Ieshua ou Jesus, ou Ambos?


               Como parte da herança que recebemos, a importância de saber o que o contexto original judaico nos ensina sobre certos assuntos é fundamental. Vivemos em tempos onde todo o tipo de ensinamentos circula com grande facilidade pela Rede e pessoas sinceras tem buscado respostas para suas dúvidas ou para obter mais conhecimento para não ficar em dúvida. Portanto, trazemos mais uma colaboração sobre um assunto que tem trazido uma boa polêmica, somando-se com os outros três que já temos publicado anteriormente, “O Nome de Jesus e a Calúnia da Onolatria – Breve análise da evidência epigráfica, literária e arqueológica”[1],  o segundo, “Era o Seu Nome Yehoshua?”[2], e o último, “O Significado do Nome Jesus/Ieshua”[3]. Agora, lhe apresentamos o quarto e esperamos que o texto ajude a sua pesquisa pessoal.

                “Podem-se traduzir nomes próprios? Seriam as traduções para o hebraico, presentes no texto na B’rit Hadashah/Novo Testamento, uma evidência de que este foi escrito em grego?

                Na B’rit Hadashah, doravante NT, ocorre várias traduções de palavras para o hebraico, e isso somente faz sentido num texto que foi escrito originalmente em grego. Veremos, a seguir, alguns exemplos de traduções de nomes do hebraico para o grego e vice-versa (inclusive nomes próprios) feitos no NT e que indicam que este foi escrito originalmente em grego:

  • Exemplo 1 – “Ora, existe ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões” (Jo 5:2) .

                Betesda significa “casa da misericórdia” e o autor traduziu para o hebraico a fim de que os leitores que não fossem familiarizados com esta língua entendessem melhor, isso indica que o original era em grego.

  • Exemplo 2 – “Ouvindo Pilatos estas palavras, trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, no hebraico Gabatá” (Jo 19:13).

                No caso anterior trata-se de um nome próprio de lugar que é traduzido do grego liqostrwton (litostronton = Pavimento).

                Esta tradução foi feita para explicar que se estivesse escrevendo no hebraico o nome seria Gabatá que traduzido para o grego em que foi escrito o NT significa Litostroton.

  • Exemplo 3 – “Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico. João 19:17.

                Tanto Calvário (grego = cranion) quanto Gólgota (heb.) significam “caveira” ou “crânio”. Aqui, mais uma vez se percebe a tradução de nome próprio e a origem grega do manuscrito bíblico que precisava traduzir palavras para que leitores entendessem que os fatos estavam sendo descritos em grego.

  • Exemplo 4 – “Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)!” (Jo 20:16).

                Esta passagem também mostra como o texto original foi escrito em grego, pois foi necessário traduzir para os leitores gregos que a palavra grega didaskalos (que significa mestre) em hebraico é Raboni. Se o NT estivesse descrevendo a história em hebraico, não teria sentido dizer que ela falou em hebraico e nem seria preciso dizer para um leitor hebreu que Raboni significa didaskalos (em grego)!

  • Exemplo 5 – “Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom” (Ap.16:16).

                Os leitores gregos não sabiam como se chamava em hebraico, por isso o apóstolo precisou explicar.

  • Exemplo 6 – “Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. O nome de Jesus em hebraico, latim e grego” (Jo 19:19 e 20).

                Ora, em hebraico seria Yehoshua ( ) ou Yeshua (); em latim em qualquer época da história seria Iesus (com som de “z”) e em grego dos dias de Jesus ou de hoje seria Iesous  (). O povo precisava dessa transcrição em três idiomas diferentes. Mesmo porque os caracteres ou letras, conforme se pode ver em hebraico, latim e grego são diferentes! Portanto, aqui temos os nomes escritos corretamente em cada língua em que foi escrita.

Jesus Cristo.jpg

Jesus e o nome “Pedro”:

“E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores” (Mt 4:18, grifo suprido).

“E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)” (Jo 1:42, grifo suprido).

                De fato, a tradução de Pedro (em grego é Petrus, pedra) e em Hebraico/aramaico é Cefas (também significa “pedra”). Simão possuía um nome grego traduzido para o aramaico e vice-versa. A própria expressão “quer dizer”, usada pelo escritor bíblico, indica que Pedro “traduzido” significa Cefas.

Transliteração

                O que é Transliteração? É o uso dos caracteres de uma língua para reproduzir a escrita e som de outra língua. (Novo Dic. Aurélio)

                Exemplo: Cefas que vem do aramaico/hebraico é transliterado como Khfa/j (Kefas) em grego.

