Shavuot/Semanas/Pentecostes


Estamos nos aproximando de Shavuot, e como tal precisamos refletir em sua profundidade, e seguindo os princípios que norteiam nossa revista vamos fazer um link entre esta Festa e os acontecimentos ligados a sua comemoração a 2.000 anos atrás.

Shavuot/Semanas/Pentecostes[1]        

A Contagem do Ômer?

“E contareis para vós desde o dia seguinte ao primeiro dia festivo, desde o dia em que tiverdes trazido o ômer da movimentação – sete semanas completas serão. Até o dia seguinte da sétima semana contareis 50 dias; e então oferecereis oblação nova ao Eterno”. Vaicrá/Levítico 23:15,16.

            A partir de Pêssah, há Matzot e Bikurim e seu cumprimento profético no sacrifício do Mashiach, Seu corpo sem pecado e sua ressurreição respectivamente, devia-se comemorar, Shavuot, as sete semanas que eram contadas a partir da apresentação do molho/feixe movido, no dia 16 de Abibe, e estava ligada pelo calendário agrícola a Festa das Primícias/Bikurim (Êx. 23:16; 34:22 e Núm 28:26).

Sefirat há Ômer?

            No Judaísmo Tradicional e Rabínico o período entre Ha Bikurim e Shavuot é marcado pela contagem do Ômer, isto é, o molho agrícola foi movido diante do Eterno na Festa das Primícias e agora se passam sete semanas totalizando 49 dias, no quinquagésimo comemora-se a Festa de Shavuot (Semanas ou Pentecostes em grego), o dia cinquenta. Neste espaço de tempo reza a Cabala[3] que há 50 níveis de impureza e de elevação espiritual quando o judeu pode ser aperfeiçoado para receber a Torah.[4]

            Em obediência à ordem do Mashiach, esperaram em Jerusalém o cumprimento da promessa do Pai — o derramamento do Espírito/Ruach Hakodesh. Não esperaram ociosos. Diz o registro que:

“e permaneciam constantemente na área do templo, louvando a Deus”. Lucas 24:53.

            Reuniram-se também para, em nome de Yeshua/Jesus, apresentar seus pedidos ao Eterno. Mais e mais alto eles estenderam a mão da fé completa/emuná shelemá[2], com o poderoso argumento:

“… O Messias Yeshua, que morreu e – mais do que isso – ressuscitou, encontra-se à destra de Deus e está agora pedindo a nosso favor! ”. Romanos 8:34.

            Ao esperarem os talmidim/discípulos pelo cumprimento da promessa, humilharam o coração em verdadeiro arrependimento e confessaram sua incredulidade. Ao trazerem à lembrança as palavras que o Mashiach lhes havia dito antes da morte, entenderam mais amplamente seu significado. Verdades que lhes tinham escapado à lembrança lhes voltavam à mente, e eles as repetiam uns aos outros. Reprovavam-se por não haverem compreendido o Tsadik/Justo . Como numa sequência, cena após cena de Sua maravilhosa vida passou perante eles. Meditando sobre Sua vida pura, santa, sentiram que nenhum trabalho seria árduo demais, nenhum sacrifício demasiado grande, contanto que pudessem testemunhar na própria vida, da amabilidade do caráter do Mashiach.

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            Os talmidim/discípulos oraram com intenso fervor para serem habilitados a se aproximar das pessoas e, em seu trato diário, falar palavras que levassem os pecadores ao Mashiach. Pondo de parte todas as divergências, todo o desejo de supremacia, uniram-se em íntima comunhão. Aproximaram-se mais e mais de D’us e, fazendo isso, sentiram que era um privilégio poderem associar-se tão intimamente com o Mashiach. A tristeza lhes inundava o coração ao se lembrarem de quantas vezes O haviam mortificado por terem sido tardos de compreensão, falhos em entender as lições que, para seu bem, Ele estivera buscando ensinar-lhes.

            Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Eterno a santa unção que os devia capacitar para a obra da yeshu’ah/salvação. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que pesava sobre eles. Compreendiam que a mensagem devia ser proclamada ao mundo e clamavam pelo poder que o Mashiach prometera. Ele próprio havia aparecido aos talmidim/discípulos “durante 40 dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus”. Atos 01:03

            Os dez dias restantes foram de oração busca sincera pela presença de D’us em suas vidas o que atingiu seu clímax em Shavuot o quinquagésimo dia. 

