Os Sacrifícios, os Dias de Festa e o Ano de 1844


 

  Para que se tenha uma compreensão do que aconteceu no final da linha profética desde o ano de 457 a.C. até o ano de 1844 d.C. é importante entender seu contexto maior. Em primeiro lugar destaca-se o livro de Daniel:

1 – O livro de Daniel é uma sequência de desdobramentos proféticos que se repetem e avançam no tempo e na história. Daniel 2 desdobra-se ampliado em Daniel 7, já Daniel 8 é um desdobramento de Daniel 7 e Daniel 9 revela alguns pontos que ficaram sem resposta em Daniel 8, há uma unidade que não pode ser perdida na hora da interpretação.

2 – O nome DANIEL significa, o Eterno é meu juiz, trazendo a mente o dia de Yom Kipur ou dia da Expiação.

3 – Em Daniel 02 é apresentada a sucessão dos principais impérios e eventos que culminam no estabelecimento do Reino de D’us. A Rocha e o Monte.

4 – Em Daniel 7:09 a 27 o Rei Messiânico é apresentado numa cena de julgamento. Glorificação.

5 – Em Daniel 8:14 vemos o Sacerdote Messiânico no Yom Kipur celestial. Intercessão e Santificação.

6 – Em Daniel 9:26 e 27 encontramos o Sacrifício Messiânico. Justificação

7 – Em Daniel 8 encontramos as figuras de um CARNEIRO e de um BODE, ambos animais associados ao ritual do santuário.

8 – Daniel apresenta um quadro associado ao cumprimento profético das Sete Festas do Calendário Bíblico, com foco no Yom Kipur/Dia da Expiação Celestial (veja Hebr. 09:21-24) que se cumpre no Santuário Celestial (veja Apoc. 11:18 e 19).

9 – Numa visão mais abarcante não podemos esquecer que no contexto geral das Escrituras a partir da Torah, Salmos e Profetas (veja Lucas 24:44) todo o sistema ritual e sacrifical eram figura e sombra das coisas celestes (veja Hebr. 08:05), que servem de parábola do que acontece hoje no calendário profético (veja Hebr. 09:09) e que consequentemente a Torah não é um fim em si mesma (veja Hebr. 10:01 a 14) e apresenta a B’rit Hadasha/Nova Aliança (vs. 15 a 17) em uma realidade Celestial (veja Apoc. 15:05).

            Sendo pontual ao propósito deste estudo, em Daniel 8:14 é apresentado um período profético que não foi explicado pelo anjo a Daniel conforme 8:26, o que o levou a ficar espantado, verso 27. Mais tarde, Daniel preocupado com uma possível extensão do cativeiro babilônico, pesquisou nos escritos de seu colega Jeremias e confirmou que o período era de 70 anos, 9:02, mas, o que seriam as 2.300 tardes e manhãs que ficaram sem explicação?

            Foi então que Daniel fez uma longa intercessão pelo Israel cativo, veja os versos 04 a 19, pedindo que Deus tivesse misericórdia, pois, Israel havia quebrado a aliança e sofria as penalidades ali impostas, verso 11.

            E enquanto ainda falava e confessava o pecado de Israel, o mesmo anjo Gabriel que estivera com ele no capítulo 8 reaparece e dá-lhe uma explicação minuciosa sobre o porquê os 2.300 anos se cumpririam em “dias ainda mui distantes 8:26 e que ele ainda não havia entendido, isto é, a parte que faltava, 9:22.

            Em Daniel 9:24 ao verso 27 são dados os detalhes, daí entendendo-se que Daniel 8 e 9 se complementam e chegam ao ano de 1844. (Veja o quadro abaixo)

 1844 3

As Festas Bíblicas e o Problema do Pecado

            D’us estabeleceu o sistema de sacrifícios diários e os dias de festa para que os fiéis pudessem entrar em íntimo relacionamento com Ele. Por isso, as ofertas poderiam ser trazidas em diferentes situações: ação de graças, expressão de alegria e celebração, dádiva, pedido de perdão, apelo penitencial, como símbolo de dedicação, ou para restituição.