Tradução

                O que é Tradução? É dar o significado da palavra em outra língua. “O ato de converter uma linguagem em outra” (Novo Dic. Aurélio).

Tradução e Transliteração: 

  • Cefas (heb./aram.) – transliterado para o grego = Kefas 
  • Cefas – traduzido para o grego = Petros (pedra).
  • Petros – transliterado para o português = Pedro
  • Petros – traduzido para o português = Pedra

profeta II

Exemplos de nomes próprios de pessoas e lugares transliterados e traduzidos:

                A transliteração em português do nome do lugar onde Jesus foi morto é Gólgota (heb.) é traduzido em latim como Calvário e em português como Caveira.

                A transliteração Gabatá vem do hebraico, lugar onde Jesus foi interrogado, é traduzido em grego como Litostroton, que em português é traduzido como Pavimento.

                A transliteração do nome hebraico de Pedro é Cefas (heb.) que é transliterado para o grego como Kefas, mas é traduzido para o grego como Petros.

                No entanto, no caso do nome de Jesus, não se trata de uma tradução, mas de uma pronúncia e escrita de acordo com o idioma grego (Iesous), latim (Iesus) ou português (Jesus) dos hebraicos/aramaicos Yeshua ou  Yehoshua.

 

Há variação na transliteração de nomes?
                Qual a escrita e a pronúncia correta do Nome de Jesus?

                É necessário levar em conta que a escrita e a pronúncia corretas são aquelas que estiverem de acordo com as normas e as características do idioma da pessoa que estiver pronunciando o nome.

                Elas estarão corretas dependendo da índole do idioma do país onde são pronunciadas. Isto se pode comprovar de várias formas

                Por exemplo, a escrita e a pronúncia corretas dos nomes das pessoas variavam de acordo com a região onde moravam, mesmo no antigo Israel. Isso também acontece com o idioma de outros países.

                Quando se pronuncia um nome estrangeiro muitas vezes não se consegue repetir o som da palavra da mesma forma que os nativos. Isso ocorre por algumas razões.

                Alguns sons que existem em alguns idiomas não são usados em outros e por isso as palavras são pronunciadas da maneira mais próxima que a língua adotiva tem da estrangeira

                Por exemplo, os que falam espanhol têm dificuldades com alguns sons do português que eles não usam, como o som de “jota” como em jibóia e o de “ão” como em João.

                A tendência dos hispânicos é pronunciar o “jota” de “Juan” com som próximo ao “r” em português ou do “h” em inglês como em “horse”. Assim, João para eles é pronunciado mais ou menos como Ruan em português.

                Outros exemplos: William em inglês é Guilherme em português; Tiago em português é James em inglês; Eliazar é outra forma para Lázaro;

                Elizabete corresponde ao mesmo nome de Isabel; Yaakov em hebraico é pronunciado como Iakob em grego, como Jacob em inglês, Jacques em francês e Giácomo em italiano (cinco escritas e pronúncias diferentes).

Jesus nomes

                Yohanan em hebraico corresponde a João em português, Ioannes em grego, John em inglês, Jean em francês, Geovanni em italiano, Juan em espanhol e Johannes em alemão (oito escritas e pronúncias distintas!).

                Outro motivo é a variação de pronúncia no aramaico/hebraico original segundo a Encyclopaedia Judaica, esta foi modificada e aramaizada pelos massoretas.

                Assim, Jesus deveria ser pronunciado conforme o hebraico original ou com sotaque de algum dos diversos dialetos do aramaico que era a língua dos assírios e babilônios?[4]

                Lembrando que foi a partir dos cativeiros que o aramaico, a língua dos pagãos, se tornou o idioma adotado pelos israelitas.[5]

                A Bíblia dá exemplo de que um nome pode passar por modificações de uma língua para outra em Apoc.9:11:

“o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom e em grego Apoliom.”

                Aí está um exemplo bíblico que mostra um mesmo nome próprio com duas escritas e pronúncias quando usado em grego e em hebraico.

                “Contudo deve ser aceito que mudanças afetaram letras vogais (assim como o texto consonantal) à medida que formas ultrapassadas foram superadas por outras que as substituíram posteriormente, e isto é mostrado pelas variantes nas leituras que ocorrem nas passagens “vulgares” da Bíblia encontradas em Qumran.”[6]

                “Alguns dos problemas relacionados à consistência no uso de nomes próprios já foram mencionados. Como já destacado, a tendência tem sido anglicizar [escrever e pronunciar ao estilo inglês] os primeiros nomes onde for apropriado. Isto tem sido feito mesmo em certos exemplos nos quais a própria pessoa não usa aquela forma.”