B’rit Hadashah

            O que o Tanach/Bíblia Hebraica e a B’rit Hadashah/Novo Testamento parecem nos ensinar é que em Shavuot algo tremendamente superior havia acontecido. Durante a era patriarcal, a influência do Ruach Hakodesh/Espírito Santo tinha sido muitas vezes revelada de maneira muito notável, mas nunca em Sua plenitude. Agora, em obediência à palavra do Mashiach, os discípulos faziam suas súplicas por esse dom e, no Céu, o Mashiach acrescentou Sua intercessão. Ele reclamou o dom do Espírito para que pudesse derramá-lo sobre Seu povo:

“não escrita com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo não em tábuas de pedra, mas em corações humanos”. II Cor. 03:03.

“Aproximam-se os dias – diz o Eterno – quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para retirá-los do Egito, pois violaram Minha aliança, embora eu fosse seu Deus – diz o Eterno. Pois este é o pacto que farei com a Casa de Israel após aqueles dias – diz o Eterno: Farei com que internalizem Minha Torá em todo o seu ser e a gravarei em seu coração: serei seu Deus e eles serão Meu povo…” Irmiáhu/Jeremias 31:30-32.

“Ele nos tornou apto para o trabalho a serviço da Nova Aliança, cuja essência não é um texto escrito, mas o Espírito. Porque o texto traz morte, mas o Espírito concede vida. ”II Cor. 03:06.

            Em realidade o profeta Ieshaiáhu/Isaías havia escrito a mais de 700 anos anos que o Servo do Eterno iria morrer a semelhança dos sacríficios feitos no Templo:

“…o Eterno fez cair sobre ele  a iniquidade de todos nós, foi oprimido e afligido, mas calou e não se pronunciou. Como cordeiro que é levado para a matança, e como ovelha que fica muda ante seus tosquiadores, não abriu a boca.” (Bíblia Hebraica Sêfer)

              Em Pessach Ele é o cordeiro morto, em ha Matsá era o pão sem hametz, simbolo do pecado,em Bikurim foi as primícias dos que dormem, em Shavuot Yeshua/Jesus estabeleceria a Nova Aliança que mediante o Ruach Hakodesh/Espírito Santo que foi derramado ratificando com a inscrição dos Dez Mandamentos no coração de todo aquele que crê, primeiro do judeu e posteriormente, também, no goin escritos pelo “dedo de D’us”.

Dia Cinquenta

“Chegou a Festa de Shavuot, e os crentes estavam todos reunidos em um só lugar. Repentinamente, veio do céu um som como de um vento muito forte e encheu toda a casa na qual estavam sentados”. Atos 2:1, 2.

            O Espírito do Eterno veio sobre os discípulos que, expectantes, oravam, com uma plenitude que alcançou cada coração. O Ser infinito revelou-Se em poder a Sua congregação. Era como se por séculos essa influência estivesse sendo reprimida e, agora, o Céu se regozijasse em poder derramar sobre a congregação as riquezas da graça do Espírito. E sob a influência do Ruach, palavras de arrependimento e confissão misturavam-se com cânticos de louvor por pecados perdoados. Eram ouvidas palavras de gratidão e de profecia. Todo o Céu se inclinou na contemplação da sabedoria do incomparável e incompreensível amor. Absortos em admiração, os talmidim exclamaram: “Nisto consiste o amor”! 1 João 4:10. Eles se apossaram do dom que lhes era repartido. E que se seguiu? A espada do Espírito, de novo afiada com poder e banhada nos relâmpagos do Céu, abriu caminho através da incredulidade.[5]

            “Como Arão de dedicou ao sacerdócio, da mesma forma o Mashiach Se apresentou ao Pai. Como Moisés ungiu Arão, D’us ungiu ao Mashiach (Lev. 08:30, Salmo 45:07).

            Como Moisés aspergiu o sangue da dedicação nas vestes de Arão, assim as vestes do caráter do Mashiach foram marcadas pelo sangue da Sua morte.

