O Yom Kipur e o Apocalipse


No cerimonial do Tabernáculo do Deserto e posteriormente no Templo de Jerusalém, somente os que tinham vindo perante D’us com confissão e arrependimento, e cujos pecados, por meio do sangue da oferta para o pecado, eram transferidos para o santuário, é que tinham parte na cerimônia do Iom Kipur/dia da expiação. Assim, no grande dia da expiação final e do juízo que resultará no Tikum Olam, os únicos casos a serem considerados são os do povo professo de D’us.  ‘É tempo que comece o julgamento pela casa de D’us; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes?’ O julgamento dos ímpios constitui obra distinta e separada, e ocorre em ocasião posterior. 

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Os livros de registro no Céu, nos quais estão relatados os nomes e ações dos homens, devem determinar a decisão do juízo. Diz o profeta Daniel:

“Assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.” O escritor do Apocalipse, descrevendo a mesma cena, acrescenta: “Abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.” Apoc. 20:12.

O livro da vida contém os nomes de todos os que já entraram para o serviço de D’us. Ieshua ordenou a Seus talmidim:

“Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos Céus.” Luc. 10:20. Shaul/Paulo fala de seus fiéis cooperadores, “cujos nomes estão no livro da vida”. Filip. 4:3. Daniel olhando através dos séculos para um “tempo de angústia qual nunca houve”, declara que se livrará o povo de D’us, “todo aquele que se achar escrito no livro”. E João, no Apocalipse, diz que apenas entrarão na cidade de D’us aqueles cujos nomes “estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”. Dan. 12:1; Apoc. 21:27.

“Há um memorial escrito diante” de D’us, no qual estão registradas as boas ações dos “que temem ao Eterno, e para os que se lembram do Seu nome.” Mal. 3:16. Suas palavras de fé, seus atos de amor, acham-se registrados no Céu. Neemias a isto se refere quando diz: “D’us meu, lembra-Te de mim; e não risques as beneficências que eu fiz à casa de meu D’us.” Nee. 13:14. No livro memorial de D’us toda ação de justiça se acha imortalizada. Ali, toda tentação resistida, todo mal vencido, toda palavra de terna compaixão que se proferir, acham-se fielmente historiados. E todo ato de sacrifício, todo sofrimento e tristeza, suportado por amor de Hashem, encontra-se registrado. Diz o salmista: “Tu contaste as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no Teu odre; não estão elas no Teu livro?” Sal. 56:8.

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Há também um relatório dos pecados dos homens. “Porque D’us há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau.” “De toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo.” Disse o Mashiach: “Por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.” Ecl. 12:14; Mat. 12:36 e 37. Os propósitos e intuitos secretos aparecem no infalível registro; pois D’us “trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações”. I Cor. 4:5. “Eis que está escrito diante de Mim: … as vossas iniquidades, e juntamente as iniquidades de vossos pais, diz o Senhor.” Isa. 65:6 e 7.

A obra de cada homem passa em revista perante D’us, e é registrada pela sua fidelidade ou infidelidade. Ao lado de cada nome, nos livros do Céu, estão escritos, com terrível exatidão, toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia. Advertências ou admoestações enviadas pelo Céu, e que foram negligenciadas, momentos desperdiçados, oportunidades não aproveitadas, influência exercida para o bem ou para o mal, juntamente com seus resultados de vasto alcance, tudo é historiado pelo anjo relator.

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A lei de D’us é a norma pela qual o caráter e vida dos homens serão aferidos no juízo. Diz o sábio: “Teme a D’us, e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo o homem. Porque D’us há de trazer a juízo toda a obra.” Ecl. 12:13 e 14. Yacov/Tiago admoesta a Seus irmãos: “Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.” Tia. 2:12.

Os que no juízo forem “havidos por dignos”, terão parte na ressurreição dos justos. Disse Ieshua: “Os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dos mortos, … são iguais aos anjos, e são filhos de D’us, sendo filhos da ressurreição.” Luc. 20:35 e 36. E novamente Ele declara que “os que fizeram o bem” sairão “para a ressurreição da vida”. João 5:29. Os justos mortos não ressuscitarão senão depois do juízo, no qual são havidos por dignos da “ressurreição da vida”. Conseqüentemente não estarão presentes em pessoa no tribunal em que seus registros são examinados e decidido seu caso.

