Espírito, alma e pós-morte


O que a Bíblia Hebraica ensina sobre espírito, alma e o pós-morte? Teriam as Escrituras uma resposta baseada exclusivamente em seus escritos?   O ensinamento sobre a vida após a morte é comum a todas as religiões, e com o Judaísmo não é diferente, caso você desconheça o que ensinam os rabinos e sábios judeus acesse neste mesmo site três postagens que descrevem através de literatura judaica a posição sobre a sua crença[1].

            Vamos analisar juntos o que a Torá, os Profetas e os Escritos tem a nos dizer a respeito do assunto.

Alma Vivente 

            Alma – na Bíblia Hebraica vem do hebraico, nephesh. Ocorre aproximadamente 755 vezes, sendo traduzida de diferentes formas, dependendo do contexto. 

  • Alma é traduzida como: vida (Gn 9.4,5; 35.18; Sl 31.13), pessoa (Gn 14.21; Dt 10.22;), cadáver (Nm 9.6); apetite (Ec 6.7) coração (Êx 23.9) ser vivente (Gn 2:7) pronomes pessoais (Sl 3.2).

        A palavra “alma” que aparece na Bíblia em nenhum caso refere-se a uma entidade imaterial com imortalidade e que sobreviva fora do corpo, pelo contrário, alma no contexto bíblico hebraico tem o significado de pessoa, ser vivo, e por sua vez mortal.

fôlego de vida 2

            Para que o homem fosse imortal ou eterno, teria de obedecer a D’us e assim manteria livre acesso à árvore da vida, que perpetua a existência, isso é interessante levando em conta que somente o Eterno tem vida em Si mesmo e é imortal inerentemente e independentemente de qualquer coisa. Como o ser humano pecou e D’us o expulsou do Éden para que não fosse um pecador imortal, Adão e Eva não comeram mais da árvore da vida, tornando-se assim mortais, veja Gn 3.22-24; Is 51.12. Simples em sua descrição e complexa e profunda em suas consequências.

            Moisés escolheu bem suas palavras na Torá ao descrever o êxodo:

            “Com setenta almas [pessoas], teus pais desceram ao Egito; e, agora, o SENHOR, teu Deus, te pôs como as estrelas dos céus em multidão. ” Deuteronômio 10:22 RA

            Entre 593 e 570 A.E.C, o profeta Ezequiel chamando a responsabilidade os israelitas assevera:

            “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele… Mas, convertendo-se o ímpio da sua impiedade que cometeu, e procedendo com retidão e justiça, conservará este a sua alma em vida”.  Ezequiel 18:20, 27. RA

fôlego de vida

            O ser humano é uma alma vivente, o Eterno ao criar o homem o fez tão fisicamente quanto tudo que há no planeta Terra. Em seus tecidos, órgãos, ossos e sangue está a vida, a Torá destaca o sangue por dois motivos pelo menos, o primeiro é o biológico:

            “O sangue é um tecido líquido e fundamental para a vida humana. Transporta nutrientes essenciais para todos os órgãos do corpo. Grande parte do seu volume é constituído por células, como as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas, responsáveis por estancar hemorragias”[2]

            O segundo associa a Biologia com a Justiça e Misericórdia de D’us na kapparot, nos sacrifícios:

“Pois a vida da carne está no sangue, e eu o dei a vocês para fazerem propiciação por vocês mesmos no altar; é o sangue que faz propiciação pela vida”.

Levítico 17:11

            A alma vivente tem sua vida orgânica no sangue, daí a proibição de comer sangue.

A morte como um sono

            Na Bíblia, a morte é comparada a um sono (sem sonhos), indicando assim o estado de inconsciência dos mortos:

“Pois na morte não há lembrança de ti; no Sheol quem te louvará? ” Sl 6.5; RA

“Olha para mim e responde, SENHOR, meu Deus. Renova o brilho da vida nos meus olhos, caso contrário me entregarei ao sono da morte”. Sl 13.3 KJA

“Farás, entretanto, um milagre para aqueles que já se despediram da vida? Porventura os mortos virão a se levantar e te louvar? Será que teu amor é também proclamado no túmulo, e a tua fidelidade no Abismo da Morte? Será teu sinal milagroso conhecido na região das trevas, e tua justiça, na dimensão do esquecimento? Salmo 88.10-12; KJA

Não estão os mortos a louvar o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio”. Sl 115.17 KJA

Cemitério Judaico em Chinatown Gustavo Chacra Agência Estado

Em verdade, não é o Sheol, a sepultura, que te louva, nem a morte que te glorifica, pois já não esperam em tua fidelidade aqueles que descem à cova. Os vivos, só os vivos é que podem te louvar e cantar como estou fazendo hoje. Os pais contam a tua fidelidade a seus filhos. Isaías 38.18-19 KJA

“Porquanto os que estão entre os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem mais nada; não haverá recompensa para eles nem mesmo lembranças restarão acerca de suas pessoas. Assim, o amor, o ódio e a inveja há muito os deixaram; nunca mais terão parte em nada do que se passa debaixo do sol…. Sendo assim, tudo quanto vier à mão para realizar, faze-o com o melhor das tuas forças, porquanto para o Sheol, a sepultura, para onde vais, não há atividade, trabalho, reflexão, planos, conhecimento, saber, nem nada”. Eclesiastes 9.5-6 e 10 KJA.

