O Significado do Nome “Cristo”.


É realmente lamentável que nós, cristãos, tenhamos este nome. Porque o termo “Cristo” é simplesmente uma versão europeizada de uma tradução grega de um título hebraico. Ele foi dado a numerosos judeus, durante aquele período apocalíptico, pouco antes, durante e depois da vida de Ieshua, inclusive Ieshua de Nazaré.

É um dos muitos títulos dados a Ieshua por seus seguidores, um daqueles que, quase certamente, ele próprio nunca usou para falar de si mesmo,[1] mas que lhe foi atribuído, possivelmente enquanto ainda era vivo. Há, porém, uma ironia especial no fato de esta atribuição ter alcançado tamanha proeminência, visto que mais tarde, Ieshua foi claramente reconhecido pelos discípulos como não sendo o tipo de Messias esperado pelos seus entusiásticos partidários judeus.

Pensava-se, a princípio, que o Messias, o Cristo esperado por Pedro e pelos outros discípulos, fosse uma personagem judaica majestosa, no estilo de Davi, que expulsaria os romanos que ocupavam a terra de Israel e restabeleceria o governo monárquico em Israel. Ficou claro que isso não aconteceu; consequentemente, a maioria dos judeus não tinha razões para imaginar que Ieshua fosse o Messias prometido. É provável que nem todos os seus primeiros seguidores estivessem firmemente decididos a vê-lo como o Messias prometido, mas o viam de outras maneiras, por exemplo, como profeta ou mestre (rabbi). Mas aqueles que o consideravam o Messias prometido estavam prontos a admitir, depois da crucificação que se haviam enganado. Isso aparece claramente no evangelho de Lucas, em que dois dos seguidores de Ieshua a caminho de Emaús, falavam dele como “um profeta” e, depois de mencionarem a crucifixão, acrescentavam, decepcionados, “nós esperávamos que fosse ele quem redimiria Israel” (Lucas 24,21A).

Jesus Cristo

Após a experiência da ressurreição, porém, alguns dos discípulos de Ieshua parecem ter lentamente decidido não abandonar o termo Messias, e sim transformá-lo, interpretá-lo em sentido diferente. Mais tarde, Messias ou Cristo tornou-se, por assim dizer, o título preferido para ele, funcionando muitas vezes como uma espécie de sobrenome. Tudo isso, entretanto, levou algum tempo, e só mais tarde, no século I, os seguidores de Ieshua foram, denominados “cristãos”. Como relatam os Atos dos Apóstolos, o termo usado a princípio era seguidores “do Caminho”, isto é, do caminho para viver a vida íntegra, santa, a vida judaica, que fora ensinada e exemplificada por Ieshua de Nazaré.

Seria, é claro, muito mais compreensível se os se um dos seguidores de Ieshua tivessem dado a si mesmos um nome relacionado ao seu nome, Ieshua. Mas o único termo amplamente empregado entre os cristãos que realmente está ligado ao nome de Ieshua, melhor dizendo, de Jesus, infelizmente ganhou a conotação muito negativa e representa exatamente o oposto daquilo que o próprio Ieshua representava: jesuítico.

Autor: Leonard Swidler, Ieshua, Jesus Histórico, EP, págs. 10 e 11.

[1] Cf. Eduard Schweizer, Jesus Christus (Hamburgo, 1972), pp. 19s; Ernst Kãsemann, Das Problem des historischen Jesus — exegetische Besinnungen, vol. 1 (Gotinga, 1960), pp. 187, 205. Ulrich Luz, Prof. de Novo Testamento da Faculdade Protestante da Universidade de Berna. 

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