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O Mashiach aparecerá como seu Advogado, a fim de pleitear em favor deles perante D’us. “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Ieshua haMashiach o Justo.” I João 2:1. “Porque o Mashiach não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para agora comparecer por nós perante a face de D’us.” “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a D’us, vivendo sempre para interceder por eles.” Heb. 9:24; 7:25.

Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante D’us a vida de todos os que creram em nas promessas da vinda do Mashiach. Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva, finalizando com os vivos. Todo nome é mencionado, cada caso minuciosamente investigado. Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes. Quando alguém tem pecados que permaneçam nos livros de registro, para os quais não houve arrependimento nem perdão, seu nome será omitido do livro da vida, e o relato de suas boas ações apagado do livro memorial de Deus. O Eterno declarou a Moisés: “Aquele que pecar contra Mim, a este riscarei Eu do Meu livro.” Êxo. 32:33. E diz o profeta Ezequiel: “Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniquidade, … de todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória.” Ezeq. 18:24.

Todos os que verdadeiramente se tenham arrependido do pecado e que pela fé hajam reclamado a kapará que Hashem providenciou através do Mashiach, com seu sacrifício expiatório, tiveram o perdão acrescentado ao seu nome, nos livros do Céu; tornando-se eles participantes da justiça do Mashiach, e verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a lei de D’us, seus pecados serão riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna. O Eterno declara pelo profeta Isaías: “Eu, Eu mesmo, sou O que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados Me não lembro.” Isa. 43:25. Disse Ieshua: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai, e diante de Seus anjos.” “Qualquer que Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai que está nos Céus. Mas qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus.” Apoc. 3:5; Mat. 10:32 e 33.

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O mais profundo interesse manifestado entre os homens nas decisões dos tribunais terrestres não representa senão palidamente o interesse demonstrado nas cortes celestiais quando os nomes inseridos nos livros da vida aparecerem perante o Juiz de toda a Terra. O Intercessor divino apresenta a petição para que sejam perdoadas as transgressões de todos os que venceram pela fé em Seu sangue, a fim de que sejam restabelecidos em seu lar edênico, e coroados com Ele como co-herdeiros do “primeiro domínio”. Miq. 4:8. Satan, em seus esforços para enganar e tentar a nossa raça, pensara frustrar o plano divino na criação do homem; mas o Mashiach pede agora que este plano seja levado a efeito, como se o homem nunca houvesse caído. Pede, para Seu povo, não somente perdão e justificação, amplos e completos, mas participação em Sua glória e assento sobre o Seu trono.

Enquanto o Mashiach faz a defesa dos súditos de Sua graça, Satan acusa-os diante de D’us como transgressores. O grande enganador procurou levá-los ao ceticismo, fazendo-os perder a confiança em D’us, separar-se de Seu amor e violar Sua lei. Agora aponta para o relatório de sua vida, para os defeitos de caráter e dessemelhança com o Mashiach, que desonraram a seu Redentor, para todos os pecados que ele os tentou a cometer; e por causa disto os reclama como súditos seus.

Ieshua não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé, e, reclamando o perdão para eles, ergue as mãos feridas perante o Pai e os santos anjos, dizendo: “Conheço-os pelo nome. Gravei-os na palma de Minhas mãos. “Os sacrifícios para D’us são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus!”” Sal. 51:17. E ao acusador de Seu povo, declara: “O Eterno te repreende, ó Satan; sim, o Eterno, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” Zac. 3:2. O Mashiach vestirá Seus fiéis com Sua própria justiça, para que os possa apresentar a Seu Pai como “congregação gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante”. Efés. 5:27. Seus nomes permanecem registrados no livro da vida, e está escrito com relação a eles: “Comigo andarão de branco; porquanto são dignos disso.” Apoc. 3:4.

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Assim se realizará o cumprimento total da promessa do novo concerto: “Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados.” “Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Etermp, buscar-se-á a maldade de Israel, e não será achada; e os pecados de Judá, mas não se acharão.” Jer. 31:34; 50:20.

“Naquele dia o Renovo do Etermp será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel. E será que aquele que ficar em Sião e o que permanecer em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os vivos em Jerusalém.” Isa. 4:2 e 3.