            A Bíblia não apoia em absoluto a doutrina popular de que os mortos permanecem conscientes até a ressurreição. Pelo contrário, enfaticamente refuta tal ensinamento veja Sl 115.17; Ec 9.5. Emprega-se comumente o verbo dormir como símbolo da morte, veja Dt 31.16; 2 Sm 7.12; I Rs 11.43; Jó 14.12; Dn 12.2. 

            Em toda a Bíblia Hebraica a referência mais antiga sobre vida após a morte diz respeito a ressurreição e não reencarnação, veja:

“Contudo, os teus mortos viverão; seus corpos ressuscitarão! Despertai e cantai, pois, vós os que retornaram ao pó; despertai e cantai com grande júbilo. O teu orvalho é orvalho de luz; a terra dará à luz os seus mortos! ” Isaías 26:19. RA

pós da terra

            O profeta Daniel no exílio Babilônio-persa em meio a influência esotérica, foi fiel a revelação bíblica descrevendo a morte como inconsciência e a vida após a morte, como vida após a ressurreição:

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno”. Daniel 12:2 RA.

               Já o profeta Ieshaiáhu/Isaías fala da vida, o “neshamah” divino como um “sopro”, relacionando-o a Criação do homem:

נְשָׁמָה[3] 
(feminino) (ii)

Fem./Plural: נְשָׁמוֹת 
Transliteração: nshamah 
Tradução: alma; respiração

“Retira tua confiança do ser humano, cuja vida é como um sopro, pois muito pouco ele significa e nada faz que mereça ser glorificado”. 02:22

            Porém, esse alento ou fôlego, tradução da palavra “neshamah” que significa “respiração” não é privilégio somente dos seres humanos, porém, Moisés utilizou outra palavra para o mesmo fato, “Ruach”.

“E vieram a Noé, à arca, dois de cada um, de toda criatura em que havia alento de vida” Bereshit/Gênesis 07:15, no verso 22 é traduzido por “espírito de alento de vida em suas narinas”.

רוּחַ 
(masculino e feminino)

Fem./Plural: רוּחוֹת 
Transliteração: ruach 
Tradução: vento; espírito

            O sábio Sh’lomoh/Salomão no seu livro Cohélet/Eclesiastes 03:19 e 20 é bem enfático em sua descrição de humanos e animais em relação ao espírito (Ruach):

“Pois o que acontecer a um ou outro, conduz ao mesmo resultado, sendo a morte de um é igual ao do outro, tendo ambos o mesmo espírito e sendo nula a superioridade do homem sobre os animais, pois tudo é vão e fútil. Ao mesmo destino se encaminham, tendo vindo do pó e a ele retornando. ”

            Naturalmente este texto traz algumas complicações em relação a paridade com o ser humano, porém, quando se entende pelo contexto que, “mesmo espírito”, é o alento ou fôlego de vida, isto é, a centelha de vida e existência que o Criador partilha com todo ser vivente o teor da declaração é amenizado. Note que a associação da palavra “Ruach” com “pó da terra” sempre indica fôlego ou alento de vida e é paralela à “neshamah”, respiração.  Vejamos alguns exemplos:

“Quando escondes Teu rosto se perturbam; quando lhes tiras o fôlego expira, e ao pó retornam. ” Salmo 104:29

pó da terra 2

“Quando seu alento se exala, à terra retorna e nesse mesmo dia perecem os seus desígnios”. Salmos 146:04

“Volta assim o pó à terra de onde veio, e retorna o espírito a Deus, que o concedeu. ” Cohélet/Eclesiastes 12:07

רוּחַ 
(masculino e feminino)

Fem./Plural: רוּחוֹת 
Transliteração: ruach 
Tradução: vento; espírito

            A mesma palavra hebraica “Ruach” vai se repetindo:

“Mas há um espírito em cada ser humano, e é o alento do Todo-Poderoso que lhe proporciona o entendimento. ” Ióv/Jó 32:08

 

Espírito como “folego de vida”

            Logo de início no livro de Bereshit/Gênesis 02:07 encontramos o “fôlego”:

            “E o Eterno Deus formou o homem (Adám) do pó da terra, e soprou em suas narinas o (neshamah) alento de vida e o homem tornou-se alma viva[4]. ”

            Vale destacar que Moshe escreveu: “…tornou-se alma viva”.