            E ainda na forma humana (as vestes humanas) Ele ascendeu ao Céu, triunfante e vitorioso. Tomou o sangue de Sua expiação no Lugar Santo (no dia da ressurreição), aspergiu-o diante do trono da graça (na dedicação do Tabernáculo celestial) e Suas próprias vestes, e abençoou o povo (com o Espírito) ”.[6]

            “Quando Yeshua foi entronizado, o Pai Lhe deu o título de Sumo sacerdote, pois Shaul observou que Ele foi nomeado por D’us “sumo sacerdote” (Hebr. 05:10, no v. 4, uma palavra que indica um “chamado” para o ministério), assim como o reitor de uma universidade se dirige aos formandos chamando-os de “doutores” em seu doutorado! …[7]

“Assim disse o Eterno a meu rei: “Assenta-te e espera à Minha direita, enquanto de teus inimigos faço um descanso para teus pés…o Eterno está a tua direita; quando for despertada Sua ira, esmagará reis. Ele julgará as nações.” Tehilim/Salmo 110:0105,06. (Sêfer)

            A ascensão do Mashiach ao Céu foi, para Seus seguidores, um sinal de que estavam para receber a bênção prometida. Por ela deviam esperar antes de iniciarem a obra que lhes fora ordenada. Ao transpor as portas celestiais, foi Yeshua/Jesus entronizado em meio à adoração dos anjos. Tão logo foi essa cerimônia concluída, o Ruach Hakodesh/Espírito Santo desceu em ricas torrentes sobre os discípulos, e o Mashiach foi, de fato, glorificado com aquela glória que tinha com o Pai desde toda a eternidade.

            A B’rit Hadashah havia sido ratificada por Hashem em uma comunicação de conformidade com Sua promessa, Yeshua/Jesus enviou do Céu o Ruach Hakodesh/Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, recebera todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido sobre Seu povo.

            Sob a influência dos ensinos do Mashiach, os discípulos tinham sido induzidos a sentir sua necessidade do Espírito. Mediante a instrução do Espírito receberam a habilitação final, saindo no desempenho de sua vocação. Não mais eram ignorantes e iletrados. Haviam deixado de ser um grupo de unidades independentes, ou elementos discordantes em conflito. Sua esperança não mais repousava sobre a grandeza terrestre. Todos eram “unânimes” (Atos 2:46) e “era um o coração e a alma da multidão dos que criam”. Atos 4:32. O Mashiach lhes enchia os pensamentos; e eles visavam ao avançamento de Seu reino. Na mente e no caráter, haviam-se tornado semelhantes a seu Mestre, e os homens “tinham conhecimento que eles haviam estado com Yeshua/Jesus”. Atos 4:13.

            A promessa do Ruach Hakodesh/Espírito Santo e a Nova Aliança não é limitada a uma época ou povo. O Mashiach declarou que a divina influência do Ruach deveria estar com Seus seguidores até o fim. Desde o dia de Shavuot até ao presente, o Confortador tem sido enviado a todos os que se rendem inteiramente ao Eterno e a Seu serviço. A todos os que aceitam ao Mashiach como Salvador pessoal, o Ruach Hakodesh/Espírito Santo vem como consolador, santificador, guia e testemunha.

            Quanto mais intimamente os crentes andam com D’us, tanto mais clara e poderosamente testificam do amor do Redentor e da Sua graça salvadora. Os homens e mulheres que através dos longos séculos de perseguição e prova desfrutaram em larga escala, a presença do Espírito em sua vida, permaneceram como sinais e maravilhas no mundo. Revelaram, diante dos anjos e dos homens, o transformador poder do amor que redime na Nova Aliança.[8]

            D’us somente outorgou a Torá uma única vez, mas nós temos que recebê-la para a vida toda pela obra do Ruach Hakodesh/Espírito Santo em nosso coração.

            Somente com a ação do Ruach HaKodesh de D’us devemos nos refinar internamente, dia após dia, estágio após estágio, de modo a praticar a obediência da fé, somente Ele pode nos refinar e nos tornar melhores seres humanos e não um caminho místico de cinquenta dias conforme ensina a tradição judaica.

