O Santuário Celestial na Bíblia Hebraica – I – G.B. Gray


                “O primeiro trabalho acadêmico dedicado ao tema do templo/santuário celestial na Bíblia Hebraica foi conduzido por G.B. Gray[i]. Em um artigo de trinta e cinco páginas, Gray discute a origem da ideia do templo/santuário celestial e sua relação com outras ideias. Depois de discutir a possível origem dessa ideia na literatura babilônica, concluiu que a noção de um templo celestial não tinha antecedentes na literatura do AOP. (antigo oriente próximo). Antes, tal concepção teria se desenvolvido entre o povo judeu somente por volta de 500 e 100 a.C.[ii] Consequentemente, em sua discussão de Isaías 6:1, argumentou que o templo referido ali é o de Jerusalém[iii], já que, de acordo com ele, “não há evidência direta para a existência da crença (em um templo celestial) antes do Testamento dos Patriarcas, ao fim do segundo século a.C.[iv] Com essa ampla generalização, Gray nega totalmente a presença do tema do templo/santuário celestial na Bíblia Hebraica. Ele também argumentou que a “falha dessa crença aparece em três autores, Ezequiel, P, e o Cronista, os quais tinham boas razões para revela-la se eles a apoiassem, dando assim o devido peso. ”[v]  Curiosamente, no entanto, Gray aceita a presença do tema de um “palácio celestial” em certas passagens (Sl 11:4, 18:7, Miqueias 1:2, Isaías 63:15), devido à distinção que faz entre a ideia de templo, por um lado, e palácio, por outro.

santuário celestial

                Na sequência, observaremos alguns comentários acerca da visão de Gray. Em princípio, deve-se salientar que seu esforço para retratar o conceito bíblico de um templo/santuário celestial, independentemente das ideias babilônicas, é um passo na direção correta. Entretanto, a abordagem crítica de Gray o impede de perceber o tema do templo/santuário celestial como claramente expressado em Isaias 6. Além disso, sua argumentação de que a crença em um templo celestial fracassa “ao aparecer em três autores, Ezequiel, P e o Cronista” não pode ser sustentada à luz de passagens como Ezequiel 1, 10; Êxodo 25;9,40 e II Crônicas 30:27[vi]. Finalmente, deve-se notar que a distinção feita por Gray entre a ideia de templo e aquela de palácio impõe uma concepção analítica estranha em relação ao sintético conceito hebraico de templo/santuário/palácio.

Autor: Elias Brasil de Souza, O Santuário Celestial no Antigo Testamento – Editora CePLIB, págs. 18 e 19.

[i] G.B. Gray, “The Heavenly Temple and the Heavenly Altar”, Exp 5 (1908); 383-402, 531-46.

[ii] Ibid., 546.

[iii] Ibid. 539-40.

[iv] Ibid. 541.

[v] Ibid.

[vi] Ibid., 544.

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