Introdução a Aliança


A Natureza do Pecado

            Pecado é definido por I Yochanan/I João 03:04 como:

“Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”. RA

            Porém, quando observamos mais de perto a natureza da primeira tentação neste mundo podemos aprofundar mais o que realmente aconteceu:

“…é certo quer não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. ” Bereshit/Gênesis 03:04 a 06. RA

Características da tentação:

  1. Chamou a D’us de mentiroso.
  2. Disse que o Eterno estava escondendo informações, isto é, não era confiável.
  3. Eva deu ouvidos e cedeu.
  4. Racionalizou sobre o aspecto saudável do fruto.
  5. Desejou ter o conhecimento que só a D’us era permitido, quis ser D’us de si mesma.
  6. Repartiu o pecado com Adão.

Pecado é a atitude de a criatura querer viver independente de D’us, isto é, querer ser D’us de si mesma. Esta disposição quebrou a aliança de santidade entre os seres humanos e o Criador surgindo a morte.

Desde a queda de nossos primeiros pais, um ato que rompeu o companheirismo entre o Céu e a Terra, D’us está em missão, a Missio Dei[1], para restaurar o mesmo companheirismo com a humanidade convidando-a a entrar em Aliança com Ele.

alianças

            Esta Aliança não significa somente um acordo entre duas partes, mas um plano de salvação/Yeshua[2], em hebraico o termo “aliança”, ou berith, usada 286 vezes na Bíblia Hebraica, enfatiza a livre iniciativa de D’us em buscar a humanidade, isto é graça.

            No quinto livro da Torah, Deuteronômio, apresenta os termos da Aliança na seguinte estrutura[3]:  

  • História (capítulos 1-11)
  • Leis (12:1-26:15)
  • Obrigações Mútuas (26:16-19)
  • Bênçãos e Maldições (capítulos 27-29)

            Esta estrutura é similar à estrutura do pacto do Sinai:

  • História (Êxodo. 19:4-6)
  • Lei (20:1-23:19)
  • Promessas e acordos (23:20-33)
  • Conclusão do pacto (24:1-11)

            O modelo utilizado pelo Eterno em Sua Aliança era similar à de outros povos contemporâneos de Israel ao sair do Egito, por exemplo o tratado heteu, seguindo a análise de Mendenhall e Korosec[4] seus elementos básicos são:

  • Titularidade
  • Introdução histórica, a qual serve de motivação para a lealdade do vassalo.
  • Estipulações do acordo
  • Uma lista do testemunho divino
  • Bênçãos e maldições

Torá lendo a

            ‘Em grego a expressão idiomática é diatheke, que se refere a um “testamento” ou “presente”, é um documento pelo qual se dá um presente a alguém que não tem direito legal sobre ele.’

            Muitos interpretam que há duas alianças como representativos de duas dispensações.

1ª) A dispensação da lei, que continuou até a cruz.

2ª) A dispensação da graça, na qual os cristãos não se encontram mais sob a lei, mas sob a graça.

            Porém, com uma compreensão integral da Bíblia não encontramos uma dispensação da lei e uma dispensação da graça. Tanto a graça quanto a lei sempre existira no período de Israel e da Igreja.

            “A mesma lei que fora gravada em tábuas de pedra, é escrita pelo Espírito Santo nas tábuas do coração.”[5]

            Em sua essência podemos falar de apenas uma “Aliança” na Bíblia, isto é, a eterna Aliança de D’us com o homem visando a sua salvação.

            Encontramos na Bíblia as seguintes referências a “Aliança”:

  1. Com Adão (Osé. 6:7, Gên. 3:15,)
  2. Com Noé (Gên. 9:9)
  3. Com Abraão (Gên. 12:1-3; 17:15-22)
  4. Com Israel no Sinai (Êxo. 19:5-8; 24:7-8; Gál. 4:24)
  5. Com Davi (Sal. 132:11; At. 2:30)
  6. Nova Aliança (Jer. 31:31; Heb. 7:22; 8:6,10, 13)

            O caráter dessa “Aliança” é o inabalável e eterno amor de D’us que muitas vezes é comparado a própria “Aliança”,[6] e sua forma plural “alianças” nada mais é do que a Verdade progressiva sendo revelada e D’us reafirmando Seu amor pela humanidade. O conceito “eterno” é usado para as reedições da “aliança” até seu cumprimento no Mashiach/Messias de D’us.

Alianças Adâmica, Noética e Eterna[7]

            A aliança adâmica designa a promessa de Deus em Gênesis 03:15, chamada de protoevangelho (primeiro anúncio do evangelho), segundo o qual, Cristo, o Descendente, venceria o maligno (Rom. 16:20).

 Adão e Eva I

            A aliança noética é uma promessa de graça e vida. Deus promete solenemente preservar a vida das criaturas na Terra (Gên. 06:18-20, 09:09-11). Visto ter sido uma promessa de misericórdia para todos, essa aliança também é chamada de “aliança eterna” (v. 16).

