Pêssah/Páscoa e Ha Matzot/ Pães Asmos


Quando o pedido para o livramento de Israel fora pela primeira vez apresentado ao rei do Egito, fizera-se a advertência das mais terríveis pragas. Foi ordenado a Moisés dizer a Faraó: “Assim diz o Eterno: Israel é Meu filho, Meu primogênito… Posto que desprezados pelos egípcios, os israelitas haviam sido honrados por D’us, tendo sido separados para serem os depositários de Sua lei. Nas bênçãos e privilégios especiais a eles conferidos, tinham preeminência entre as nações, como tinha o filho primogênito entre seus irmãos.

pessach I

            O juízo de que o Egito fora em primeiro lugar advertido deveria ser o último a ser mandado. D’us é longânimo e cheio de misericórdia. Tem terno cuidado pelos seres formados à Sua imagem. Se a perda das suas colheitas, rebanhos e gado, houvesse levado o Egito ao arrependimento, os filhos não teriam sido atingidos; mas a nação obstinadamente resistiu à ordem divina, e agora o golpe final estava prestes a ser desferido…

            Antes da execução desta sentença, o Eterno por meio de Moisés deu instruções aos filhos de Israel relativas à partida do Egito, e especialmente para a sua preservação no juízo por vir. Cada família, sozinha ou ligada com outras, deveria matar um cordeiro ou cabrito “sem defeito”, e com um molho de hissopo espargir seu sangue “os dois umbrais e sobre as vergas das portas” da casa, para que o anjo destruidor, vindo à meia-noite, não entrasse naquela habitação. Deviam comer a carne, assada, com pães Asmos e ervas amargosas, à noite, conforme disse Moisés, com:

“vossas cinturas cingidas, vossos sapatos nos pés e vossos cajados em vossas mãos, e o comereis com pressa, pois é o Pêssah do Eterno”. Shemot/Êx. 12:1-28. 

“ E o sangue será para vós por sinal, sobre as casas em que estejais lá, e verei o sangue e saltarei sobre vós, e não haverá em vós a praga do destruidor…” Shemot/Êx. 12;13

            Em comemoração a este grande livramento, uma festa devia ser observada anualmente pelo povo de Israel, em todas as gerações futuras.

“E este dia será para vós por lembrança, e o celebrareis como uma festa do Eterno por vossas gerações; como um estatuto perpétuo, o celebrareis. ” Shemot/Êx. 12:14

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            Ao observarem esta festa nos anos futuros, deviam repetir aos filhos a história deste grande livramento, conforme lhes ordenou Moisés:

“É o sacrifício de Pêssah para o Eterno, que saltou sobre as casas dos filhos de Israel no Egito…”

Shemot/Êx. 12:27

            A páscoa devia ser tanto comemorativa como típica, apontando não somente para o livramento do Egito, mas, no futuro, para o maior livramento que o Mashiach cumpriria libertando Seu povo do cativeiro do pecado/chet. O cordeiro sacrifical representa o “Cordeiro de D’us”, em quem se acha nossa única esperança de salvação/yeshu’ah. Diz Shaul/Paulo:

“…o nosso cordeiro de Pêssah, o Mashiach, foi sacrificado.” I Cor. 5:7.[1]

            Não bastava que o cordeiro pascal fosse morto, seu sangue devia ser aspergido nas ombreiras; assim os méritos do sangue do Mashiach devem ser aplicados à alma. Devemos crer que Ele morreu não somente pelo mundo, mas que morreu por nós individualmente. Devemos tomar para o nosso proveito a virtude do sacrifício expiatório. O hissopo empregado na aspersão do sangue era símbolo da purificação, assim sendo usado na purificação da lepra e dos que se achavam contaminados pelo contato com cadáveres. Na oração do salmista vê-se também a sua significação:

“Asperge-me com hissopo até que eu me purifique; lava-me até que u me torne mais alvo que a neve.” Tehilim/Salmo 51:9.

            O cordeiro devia ser preparado em seu todo, não lhe sendo quebrado nenhum osso; assim, osso algum seria quebrado do Cordeiro de D’us, que por nós devia morrer. Shemot/Êx. 12:46; João 19:36. Assim também representava-se a inteireza do sacrifício do Mashiach. A carne devia ser comida. Não basta mesmo que creiamos em Yeshua/Jesus para o perdão dos pecados; devemos pela fé estar recebendo constantemente força e nutrição espiritual dEle, mediante Sua Palavra. Disse o Mashiach:

“Sim, eu lhes digo: a menos que comam a carne do Filho do Homem e bebam seu sangue, vocês não têm vida em si mesmos. Quem come minha carne e bebe meu sangue possui vida eterna – isto é, eu o ressuscitarei no último dia…. as palavras que lhes disse são Espírito e vida.” Yochanan/João 6:53, 54 e 63.

            Yeshua/Jesus aceitou a Torah de Seu Pai, levou a efeito em Sua vida os princípios da mesma, manifestou-lhe o espírito, e mostrou o seu benéfico poder no coração. Diz Yochanan/João:

“A Palavra se tornou um ser humano e viveu entre nós, e vimos sua Sh’khinah, a Sh’khinah do Filho único do Pai, repleto de graça e verdade.” Yochanan/João 1:14.

