OS ÚLTIMOS JUDEUS DE ALEPPO



Em um centro de absorção da Agência Judaica em Ashkelon vivem duas mulheres cuja história pessoal poderia constituir a base de um thriller de Hollywood. Os membros da última família judaica na Síria, que fugiram de Aleppo – que estava sob pesado bombardeio – há um ano atrás. Elas chegaram a Israel como parte de uma operação complexa administrada pelo Exército Sírio Livre.

Sua fuga foi financiada por Moti Kahana, um empresário americano-israelense que nos últimos quatro anos tem estado em contato estreito com os rebeldes sírios e também visitou várias vezes o local.

Mariam (nome fictício), 88 anos, e sua filha Gila (nome fictício), 53 anos, chegaram a Istambul via fronteira da Síria com a Turquia. De lá foram para Israel sob a “Lei do Retorno”.

Mariam tem um estilo de vida judaica kosher mantido apesar das dificuldades trazidas pela guerra civil. Linda (não é seu nome real), a segunda filha de Mariam, uma convertida ao Islã, fugiu para Istambul, ao mesmo tempo, juntamente com o marido muçulmano e seus três filhos de seu primeiro casamento. Linda e sua família acabaram voltando para a Síria, partindo de Istambul.

Mariam lê as orações em hebraico, já que sabe o idioma. Em sua juventude, ela foi capaz de orar na Sinagoga Central de Aleppo que abrigou o lendário Aleppo Codex. No entanto, a Sinagoga foi incendiada e parcialmente destruída após a passagem do Plano de Partilha das Nações Unidas, em 1947.  

A família judia vivia em condições muito difíceis em Aleppo, em uma área sob o controle das forças do presidente Bashar Assad que sofreu forte bombardeio dos rebeldes. A viagem de Aleppo para a Turquia levou 12 horas, com a família parando em um posto de controle em Jabhat al-Nusra.

Após um longo interrogatório em que não foi descoberto nada, eles puderam continuar seu caminho para a Turquia.

“Esta é a última família judia em Aleppo. Isto marca o fim de uma história da presença judaica na cidade em 2.700 anos”, diz Moti Kahana. Ele reclamou que a filha que tinha se convertido ao Islã não pudesse fazer aliá para Israel, tendo de abandoná-la em Istambul.

A Agência Judaica acusa Kahana de convencer a família a deixar Aleppo com a falsa promessa de que ele iria trazê-los para os EUA, porque a família na verdade não queria ir para Israel.

A Agência Judaica também enfatizou que eles ofereceram para Linda e sua família virem a Israel com visto de turista e, em seguida, regularizariam a situação deles, mas eles rejeitaram a opção.

www.ruajudaica.com

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