            E o Fruto do Ruach/Espírito é:

“Amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, humildade, autocontrole”. Gálatas 5:22

Shavuot

            Pentecostes também é chamada de Festa das Semanas, Shavuot em hebraico, por causa da contagem do Ômer, 7 dias vezes 7 dias = 49 dias, o quinquagésimo dia era o cumprimento da festa. Porém, os judeus também comemoravam a entrega da Lei no Monte Sinai, começando no dia marcado ao pôr do sol, especialmente quando aparecia a primeira estrela para não se ter dúvida que o novo dia já havia começado.

            Começando ao pôr do sol faziam uma vigília onde a Torá, os cinco primeiros livros de Moshe/Moisés eram estudados, pois se ensina que o povo de Israel cochilara ao pé do Monte, daí a necessidade desta vigília, símbolo de atenção ao grande evento da entrega da Lei a Moisés.

            Dois pães de trigo sem fermento eram oferecidos, juntamente com uma medida do trigo colhido, as primícias da nova colheita que se iniciara, e também se fazia um sacrifício de sangue juntamente com ofertas pacíficas de gratidão.

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            Durante o dia, os Dez Mandamentos eram estudados, especialmente os meninos eram ensinados sobre os preceitos do Eterno, no segundo dia a história de Rute era relatada tirando lições morais e espirituais, de uma estrangeira que havia aderido ao D’us Verdadeiro e a Seu povo.

            “A Torá relata que a Revelação de Deus diante do povo judeu foi um evento dramático e estremecedor, anuviado por uma nuvem de fumaça, relâmpagos, trovões e toques de shofar (trombeta) (Ex.19:16). Como Deus é um Ser puramente espiritual, o povo judeu não pôde vê-Lo, mas apenas ouvir Sua voz enquanto anunciava os Dez Mandamentos… a outorga da Torá teve um significado ainda maior: foi um ato de Cima para baixo, cruzou a distância infinita entre D’us e o mundo que Ele criou. Pois está escrito: “Eis que o Eterno nosso D’us, nos fez ver a Sua glória e a Sua grandeza, e ouvimos a Sua voz no meio do fogo; eis que hoje vimos D’us falar com o homem e este continua vivo”. ( Deut. 5:24)

            “… Deus permitiu que Sua Divindade descesse e inundasse o que é terreno, ao passo que permitiu que seres humanos ascendessem espiritualmente… tornaram-se, assim, os judeus, o Povo Escolhido, a “Luz entre as nações”, pois que sua missão é cumprir o propósito Divino… com a outorga da Torá, o propósito da Criação poderia começar a ser cumprido: o propósito de revelar um Deus Infinito e Transcendental dentro deste nosso mundo físico… por intermédio do povo judeu, a Torá irá consertar os receptáculos quebrados, retificando, deste modo, o estado inicial do caos e eliminando todas as formas de escuridão – o sofrimento, o conflito, a ignorância, a doença e por fim a morte.”[9]

            “De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles, e todos ficaram cheios do Espírito Santo…” Atos 2:02 ,03 e 04.

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            A outorga da Torá teve um significado ainda maior:

“Aproximam-se os dias – diz o Eterno – quando estabelecerei um novo pacto com a Casa de Israel e com a Casa de Judá. Não será como o que estabeleci com seus pais…” (Irmiáhu/Jeremias 31: 30 a 32)

            Foi um ato de Cima para baixo, cruzou a distância infinita entre Deus e o mundo que Ele criou, em Shavuot, no Pentecostes, D’us permitiu que Sua Divindade descesse e inundasse o que é terreno com o Ruach Hakodesh/Espírito Santo, ao passo que permitiu que seres humanos se tornassem Templos do D’us Vivo. Tornaram-se, com o Dom do Espírito testemunhas para D’us e “Luz entre as nações”, pois que sua missão é cumprir o propósito Divino.

Santuário Celestial

            Shaul/Paulo expressa a realidade da Nova Aliança inaugurada em Shavuot:

            “Vocês mostram ser uma carta do Messias, colocada sob nossos cuidados, não escrita com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em corações humanos”. II Coríntios 03:03. Bíblia Judaica Completa. 

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            Na falsa Nova Aliança a Lei de D’us é abolida, porém, na verdadeira a Lei de D’us é escrita, internalizada pelo Ruach/Espírito do Eterno no coração daquele que crê. Os Dez Mandamentos são a razão de ser de todo o restante da Torah.

