Participando da Raiz e da Seiva da Oliveira – V Literatura Rabínica


                    É muito interessante e reveladora a pesquisa sobre as fontes comuns para os ensinos dos p’rushim/fariseus e Ieshua e o conjunto da B’rit Hadasha/Novo Testamento, essa fonte rabínica e proto-rabínica favorecem o mesmo cenário para a controvérsia entRe eles.

                “O método de Rivkin[1] é analisar separadamente as três massas de literatura antiga que tratam dos fariseus: o Novo Testamento, final do século I d.C., o historiador judeu Josefo, final do século I d.C.; escritos rabínicos antigos, por exemplo, a Mishnah, codificados no final do século II, mas que incluem material que data de 200 a.C. Ele conclui que todos eles apresentam fundamentalmente a mesma imagem dos fariseus.

Literatura rabínica rashi

                Até recentemente, quase todos os especialistas cristãos simplesmente desconheciam a literatura rabínica. Ainda agora, muitos relutam em admitir que ela é útil para se entender o Novo Testamento. Muitas vezes os cristãos têm estado tão emprenhados em insistir na diferença entre Jesus e os outros judeus seus contemporâneos que não levam em conta a validade dos materiais mishinaicos quando estes apresentam paralelos rabínicos das ações ou dos ensinamentos de Ieshua. É bem verdade que há muito trabalho a ser feito para a análise crítica da forma e o estabelecimento das datas desses escritos rabínicos (Jacob Neusner e seus alunos trabalham duro nesta tarefa, há cinco anos).

enxerto 7

                Não obstante, se a Mishnah ou mesmo os dois Talmudes (codificados no final dos séculos IV e V, respectivamente), atribuem um ensinamento a um predecessor ou a um contemporâneo de Ieshua, a atitude lógica deveria ser aceitar sua exatidão até que alguma evidência ou prova em contrário venha a pô-la em dúvida. Essa documentação rabínica não seria, é claro, a mais forte das evidências documentais possíveis, pois os redatores tardios da Mishnah e dos dois Talmudes remodelaram o citado material para suas finalidades contemporâneas. Seria, porém, mais forte do que simples pressuposição a priori de que não é válida simplesmente porque aparece num documento codificado posteriormente. O ônus da prova está no estudioso cristão rejeicionista, não aquele que usa cautelosamente os documentos rabínicos.

                Um especialista cristão em literatura targúmica, Martin McNamara, que estudou sua relevância para o Novo Testamento, não só diz praticamente a mesma coisa, mas vai mais longe:
                “Ainda nos resta a delicada tarefa de saber como abordar material rabínico para realizar estudos do Novo Testamento. Os autores, como já dissemos, têm opiniões divergentes sobre o assunto, e muito provavelmente continuarão divergindo. Uma abordagem legitima, e provavelmente sensata, seria a seguinte: aceitar a tradição rabínica como a continuação da tradição farisaica dos tempos do Novo Testamento e anteriores a ele e considerar que ambos estão dentro do mesmo espírito. Mesmo se uma dada formulação da tradição rabínica pode ser posterior, deve-se presumir que esteja dentro do espírito do farisaísmo primitivo. É por esse motivo que podemos recorrer livremente a tradição rabínica para realizar estudos do Novo Testamento. Visto que não se pode negar um desenvolvimento posterior da tradição rabínica, deve-se, porém, ter o cuidado, de estabelecer com segurança a data de cada tradição rabínica usada em estudos do Novo Testamento… O problema do estabelecimento das datas sempre estará conosco quando usarmos esse material, e os esforços que vêm sendo feitos no sentido de aprimorar nossa metodologia quando nos servirmos deles, devem continuar. Mas os problemas para a atribuição de uma data exata a um documento específico da tradição rabínica são simplesmente contrabalanceados quando se percebe que a tradição como um todo tem toda a aparência de uma continuação da forma de Judaísmo com a qual Cristo e seus seguidores tinham o contato mais próximo”.[2]

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                O estudioso judeu Geza Vermes, na qualidade de especialista tanto em literatura quanto no Novo Testamento, apoia categoricamente essa posição:

“A literatura rabínica, habilmente manejada, ainda é a mais rica fonte para a intepretação da mensagem evangélica original e ajuda mais preciosa na busca do Jesus histórico”. [3]

 

[1] Ellis Rickin, A Hidden Revolution, Nashville, TN; Abingdonm, 1978.

[2] Palestinian Judaism and New Testament, Wilmington, Michael Glazier, 1984, pp. 177, 204.

[3] Jesus and the World of Judaism, p. 125.

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