Na Pista do Diário de Membro do Circulo Intimo de Hitler


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Alfred Rosenberg, à esquerda, com Hitler and Friedrich Weber, à direita,
durante o Golpe (Putsch) de Munich em 1923. Keystone/Getty Images

Durante quase seis décadas, que estavam desaparecidas, foram reveladas as mais de 400 páginas manuscritas. É o diário de Alfred Rosenberg, um teórico nazista cujos pontos de vista sobre raça são considerados como a base de pensamento que teve como resultado o incitamento para a perseguição dos judeus por Hitler, e que haviam desaparecido depois que o seu autor foi condenado por crimes de guerra e enforcado em Nuremberg em 1946.

Mas dois homens – um ex-agente do FBI que se especializou na recuperação de obras de arte roubadas e de um ex-arquivista-chefe do United States Holocaust Memorial Museum em Washington – se empenharam numa busca que levou mais de dez anos para rastrearem  este documento, um dos poucos diários conhecidos mantido por um membro do círculo íntimo de Hitler.

Trabalhando em conjunto com investigadores federais, descobriram-no em 2013, nos escritórios de uma editora em Nova York, um lugar muito mais modesto do que o castelo Kloster Banz  localizado no topo de uma colina na Baviera, onde tinha sido descoberto pela primeira vez em um cofre logo após o guerra.

A recuperação do diário, agora na posse do Museu do Holocausto, foi anunciada há três anos. Mas a história dos esforços para a sua localização foi finalmente divulgada sobre o trabalho secreto e o papel crucial desempenhado pelos investigadores da Segurança Interna dos EUA (Homeland Security) e de uma intimação federal, estão agora demonstrados em um novo livro, “O Diário do Diabo: Alfred Rosenberg e os Segredos Roubados do Terceiro Reich” (Harper), do ex-agente do FBI Robert K.Wittman e do jornalista David Kinney.

“Realmente foi como pegar um tigre pela cauda, ??um grande problema”, disse Wittman em uma entrevista.

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Páginas do diário de Alfred Rosenberg, que haviam desaparecido depois
que ele foi enforcado por crimes de guerra em 1946.Credit Michael Reynolds/
European Pressphoto Agency

O diário tem o seu inicio em 1934 e se estende por um período de 10 anos na vida de Rosenberg, que exerceu uma forte influência sobre Hitler, mas que era bem menos conhecido do que outros assessores como Heinrich Himmler e Joseph Goebbels, cujo diário também foi encontrado. Rosenberg também escreveu “O Mito do Século XX”, um livro que defendia a supremacia ariana e as crenças antissemitas o qual em vendas somente foi suplantado pelo livro de Hitler “Mein Kampf”, durante o período nazista. Rosenberg, que tinha quase a mesma idade de Hitler, também editou um jornal nazista e supervisionou o roubo em larga escala de arte pelos nazistas e da brutal ocupação da União Soviética.

O seu diário foi publicado em alemão, pelo Museu do Holocausto e uma transcrição, também em alemão, foi postada online pelo museu, para que pudesse continuar a ser analisada por historiadores e outros estudiosos. No diário, Rosenberg relembra as suas conversas com Hitler. Ele relata como ele convenceu Hitler que a Revolução Bolchevique na Rússia estava ligada a uma conspiração global pelos judeus. Por essa razão, e outras, Rosenberg escreveu, os judeus seriam uma ameaça para a Alemanha.
O diário também revela o papel de Rosenberg na deportação de judeus alemães, austríacos e checos, e lança uma luz sobre disputas internas e lutas que existiam nos escalões superiores do Terceiro Reich para se conseguir benesses de Hitler.

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Rosenberg fazendo propaganda da filosofia nazista em 1933. Credit Georg Pahl/Bundesarchiv

“O que nos fez acreditar que este diário tem potencialmente uma grande importância histórica”, afirmou Henry Mayer, o arquivista que localizou o diário em conjunto com Wittman, “é a raridade de um diário de alguém da estatura de Rosenberg na hierarquia nazista e a sua estreita associação com Hitler e seus cargos como saqueador-chefe e assassino-chefe e, possivelmente, uma testemunha da ordem direta de Hitler autorizando a Solução final”.

Wittman notou, porém, que, embora o diário documente a evolução dos fatos que levariam ao Holocausto, o plano específico não é detalhado por ele.

“Não aparece no diário que Rosenberg ou Hitler dizendo que os judeus deveriam ser exterminados”, disse ele. “Tudo o que aparece é que os judeus deveriam ser ‘movidos para fora da Europa”.

O diário é considerado propriedade federal, mas os investigadores dizem que Robert Kempner, um promotor em Nuremberg, o manteve em sua posse depois do término dos trabalhos do tribunal. Após a morte de Kempner em 1993, os seus herdeiros entregaram vários documentos para o Museu do Holocausto, mas, ainda assim, este diário não estava entre eles.

Depois de anos de pistas falsas, Mayer, que perdeu parte da sua família no Holocausto, disse que em 2012 entrou em contato novamente com Wittman, que havia se aposentado do F.B.I. e se tornado consultor sobre segurança de arte, para propor um último esforço para encontrar este diário. Wittman então seguiu uma pista que havia chegado ao Sr. Mayer pela irmã da que havia sido a secretária e amante de Kempner. A irmã disse que tinha ouvido a sua irmã dizer a um repórter alemão que o diário tinha sido entregue para ser guardado por um estudioso de assuntos religiosos, Herbert Richardson, que dirigia uma editora em Lewiston NY, a cerca de 20 minutos de carro de Niagara Falls.

Wittman disse que foi para lá, observou em volta e sentiu que tinha boas razões para acreditar que o Sr. Richardson poderia estar de posse do diário. Ele entrou em contato com investigadores da Segurança Interna dos EUA (Homeland Security) que viajaram em fevereiro de 2013 para entrar em contato pessoalmente com o Sr. Richardson.

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Robert K. Wittman, à esquerda e  David Kinney, que escreveram o livro sobre o diário desaparecido de Alfred Rosenberg. Créditos: esquerda: Donna G. Wittman; a direita, Marjan Osman Gartland

“Ele concordou em ser entrevistado, mas ele não foi útil”, informou David Hall, um ex-promotor federal que estava envolvido no caso. De acordo com relatos sobre o caso Richardson disse que não sabia sobre a localização deste diário. Então os investigadores o informaram de que a posse se constituia potencialmente em um crime grave e entregaram uma intimação para o diário, de acordo com os registros do tribunal.  “E também nós sugerimos que ele constituisse um advogado”, disse Hall.

E semanas mais tarde, os advogados de Richardson informaram às autoridades federais que o diário havia sido encontrado.

Em entrevista o advogado de Richardson, Vincent Doyle III de Buffalo, disse que o seu cliente não tinha percebido de que o diário estava no meio de um monte de papéis dentro de caixas que mantinha em sua posse e que estavam relacionadas com Kempner.

Richardson encontrou este diário, Doyle disse, em um pacote fechado com fita adesiva dentro de uma caixa de uma loja alemã.

“O Sr. Richardson é um editor e estudioso e se soubesse que ele o tinha, provavelmente o teria publicado”, afirmou Doyle. Este diário e alguns outros documentos foram entregues às autoridades federais, em abril de 2013.

Mayer disse que ficou na sua memória o alívio que sentiu depois de uma “missão difícil” para encontrá-lo. “Eu sempre repetia para mim mesmo: ‘Não deixe estes infelizes ganharem'”, ele lembrou. “Eu senti uma grande satisfação. Foi uma missão bem cumprida”.

(Tradução Jayme Christoff)

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