             O remanescente de D’us será perseguido pelo Dragão, Satã exatamente por causa de sua fidelidade a Lei de D’us:

“O dragão irou-se conta a mulher e saiu para lutar contra o resto de seus filhos, aqueles que obedecem aos mandamentos de Deus…” Apocalipse 12:17

            Este povo perseguido fiel a Torah é o mesmo que testifica das boas novas eternas ao mundo todo:

“A seguir, vi outro anjo voando pelo céu com as boas novas eternas para serem proclamadas aos que vivem na terra – a cada nação, tribo, língua e povo…neste momento é necessária perseverança do povo de Deus, dos que guardam seus mandamentos e são fiéis a Yeshua. ” Apocalipse 14:12

            Somos instruídos que a “arca” continha os “Dez Mandamentos” no Santuário Terrestre, e este por sua vez é uma sombra do Celestial, é fato consequente, então, que a Lei de D’us, reflexo de Seu caráter está no Céu, a recíproca é verdadeira.

            A relação entre a Torah, os Dez Mandamentos e o Apocalipse é tão estreita que o Santuário Celestial é identificado dentro da descrição de seu contexto terreno, veja Shemot/Êxodo 26, 39,32, 38:21, B’midbar/Números 09:15, 18:02.

santuario celestial 2

            O Santuário Celestial é chamado na Nova Aliança de Santuário dos Dez Mandamentos e estes foram internalizados pelo Ruach Hakodesh/Espírito Santo no coração de todo crente em Yeshua e Shavuot foi o ponto determinante. 

Paralelo Temático[10]

           Os Dez Mandamentos tem sido muitas vezes menosprezados, mesmo por aqueles que dizem crer na Torah. Sua observância, em especial a do Shabatt, tem sido minimizada em nome de uma “guarda espiritual” em desprezo ao que está claramente escrito, porém, as Dez Palavras contém expressão do caráter de Hashem, o amor.

sábado II

               “Os primeiros quatro dos dez mandamentos (Êxodo 20:03-11) contêm três motivações para a obediência e que serão desafiados nos últimos dias:

  1. No preambulo do decálogo, vs. 02 e 03, diz “eu te tirei da terra do Egito”, então, “não terás outros deuses diante de mim”. RA. (Yeshuah/Salvação)
  2. No segundo mandamento é explicitado que todo pecado tem consequências que desestruturam a família humana e D’us pede conta disto. (Juízo)
  3. O quarto mandamento é o único que reconhece ao Eterno como Criador. (Criação)

            Portanto, há três motivações para a obediência na primeira parte da lei: Yeshuah/salvação, juízo e criação.

            As mesmas três motivações ocorrem no contexto de Apocalipse 14:06 e 07:

  1. O anjo proclama o “boas novas eternas”, isto é, yeshuah/salvação.
  2. Proclama também, “é chegada a hora de seu juízo”, isto é, julgamento.
  3. E exorta a todos “adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. ”, isto é, Criação.

             A Lei de D’us é apresentada como sendo vindicada e reafirmada nos últimos dias em preparo para o retorno do Mashiach feita pelo remanescente que é caracterizado, entre outras coisas, como sendo aqueles que “guardam os mandamentos de D’us”, veja Apocalipse 12:17 e 14:12.

A Luta contra a Torah

            O tema do Apocalipse e consequentemente do Santuário Celestial está estreitamente ligado a verdadeira e a falsa adoração, entre a luz e as trevas, entre o Mashiach e Satã e a Torah lança muita luz para o nosso entendimento.

            No capítulo 13 do Apocalipse encontramos a contrafação diabólica se oporá diretamente aos primeiros quatro dos Dez Mandamentos, que dizem a respeito do amor a D’us sobre todas as coisas: 

  1. A besta que emerge do mar exige adoração, vs. 04 e 08, em flagrante oposição ao primeiro mandamento, Êxodo 20:03.
  2. A besta que emerge da terra erige uma imagem a fim de ser adorada, vs. 14 e 15, em flagrante oposição ao segundo mandamento, Êxodo 20:04 a 06.
  3. A besta que emerge do mar “abriu a boca em blasfêmias contra Deus”, vs. 6, em flagrante oposição ao terceiro mandamento, Êxodo 20:07.
  4. A besta que emerge da terra impõe sua marca na mão e na testa, vs. 16 e 17, relacionado diretamente ao comércio e ao trabalho, isto é, “comprar e vender”. E na “testa” representando “consciência” em adoração e obediência, em flagrante oposição ao quarto mandamento, Êxodo 20:08 a 11 que nos fala quando trabalhar ou não e a quem adorar.

