Mulher alemã retorna às suas raízes e converte-se para o judaísmo aos 81 anos.




Ela tinha um avô judeu, mas de alguma forma Mazal Herzfeld conseguiu sobreviver à Alemanha nazista com sua família; após anos tentando escapar de suas raízes judaicas ela deu um salto de fé e concluiu recentemente o processo de conversão: “Desde o momento em que cheguei na primeira oração na sinagoga senti como se voltasse para casa”.

Com 81 anos Mazal (Monica) Hartzfeld converteu-se ao judaísmo. A menina nascida em Düsseldorf, na Alemanha e que passou a infância nos dias obscuros do nazismo fechou um ciclo em Gush Etzion – Israel, onde completou o processo de conversão através de seminários da AMI – uma organização que oferece aulas de conversão para aqueles que não são cidadãos israelenses.


Mazal (Monica) Hartzfeld

“Eu tinha três anos quando tudo começou”, disse em entrevista. “Naquele momento morávamos em Düsseldorf . Meu bisavô era judeu e o judaísmo era muito importante para o meu pai. Ele sempre nos contava histórias da Bíblia, que sempre teve um lugar de honra em casa. Meu pai foi batizado como cristão, mas nunca foi à igreja e ele também não nos batizou”  Mesmo com “sangue judeu” atravessando suas veias a família conseguiu escapar da sentença de morte.

“Havia outros que estavam sob circunstâncias semelhantes que conseguiram sobreviver”, disse Hartzfeld. “Mas não era simples. Você precisava de uma espécie de protetor, alguém que cuidasse para que as autoridades não o conhecessem. Não foi fácil, mas foi assim que o meu pai conseguiu. Eu me lembro do dia que meu pai levou eu  e minha irmã para a escola e as pessoas sussurravam frases do tipo “como é que eles deixavam um judeu ir à escola?Isso é impossível”.

Queria deixar tudo para trás.

Em algum momento durante a guerra, Hartzfeld disse que sua família sentiu-se “como se o chão estivesse queimando os nossos pés” e decidiu fugir para uma região rural do país. “Foi o melhor para nós. As pessoas nos aceitaram e é aí que ficamos até a guerra terminar. Não tivemos casa para retornar desde que Düsseldorf sofreu bombardeio maciço, mas pelo menos a guerra não estava atrás de nós”.

Como cresceu como uma mulher judia na Alemanha após a guerra?

“Nunca fui perseguida”, disse.  “Eu era uma pequena menina quando tudo começou então eu não sofri como o meu pai, mas mesmo criança eu podia sentir o distanciamento. Uma vez  alguém soube de suas raízes judaicas e  imediatamente começou a trata-la com desprezo. Foi assim que ela sempre se sentiu: “Foi assim que aconteceu até a década de 60, quando as reformas aconteceram e a Alemanha mudou. Para meu pai, porém foi difícil até o fim”. Completou.

Quando você se interessou pela religião?

“Enquanto criança eu sabia que o judaísmo era  muito importante para meu pai. Ele sempre falou com orgulho. Ele contava sobre a cozinha especial que a minha avó tinha, seguindo as leis kasher. Meu pai costumava me dizer – mesmo que você não concorde com o que está escrito nos livros judaicos nunca esqueça, apenas respeite.”

Quando cresceu Hartzfeld pensou em construir uma vida para si mesma fora e longe dos ideais judaicos de seu pai. “Eu me casei com um católico e é claro que eu queria criar uma família cristã e deixar o resto pra trás. Meu casamento não durou. As crianças cresceram e se foram. Era óbvio para mim que eu não sentia nenhuma conexão com o cristianismo e assim como meu pai, eu sempre vi toda a história de Cristo como algo fictício”, disse Hartzfeld que decidiu voltar às suas raízes.

“Você sabe o que significa para mim receber a Torá?” 

Hartzfeld era apenas uma estudante e  apesar da sua idade conseguiu completar o processo mais longo de conversão do judaísmo em Israel. “Foi muito excitante em Shavuot”, disse. “Você sabe o que significa para mim receber a Torá? Eu sonhei com isso por muitos anos. Agora tenho 81 anos e finalmente estou lá”.

De acordo com o rabino David Ben-Nissan, coordenador da conversão privada na AMI, Hartzfeld tornou-se membro da comunidade judaica. “Ela estendeu a mão há alguns anos para se converter. Foi incrível testemunhar isso”, disse o rabino. “Ela vinha em cada Shabat do começo ao fim e foi em todas as aulas. Ela até me ajudou com meu alemão”, completou.

“Eu nem sei como explicar. Desde o momento em que cheguei à minha primeira oração na sinagoga senti como se eu voltasse para casa. Esta é a vida que eu sempre quis ter. Sinto agora como se tudo tivesse uma razão. Havia um motivo para a nossa sobrevivência, havia uma razão para os discursos do meu pai sobre o judaísmo, há uma razão que – mesmo na minha idade – ainda tenha uma boa saúde. De manhã, quando acordamos, nós (judeus) agradecemos a Deus por nos devolver a nossa alma. Até onde eu vejo ele devolveu minha alma por isso”.

www.ruajudaica.com

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