            Entre os mais importantes tipos de ofertas estavam o holocausto (Lv 1) e as ofertas de cereais (ofertas de manjares; Lv 2), bem como os sacrifícios pacíficos (ofertas de comunhão; Lv 3), ofertas de purificação (Lv 4), e a oferta de reparação (pela transgressão ou pela culpa; Lv 5:14–6:7).   

            As três primeiras eram ofertas voluntárias, que deviam lembrar ao doador (e a nós) que, no fim, tudo o que somos e temos pertence a D’us. O holocausto simboliza a dedicação total de quem faz a oferta. A oferta de cereais simboliza a dedicação de nossos bens materiais a Deus, sejam eles alimentos, animais, ou qualquer outra coisa. Os sacrifícios pacíficos eram a única oferta da qual o participante recebia uma parte para consumo pessoal.

            Os outros dois sacrifícios eram obrigatórios. Relembravam às pessoas que, embora as transgressões tenham consequências, elas podem ser “curadas”. A oferta de purificação, muitas vezes chamada de “oferta pelo pecado”, era oferecida após a contaminação ritual ou depois que uma pessoa se tornava consciente de uma contaminação moral pelo pecado. ’

            Em Vaicrá/Levítico 23:04-38, encontramos o estabelecimento das Sete Festas do Calendário Bíblico:

  1. Pêssah/Páscoa,
  2. Matzah/Pães Asmos,
  3. Bikurim/Primícias,
  4. Shavuot/Pentecostes,
  5. Shofarot/Trombetas,
  6. Yom Kipur/Dia da Expiação
  7. Sucót/Cabanas.

           Leia por si mesmo os textos abaixo e veja a relação entre o que foi mostrado a Moisés e construído e o original do Céu:

Êxodo 25:08 e 09 ____________________________________________________________

Hebreus 08:01 a 05 ___________________________________________________________

Hebreus 09:09  _________________________________________________________________

Hebreus 09:24 _________________________________________________________________

Hebreus 10:01 _________________________________________________________________

Apocalipse 01:12 a 18 _________________________________________________________

Apocalipse 04:05 ____________________________________________________________

Apocalipse 05:08 ____________________________________________________________

Apocalipse 08:03  ____________________________________________________________

Apocalipse 11:19  ____________________________________________________________

Apocalipse 14:15 e 17  ________________________________________________________

Apocalipse 15:05 X Êxodo 31:18, Núm. 09:15, 18:02 (note que o Celestial é chamado de Tabernáculo dos Dez Mandamentos).

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Apocalipse 21:03  ____________________________________________________________

          Após ler os textos acima, qual conclusão podemos chegar?

          O santuário ou tabernáculo do deserto e posteriormente o Templo de Jerusalém não eram um fim em si mesmos, em realidade o “projeto” de construção usado por Moisés era baseado no original celestial. Desse modo seus serviços rituais e sacerdotais tinham um valor profético que transcendia o sistema mosaico e apontavam para uma realidade superior dentro dos propósitos de Hashem para Israel, o Mashiach e a humanidade como um todo.

O Dicionário de Judaico de Lendas e Tradições confirma a existência do santuário celestial:

        “Tabernáculo (em hebraico “mishkan”)… representava a morada de Deus em meio à comunidade (Shechiná), e tinha como modelo o santuário celestial. Seu traçado simbolizava a Criação, a estrutura do cosmo e a história futura do povo de Israel até a Idade Messiânica…”

            A revelação divina é progressiva e cumulativa, isto é, passo a passo o Eterno foi revelando Seus propósitos a humanidade através de Israel e do sistema ritual estabelecido por Ele mesmo que se cumpririam em sua realidade, isto é, no Céu.

            Assim no plano linear histórico, temos início, meio e fim, isto é, D’us em Seu relacionamento com a humanidade através de Seu povo escolhido vai desenvolvendo uma estratégia para lidar com a contingência do pecado. Essa estratégia é esboçada nas Festas do Calendário Bíblico, quando sua prática concreta apontava para uma realidade profética. Na Torah, Salmos, Profetas, Bessorá (evangelhos), Derashá (epistolas) e finalmente no livro da Revelação, Apocalipse encontramos a ação do Eterno em direção a restauração final deste planeta a harmonia universal.

