Racismo e nacionalismo: o ensino bíblico


Qualquer manifestação de racismo, etnocentrismo, nacionalismo, tribalismo ou sistema de castas é inaceitável, não somente do ponto de vista humanitário, mas também a partir da perspectiva bíblica.

De forma geral, qual é a definição de raça e nação? Uma fonte define raça como um “grupo ou categoria de pessoas ligadas por uma origem comum.”1 Outra diz que o conceito de raça pode incluir algumas diferenças físicas que distinguem um grupo de pessoas de outro, mas esclarece que, de acordo com o conhecimento científico atual, “as diversidades reconhecidas nos seres humanos não são baseadas em uma definição biológica de raça.”2 Na verdade, essa afirmação encontra corroboração no fato de que “todos os grupos humanos compartilham o mesmo tipo de sangue, são férteis entre si e podem receber e doar órgãos através das assim chamadas fronteiras raciais.”3 Conforme usados neste artigo, os termos raça e etnia4 são praticamente sinônimos e, este último, em termos de povos antigos, poderia ser minimamente definido “como identidade de grupo”.5

racismo

Semelhantemente, o conceito de nação tem sido definido como um “grande grupo de pessoas unidas por descendência comum, história, cultura ou língua, habitando um estado ou território particular”.6 Desses dois conceitos derivam os termos “racismo” e “nacionalismo”. Racismo, “na verdade, designa duas coisas muito diferentes. Por um lado, é uma questão de comportamento, geralmente uma manifestação de ódio ou desprezo para com indivíduos que têm bem definidas as características físicas diferentes das suas; por outro lado, é uma questão de ideologia, uma doutrina sobre raças humanas”.7 O nacionalismo, por sua vez, pode ser definido como “um senso de solidariedade coletiva dentro de fronteiras geográficas e culturais identificadas”,8 embora, muitas vezes, o nacionalismo possa evoluir para uma ideologia exclusivista, na medida em que se postula a superioridade de uma nação sobre outra ou de um grupo de pessoas sobre outro. Para o nosso propósito, nacionalismo, racismo e tribalismo são elementos de um único problema: a dificuldade dos seres humanos para aceitar o “outro” étnico ou cultural.

Nossa abordagem ao tema está dividida em quatro seções: 1) raça e nação na Bíblia; 2) reflexão teológica sobre a diversidade étnica; 3) respostas bíblicas para o racismo e o nacionalismo e 4) conclusão.

Raça e nação na Bíblia

Deve-se ter cuidado para não impor preocupações contemporâneas sobre as Escrituras. Noções modernas de racismo ou nacionalismo são estranhas aos escritores bíblicos. No entanto, nacionalismo e racismo também podem ser definidos como sentimentos de superioridade em relação a outras culturas, e este certamente foi um problema nos tempos bíblicos. Para os gregos, os estrangeiros não familiarizados com a língua e cultura gregas eram bárbaros; para os judeus, os não judeus eram gentios.9 Além disso, os termos comuns usados no Tanach para transmitir a ideia de raça ou etnia são: gôy (555 vezes) e ‘am (1.866 vezes). Apesar de uma considerável sobreposição semântica, gôy designa nações e pessoas como entidades políticas e sociais, ao passo que ‘am salienta parentesco e se refere mais frequentemente a Israel como povo de Deus.10 A B’rit Hadashah usa ethnos (164 vezes) elaos (143 vezes) para denotar pessoas ou nações. No uso comum, no entanto, ethnos refere-se mais a nações, gentios, incrédulos e até mesmo não israelitas gentios cristãos,11 ao passo que laos tende a designar o povo de Deus12 como ‘am no Tanach. Dois outros termos também podem ser observados. Um deles é phyl˜e (31 vezes), que significa raça ou tribo e pode se referir às doze tribos de Israel (tanto historicamente a Israel, como metaforicamente aos cristãos) ou às tribos da Terra, no sentido de povos e nações.13 O outro é genos (21 vezes), que transmite a noção de família e de país, entre outros, e, portanto, pode ter conotações étnicas.

xenofobia

Após examinar alguns dados linguísticos, voltamo-nos para a chamada Tábua das Nações (Gênesis 10) que proporciona uma visão geral dos povos e etnias nas fases iniciais da história do mundo. Um exame detalhado desse quadro indica que a variedade de nações e povos constitui o pano de fundo para as promessas subsequentes de que as nações da Terra seriam abençoadas.14 A conveniência de uma diversidade de etnias e nações parece implícita no mandado de “enchei a Terra” (Gênesis 9: 2). Isso pode explicar em parte por que os construtores de Babel enfrentaram o juízo de Deus (Gênesis 11:1-9): eles resistiam à ordem divina para encher a Terra. Ao confundir a sua linguagem e os espalhar sobre a face da Terra, Deus trouxe a diversidade de famílias, nações e grupos étnicos que finalmente encheram o Planeta. Posteriormente, Deus chamou Abraão para ser uma bênção para “todas as famílias da Terra” (Gênesis 12:3).

