Transmigração das almas


Do hebraico “guilgul neshamot”, transmigração das almas é a crença segundo a qual, depois da morte, a alma reencarna numa nova forma física, seja humana, animal ou inanimada. A transmigração foi ensinada por Anan Ben David, o fundador dos caraítas, mas sua concepção foi criticada pelos filósofos judeus como sendo estranha à crença ortodoxa. Não obstante, tornou-se parte da Cabala, aparecendo primeiramente no Sefer há-Bahir. A transmigração emprestou um significado novo a muitos aspectos da vida: o marido morto voltava literalmente à vida no filho nascido de sua mulher e seu irmão, num casamento por levirato, a morte de crianças pequenas era menos trágica, pois, elas estariam sendo punidas por pecados anteriores, e renasceriam para uma vida nova: pessoas malvadas eram felizes neste mundo por terem praticado o bem em alguma existência prévia; prosélitos do judaísmo eram almas judaicas que se haviam encarnado em corpos gentios. Ela também permitia o aperfeiçoamento gradual da alma do indivíduo através de vidas diferentes.

Isaac de Luria

Sob a influência de Isaac Luria, toda essa estrutura se expandiu. Os místicos viam-se mutuamente como portadores de elementos das almas dos personagens bíblicos e talmúdicos, alegando Isaac Luria ser a reencarnação de parte da alma de Moisés.

As almas dos mortos podiam reencarnar em animais e o abate ritual as liberta para retomar sua jornada espiritual. Muitas almas “nuas” não conseguem um corpo novo, e, assim, podem tornar-se um dibuk[1], ou apenas necessitar de ajuda para se corrigir e continuar seu desenvolvimento. O próprio Luria libertou almas aprisionadas em pedras. Um mestre em misticismo era capaz de identificar o estágio de transmigração de uma pessoa lendo as marcas em sua testa. As boas ações levam ao renascimento como um ser humano, as más ações levam ao renascimento como um animal, dependendo dos pecados cometidos.

transmigração das almas

Pessoas orgulhosas transmigram-se em abelhas, adúlteras em burros, cruéis em gralhas. Se um mosquito ou uma mariposa não larga de um grupo de pessoas, significa que é a transmigração de alguém ligado a alguma pessoa do grupo no passado ou numa vida anterior.  

 

Fonte: Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, Pág. 266, Alan Unterman, Jorge Zahar Editor. 1992.

 

[1] Em hebraico significa “aquele que adere”. É uma alma “nua” que não encontrou um corpo para encarnar e nem descanso, assim possui o corpo das pessoas, sobrepõe sua personalidade e voz a da pessoa possuída, antes de ser exorcizada e sair pelo dedinho do pé, tal alma precisa se identificar, senão irá tomar outra pessoa. Podendo, também, ser um demônio que incorpora em uma mulher transformando-a em uma bruxa. (idem)

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