 Alianças Abraâmica, Sinaítica e Davídica      

            “A aliança da graça com Abraão (Gên. 12:01-03, 15:01-05, 17:01-14) é fundamental para todo o curso da história da salvação (Gal. 03:06-09, 15-18). Por meio da semente de Abraão, que não se refere apenas a seus numerosos descendentes, mas em particular a seu único descendente, Cristo (03:16), Deus abençoa o mundo.

abraao_isaque

             Todos quantos fariam parte da semente de Abraão descobririam que Deus é seu Deus, e que eles são Seu povo. A circuncisão seria um sinal (Gên. 17:11) desse correto e já existente relacionamento com Deus constituído pela fé(Gên. 15:06, Rom. 04:09-12).

Sinai

             A aliança Sinaítica, celebrada no contexto da redenção do cativeiro egípcio (Êxodo 19:04, 20:02, Deut. 01-03), continha as providências sacrificais divinas para a expiação e o perdão de pecado. Também era uma aliança de graça e uma reiteração das principais ênfases contidas na aliança Abraâmica, incluindo a relação especial de Deus com Seu povo (Gên. 17:07,08, Êx. 19:05 e 06, uma grande nação (Gên. 12:02, Êx. 19:06 e 32:10) e obediência (Gên. 17:09-14, 22:16-18, Êx. 19:15).

            Quando o povo quebrou a aliança Sinaítica Moisés orou para que Deus se lembrasse das promessas que Ele fizera na aliança Abraâmica (Êx. 32:13). A ênfase especial posta sobre a lei no Sinai mostrava que o cumprimento da aliança Abraâmica esperava um povo no qual a realidade da graça divina pudesse ser demonstrada pela obediência. Israel não podia se tornar uma bênção para o mundo enquanto não vivesse, primeiramente, a condição de povo de Deus e “nação santa” (Êx. 19:06).

Davi Rei

            A aliança Davídica está relacionada tanto com a aliança Abraâmica (Ez. 37:24-27) quanto com a mosaica (II Samuel 07:22-24). Segundo essa aliança, Davi seria príncipe e rei sobre Israel (v. 08, Jer. 30:09, Ez. 37:24,25) e (seu descendente) construiria a casa ou santuário de Deus(II Samuel 07:07-13, Ez. 37:26-28). Nesse lugar, Deus, que nas alianças Abraâmica e Sinaítica queria ser o Deus de Israel e que eles fossem Seu povo, poderia habitar no meio deles. ”

O Clímax das Alianças

            “Aproximam-se os dias – diz o Eterno – quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito…” Irmiáhu/Jeremias 31:30 e 31.[8]

A Nova Aliança

            A promessa de uma nova aliança ocorre pela primeira vez em Jeremias 31:31-33. Ela está inserida no contexto da volta de Israel do exílio e das bênçãos que Deus concederia. Assim como a quebra da aliança no Sinai (v. 32) levou Israel para o exílio, a renovação dessa aliança os preservaria e constituiria sua esperança para o futuro.

            O conteúdo dessa nova aliança era a mesma do Sinai. Havia o mesmo relacionamento Deus-povo e a mesma lei (v. 33).

nova aliança

             A aliança Sinaítica não se tornara antiquada nem prescrevera; fora apenas quebrada. A reconstituição dessa aliança seria estabelecida com premissa para o perdão dos pecados do povo (v. 34) e a garantida de que Deus colocaria a Sua lei pactual (e a reverência por Ele, Jer. 32:40) no coração de Seu povo (Jer. 31:33). Isso traria o conhecimento de Deus a todo o povo (v. 34) e a plena e duradoura efetivação da aliança no Sinai. Em Ezequiel 36:25-28, a internalização da lei divina ocorre quando Deus renova o coração e põe Seu Espírito nele como força motivadora para uma nova obediência. (Em que sentido a nova Aliança seria diferente?)

            Em harmonia com a ênfase no perdão (Jer. 31:24) e no Espírito (Ez. 36:37), o Novo Testamento estende o conceito da nova aliança para o sangue de Cristo, que traz perdão de pecados (Mat. 26:28, Lucas 22:20, I Cor. 11:25, Hebr. 09:15, 12:24), e para o ministério do Espírito, que traz vida (II Cor. 03:06).           

Em Sua Memória, até que Ele Venha

            “Estando todos em silêncio, à mesa, Jesus tomou o pão e tendo dado graças partiu-o e entregou-o aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.” Luc. 22:19.

            Tomou também o cálice, dizendo: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” Luc. 22:20.

            Diz a Bíblia: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.” I Cor. 11:26.

santa ceia 2

            O pão e o vinho representam o corpo e o sangue de Jesus. Assim como o pão foi partido e o vinho tomado, o corpo de Jesus foi partido e Seu sangue derramado por nós. ”[9]

            Comendo o pão e bebendo o vinho, demonstramos que cremos neste fato. Mostramos que nos arrependemos de nossos pecados e que aceitamos a Cristo como nosso Salvador. Esse é o objetivo da Aliança para a salvação do homem.