Um aspecto interessante do plano inclusivo e soberano de Deus para o mundo inteiro também deve ser mencionado: Deus concedeu terra não só para Israel, mas também para outras nações. Ele deu posses para Esaú (Deuteronômio 2:5), para os moabitas (Deuteronômio 2:9) e para os amonitas (Deuteronômio 2:19). Amós diz que o Senhor agiu no interesse de outras nações de uma forma que relembra o evento do êxodo: Ele trouxe os filisteus de Caftor e os sírios de Quir (Amós 9:7). Deuteronômio 32:8 reitera: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel.” Os profetas clássicos imaginaram um tempo em que as nações viriam a Jerusalém para adorar ao Senhor e aprender Suas leis (por exemplo, Jeremias 50:5; Zacarias 8:21-23; 14:16-21).

É certo que o Tanach também contém oráculos de julgamento contra as nações. No entanto, essas mensagens não implicam qualquer vestígio de preconceito étnico ou racial. Na verdade, mesmo Israel e Judá muitas vezes receberam julgamentos mais severos (ver, por exemplo, Amós 7:8, 15; 8:2). As nações não são julgadas em função de sua “alteridade” étnica ou racial, mas com base em sua lealdade para com a aliança eterna de Deus.15 Em nenhum lugar da Bíblia, identidades nacionais, raciais ou étnicas recebem avaliação negativa. A eleição de Abraão e seus descendentes para se tornarem o povo especial de Deus não ocorre em detrimento das nações, conforme mencionado acima. Contra todas as probabilidades (Deuteronômio 7:7; 26:5), Abraão, e mais tarde Israel, receberam a missão de se tornar uma bênção para todas as famílias da Terra.

Elias Brasil de Souza é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, EUA. E-mail: souzae@gc.adventist.org.

Este texto é uma versão resumida e ligeiramente editada do artigo publicado pela Revista Diálogo Universitário, você poderá ler na integra no endereço abaixo: 

http://dialogue.adventist.org/pt/26-2/de-souza/racismo-e-nacionalismo-o-ensino-biblico

REFERÊNCIAS

  1. Ernest Cashmore, Michael Banton, and Heribert Adam, Dictionary of Race and Ethnic Relations, 3ª ed. (London: Routledge, 1994), p. 294.
  2. Robert Miles, “Nationalism”, in Guido Bolaffi, Raffaele Bracalenti, Peter Braham and Sandro Gindro eds. Dictionary of Race, Ethnicity and Culture (London: SAGE Publications, 2003), p. 240.
  3. J. Andrew Kirk, “Race, Class, Caste and the Bible,” Themelios 10:2 (1985): p. 7.
  4. Devido ao uso da palavra “raça” em sentido biológico na eugenia e em ideologias racistas, os estudiosos tendem a abandonar essa palavra em favor do termo “etnia”, em que a cultura, e não a biologia, é a categoria principal para distinguir grupos de pessoas. Eric D. Barreto, “Ethnic Negotiations: The Function of Race and Ethnicity in Acts 16” (PhD dissertation, Emory University, 2010), p. 38-41.
  5. Ann Killebrew, Biblical Peoples and Ethnicity: An Archaeological Study of Egyptians, Canaanites, Philistines, and Early Israel, 1300-1100 B.C.E. (Leiden, Netherlands: Brill, 2005), p. 8.
  6. Catherine Soanes and Angus Stevenson, Concise Oxford English Dictionary (Oxford: Oxford University Press, 2004).
  7. Tzvetan Todorov, “Race and Racism,” in Les Back and John Solomos, eds. Theories of Race and Racism: A Reader (London: Routledge, 2000), p. 64-70
  8. Cashmore, Banton, and Adam, p. 254.
  9. Dennis Okholm, The Gospel in Black and White: Theological Resources for Racial Reconciliation(Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1997), p. 118.
  10. Duane Christensen, “Nations,” ed. David Noel Freedman, The Anchor Bible Dictionary New York: Doubleday, 1992), v. 4, p. 1037.
  11. William Arndt, Frederick Danker, e Walter Bauer, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (Chicago, Illinois: University of Chicago Press, 2000), p. 276.
  12. Ibid., p. 586.
  13. N. Hillyer, “Tribe,” Colin Brown, ed. New International Dictionary of New Testament Theology(Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House, 1986), p. 871.
  14. J. Daniel Hays, From Every People and Nation: A Biblical Theology of Race (Downers Grove, Illinois: InterVarsity, 2003), 56–60. Cf. Frank Crüsemann, “Human Solidarity and Ethnic Identity: Israel’s Self-Definition in the Genealogical System of Genesis”, in Mark G. Brett, ed. Ethnicity and the Bible (Leiden: Brill, 1996), p. 197-214.
  15. Jon Levenson, “The Universal Horizon of Biblical Particularism,” in Mark Brett, ed. Ethnicity and the Bible (Leiden: Brill, 1996), p. 147. See also Reinaldo Siqueira, “The Presence of the Covenant Motif in Amos 1:2-2:16” (Ph.D. dissertation, Andrews University, 1996).