A obra do juízo e extinção dos pecados deve efetuar-se antes do segundo advento do Mashiach. Visto que os mortos são julgados pelas coisas escritas nos livros, é impossível que os pecados dos homens sejam cancelados antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investigado. Mas o apóstolo Kefa declara expressamente que os pecados dos crentes serão apagados quando vierem “os tempos do refrigério pela presença do Eterno”, e Ele enviar a Ieshua HaMashiach  (Atos 3:19 e 20). Quando se encerrar o juízo de investigação, o Mashiach virá, e Seu galardão estará com Ele para dar a cada um segundo for a sua obra.

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No culto descrito na Torá, o sumo sacerdote, havendo feito expiação por Israel, saía e abençoava a congregação. Assim o Mashiach, no final de Sua obra de mediador, aparecerá “sem pecado, … para salvação” (Heb. 9:28), a fim de abençoar com a vida eterna Seu povo que O espera. Como o sacerdote, ao remover do santuário os pecados, já expiados pelo sacrifício do bode do Eterno confessava-os sobre a cabeça do bode emissário, semelhantemente o Mashiach porá todos esses pecados, já expiados, sobre Satan, o originador e instigador do pecado, o pecado é devolvido a sua fonte. O bode Azazel, levando os pecados de Israel, era enviado “à terra solitária” (Lev. 16:22); de igual modo Satan, levando a culpa de todos os pecados que induziu o povo de D’us a cometer, estará durante mil anos circunscrito à Terra, que então se achará desolada, sem moradores, um abismo, (Apoc.20) e ele sofrerá finalmente, após o Milênio, a pena completa do pecado nos fogos que destruirão todos os ímpios. Assim o grande plano da redenção atingirá seu cumprimento na extirpação final do pecado e no livramento de todos os que estiverem dispostos a renunciar ao mal.

No tempo indicado para o juízo – o final dos 2.300 dias, demarca o início em 1844 – ali iniciou-se a obra de Yom Kipur Celestial e apagamento dos pecados do povo de D’us. Todos os que já professaram o nome de Hashem serão submetidos àquele exame minucioso. Tanto os vivos como os mortos devem ser julgados “pelas coisas escritas nos livros, segundo as suas obras”.

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Pecados de que não houve arrependimento e que não foram abandonados, não serão perdoados nem apagados dos livros de registro, mas ali permanecerão para testificar contra o pecador no dia de D’us. Ele pode ter cometido más ações à luz do dia ou nas trevas da noite; elas, porém, estavam patentes e manifestas Àquele com quem temos de nos haver. Anjos de D’us testemunharam cada pecado, registrando-os nos relatórios infalíveis. O pecado pode ser escondido, negado, encoberto, ao pai, mãe, esposa, filhos e companheiros; ninguém, a não ser os seus autores culpados, poderá alimentar a mínima suspeita da falta; ela, porém, jaz descoberta perante os seres celestiais. As trevas da noite mais escura, os segredos de todas as artes enganadoras, não são suficientes para velar do conhecimento do Eterno um pensamento que seja. D’us tem um relatório exato de toda conta injusta e de todo negócio desonesto. Não Se deixa enganar pela aparência de piedade. Não comete erros em Sua apreciação do caráter. Os homens podem ser enganados pelos que são de coração corrupto, mas Deus penetra todos os disfarces e lê a vida íntima.

Quão solene é esta consideração! Dia após dia que passa para a eternidade, traz a sua enorme porção de relatos para os livros do Céu. Palavras, uma vez faladas, e ações, uma vez praticadas, nunca mais se podem retirar. Os anjos têm registrado tanto as boas como as más. Nem o mais poderoso guerreiro pode revogar a relação dos acontecimentos de um único dia sequer. Nossos atos, palavras, e mesmo nossos intuitos mais secretos, tudo tem o seu peso ao decidir-se nosso destino para a felicidade ou para a desdita. Ainda que esquecidos por nós, darão o seu testemunho para justificar ou condenar.

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Assim como os traços da fisionomia são reproduzidos com precisão infalível sobre a polida chapa fotográfica, assim o caráter é fielmente delineado nos livros do Céu. Todavia, quão pouca solicitude é experimentada com referência àquele registro que deve ser posto sob o olhar dos seres celestiais! Se se pudesse correr o véu que separa o mundo visível do invisível, e os filhos dos homens contemplassem um anjo registrando toda palavra e ação, que eles deverão novamente encontrar no juízo, quantas palavras que diariamente se proferem ficariam sem ser faladas, e quantas ações sem ser praticadas!

