Descoberta: Dentro dos frascos estavam pedaços dos corpos de 86 judeus


Uma sala fechada e pouco usada do Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo guardava no seu interior uma história impressionante: os restos mortais de 86 judeus guardados em álcool dentro de frascos.

As cicatrizes da Segunda Guerra Mundial continuam por fechar 70 anos depois do fim de um conflito que vitimou, estima-se, mais de 50 milhões de pessoas. Numa pequena arrecadação pouco utilizada do Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo foram descobertos estômagos, excertos de pele e fragmentos de intestinos de 86 judeus, que terão sido submetidos às mais vis experiências às mãos do médico alemão August Hirt.

A história é contada pelo jornal espanhol El País. Durante anos, o Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo refutou sempre as acusações de que estaria na posse de restos mortais de vítimas do III Reich. Mas o historiador Raphael Toledano, autor de várias investigações sobre o tema, nunca desistiu de procurar a verdade.

Depois de estudar a documentação deixada por Camille Simonin, antigo professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Estrasburgo, Toledano encontrou uma carta assinada por Simonin, em 1952, onde detalhava com precisão os exames que tinha feito durante uma das muitas sessões em que participou. O resultado? 17 corpos e 225 restos mortais conservados em álcool e guardados religiosamente em frascos de vidro.

O Instituto, no entanto, garantia que todos os restos mortais tinham sido incinerados e os corpos enterrados num cemitério judaico perto de Estrasburgo. Uma sala fechada e muito pouco utilizada acabaria por guardar uma história muito diferente.

Uma história que começou durante a Segunda Grande Guerra e já depois de August Hirt ter sido nomeado diretor do Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo. Os restos mortais agora encontrados pertenciam a 86 corpos de judeus que tinham perdido a vida nos campos de concentração nazis e que depois foram rigorosamente escolhidos por Hirt, com a bênção de Berlim.

Já perto do fim da guerra, e perante a perspetiva de uma derrota inevitável, Hitler ordenou a decapitação de todos os corpos, assim como a remoção das tatuagens com os números de identificação dos prisioneiros judeus. Era o último esforço do führer para ocultar todas as provas que pudessem servir para identificar os restos mortais, como recupera o El País. Os restos mortais agora encontrados serão devolvidos à comunidade judaica para que possa realizar as cerimônias fúnebres e homenagear as vítimas.

www.ruajudaica.com

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