4 comentários sobre “Racismo e nacionalismo: o ensino bíblico

  1. Boa noite,Wladimir
    Fazia tempo que nao te escrevia,nao tenho tido vontade de o fazer apesar de os artigos serem interessantes,nao gosto de repetir sempre as mesmas coisas,mas este assunto è novo aqui e esta artista gosta de provocar a ordem das coisas ao dizer que a màzonha da europa nao ajuda os coitados dos imigrantes,sao terroristas e podem a longo prazo destruir a europa como a conhecemos,querem islamizar a europa e toma-la para si,esta jornalista nao tem classe nem conhecimento nenhum tenha ela os titulos que tiver.
    Nao me quero alongar muito por aqui,mas digo que o racismo faz parte da raca humana e por muitos anos que vivamos isso nao vai acabar e ainda bem,porque ser racista è ser natural,nao hipòcrita.
    A escritora que venha para aqui pagar a mais de dois milhoes de ciganos,casas,comer,roupas,dinheiro extra,saùde ensino,etc.dizer burrices pela boca fora quando nao se tem que paga rdo seu pròprio bolso nao custas nada,esse dinheiro sai do bolso dos reformados alemaes que vivem mal,na pobreza”coitados dos imigrantes” parece que a pessoa em causa quer ver o fim da europa e isso è racismo,a nao ser que ela seja muculmana disfarcada de adventista..
    Artigo fraco que mais parece propaganda dos islamistas que empurram os imigrantes para a morte e depois culpam os europeus de os nao ajudar ficando ricos depois de roubarem esses mesmos,sao truques baratos que eu bem conheco.

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  2. Boa tarde,Wladimir
    a europa è menos racista do que os paìses menos desenvolvidos,mas esta avalanche de muculmanos veio trazer um desiquilibrio nas forcas e pode pode em perigo a nossa existencia e a vossa se eles conseguiremos seus objetivos de converterem os gentios ä forca.
    a autora do artigo è anarquista,nao percebe de histöria,senao nao defendia tais migrantes,porque nao o sao,mas sim soldados que vamos ter que expulsar,quando a Frau Merkel saìr do poder.
    nao è racismo,è nao ser hipöcrita

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  3. Boa noite,Wladimir
    Como estàs muito generoso hoje vou escrever mais alguma coisa
    Os passadores das pessoas da Sìria e Iraque,Afeganistao e outros paìses foi-lhes dito que recebiam dez mil euro por nascimento,uma casa tres mil quando cà chegassem e mais outras promessas,eles acreditaram e depois quando a Frau Merkel tirou selfis com eles parece que foi como a que dizer que era tudo verdade.
    Nao hà espaco para esta gente aqui,sao perigosos,teem outra cultura e que nao è boa,è violenta,sao maus e querem reconquistar a europa que perderam faz muitos anos.
    Tem havido muitos problemas com eles,porque aqui nao teem nada e esperavam outra coisa,o dinheiro que os passadores lhes prometeram nao chaga e eles estao habituados a serem reis,gastam muito,fumam muito,querem as mulheres alemas,dizem que sao umas porcas,porque sao assim ensinados desde criancas.
    Tivemos em poucos dias quatro atentados aqui em Bayern,morreram pessoas,
    o governo vai decretar o servico militar obrigatòrio e pediu às pessoas para armazenarem alimentos para pelos menos dez dias,achas que isto nao è a sèrio?
    Abrs.

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