                “Assim um judeu alemão escreveria seu nome (provavelmente em letras hebraicas) como Schlomo ou Salomon, mas – como é costume em palavras padrão de referência em inglês – todas aparecem como Solomon.”

                “Todo esforço foi feito para dar a pronúncia do sobrenome como a própria pessoa a pronuncia – mesmo se isto significa que o nome mais comum como Berdichevski aparece como Berdyczewski e Moisés Glikson aparece como Gluecksohn, sendo estas as formas que eles mesmos usaram.”

escrever

                “Contudo, ainda permanecem alguns problemas. O que fazer com pessoas que nunca escreveram seus nomes, tanto quanto se sabe, em caracteres latinos? Por exemplo, se o nome de tal pessoa Ravinovich [em hebraico], é para ser transliterado Rabinowitz, Rabbinowitz, Rabbinowicz, Rabbinovich ou Rabinovitch, ou por qualquer outra das transliterações conhecidas, todas das quais são legítimas? Não há resposta pronta. Em alguns exemplos, há precedentes para seguir; em outros, o precedente tem que ser inventado. ”

                “Nós estamos conscientes de que consistência nem sempre é possível. Em alguns casos a inconsistência é deliberada. Um homem vivendo em um país de fala alemã teria escrito seu nome Hirsch. Mas para um homem com seu nome na Europa Oriental não há razão para usar a forma alemã de transliteração, em tais exemplos a norma Yiddish (ou inglês familiar) de transliteração tem sido seguida e o nome aparece Hirsh.”[7] Assim, tanto a pronúncia como a escrita de qualquer nome sofrem alterações quando passam de um idioma para outro.

                A questão na Bíblia sobre o nome de D’us é não desonrá-lo rejeitando-o, indo após outros deuses, esquecendo-O e assim por diante. A questão na Bíblia é a pessoa de D’us e jamais a temática da pronúncia, inventada por alguns grupos. Portanto, há várias formas de se transliterar um nome, de acordo com cada idioma e isto altera a escrita e a pronúncia da palavra, mesmo sendo nome próprio.

                A posição que elege apenas uma pronúncia e escrita para o nome de Jesus não tem base em regras de tradução do hebraico/aramaico, ou prática “correta” dos judeus e nem na “verdadeira forma de escrever e pronunciar”.

                As “provas” que apresentam diferem da prática que judeus informados e cultos utilizam para transferir nomes do hebraico para outro idioma. Também diferem da prática da Bíblia.

                Vejamos outras citações importantes:

  1. Encyclopaedia Barsa/Britannica do Brasil (Barsa/Britannica) sobre o nome de Jesus:
  • “O nome Jesus vem do hebreu Jeshua, ‘Deus é o seu auxílio’ ou Deus é a salvação.’”

Enciclopédia Barsa. Vol. IX. RJ, SP: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda, 1995, verbete “Jesus Cristo”, p. 459.

  1. A Enciclopédia Mirador declara que o nome de Jesus em sua forma arcaica escrevia-se em português “Jesu” (em 1700) e “Jasu”, e, no italiano, “Gésu”.
  • Estas formas eram adaptações do hebraico ou aramaico tardio “yeshua” ou “Jeshua” feitas pelo latim e grego e que também foram adaptadas no português.

Enciclopédia Mirador Internacional. SP/RJ: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda, 1981, Vol. 12, p. 6488.

  1. A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) respondendo uma consulta sobre o nome de Jesus diz:
  • “Esse nome, transliterado para o grego como Iesous, é hebraico e vem de Yeshua.”

Sociedade Bíblica do Brasil. Jesus Cristo ou Yeshua Hammaschiah? 1995. (Grifo suprido). Disponível em: http://www.sbb.org.br Acesso: em 15 de maio de 2008.

  1. A Encyclopaedia Judaica diz que Jesus é o mesmo Josué.
  • “Jesus é a forma grega comum do nome hebraico Josué”.

Encyclopaedia Judaica. “Bible Translations”. (grifo suprido).

  1. O The Theological Dictionary of the New Testament diz:
  • “Iesous, de origem hebraica.”

Theological Dictionary of the New Testament, p. 284, 360. In: BUSHELL, M. S. Bible Works for Windows, 1996.

  1. O Dictionaire Grec-Français citado no parecer da Sociedade Bíblica do Brasil:

                “Iesous” não é nome de nenhum deus da mitologia grega, tanto que não aparece em nenhum clássico grego. Ver, por exemplo, o Dictionaire Grec-Français (1.868 páginas), de C. Alexandre, que, no apêndice de nomes históricos, mitológicos e geográficos, traz no verbete Iesous apenas o seguinte:

  • “Jesus, nome hebraico.”
  1. O Analytical Hebrew and Chaldee Lexicon de Benjamin Davidson diz que:
  • Yeshua é o mesmo que Yehoshua ou Hoshua que em inglês e em português é traduzido com Joshua ou Jesus.

