ANUSSIM, MARRANOS E COERGIDOS: O DESPERTAR EM ISRAEL


TEL AVIV – Entre 24 de julho e 25 de agosto, vai acontecer em Israel (em Natânia), um seminário inédito para brasileiros. Mas não para judeus brasileiros e sim para brasileiros que acreditam ser descendente de judeus que foram convertidos forçadamente ao Cristianismo em Portugal ou na Espanha há séculos, os chamados anussim (coergidos) ou marranos. Esses descendentes são os bnei anussim (filhos de anussim).

Milhares de brasileiros afirmam ter antepassados judeus, alguns até comprovam com exames de DNA e montagem de árvores genealógicas. Muitos se sentem judeus e querem ter a chance de serem reconhecidos como tais. O curso intensivo acontecerá no Instituto de Estudos Sefaraditas e dos Anussim (ISAS), uma recém-criada instituição fundada para atender ao despertar do desejo de retomada da herança judaica por parte desses descendentes.

Os alunos vão estudar Torá, aprender sobre valores judaicos, história, festas, símbolos e tradições judaicos. Também vão estudar hebraico, participar de passeios guiados por Israel, visitar o Knesset e passar um Kabalat Shabat com famílias judias brasileiras que vivem em Israel.

O Instituto também é quem está fazendo o serviço de identificação (mapeamento genealógico) de anussim espanhóis que, segundo uma nova lei espanhola, terão direito à cidadania da Espanha se conseguirem provar que seus antepassados foram forçados a se converter. O ISAS oferece seminários, cursos e conferências com o objetivo de educar e informar o público a respeito desse fernômeno e de suas ramificações em Israel e ao redor do mundo. Ele também oferece apoio àqueles que buscam a comprovação de sua origem judaica por meio de pesquisa genealógica.

O assunto dos anussim, tão latente em Portugal e Espanha, no Brasil e em outros países da América Latina, ainda está longe de ser consenso em Israel, onde o rabinato ultraortodoxo – que tem o monopóio sobre questões religiosas no país – impera. Para ele, o judaísmo não deve ser “messiânico’, isto é: não deve aliciar ou incentivar ninguém a ser judeu. O Judaísmo é quase como um clube fechado consanguíneo, no qual poucos podem entrar.

Mas, aos poucos, iniciativas começam a aparecer, capitaneadas por pessoas que acreditam que reconhecer os bnei anussim é uma obrigação judaica que pode, inclusive, injetar nova vida nesse grupo de apenas 16 milhões de pessoas em todo o mundo. Em setembro, por exemplo, acontecerá em Miami (EUA) a conferência “Reconectar 2016: Revigorando a Herança e as Raízes Mútuas do Judaísmo Latino”, com participação de acadêmicos, líderes comunitários e religiosos, artistas e autores.

O parlamentar Robert Ilatov (fundador) e Ashley Perry (presidente) do Reconectar escreveram esse artigo no Jerusalem Post em outubro de 2015 urgindo o Knesset a pensar no assunto:

“O desafio foi estabelecido para Israel, como a pátria do povo judeu, e para o mundo judaico em geral para acolher e ajudar os nossos irmãos e irmãs perdidos como eles redescobrir a herança que foi roubado de seus antepassados. A lei judaica exige tal resposta, com dezenas de rabinos ao longo da história afirmando que o bnei anussim fazem parte do nosso povo “.

www.ruajudaica.com

Anúncios