No juízo será examinado o uso feito de cada talento. Como empregamos nós o capital que nos foi oferecido pelo Céu? Receberá o Senhor à Sua vinda aquilo que é Seu, com juros? Empregamos nós as faculdades que nos foram confiadas, nas mãos, no coração e no cérebro, para a glória de D’us e bênção do mundo? Como usamos nosso tempo, nossa pena, nossa voz, nosso dinheiro, nossa influência? Que fizemos pelo Mashiach, na pessoa dos pobres, aflitos, órfãos ou viúvas? D’us nos fez depositários de Sua Santa Palavra; que fizemos com a luz e verdade que se nos deram para tornar os homens sábios para a salvação? Nenhum valor existe na mera profissão de fé no Mashiach; unicamente o amor que se revela pelas obras é considerado genuíno. Contudo, é unicamente o amor que, à vista do Céu, torna de valor qualquer ato. O que quer que seja feito por amor, seja embora pequenino na apreciação dos homens, é aceito e recompensado por D’us.

O oculto egoísmo humano permanece manifesto nos livros do Céu. Existe o relato de deveres não cumpridos para com os semelhantes, do esquecimento dos preceitos do Salvador. Ali verão quantas vezes foram cedidos a Satan o tempo, o pensamento, a força, os quais pertenciam ao Mashiach. Triste é o relato que os anjos levam para o Céu. Seres inteligentes, seguidores professos do Mashiach, estão absortos na aquisição de posses mundanas ou do gozo de prazeres terrenos. Dinheiro, tempo e força são sacrificados na ostentação e condescendência próprias; poucos, porém, são os momentos dedicados à prece, ao exame das Escrituras, à humilhação da alma e confissão do pecado.

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Satan concebe inumeráveis planos para nos ocupar a mente, para que ela se não detenha no próprio trabalho com que deveremos estar mais bem familiarizados. O arqui enganador odeia as grandes verdades que apresentam um sacrifício expiatório e um todo-poderoso Mediador. Sabe que para ele tudo depende de desviar a mente, de Ieshua e de Sua verdade.

Os que desejam participar dos benefícios da mediação do Salvador, não devem permitir que coisa alguma interfira com seu dever de aperfeiçoar a santidade no temor de D’us. As preciosas horas, em vez de serem entregues ao prazer, à ostentação ou ambição de ganho, devem ser dedicadas ao estudo da Palavra da verdade, com fervor e oração. O assunto do santuário e do juízo de investigação, deve ser claramente compreendido pelo povo de D’us. Todos necessitam para si mesmos de conhecimento sobre a posição e obra de seu grande Sumo Sacerdote. Aliás, ser-lhes-á impossível exercerem a fé que é essencial neste tempo, ou ocupar a posição que D’us lhes deseja confiar. Cada indivíduo tem uma alma a salvar ou perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de D’us. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. Quão importante é, pois, que todos contemplem muitas vezes a cena solene em que o juízo se assentará e os livros se abrirão, e em que, juntamente com Daniel, cada pessoa deve estar na sua sorte, no fim dos dias!

Todos os que receberam luz sobre estes assuntos devem dar testemunho das grandes verdades que D’us lhes confiou. O santuário no Céu é o próprio centro da obra do Mashiach em favor dos homens. Diz respeito a toda alma que vive sobre a Terra. Patenteia-nos o plano da redenção, transportando-nos mesmo até ao final do tempo, e revelando o desfecho triunfante da controvérsia entre a justiça e o pecado. É da máxima importância que todos investiguem acuradamente estes assuntos, e possam dar resposta a qualquer que lhes peça a razão da esperança que neles há.

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A intercessão do Cohen ha gadol no santuário celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção, como o foi Sua morte sobre o madeiro. Pela Sua morte iniciou essa obra, para cuja terminação ascendeu ao Céu, depois de ressurgir. Pela fé devemos penetrar até o interior do véu, onde nosso Precursor entrou por nós (Heb. 6:20). Ali se reflete a luz do Madeiro do Calvário. Ali podemos obter intuição mais clara dos mistérios da redenção. A salvação do homem se efetua a preço infinito para o Céu; o sacrifício feito é igual aos mais amplos requisitos da violada lei de D’us. Ieshua abriu o caminho para o trono do Pai, e por meio de Sua mediação pode ser apresentado a D’us o desejo sincero de todos os que a Ele se chegam pela fé.