      É importante ressaltar que o Shabatt/Sábado, é o único dos dez mandamentos, que traz o “selo” ou “sinal”, Ezequiel 20:12, de autoridade e território do Legislador, isto é, diz quem Ele é e porque Ele tem Sua autoridade e qual o Seu domínio, isto é muito similar aos selos colocados sobre os documentos da antiguidade. 

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Assinalados nas Testas     

        Podemos entender melhor a última grande controvérsia quando comparamos com os tempos do profeta Ezequiel em que a idolatria e injustiça reinavam em Israel e os fiéis foram “assinalados nas testas” para não incorrer nos castigos dos ímpios, Ezequiel 09:04, pois, estes eram fiéis na sua adoração e não haviam se contaminado com as abominações da idolatria. De maneira similar os fiéis guardadores dos mandamentos de D’us nos últimos dias serão assinalados em sua testa, isto é, em sua consciência, veja Apocalipse 07:03, pois somente poderemos ser resgatados pela emunah no sangue do cordeiro de Pessach em reconhecimento ao verdadeiro D’us, o Eterno Criador dos Céus e da Terra.

            Os Mandamentos de D’us serão uma questão definidora na crise final porque, embora sejamos resgatados pela emunah, (Efésios 02:08, Apoc. 12:11), o julgamento final será pelas obras, (Apoc. 20:12, Tiago 01:25 e 02:08 a 13). 

        Assim, a Torah nos direciona e leva até a “idade messiânica” ao “santuário celestial” e somente com esta luz poderemos entender seu cumprimento nos últimos dias apresentadas por Yochanan/João na ilha de Patmos. 

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“…vi outro anjo voando pelo céu com a boas-novas eternas para serem proclamadas aos que vivem na terra – a cada nação, tribo, língua e povo. Ele disse em alta voz: “Temam a Deus, deem-lhe glória, porque chegou a hora do seu juízo! Adorem aquele que fez os céus e a terra, o mar e as fontes d’água”. Apoc. 14:06 e 07.”

Novas Línguas

Por ocasião de Shavuot de 2.000 anos atrás, os Talmidim receberam uma capacitação extraordinária que os levaria a romper as fronteiras de Israel. 

           “Por isto, das nações separarei para ele uma porção e entre os poderosos receberá despojo, porque expôs sua alma a destruição e se deixou enumerar entre os transgressores, pois mesmo suportando os pecados de tantos, intercedeu pelos transgressores.” Ieshaiáhu/Isaías 53:12 (Sêfer) 

            O grande propósito do Eterno é que a partir de Jerusalém a mensagem de yeshuah/salvação fosse levada a todo o mundo. 

“E passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” Verso 04b. RA

            A palavra “línguas” aqui, vem do termo grego “glossa” que segundo o Léxico Grego de Strong significa: “Idioma ou dialeto usado por um grupo particular de pessoas, diferente dos usados por outras nações. ”

“Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. ” Verso 05 RA

            Note que Lucas foi claro; “homens piedosos”, a festa era exclusivamente um evento masculino.

“Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu à multidão, que se possuiu de perplexidade, por quanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. ” Verso 06

              Muitos param a leitura aqui e interpretam que a multidão havia recebido uma capacidade sobrenatural para entender os discípulos, como se fosse uma tradução simultânea, porém:

  • Quem eram os cheios do Ruach/Espírito? Os talmidim/discípulos.
  • O dom era de línguas ou de ouvido? De línguas.

                Assim, os discípulos é que foram cheios do Espírito e receberam uma capacidade sobrenatural de falar idiomas ou dialetos dos grupos de estrangeiros presentes em Jerusalém no dia de Pentecostes. Cabe ainda o comentário que a palavra “língua” no final do verso 6 é “dialéktos”, isto é, conversação, fala, discurso, linguagem, língua ou a linguagem própria de cada povo, segundo o Léxico de Strong.

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            Continuando a leitura nos versos 07 e 08, estes destacam o espanto, perplexidade e admiração pelo fato de galileus estarem falando as línguas dos estrangeiros sem o menor traço de sotaque e com nitidez perfeita.

