CELEBRAÇÃO DOS 500 ANOS DO GUETO DE VENEZA – O PRIMEIRO DO MUNDO



Veneza celebrou os 500 anos da imposição do primeiro gueto judeu oficial do mundo.

Artistas, intelectuais, músicos e atores, bem como Ruth Bader Ginsburg do Supremo Tribunal de Justiça, participaram de uma série de eventos que durarão o ano todo.

A cerimônia de abertura de gala para os eventos do aniversário ocorreu na terça-feira passada, à noite, 500 anos após o dia em que o Senado de Veneza, sob a liderança do Doge, ou magistrado-chefe, Leonardo Loredan, ordenou que os cerca de 700 judeus da cidade fossem colocados em uma área apertada, que tinha sido o local de uma fundição – “geto” no dialeto veneziano.

A cerimônia no histórico teatro La Fenice incluiu um concerto com a Sinfonia No.1 em D maior de Gustav Mahler – realizada pelo israelense Omer Meir Wellber, bem como um pronunciamento do historiador Simon Schama.

“Quero reafirmar com força que os judeus não têm nostalgia do gueto, cuja instituição deve ser lembrada e estudada – mas não celebrada”, disse Renzo Gattegna, presidente da União das que foram Comunidades Judaicas Italianas, diante de uma plateia exclusiva de convidados. “A instituição do gueto de Veneza, e de todos os outros criados posteriormente, permanece indissoluvelmente ligada a períodos de perseguição e segregação, negação dos direitos civis e políticos mais básicos e desprezo milenar, ensinada e praticada contra civis, comunidades judaicas pacíficas e indefesas.”

Um dos destaques dos eventos de comemoração será “Veneza, os judeus e a Europa”, uma grande exposição no Palácio dos Doges, a partir de 19 de junho até 13 de novembro. No final de julho, um desempenho ao ar livre da peça de Shakespeare “O Mercador de Veneza” acontecerá na praça principal do gueto – a primeira vez na história em que será encenada no local onde tudo ocorreu. Durante a produção, Ginsburg vai presidir um julgamento simulado de Shylock, agiota judeu que foi escolhido como vilão por Shakespeare.

Outro grande projeto visa levantar 8,5 milhões de euros, cerca de US$ 10 milhões, para a modernização do Museu Judaico de Veneza e restauração de Sinagogas do gueto, do século XVI.

Os judeus ainda eram segregados no gueto de Veneza, até que o confinamento foi abolido por Napoleão, em 1797. No auge do período do gueto, 5.000 judeus viviam lá em casas que foram construídas com muitos andares para economizar espaço. Apesar das críticas, os judeus do gueto trabalhavam em comércio e viviam uma vida criativa. Veneza foi um grande centro de publicações em hebraico e as congregações judaicas construíram cinco sinagogas extraordinariamente ornamentadas, que existem hoje, duas das quais continuam a ser usadas para serviços regulares.

Atualmente, apenas cerca de 400 judeus vivem em Veneza, no entanto, apenas poucos deles vivem no que era o gueto. A comunidade tem uma escola, um lar para idosos e outras atividades sociais e educacionais. Os líderes comunitários esperam que a atenção que os eventos comemorativos trarão sobre a história judaica de Veneza e da cultura local terão um impacto positivo sobre o futuro da Veneza judaica.

“O 500º aniversário do gueto pode ser a ocasião para afirmar que tal lugar não pode ser um ícone estéril, mas deve representar um exemplo de vida e cultura judaica”, disse o Rabino de Veneza, Rav Scialom Bahbout, que espera criar um centro internacional de estudos judaicos no gueto.

“Não há dúvida de que estamos mais interessados ??no futuro do que no passado”, disse o professor universitário Shaul Bassi, coordenador da comissão para o 500º aniversário, que traça a sua ascendência em Veneza desde o século XVI.

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Gueto de Veneza: 500 Anos

Desordem, estigma e segregação

Por Samira Feldman Marzochi
Professora adjunta do Departamento de Sociologia da UFSCar – Universidade de São Carlos- Para ASA
Observa-se, na história das sociedades, que os períodos de crise econômica e política sempre vitimaram certos grupos, em geral minoritários e já estigmatizados, sobre os quais se despeja o ódio da revolta contra a desordem social. Os vitimados ao longo da história têm sido, sobretudo, mulheres, homossexuais, negros, judeus, deficientes físicos ou mentais, ciganos, comunistas. Mas é importante destacar que a noção de “minoria” não designa grupos minoritários em número de indivíduos, e sim dotados de traços considerados “desviantes” face ao modelo socialmente construído de normalidade.

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