criação do homem. A primeira coisa que o homem experienciou após ser criado, foi o Shabatt do Eterno (Isaias 56:2). Isto ensina-nos que o Shabatt foi feito para o homem, como está escrito em Marcos 2:27. 

Autor: Wladimir, Herança Judaica, apostila “A Torah no Contexto Geral das Escrituras. 

[1] Salvo outra indicação as citações do Velho Testamento são da Bíblia Hebraica Sêfer.

[2]A forma grafada “D’us” é usada de maneira geral pelos judeus para não se levar Seu nome em vão. Substitui o tetragrama YHVH. “O nome de D’us, com quatro letras; atualmente, nunca é pronunciado, usando-se em seu lugar a palavra A-DO-NAI (meu Senhor). O nome Jeová, encontrado em algumas traduções da Bíblia, origina-se de uma leitura errônea do texto, onde as letras hebraicas do Tetragrama são escritas com os mesmos pontinhos (que representam vogais) da palavra Adonai. De todos os vários nomes de D’us, só o Tetragrama é considerado um nome verdadeiro, sendo os outros, descrições. O nome é tão sagrado que até mesmo Adonai só é usado em oração; de outra maneira, D’us é referido como Hashem (O Nome), por causa da proibição de tomar o nome de D’us em vão. Hoje em dia a pronúncia correta do Tetragrama foi esquecida, mas era usada no Templo durante a Bênção Sacerdotal e pelo sumo sacerdote no ritual do Yom Kipur”. Alan Unterman – Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, Jorge Zahar Editor. 

[3] Salvo outra indicação as passagens do Novo Testamento/B’rit Hadashah são da Bíblia Judaica Completa, Vida.

[4] “Yeshua” é o nome de Jesus em hebraico e aramaico, as línguas que ele falava; em seus trinta e poucos anos na terra as pessoas o chamavam de Yeshua. Aramaico era a língua franca do Oriente Próximo, após as conquistas de Alexandre (331-323 aC). A palavra “Jesus” representa os esforços  de falantes do grego em pronunciar o nome do Messias como aparece nos manuscritos gregos do Novo Testamento “, lêsous”. A palavra hebraica para “ele salvará” (Mateus 1:21) é “yoshia”, que tem a mesma raiz hebraica como o nome Yeshua. Assim, o nome do Messias é explicado com base no que ele vai fazer. Etimologicamente o nome Yeshua é uma contração do nome hebraico Y’hoshua (Josué), que significa “YHWH salva”. É também a forma masculina da palavra hebraica “yeshu’ah”, que significa “salvação”. http://www.seraia.com/seraiauk/lexicon/Yeshua.htm

[5]http://www.seraia.com/seraiauk/lexicon/Shabbat.htm, consultado em 11/06/2015.

[6] Ethelyn  Simon, Irene RESNIKOFF, E Linda Motzakin, The First Hebrew Primer, 3ª ed. Berkeley, CA: EKS publishing, 2005, pág. 255.

[7] Veja exemplo da posição contraria em N. Lohfink, Great Themes From the Old Testament, pág. 216.

[8] Ostring, Elizabeth, Celebração do trabalho divino, Revista Ministério, pág. 19, CPB, Maio/Junho de 2015.

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