THE RECORD KEEPER – EPISÓDIO 06 – O INTERROGATÓRIO


O relato na Bíblia Hebraica da visita de Saul à mulher de En-Dor, tem sido uma fonte de perplexidade a muitos estudiosos da Bíblia. Há alguns que assumem a posição de que Samuel estava efetivamente presente na entrevista com Saul; mas a própria Bíblia oferece base suficiente para uma conclusão contrária. Se, como alguns pretendem, Samuel estava no Céu, ele deveria ter sido chamado dali, ou pelo poder de D’us, ou pelo de Sata. Ninguém poderá crer por um momento sequer que Sata tivesse poder para chamar do Céu o santo profeta de D’us para honrar os enganos de uma mulher perdida. Tampouco podemos concluir que a Administração o chamasse à caverna da feiticeira; pois o Eterno já Se havia recusado a comunicar-Se com Saul, por meio de sonhos, por Urim, ou por profetas. I Sam. 28:6. Tais eram os meios indicados por Hashem para a comunicação, e Ele os não preteriria para transmitir a mensagem pela operação de Satanás.

A própria mensagem traz prova suficiente de sua origem. Seu objetivo não foi levar Saul ao arrependimento, mas impeli-lo à ruína; e isto não é a obra de D’us, mas a do General. Ademais, o ato de Saul ao consultar uma pitonisa é citado nas Escrituras como um motivo por que ele foi rejeitado por Deus e abandonado à destruição:

“Morreu Saul por causa da sua transgressão com que transgrediu contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar. E não buscou ao Senhor, pelo que o matou, e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé.” I Crôn. 10:13 e 14.

Aqui declara-se distintamente que Saul consultou o espírito de adivinhação, e não ao Eterno. Ele não se comunicou com Samuel, o profeta de D’us; mas, mediante a feiticeira, entreteve comunicação com um demônio, um anjo rebelde. Este não podia apresentar o verdadeiro Samuel, mas apresentou um falsificado, que serviu ao seu objetivo de enganar.

the record keeper O Interrogatório

Quase todas as formas da antiga feitiçaria e encantamentos baseavam-se na crença da comunicação com os mortos. Aqueles que praticavam as artes da necromancia pretendiam ter relações com os espíritos dos mortos, e obter por meio deles conhecimento de acontecimentos futuros. A este costume de consultar os mortos se faz referência na profecia de Isaías:

“Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; – não recorrerá um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?” Isa. 8:19.

Esta mesma crença na comunicação com os mortos formou a pedra fundamental da idolatria gentílica. Os deuses dos gentios acreditava-se que eram os espíritos deificados dos heróis mortos. Assim a religião dos gentios era um culto aos mortos. Isto se evidencia pelas Escrituras.

No relato do pecado de Israel em Bete-Peor, declara-se:

“E Israel deteve-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas. E convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses. Juntando-se pois Israel a Baal-Peor.” Núm. 25:1-3.

O salmista nos diz a que espécie de deuses estes sacrifícios eram oferecidos. Falando da mesma apostasia dos israelitas, diz ele:

“Juntaram-se com Baal-Peor, e comeram os sacrifícios dos mortos”, isto é, sacrifícios que tinham sido oferecidos aos mortos. Sal. 106:28.

A deificação dos mortos tem tido lugar preeminente em quase todo sistema de paganismo, como também tem a suposta comunicação com os mortos. Acreditava-se que os deuses comunicavam sua vontade aos homens, e davam-lhes também conselhos, quando consultados. Desta natureza eram os famosos oráculos da Grécia e de Roma.

A crença na comunicação com os mortos é ainda mantida. Sob o nome de Espiritismo, a prática de comunicar-se com os seres que pretendem ser os espíritos dos mortos, tem-se espalhado largamente. É ela calculada a ganhar as simpatias daqueles que depuseram seus queridos na sepultura. Seres espirituais algumas vezes aparecem a pessoas sob a forma de seus amigos falecidos, e relatam incidentes ligados com sua vida, e efetuam atos que realizavam quando vivos. Deste modo levam os homens a crerem que seus amigos mortos são anjos que pairam sobre eles, e com eles se comunicam. 

Aqueles que assim pretendem ser espíritos dos mortos, são considerados com certa idolatria, e para muitos sua palavra tem maior valor do que a Bíblia. 

Muitos há contudo, que consideram o espiritismo como um simples engano. As manifestações pelas quais ele apóia suas pretensões a um caráter sobrenatural, são atribuídas à fraude por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da velhacaria tenham sido muitas vezes apresentados como manifestações genuínas, tem havido também provas notáveis de poder sobrenatural. E muitos que rejeitam o espiritismo como resultado da esperteza ou astúcia humana, quando defrontados com manifestações que não possam explicar sob este ponto de vista, serão levados a reconhecer suas pretensões.

O espiritismo moderno, e as formas da antiga feitiçaria e adoração de ídolos – tendo todos a comunicação com os mortos como seu princípio vital – fundam-se naquela primeira mentira pela qual Satanás seduziu Eva no Éden:

“Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes… sereis como Deus.” Gên. 3:4 e 5.

Baseados na falsidade e perpetuando esta, são semelhantemente oriundos do pai da mentira. 

Aos hebreus era expressamente proibido empenhar-se, sob qualquer forma, em pretensa comunicação com os mortos. O Eterno fechou eficazmente esta porta quando disse:

“Os mortos não sabem coisa nenhuma. … E já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol.” Ecl. 9:5 e 6.

“Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se em sua terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.” Sal. 146:4.

E o Eterno declarou a Israel:

“Quando uma alma se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir após deles, Eu porei a Minha face contra aquela alma, e a extirparei do meio do seu povo.” Lev. 20:6.

Os “espíritos familiares” não eram espíritos dos mortos, mas anjos maus, mensageiros de Sata. A antiga idolatria, que, como vimos, compreende tanto o culto aos mortos como a pretensa comunicação com eles, declara-se na Bíblia ter sido culto aos demônios. O emissário Shaul/Paulo advertindo seus irmãos contra o participarem de qualquer maneira da idolatria de seus vizinhos pagãos, diz:

“As coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.” I Cor. 10:20. O salmista, falando de Israel, diz que “sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios”; e no versículo seguinte explica que os sacrificaram “aos ídolos de Canaã”. Sal. 106:37 e 38.

Em seu suposto culto aos mortos, estavam na realidade adorando demônios.

Pela predição da sorte de Saul, dada mediante a mulher de En-Dor, planejava o General enredar o povo de Israel. Esperava que se lhes inspirasse confiança na feiticeira, e fossem levados a consultar a mulher. Assim se desviariam de Hashem como seu conselheiro, e colocar-se-iam sob a guia de Sata. O engodo pelo qual o espiritismo atrai as multidões é o seu pretenso poder de descerrar o véu do futuro, e revelar aos homens o que o Eterno ocultou. D’us desvendou em Sua Palavra diante de nós os grandes acontecimentos do futuro – tudo que nos é essencial sabermos; e deu-nos um guia seguro para nossos pés por entre todos os seus perigos; é, porém, intuito de Sata destruir a confiança dos homens em Deus, torná-los descontentes com sua condição na vida, e levá-los a procurar conhecimento daquilo que Deus sabiamente lhes encobriu, e desprezar o que Ele revelou em Sua santa Palavra.

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