THE RECORD KEEPER – EPISÓDIO – 10 – O Conselheiro


O Ruach há Kodesh representa a atividade de D’us na Terra, normalmente é sinônimo para o próprio D’us. Ele guiou os patriarcas e inspirou os profetas com mensagens de conforto, mas por vezes de repreensão, Abraão Ben David de Posquiéres, alegou que o Ruach Há Kodesh aparecera em sua academia. Há uma promessa, comentada pelos sábios judeus, que nos tempos do Mashiach, o Santo Espírito seria dado plenamente.[i]

Em Shemuel Bet/II Samuel 23:02  e 03 encontramos a descrição que Davi faz de sua experiência com o “Ruach há Kodesh”:

“O espírito do Eterno falou em mim, e a Sua palavra está na minha língua. Disse o Deus de Israel, a rocha de Israel falou-me…”

Na Torá, Moshe/Moisés escreveu em Shemot/Êxodo 31:03 a 06 que o Ruach de D’us distribuiu dons espirituais:

“E fiz com que ficasse repleto do espírito de Deus, em ciência, em inteligência, em saber e em todas as artes, para pensar em obras de mestre, para trabalhar em ouro, em prata e em cobre e na arte de gravar pedras de engaste e na arte de entalhar madeiras para fazer toda obra. E Eu, eis que designei… pus ciência, e farão tudo que te ordenei…” (Veja também Ieshaiáhu/Isaías 11:01 e 02, 61:01 e 02)

Dentro desta análise das Escrituras nos parece que o “Ruach” dependendo do contexto transmite uma ideia diferente de “fôlego, alento” e “entendimento, coração”

Ainda…

“E o Eterno apareceu na nuvem e falou-lhe; e tirou do espírito que estava sobre ele e o pôs sobre os setenta homens, anciãos; e assim que pousou sobre eles o espírito, profetizaram naquele dia, e depois nunca mais.” Bamidbar/Números 11:25

Aqui o Ruach que estava sobre o Eterno, não era “sopro ou entendimento, vontade, coração”, mas saiu de D’us e foi colocado sobre os homens.

Vejamos ainda outro exemplo da Torá:

“E Bilam levantou seus olhos e viu Israel acampado por tribos; e veio sobre ele o espírito de Deus. E proferiu sua parábola e disse: ‘Palavras de Bilam ben Beor, e palavras do homem de olho aberto. Palavras daquele que ouve os ditos de Deus, que vê a visão do Todo-poderoso…” Bamidbar/Números 24:03 e 04.

Nos parece que Bilam entrava em visão de olhos abertos, ao contrário dos médiuns espíritas, porém, o notório é que ele ouvia o Ruach há Kodesh, ouvia os ditos de D’us e contava suas parábolas.

No livro do profeta Iehezkel/Ezequiel, o Ruach teve uma performance bem destacada. Neste livro ele aparece diversas vezes, veja por exemplo 03:12,22-24, 8:01-05, 11:01,24, 37:01 e 02.

Que é esse “espírito” que sempre atua tão diretamente sobre os profetas?

No capítulo 11:5 ele é designado de “espírito do Eterno” e no capítulo 36:27 é dito “Meu espírito”, assim também no 37:14, já nos capítulos 01:03, 03:14,22, 33:22, 37:01, 40:01 o espírito do Eterno é chamado de “mão do Eterno”, tão mais interessante é no capítulo 8:01 a 05:

“…a mão do Eterno Deus pousou sobre mim. Observei e percebi algo que se assemelhava ao fogo; de seu meio para cima parecia fogo e de seu meio para baixo era resplandecente como o cobre em fusão. E estendeu para mim uma forma de uma mão e me segurou por um cacho de cabelo; e um espírito me levantou entre a terra e o céu… e me trouxe a Jerusalém…ali estava a glória do Deus de Israel…”

Interessante que na visão ele parece ter visto uma silhueta de um ser glorioso que estendeu uma semelhança de mão, segurou pelos cabelos e o trouxe até Jerusalém para ver a glória do D’us de Israel, a mão do Eterno que o segurou era a mão do Ruach que o levantou, lembra o ensinamento de alguns filósofos judeus que ensinavam sobre um ser de luz que entra em contato com o homem representando a “Shechiná” divina.

Santo

Em Ieshaiáhu/Isaías 06:03 os serafins de seis asas e que estavam na presença de Hashem clamavam um ao outro:

“Santo, Santo, Santo é o Eterno dos Exércitos; Sua glória envolve o mundo inteiro.”

Naturalmente que o “Ruach” é Santo!

O rei David em sua confissão do pecado de adultério e assassinato faz um apelo sentido:

“Não me afastes da Tua presença, nem retires de mim o espírito da Tua santidade.” Tehillim/Salmo 51:13

O rei inspirado faz um paralelismo característico da literatura hebraica, “afastes” X “retires” e “Tua presença” X “espírito da Tua santidade”.

É encontrado também um paralelo entre o “Ruach” e o “Shechiná” a presença divina que se manifestava no Tabernáculo no deserto e no primeiro Templo, onde pombas jovens e rolas eram as únicas aves oferecidas nos sacrifícios, tornando-se a pomba na tradição judaica como a imagem da Presença Divina, ou “Shechiná” o “Ruach há Kodesh”.

Sendo assim D’us habitava com Seu “Ruach” tanto na Terra Prometida em Seu Tabernáculo como habita, nos crentes, os templos vivos espalhados em seu exilio após o primeiro século da era comum.

Segundo a tradição judaica o pecado contra o “Ruach”, principalmente o pecado do orgulho afasta a “Shechiná”, a presença da santidade divina o “Ruach há Kodesh”.

Qual conclusão que podemos chegar comparando estes três usos da palavra “Ruach”?

Bem, primeiro que o Ruach humano pode ser entendido em duas formas, como fôlego, alento e respiração e a segunda como mente, entendimento, coração.

Já o “Ruach há Kodesh” é diferente do “Ruach” humano, pois, Sua atuação consiste nas seguintes atividades divinas:

  1. O “Ruach” falava através dos profetas como falou através de Davi.
  2. O “Ruach” distribui dons como na construção do Tabernáculo, etc.
  3. Em diversas ocasiões o “Ruach” habitou, pousou, esteve sobre as pessoas capacitando-as a realizar uma grande obra e vencer desafios.
  4. O “Ruach” ministra através de parábolas exortativas, ensina com maestria.
  5. Ele é designado por “Espírito do Eterno”, “Meu Espírito”, “Mão do Eterno”, “Santo Espírito”.
  6. E finalmente o “Ruach” é chamado de Espírito Santo, “Ruach há Kodesh”, sedimentando sua total singularidade e mantendo totalmente distinto do “Ruach” humano que é apenas fôlego, alento ou entendimento, coração.
  7. O “Ruach há Kodesh” representa a atividade de D’us na Terra, normalmente é sinônimo para o próprio D’us.

[i] Unterman, Alan – Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, pag. 233.

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