“O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Prov. 28:13. Se os que escondem e desculpam suas faltas pudessem ver como Satan exulta sobre eles, como escarnece do Mashiach e dos santos anjos, pelo procedimento deles, apressar-se-iam a confessar seus pecados e deixá-los. Por meio dos defeitos do caráter, Satan trabalha para obter o domínio da mente toda, e sabe que, se esses defeitos forem acariciados, será bem-sucedido. Portanto, está constantemente procurando enganar os seguidores do Mashiach com seu fatal sofisma de que lhes é impossível vencer. Mas Ieshua apresenta em seu favor Suas mãos feridas, Seu corpo moído; e declara a todos os que desejam segui-Lo: “A Minha graça te basta.” II Cor. 12:9. “Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Por que o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve.” Mat. 11:29 e 30. Ninguém, pois, considere incuráveis os seus defeitos. D’us dará fé e graça para vencê-los.

Vivemos hoje no grande Yom Kipur, o dia da expiação. No cerimonial dos tempos bíblicos, enquanto o sumo sacerdote fazia expiação por Israel, exigia-se de todos que afligissem a alma pelo arrependimento do pecado e pela humilhação, perante o Eterno, para que não acontecesse serem extirpados dentre o povo. De igual modo, todos quantos desejem seja seu nome conservado no livro da vida, devem, agora, nos poucos dias de graça que restam, afligir a alma diante de D’us, em tristeza pelo pecado e em arrependimento verdadeiro. Deve haver um exame de coração, profundo e fiel. O espírito leviano e frívolo, alimentado por tantos crentes professos, deve ser deixado. Há uma luta intensa diante de todos os que desejam subjugar as más tendências que insistem no predomínio. A obra de preparação é uma obra individual. Não somos salvos em grupos. A pureza e devoção de um, não suprirá a falta dessas qualidades em outro. Embora todas as nações devam passar em juízo perante D’us, examinará Ele o caso de cada indivíduo, com um exame tão íntimo e penetrante como se não houvesse outro ser na Terra. Cada um deve ser provado, e achado sem mancha ou ruga, ou coisa semelhante.

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Solenes são as cenas ligadas à obra final da expiação. Momentosos, os interesses nela envolvidos. O juízo ora se realiza no santuário celestial. Há muitos anos esta obra está em andamento. Breve, ninguém sabe quão breve, passará ela aos casos dos vivos. Na augusta presença de D’us nossa vida deve passar por exame. Atualmente, mais do que em qualquer outro tempo, importa a toda alma atender à admoestação do Salvador: “Vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo.” Mar. 13:33. “Se não vigiares, virei a ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.” Apoc. 3:3.

Quando se encerrar a obra do juízo de investigação que antecede a segunda vinda do Mashiach, o destino de todos terá sido decidido, ou para a vida, ou para a morte. O tempo da graça finaliza pouco antes do aparecimento do Mashiach nas nuvens do céu. Mashiach, no Apocalipse, prevendo aquele tempo, declara: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda. E, eis que cedo venho, e o Meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” Apoc. 22:11 e 12.

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Os justos e os ímpios estarão ainda a viver sobre a Terra em seu estado mortal: estarão os homens a plantar e a construir, comendo e bebendo, todos inconscientes de que a decisão final, irrevogável, foi pronunciada no santuário celestial. Antes do dilúvio, depois que Noé entrou na arca, D’us o encerrou ali, e excluiu os ímpios; mas, durante sete dias, o povo, não sabendo que seu destino se achava determinado, continuou em sua vida de descuido e de amor aos prazeres, zombando das advertências sobre o juízo iminente. “Assim”, diz o Salvador, “será também a vinda do Filho do homem.” Mat. 24:39. Silenciosamente, despercebida como o ladrão à meia-noite, virá a hora decisiva que determina o destino de cada homem, sendo retraída para sempre a oferta de misericórdia ao homem culpado.

“Vigiai, pois, … para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo.” Mar. 13:35 e 36. Perigosa é a condição dos que, cansando-se de vigiar, volvem às atrações do mundo. Enquanto o homem de negócios está absorto em busca de lucros, enquanto o amante dos prazeres procura satisfazer aos mesmos, enquanto a escrava da moda está a arranjar os seus adornos – pode ser que naquela hora o Juiz de toda a Terra pronuncie a sentença: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta.” Dan. 5:27.