DAVIDSON, B. Analytical Hebrew and Chaldee Lexicon: every word and inflection of the Hebrew Old Testament arranged alphabetically and with grammatical analyses. Hendrickson Publishers, Inc. Massachusets, EUA, 1981, p. 172.

  1. Também o léxico de grego do Novo Testamento da Zondervan diz que Iesous é a forma grega do hebraico Yeshua. Diz o léxico:
  • “Iesous, ou, o, heb. [;vuAhy, [Yehoshua] contração heb. [;WvyE [Yeshua] um salvador, Jesus, Mt. 1:21, 25; 2:1 e seguintes; Josué, At 7:45; Hb 4:8; Jesus, um judeu cristão, Cl 4:11.”

The Analytical Greek Lexicon. Zondervan Publishing House, Michigan, 1977, p. 200. (grifo suprido)

                Este nome Iesous (Jesus) é a forma grega do hebraico/aramaico tanto no grego coiné (grego antigo usado para escrever o Novo Testamento) como em grego moderno.[8]

GREGO KOINÉ.jpg

                Na Bíblia grega as letras finais do nome mudam de acordo com a função sintática do nome na frase. O exemplo do nome de Jesus em grego:

  1. Iesous,
  2. Iesou,
  3. Iesoi,
  4. Iesō,
  5. Iesoun. 

                Vejamos outros exemplos:

                Exemplo de Moisés, na Bíblia em grego encontra-se a variação

  1. Mouses,
  2. Mousen,
  3. Mouseus.

                Exemplo de Cristo – em grego aparecem várias formas como

  1. Christos,
  2. Christou,
  3. Christō,
  4. Christoun. 

 

                No entanto, trata-se do mesmo nome e da mesma pessoa, mas a escrita e a pronúncia muda por causa da terminação que identifica sua função na frase se é substantivo, objeto direto/indireto, vocativo, etc.

                Portanto:

                Tanto a forma portuguesa quanto à forma grega nada tem a ver com qualquer deus pagão e nem foram invenção de qualquer grupo religioso. Todos os bons dicionários e léxicos tanto do hebraico quanto do grego dizem que o nome Jesus vem do hebraico e que Iesous (grego) também vem do hebraico. Essa informação é compartilhada pela Encyclopaedia Judaica.

 Jesus nomes

A Septuaginta, o texto hebraico do Tanach e o nome “Jesus”.

                A Septuaginta (LXX), a tradução do Tanach do hebraico para o grego cerca de 200 a 300 anos antes de Jesus, existiu? Como a LXX procedeu na tradução do nome Yehoshua ou Yeshua para o grego?

                Suzanne Daniel declara o seguinte[9]:

                “Junto com o Novo Testamento, a Septuaginta se constituiu a Bíblia da igreja cristã e ela é ainda a Bíblia da Igreja Grega Ortodoxa. O número de manuscritos ainda existentes é considerável. ”

                Sobre as descobertas de manuscritos da Septuaginta ela continua:

                “Elas têm sido suplementadas por descobertas recentes de fragmentos de papiro, os quais geralmente datam do segundo ao nono século; uns poucos deles datam do segundo século antes de Cristo e um número de fragmentos das cavernas de Qumran também dão testemunho de uma Septuaginta pré-Cristã.”

                “O Antigo Testamento [da Septuaginta] contém a tradução de todos os livros do cânon hebraico.”[10]

                O fato de os judeus não usarem amplamente a LXX deveu-se a dois fatores:

(1) os autores dessa tradução se basearam em vários textos hebraicos disponíveis na época em que a LXX foi traduzida, diferindo do “texto padrão” em hebraico estabelecido posteriormente.

(2) por causa do seu uso amplamente difundido entre os cristãos.

                Os judeus que falavam grego, tradutores da Septuaginta:

                “[…] tinham usado uma técnica bastante flexível e não tinham trabalhado em um original padrão. Os desvios resultantes se tornaram mais desconcertantes quando o cânon hebraico foi fixado definitivamente. Isso pode explicar a insatisfação dos judeus pela Septuaginta, uma atitude que foi sem dúvida agravada pelo seu entusiástico uso pelos cristãos.”[11]

                Nessa tradução (LXX), como já apresentado anteriormente, os nomes em hebraico/aramaico Yehoshua (Josué capítulo 1:1) e outras passagens e Yeshua (Neemias 8:17) e outras passagens, foram traduzidos por Iesous (nominativo), Iesou (genitivo/vocativo), Iesoi (dativo) e Iesoun (acusativo) dependendo da função gramatical do nome na frase.