            Os seguidores do Mashiach devem ser participantes de Sua experiência. Devem receber e assimilar a Palavra de D’us de modo que está se torne a força impulsora da vida e das ações. Pelo poder do Mashiach devem ser transformados à Sua semelhança, e refletir os atributos divinos. Devem comer a carne e beber o sangue do Filho do homem, ou não haverá vida neles. O espírito e a obra do Mashiach devem tornar-se o espírito e obra de Seus discípulos. O cordeiro devia ser comido com ervas amargosas, indicando isto a amargura do cativeiro egípcio. Assim, quando nos alimentamos do Mashiach, deve ser com contrição de coração, por causa de nossos pecados.

            Antes de obterem liberdade, os escravos deviam mostrar fé no grande livramento prestes a realizar-se. O sinal de sangue devia ser posto em suas casas, e deviam, com as famílias, separar-se dos egípcios e reunir-se dentro de suas próprias habitações. Houvessem os israelitas desrespeitado em qualquer particular as instruções a eles dadas, houvessem negligenciado separar seus filhos dos egípcios, houvessem morto o cordeiro mas deixado de aspergir o sangue nas ombreiras, ou tivesse alguém saído de casa, e não teriam estado livres de perigo. Poderiam honestamente ter crido haver feito tudo quanto era necessário, mas não os teria salvo a sua sinceridade.[2]

A Matza

            O uso dos pães asmos/matza era também significativo. Era expressamente estipulado na lei de Pêssah/Páscoa, e de maneira igualmente estrita observado pelos judeus, em seu costume, que fermento algum se encontrasse em suas casas durante a festa. De modo semelhante, o fermento/hametz do pecado devia ser afastado de todos os que recebessem vida e nutrição do Mashiach. Assim Shaul/Paulo escreve à congregação dos coríntios:

matza I

“Livrem-se do velho hametz, para poderem ser uma nova massa, porque na verdade vocês estão sem fermento. Pois nosso cordeiro de Pesach, o Messias, foi sacrificado. Dessa forma, celebremos o seder sem qualquer vestígio de hametz, o hametz da impiedade e do mal, mas com a matza da pureza e da verdade…”. I Cor. 5:7 e 8.

  1. “O fermento devia ser totalmente excluído. Ele representa maldade, a malícia (I Cor. 05:08) e a falsa doutrina, como exemplificado nos ensinos dos fariseus, saduceus e herodianos (Mat. 16:06, 12; Marc. 08:15).
  2. O fermento dos fariseus era avareza e injustiça (Mat. 23:14), cobiça (v.13), falso zelo (v.15), avaliação equivocada dos valores espirituais (v. 16-22), omissão da justiça, misericórdia e fé (v.23), meticulosidade vã (v. 24), hipocrisia (v. 25-28), intolerância (v. 29-33) e crueldade (v. 34-36).
  3. O fermento dos saduceus era o ceticismo (Mat. 22:23) e a falta de conhecimento das Escrituras e do poder de Deus (v.29).
  4. O fermento dos herodianos era a lisonja, a mente mundana e a hipocrisia (v. 16-21) e conspirar contra os representantes de Deus (Marc. 03:06).[3]

 

O Corpo do Mashiach

“Enquanto comiam, Yeshua pegou a matzah, disse a b’rakhah, partiu-a e deu aos talmidim, dizendo: “Peguem e comam; isto é o meu corpo. ” Mattityahu/Mateus 26:26

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Além disso, o pão que dou é minha carne; e eu a darei pela vida do mundo”. Yochanan/João 06:51

matsá

            Uma importante Verdade em relação a encarnação do Mashiach diz respeito a Sua humanidade, pois, diz a Escritura que em Adão todos morremos, mas no Mashiach, o segundo Adão, todos seremos vivificados, I Cor. 15:22, 45.

            Pelo fato de Yeshua/Jesus ter se tornado o segundo Adão e Ele ter dito que o “pão” a “matza sem fermento“ representava Seu corpo precisamos tirar importantes lições:

  1. Em Sua identidade Ele se tornou humano, completamente humano.
  2. E como segundo Adão era sem pecado ou tendências para o pecado, isto é, sem o “hametz”o “fermento”.
  3. Como homem foi tentado, mas não pecou.
  4. Como daria Seu corpo para morrer por nós, precisava ser sem pecado, claramente único, singular.
  5. Sua humanidade tem implicações sobre a nossa salvação e expiação.
  6. Sem o “hametz”, símbolo de uma condição pecaminosa, Ele não tinha em Sua carne os intensos transtornos que nos predispõem a prática do mal, da depravação e das tendências para a maldade, Ele não recebera uma herança de egoísmo, Ele fora o segundo Adão.
  7. Como “Pão”, embora fosse sem “hametz”, o “fermento” do pecado, Ele tornou-se parte da “massa” humana, era um irmão nosso, assumiu nossas fraquezas físicas tais como cansaço, dor, angústia, envelhecimento e finalmente a morte, o pecado introduziu tudo isso, mas estas características humanas não são pecados.

[1] As citações do Novo Testamento/B’rit Hadashah salvo outra indicação são da Bíblia Judaica Completa, editora Vida.

[2] White, Ellen Gould Patriarcas e Profetas p 273 a 280.

[3]Comentário Bíblico Adventista pág.871, vol. 1, CPB.

Autor: Rosh Wladimir.

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