            Nos versos 09 a 11, é feita uma relação das nações ali representadas. Naquela época do ano, as longas viagens eram facilitadas por causa do clima, e por isto o Pentecostes, era uma festa mais intensamente frequentada, veja o mapa abaixo para se ter uma ideia melhor:

“…como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? ”Versos 11 A e 12. RA

            Neste momento acontece algo muito estranho. Estranho porque até então todos os estrangeiros estavam maravilhados com a nitidez e fluência verbal e linguística dos discípulos, todos estavam comovidos pelas grandezas de Deus, não havia confusão, não havia estardalhaço, não havia gritos ou danças, somente um grupo falava e um grupo bem maior ouvia, porém, ocorreu o seguinte:

“Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! ”Verso 13. RA

            A palavra “outros” aqui vem do termo grego “heteros” que significa: o outro, próximo, diferente, usado para diferenciar de alguma pessoa ou coisa anterior.

      • O que podemos concluir? Quem eram estes “outros” que não haviam capitado as palavras nítidas dos pregadores?
      • Quem eram os pregadores?
      • Quem eram “os todos que foram cheios pelo Espírito” e passaram a falar novos idiomas e dialetos? O verso 14 esclarece:

“Então, se levantou Pedro, com os onze…” verso 14a. RA

            Kefa/Pedro havia ficado separado do grupo principal de pregadores, os onze estavam falando aos estrangeiros, Pedro, ao que tudo indica, estava assentado observando como o Espírito de Deus agia maravilhosamente, e como seus colegas pregavam eficientemente nas línguas e dialetos do povo judeu peregrino.

            Mas, quem eram os que não estavam entendendo os fatos que ali ocorriam? O discurso de Pedro revela:

“… varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia”. Verso 14b. RA

            Pense comigo:

            A Festa do Shavuot/Pentecostes era masculina, as mulheres não tinham participação obrigatória e muito menos sairiam pregando por Jerusalém, este fato por si só seria um escândalo e Lucas não deixaria fora de sua narrativa. Lucas destaca ainda, no verso 14, que eram os 11 que estavam pregando aos estrangeiros nos idiomas e dialetos deles.

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            Ele também chama a atenção que Kefa/Pedro, que observava tudo, se indignou quando os moradores de Jerusalém, que ainda não tinham um orador para si, não estavam entendendo nada. Pedro destaca que era à hora terceira, bem, à hora primeira era 6 da manhã, assim, a hora terceira era 9 horas da manhã, lembra-se que eles estavam em uma vigília estudando a Torá?

            Agora, veja como Kefa/Pedro falava somente com os moradores de Jerusalém, leia novamente o verso 14 e note os versos 22 e 23 abaixo:

“Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis, sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos. ”RA

            Ora, Pedro não estava pregando para os estrangeiros, estes já estavam perplexos com os discursos dos 11 discípulos. Ele pregava aos moradores de Jerusalém, que estavam confusos por verem os galileus falando línguas estrangeiras, e Pedro destaca que eles já conheciam a Yeshua: “varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais”, veja bem, os estrangeiros não estavam em Jerusalém 50 dias antes de Shavuot, aliás, Yeshua não fizera nenhum milagre então, Ele foi morto.

Conclusão:

            Os doze discípulos foram cheios do Ruach Hakodesh/Espírito Santo, onze começaram a falar as línguas e dialetos dos judeus peregrinos, Pedro pregou aos judeus de Jerusalém. Porém, alguém bem observador pode dizer, a relação de nações dá um total de 16 regiões. Ok, você tem razão, mas pense comigo, quantos oradores precisaríamos para falar para um grande grupo de brasileiros, angolanos e portugueses?  Naturalmente um só, assim foi o que aconteceu em alguns casos no dia de Shavuot/Pentecostes, veja:

  1. Partos, medos e elamitas falavam a língua Persa.
  2. Naturais da Mesopotâmia.
  3. Capadócia.
  4. Ponto.
  5. Ásia.
  6. Frigia e Panfília, falavam o grego.
  7. Egito.
  8. Regiões da Líbia, nas imediações de Cirene.
  9. Romanos.
  10. Cretenses.
  11. Árabes.
  12. Judéia
    • Quantos eram os talmidim/discípulos? Doze.
    • Onze deles falavam com os onze grupos linguísticos presentes e Kefa/Pedro falava com os judeus da Judeia mesmo, mais precisamente de Jerusalém.