Yom Kipur/Dia da Expiação

            Dentro da linha de interpretação apresentada até aqui, as sete Festas do Calendário Bíblico se cumprem na vida e obra de Yeshua/Jesus, a começar de sua morte em Pêssah/Páscoa até Sucót/Tabernáculos cumprir-se no novo céu e nova terra. (Veja a tabela abaixo)

                                        Festas Judaicas Significados Messiânicos

            Assim como o ministério do Mashiach devia consistir em duas grandes divisões, ocupando cada uma delas um período de tempo e tendo um lugar distinto no santuário celeste, semelhantemente o ministério típico consistia em duas divisões — o serviço diário e o anual — e a cada um deles era dedicado um compartimento do tabernáculo. Assim como o Mashiach, por ocasião de Sua ascensão, compareceu à presença de D’us, a fim de pleitear com Seu sangue em favor dos crentes arrependidos, assim o sacerdote, no ministério diário, aspergia o sangue do sacrifício no lugar santo em favor do pecador.

            O sangue do Mashiach, ao mesmo tempo em que livraria da condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o registro no santuário até o juízo final, o Yom Kipur celestial; assim como no cerimonial típico, o sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas este permanecia no santuário até ao dia da expiação/Yom Kipur.

            Então, pela virtude do sangue expiatório do Mashiach, os pecados de todo o verdadeiro arrependido serão eliminados dos livros do Céu. Assim o santuário estará livre ou purificado, do registro de pecado. No tipo, esta grande obra de expiação, ou cancelamento de pecados, era representada pelas cerimônias do dia da expiação, a saber, pela purificação do santuário terrestre, a qual se realizava pela remoção dos pecados com que ele ficara contaminado, remoção efetuada pela virtude do sangue da oferta para o pecado o primeiro cabrito.

“Deus ofereceu Yeshua como kapparah pelo pecado, mediante sua fidelidade no tocante ao sangue da sua morte sacrifical…” Rom. 03:24

            Assim como na expiação final os pecados dos verdadeiros arrependidos serão apagados dos registros do Céu, para não mais serem lembrados nem virem à mente, assim no serviço típico eram levados ao deserto, para sempre separados da congregação devolvidos a sua fonte de origem.

            A obra do Mashiach e o Plano da Salvação dos homens e purificação do Universo da contaminação do pecado encerrar-se-á pela remoção dos pecados do santuário celestial e a responsabilização dos mesmos sobre Satã, que cumprirá a sua pena final não pelo pecador, pois, o Mashiach/Messias já o fez, mas, por sua própria culpa e responsabilidade pessoal.

            Assim no cerimonial típico[1], o ciclo anual do ministério encerrava-se com a purificação do santuário e confissão dos pecados sobre a cabeça do bode Azazel. Em tais condições, no ministério do tabernáculo e do templo que mais tarde tomou o seu lugar, ensinava-se ao povo cada dia as grandes verdades relativas à morte e ministério do Mashiach, e uma vez ao ano sua mente era transportada para os acontecimentos finais do grande conflito entre o Mashiach e Satã, e para a final purificação do Universo, do pecado e pecadores. De 1844 até o fechar da porta da graça, quando Ele interromper Sua intercessão, cumpre-se o Yom Kipur celestial, isto é, o julgamento do povo a começar pelo de Deus e a terminar com os ímpios. 

 [1] Tipos (do grego TYPOS) são figuras que D’us utilizou ao longo da história bíblica para revelar acontecimentos futuros. Ele tem seu cumprimento na vinda do Messias. Este cumprimento é chamado antítipo. Num tipo há uma correspondência entre certas pessoas, eventos ou coisas da Bíblia Hebraica e Yeshua/Jesus na B’rit Hadashah/Novo Testamento.

 Rosh Wladimir. 

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