9 – Legitimidade do Uso da Bíblia Hebraica nos Escritos do Novo Testamento/B’rit Hadashah


 

 

                 Foram os escritores do Novo Testamento/B’rit Hadashah fiéis ao contexto original das passagens que eles citavam? Primeiramente, concedemos aos escritores do Novo Testamento o benefício de nossa crença de que eles não fariam coisa que tendesse a desacreditar todo o propósito de sua argumentação para provar que Yeshua é o Mashiach e que o plano da yeshuah/salvação entrou em uma nova fase.

                Essa nova fase significa que as fronteiras de Israel foram expandidas: que a Igreja, composta por judeus e não-judeus, está em legitima continuidade com o Israel histórico; e que as pessoas de origem não-israelita são incorporadas ou enxertadas na oliveira (Rom. 11:17-24).

Torah quiasmo 2

                Segundo, é amplamente reconhecido que o livro de Apocalipse é em muitos aspectos uma reinterpretação da Bíblia Hebraica. Uma estratégia interpretativa semelhante pode ser discernida em toda a Bíblia. Os escritos proféticos são interpretações da Torah com aplicações aos eventos contemporâneos. Semelhante, a B’rit Hadashah é uma interpretação e uma expansão da Bíblia Hebraica. A matéria de ambas as partes das Escrituras está ligada inseparavelmente. Além disso, os autores da B’rit Hadashah se referem uns aos outros. A maneira criativa com que Tiago usa material do Sermão da Montanha ou as semelhanças entre o discurso escatológico de Mateus e os sete selos do Apocalipse são apenas dois dos muitos exemplos e intertextualidade dentro da B’rit Hadashah.

                Os escritores bíblicos interpretam os escritos uns dos outros de várias maneiras e por múltiplas razões. Aqui estão exemplos:

  1. Num nível formal, ao se referirem uns aos outros, os escritores bíblicos pode desejar atingir um efeito literário ou estilístico.
  2. Os profetas aplicam a Torah a situações contemporâneas.
  3. A linguagem e imagem dos eventos muito importantes da história, tais como a criação, o êxodo, a permanência no deserto, o estabelecimento em Canaã, o exílio, são usados para descrever subsequentes atos divinos de salvação.
  4. Yeshua e os escritores da B’rit Hadashah se comunicam com pessoas imersas nas Escrituras. Eles usam uma linguagem conhecida de seus ouvintes e de seus leitores. Isto também se aplica aos profetas da Bíblia Hebraica, ao usarem eles a linguagem da Torah.
  5. Um escritor ou personagem da B’rit Hadashah pode desejar obter o apoio de uma autoridade (Mat. 04:14). No caso de Yeshua, porém, ele às vezes cita a Bíblia Hebraica para salientar sua própria autoridade.
  6. Partindo da perspectiva de Yeshua e dos escritores da B’rit Hadashah, o motivo mais importante para o uso da Bíblia Hebraica é estabelecer a autoridade e identidade messiânica de Yeshua e mostrar que ele é o clímax de Adão, dos patriarcas e de Israel. As instituições do Israel histórico, inclusive o santuário e as festividades, encontram sua finalidade e seu significado da vida do Mashiach.
  7. Às vezes, Yeshua e os escritores da B’rit Hadashah interpretam a Bíblia Hebraica como profecia. Frequentemente, essas aplicações mostram que Yeshua é o cumprimento das promessas que D’us fez a Adão, aos patriarcas, a Israel e às nações.
  8. Os escritores da B’rit Hadashah interpretam a Bíblia Hebraica usando tipologia que já está presente na Bíblia Hebraica. Indicadores tipológicos estão entremeados no texto. Tais indicadores podem ser aspectos linguísticos, temáticos ou teológicos. Também existem relações tipológicas entre vários textos da Bíblia Hebraica e da B’rit Hadashah. O sinal de Jonas, a ressurreição de Israel depois de três dias no livro de Oséias, e a morte e ressurreição Yeshua são exemplos claros de interligação.
  9. Yeshua cita a Bíblia Hebraica para mostrar como ele está em continuidade com sua revelação e para mostrar que ele implementa seus princípios. Entretanto, mesmo com tal continuidade, Yeshua excede, de longe, o que foi predito a respeito dele.
  10. Ao interpretar várias passagens da Bíblia Hebraica, os escritores e personagens da B’rit Hadashah parecem ter em mente o contexto mais amplo da passagem. A história da salvação, com seus vários componentes, é considerada por meio das lentes de uma filosofia da história pela qual o propósito de D’us é levar sua criação a uma reconciliação cósmica.
  11. Os escritores da B’rit Hadashah mostram penetrante consciência do contexto da Bíblia Hebraica. Os textos que eles citam se referem frequentemente a um local, bem como a um distante cumprimento messiânico.
  12. Embora eles sejam mais do que meros repetidores, Yeshua e os escritores da B’rit Hadashah respeitam o contexto da Bíblia Hebraica. Eles são sensíveis aos contextos da Bíblia Hebraica e à novidade do trato de D’us com a raça humana por meio de Yeshua ha Mashiach.
  13. Frequentemente, há mais em um texto do que satisfazer a vista, especialmente quando se leva em consideração o contexto. Em Gálatas 03:16, Paulo atribui um significado messiânico a palavra “semente” ou “descendente”. A mudança de um coletivo para uma simples “semente” ou “descendente” está em harmonia com o que já está inferido em Gênesis 22:17-18. Em outras palavras, a oscilação do plural para o singular indica a necessidade de considerar não somente o local, mas também o cumprimento messiânico de certas profecias da Bíblia Hebraica. Gênesis 03:15 é um daqueles numerosos textos messiânicos que dirigem a atenção dos leitores para a dinâmica das profecias bíblicas. Paulo, então, não está lendo no texto da Bíblia Hebraica que não estava lá.
  14. O uso da Bíblia Hebraica pela B’rit Hadashah está fundamentada na crença de que o Mashiach é o fim ou objetivo da Torah. A principal personagem que o testemunho bíblico antecipou remodela a interpretação da B’rit Hadashah da Bíblia Hebraica. O véu que impedia a hermenêutica apropriada é erguido e afastado somente por meio do Mashiach (II Cor. 03:12-17). Essa perspectiva que o Mashiach como o centro também está fundamentada nas próprias palavras de Yeshua quando disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 05:39). De fato, o próprio objetivo da leitura das Escrituras é contemplar a glória do Eterno e ser transformado à mesma imagem. Isto acontece à medida que o leitor está envolvido na interpretação interbíblica, cujo foco principal é o Mashiach, a revelação da glória de D’us.

Dr. Ganoune Diop

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