            Os que se aceitaram o Mashiach/Messias foram as “primícias” da humanidade apresentadas ao Eterno a semelhança do que ocorria nesta data no Templo ao se apresentar o molho da colheita de trigo, foi o primeiro grande recolhimento de pessoas no início da Era Messiânica. Assim como o Monte Sinai foi o marco para a nação de Israel com a entrega da Lei, Shavuot foi o marco da Nova Aliança com a internalização da Lei nos homens. 

            Como a saída do Egito foi a libertação da escravidão, em Shavuot/Pentecostes houve o início da libertação do Egito deste mundo para toda a humanidade, trazendo uma unidade entre judeus e gentios. O calendário profético foi exato e está se cumprindo agora mesmo enquanto você lê estas palavras.

Rosh Wladimir 

 

[1] Festa de Pentecostes, “dia cinquenta” em grego. Sete semanas, 7 x 7 = 49.

[2] Fé completa em hebraico.

[3]Cabala (hebraico, “tradição recebida”). Termo genérico para a tradição mística, porém, mais exatamente, os ensinamentos esotéricos que começaram a surgir primeiramente no sul da França e na Espanha no séc. XIII. Os cabalistas alegavam que sua tradição havia sido dada originalmente a Moisés no Sinai, junto com a Torá. A Cabala pode ser vista, no entanto, como o desenvolvimento do antigo misticismo…alguns cabalistas enfatizaram a exploração teosófica das dez Sefirot, através das quais o mundo emergiu da incognoscível Divindade por um processo de emanação… A influência da Cabala no Judaísmo esotérico foi muito ampla, oferecendo aos judeus um poderoso conjunto de símbolos místicos, disseminando a crença na transmigração das almas, estabelecendo novos rituais e costumes, influenciando a Halachá e conferindo respeitabilidade às práticas de magia, como elementos da Cabala prática”. Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, Alan Unterman, Jorge Zahar Editor, pág. 53.

[3] “Mas antes que isso aconteça, temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, ou seja, tentar atingir o 49º nível de elevação espiritual.  Para o Povo Judeu chegar a se deparar com o Infinito e receber a Sua Torá, não bastou deixar o Egito. Foi necessário não apenas anular, mas reverter o seu estado espiritual anterior. D’us os removera dos 49 níveis de impureza espiritual, mas, uma vez livres, cabia a eles elevarem-se aos 49 níveis de pureza espiritual para que estivessem aptos a se deparar com o Infinito e receber Sua Torá, expressão de Sua Vontade e Sua Sabedoria. ”  A Contagem do Ômer, Revista Morashá, Edição 79 – março de 2013, http://www.morasha.com.br/ 10/03/2015.

 

[4]“Mas antes que isso aconteça, temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, ou seja, tentar atingir o 49º nível de elevação espiritual.  Para o Povo Judeu chegar a se deparar com o Infinito e receber a Sua Torá, não bastou deixar o Egito. Foi necessário não apenas anular, mas reverter o seu estado espiritual anterior. D’us os removera dos 49 níveis de impureza espiritual, mas, uma vez livres, cabia a eles elevarem-se aos 49 níveis de pureza espiritual para que estivessem aptos a se deparar com o Infinito e receber Sua Torá, expressão de Sua Vontade e Sua Sabedoria. ”  A Contagem do Ômer, Revista Morashá, Edição 79 – março de 2013, http://www.morasha.com.br/ 10/03/2015.

 

[5] White, Ellen G., Atos dos Apóstolos, pág. 38.

[6] White, Ellen Gould, Youth’s Instructor, 25 de julho de 1901.

[7] Hardinge, Leslie, With Jesus in His Sanctuary, págs. 342 e 343. Lição Escola Sabatina janeiro a março de 2003. Pág. 118.

[8] Idem, pág. 49.

[9]Revista Morashá, 32, artigo “Shavuot, o propósito da Criação” autor Tev Djamal.

[10] Adaptado de Jon Paulien, Revista Teológica do Salt-Iane 3:1, janeiro a junho de 1999, pág. 92.

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