O Grande Conflito, Ellen Gould White, págs. 481-491, contextualizado. 

7 comentários sobre “O Yom Kipur e o Apocalipse

    • Expiação na Bíblia Hebraica sempre está envolvido o derramamento de sangue de um animal, no caso do Dia da Expiação, veja Vaicrá/Levítico 16, o sangue derramado do animal vivo expiava o pecado de Israel e purificava o Santuário dos pecados ali confessados durante todo o ano anterior, que eram posteriormente devolvidos a sua fonte original Azazel, simbolizado pelo segundo animal que não era sacrificado, e sim levado vivo ao deserto para morrer.No texto acima, é apresentado que os serviços do Tabernáculo eram proféticos e que prefiguravam o Juízo Final.

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    • Durante todo o ano o povo de Israel havia trazido seus sacrifícios pelo pecado diante do Eterno no Santuário, figuradamente esses pecados eram transferidos para o animal e através de seu sangue para o santuário, no Yom Kipur fazia-se uma cerimônia onde se sacrificava um bode para expiação e dedicado ao Eterno, oferecendo a justiça e a misericórdia ao pecador arrependido e seus pecados eram eliminados dos “registros”, isto é, a contaminação no Santuário, porém, esse primeiro sacrifício lidava com o pecado da perspectiva do relacionamento de D’us com o pecador, a justiça leva a morte, mas a morte substituta oferecia a misericórdia ao pecador arrependido apagando totalmente os pecados do último ano e consequentemente da vida toda. Já o segundo bode apresentava-se vivo, quando o sumo sacerdote “depositava” os pecados “retirados” do santuários e já perdoados por D’us e devolvia a sua fonte e origem, simbolizado pelo segundo bode, Azazel.

      Em outras palavras Yom Kipur nos ensina que o Eterno providenciou um substituto para morrer no lugar do pecador, o qual leva os pecados do povo e recebe sobre si a justiça imposta contra o mal, oferecendo a absolvição e o perdão, porém, há um outro dado importante, é o relacionamento entre D’us e a origem do pecado, representando pelo segundo bode, o Eterno cobra do originador do mal, Satã, não somente a criação do pecado como suas consequências, ele responde vivo e é lançado no abismo desértico sem água e vegetação, por um período até a sua morte.

      Yom Kipur é um microcosmo do julgamento divino sobre a humanidade, é uma profecia pedagogicamente repetida anualmente que revela a justiça e a misericórdia de D’us pelo homem pecador pela morte do Mashiach e também Seus juízos contra o Satã.

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    • Em realidade com a destruição do Templo de Jerusalém o Judaísmo como tal entrou em um processo de redefinição. Como o perdão de pecados esta atrelado aos serviços litúrgicos sacrificais, e estes a partir do ano 70 E.C. (Era Comum) não ocorreram mais, os sábios judeus precisaram pensar em um modo de obter o perdão divino, assim, “substituíram” os sacrifícios por boas obras, obras de caridade e de beneficio ao próximo, tzedaká, e no caso dos askenazim (judeus do leste europeu) passaram a realizar a kaparot, isto é, sacrificam galinhas para remissão de pecados e ofensas. Ambas atitudes trazem mais dificuldades ainda, pois, a Torah é clara sobre como e onde o perdão era concedido, não há permissão divina para que se realizem fora de Jerusalém e fora do Templo. Uma resposta, que é totalmente ignorada, a esse impasse está em Daniel 9:24-27, onde a questão dos sacrifícios encontra sua grande realidade pretendida por Hashem, e até mesmo está predita a destruição de Jerusalém e do Templo, este texto deve ser interpretado paralelamente ao de Isaías 53, mas, ambas citações são reinterpretadas por fatores históricos e culturais, de forma a não enxergarem o obvio.

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  1. Boa noite,Wladimir
    As ordenancas naquele tempo eram feitas sò em Jerusalèm,porque eles estavam confinados a este espaco e as possiblidades de viajarem para outros lugares distantes era difìcil devido aos constantes problemas de seguranca,mas hoje em dia existem judeus por todo o mundo e devia de haver leis modernas onde cada um pudesse fazer as suas preces,elevadas ou nao nao muito longe do local onde habita, os muculmanos também teem que ir a Meca,por aqui podemos ver que estas duas religioes nao evoluiram para dar mais comodidade aos seus membros

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