                O mesmo acontece com todos os nomes quando usados na língua grega: são declinados e passam a ter variações no final do nome. Moisés, Elias, Isaias, Pedro, Tiago, João, Tadeu, todos têm essa declinação (variação no final do nome).

                Pela LXX também se pode desfazer a fantasia de que o nome de Jesus é de origem pagã, nome de deus pagão e que foi invenção da igreja católica e dos protestantes, pois, pela LXX se comprova que o nome de Jesus aparece em grego (Iesous), cerca de duzentos anos antes de Cristo, exatamente da forma como alguns especulam que somente foi aparecer no século IV d.C.

septuaginta I

                A própria Encyclopaedia Judaica declara que a LXX é autêntica.

                “Mas pelo menos no terceiro século a.C. a pronúncia do nome YHWH foi evitada e Adonai “o Senhor” a substituiu, como evidenciado pelo uso da palavra grega Kyrios “Senhor” por YHWH na Septuaginta, a tradução das Escrituras Hebraicas que foi iniciada por judeus que falavam grego naquele século. Onde a forma combinada Adonai YHWH ocorre na Bíblia, esta era lida como Adonai Elohim, “Senhor Deus”.[12]

                Outros especialistas dizem o mesmo, como os membros da Sociedade para a Pesquisa das Escrituras Aramaicas em Israel (que publicaram uma tradução da Peshita aramaica com tradução hebraica paralela).

                “A Septuaginta tradução grega da Bíblia, iniciada no terceiro século antes de Cristo em Alexandria, foi amplamente usada nas comunidades judaicas do mundo Mediterrâneo, e mesmo em algumas sinagogas de Jerusalém e Cesárea. ”[13]

                Vários manuscritos (da LXX) e citações dela em obras de autores cristãos e judeus estão disponíveis ainda hoje para os estudiosos com seu texto em grego, produzido pelos judeus de mais de dois séculos antes de Cristo.

                Na LXX as formas hebraicas Yehoshua e Yeshua, são traduzidas pela forma grega Iesous. Portanto, a LXX é uma tradução feita antes de Cristo, foi usada pelos cristãos no primeiro século e nela o nome de Jesus é Iesous.”

 

Autor: Demóstenes Neves da Silva, Mestre em Teologia. O texto é de alguns capítulos selecionados e adaptados por HJ do livro: Yehoshua – Perguntas e Respostas – O significado e a origem do nome de Jesus: uma abordagem histórica e bíblica. CePLib – Salt – 2008.   

               

[1] https://herancajudaica.wordpress.com/2015/04/21/o-nome-de-jesus-e-a-calunia-da-onolatria-breve-analise-da-evidencia-epigrafica-literaria-e-arqueologica-2/

[2] https://herancajudaica.wordpress.com/2015/04/08/era-o-seu-nome-yehoshua/

[3] https://herancajudaica.wordpress.com/2016/03/25/o-significado-de-jesusieshua/

[4] Encyclopaedia Judaica.  “Hebrew Language”. Ver também The New Covenant Commonly Called The New Testament – Peshita Aramaic Text with a Hebrew Translation. Edited by The Aramaic Scriptures Research Society in Israel. Jerusalém: The Bible Society, 1986. ii.

[5] Encyclopaedia Judaica.  “Hebrew Language”. Ver também The New Covenant Commonly Called The New Testament – Peshita Aramaic Text with a Hebrew Translation. Edited by The Aramaic Scriptures Research Society in Israel. Jerusalém: The Bible Society, 1986. ii.

[6] Encyclopaedia Judaica. “Massoretic text” (grifo suprido).

[7] Encyclopaedia Judaica. “Editor’s Introduction”.

[8] Conforme Bíblia Online. Sociedade Bíblica do Brasil,1999.

[9] Encyclopaedia Judaica. Suzanne Daniel. Associate Professor of Judeo-Hellenistic Literature, the Hebrew University of Jerusalem.

[10] Idem.

[11] Idem.

[12] Encyclopaedia Judaica. “The Name of God. Also: Divine epithets;  Names of God;  Shaddai;  Tetragrammaton;  YHWH”.

[13] The New Covenant Commonly Called The New Testament – Peshita Aramaic Text with a Hebrew Translation. Edited by The Aramaic Scriptures Research Society in Israel. Jerusalém: The Bible Society, 1986. Notas do Editor.

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