O Mishkan Celestial/Santuário Celeste

            “O santuário portátil que foi erigido no deserto e acompanhou os israelitas em suas perambulações após o Êxodo era cuidado pelos levitas. Dentro do Tabernáculo está o santo dos santos, que continha a arca da aliança e as Tábuas do Decálogo, separado do resto da estrutura por uma cortina.

Santuário desenhado

             O Tabernáculo representa a morada de Deus em meio à comunidade (Shekinah), e tinha como modelo o santuário celestial. Seu traçado simbolizava a Criação, a estrutura do cosmo e a história futura do povo de Israel até a Idade Messiânica. ” [10]

             Embora as Escrituras não confirmem essa definição em sua totalidade, duas informações que a tradição judaica nos oferece são importantes: 

  • O Mishkan/Santuário terrestre fora construído sob o modelo e “designe” do celestial.
  • Sua estrutura e consequentemente seus serviços representam a “história futura do povo de Israel até a Idade Messiânica”.

            Sendo assim, em nossa pesquisa sobre a Torah[11] em seu contexto geral das Escrituras, iremos confrontar o que o terrestre nos ensina pedagogicamente com sua realidade celestial, em especial no livro do Apocalipse.

 santuário celestial

             O livro do Apocalipse está repleto de alusões a Bíblia Hebraica como um todo e em especial com a Torah, os cinco livros de Moshe/Moisés, o que tem sido desprezado por muitos no que se destaca a imagem do Culto Hebraico centrado nos ritos e festivais do sistema templo/santuário em tudo que Yochanan/João viu em Patmos. Por outro lado, de maneira inversa, outros deixam de ver a plenitude da Torah que chega a “idade messiânica” em Yeshua/Jesus no Mishkan Celestial como descrito no Apocalipse e não entendem seu cumprimento plenamente.

              D’us revela Sua estratégia para com a humanidade através de símbolos apocalípticos[12]:

  • Proteção, isto é, os símbolos protegem a comunidade que os emprega de qualquer discriminação ou recriminação por causa da mensagem que veiculam;
  • Ilustração, isto é, os símbolos são impressivos e facilitam a assimilação da mensagem que transmitem;
  • Tradição, isto é, os símbolos são elementos que se reconhecem tradicionalmente e, por isso, são portadores de uma mensagem que parte do conhecido para o desconhecido;
  • Fluidez, isto é, um símbolo pode significar coisas diferentes em contextos diferentes.

            Como disse Yeshua/Jesus que a Bíblia Hebraica e em especial a Torah/Pentateuco cumpre-se na “idade messiânica” isto é, nEle, o Mashiach/Messias e Seu ministério terrestre e no Santuário Celestial.

Fonte: Apostila: A Torah no Contexto Geral das Escrituras, Autoria Wladimir/Herança Judaica, págs. 20 a 25. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1]Em um trabalho lido na Conferência Missionária de Brandemburgo, na Alemanha, em 1932, Karl Barth tornou-se um dos primeiros teólogos a articular a missão como atividade de Deus mesmo. Do início ao fim da conferência a influência de Barth foi crucial. O influxo de Barth no pensamento missionário atingiria seu auge na Conferência de Willingen em 1952. Vicedom, autor da famosa obra “Missio Dei: An Introduction to the Science of Mission”. A ênfase de Vicedom foi: “Deus é o sujeito ativo da missão. Deus o Pai enviou o Seu Filho, e ambos enviaram o Espírito Santo. A Trindade envia a igreja e os crentes em particular, para cumprir a tarefa da Grande Comissão”. Ou seja, Pai, Filho e o Espírito Santo enviando a igreja para dentro do mundo. A igreja deixa de ser a remetente para ser a remetida.

[2] Yeshua significa, salvação dos pecados.

[3] Gerhard von Rad (Problem of the Hexateuch, 1966, citado em http://www.kol-shofar.org/estudos/69_Berith

[4] Idem.

[5] White, Ellen Gould, Patriarcas e Profetas, pág. 372, veja também, Rom. 3:31, I João 03:04 e Heb. 8:10, etc. e o capítulo que trataremos sobre a Festa de Shavuot/Pentecostes.

[6] Veja Deut. 07:09, I Reis 08:23, Neemias 09:32, Daniel 09:04.

[7] Tratado de Teologia, CPB, págs. 311 e 312.

[8] Na versão RA os versículos são 31 e 32.

[9] White, Ellen Gould, Vida de Jesus, capítulo “A Última Ceia”

[10] Unterman, Allan, Dicionário Judaico de Lendas e Tradições.

[11] Torah em hebraico significa instrução, traduzida muitas vezes por Lei e designa os cinco livros de Moisés, o Pentateuco, Gênesis/Bereshit, Êxodo/Shemot, Levítico/Vaicrá, Números/B’midbar e Deuteronômio/D’varim, respectivamente significando “No Princípio”, “Nomes”, “Chamou”, “No Deserto” e “Palavras”, estes nomes são retirados dos primeiros versículos de cada livro.

[12] Torres, Milton, Revista Teológica do Salt-IAENE, julho-dezembro de 1997, Vol. 1, Número 2, pág. 27.

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