            No ato criativo, o Eterno, junta a terra e o alento, sopro, fôlego e aquele boneco transforma-se em “humano”, isto é, feito da terra, um ser vivo, uma alma vivente. A centelha de vida havia sido soprada e o milagre da Criação ocorrera.

folego de vida

            “…D’us acrescentou Seu fôlego estimulante de vida (neshamah), algumas vezes chamado de “espírito”. Esse fôlego não constituía uma substância separada que foi despejada numa forma inerte e vazia modelada do pó, mas apenas o poder divino doador de vida que transformou o pó em um ser vivo. A Bíblia mostra com isso que o fôlego de vida não representa uma segunda entidade, acrescentada ao corpo como se fosse um ingrediente, capaz de existir separadamente. Trata-se de um poder energizante procedente de D’us, que transformou o corpo terreno em um ser vivo (nefesh hayyah)[5]

            Nesse contexto podemos compreender o que Salomão escreveu:

“…e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu”. Ecl 12:7

  Espírito como “Entendimento”

            Você deve se lembrar de quando o povo de Israel estava para entrar na terra prometida e foram enviados 12 espiões para percorrer a terra de Canaã. Na volta, o relatório do Mossad, a “inteligência” israelita da época, passa as informações a Moshe/Moisés apresentando a situação geopolítica e militar dos povos que ali viviam e Calebe toma a frente e num ímpeto diz:

“Subamos e herdemo-la, porque certamente prevaleceremos contra ela!” Bamidibar/Números 13:30.

            Os demais espiões disseram que era impossível a tomada da terra e logo depois o Eterno faz uma declaração elogiosa para Caleb:

“Porém, o Meu servo Calev, porquanto nele houve outro espírito e perseverou em seguir-Me…” Bamidibar/Números 14:24

Calebe.png

            Agora, “espírito” já não é mais fôlego ou alento.

            No Salmo 78:08 encontramos uma declaração sobre a fidelidade requerida e que alguns antigos israelitas não haviam mantido:

“Eles não se comportarão como seus pais, uma geração contumaz e rebelde, uma geração que não soube dedicar a Deus seu coração e cujo espírito não manteve fidelidade ao Eterno. ”

            O sábio Shlomoh/Salomão entre seus diversos provérbios destacou a temperança ou autocontrole pessoal como uma virtude inestimável:

“O que tarda em irar-se é melhor que o poderoso, e o que disciplina seu espírito vale mais que o que conquista uma cidade. ” Mishlê/Provérbios 16:32

            Iehezkel/Ezequiel 11:19 destaca a disposição do Eterno nosso D’us em mudar e converter o coração mau em um novo coração, uma nova vida:

“E lhes darei um novo coração e lhes infundirei um novo espírito; e retirarei seu frio coração de pedra e lhes darei um sensível coração de carne…” (veja também 18:31 e 21:07)

 O Exílio Babilônico e a Crença na Imortalidade da Alma

            “De fato, quando os persas liderados por Ciro II (559-530 a.C.) dominaram a Babilônia em 538 a.C., a Arábia, a Síria, Judá e, posteriormente, o Egito e a Grécia sofreram um processo de revolução cultural e religiosa14. Os reis aquemênidas Dario I (522-486 a.C.), Xerxes I (486-465 a.C.) e Artaxerxes II (404-359 a.C.), sucessores de Ciro, deixaram inscrições que revelam a adoção do Zoroastrismo como religião oficial do Império. Assim, pode-se constatar que a dominação persa no Oriente Médio levou a toda essa região influências da religião persa-iraniana, como o dualismo bem e mal, associado a uma crença em um Deus Supremo e a uma conduta austera na vida cotidiana (puritanismo).

            Em relação a esse puritanismo, é possível, inclusive, que a purificação dos judeus apregoada por Esdras tenha se dado a partir da Pérsia. O fato é que os cativos de Judá somente conseguiram voltar para a Palestina sob uma mudança político-religiosa impressa pelos persas em toda aquela região[6]“. 

babilonia

            Os sacerdotes e levitas sem trabalho, e em crise espiritual foram influenciados pela ideologia religiosa babilônica-persa em sua cosmovisão:

             “Como os milhares de textos cuneiformes religiosos, astronômicos, matemáticos e literários revelam, a antiga cultura babilônica continuou a florescer e desenvolver-se ao longo da época persa[7]”.

            Boa parte do povo se encontrava no exílio, onde, sem sacrifício, sem sacerdote, sem templo, sem rei e sem-terra natal, tenta se adaptar a novas formas de vida. Sem dúvida em meio a uma crise espiritual e de identidade permeava o povo de Israel. O Deus de Israel havia, na mentalidade Persa, sido derrotado pelas divindades babilônio-persas, a supremacia religiosa dominante naquele momento era esmagadora.

Babilônia Portal

            “Além do sincretismo religioso, outro fator que certamente também contribuiu para certa homogeneidade é o linguístico. A partir do Império Persa, o aramaico começa a ganhar proeminência, sendo inclusive a língua oficial do governo[8]. Essa língua tem uma longa história, a partir do X ou início do IX século a.C., com o chamado aramaico antigo. No período assírio surge, ao lado de variações dialetais, uma forma literária padrão do aramaico, chamada de aramaico oficial (ou real), a qual se difundiu bastante no Império Persa[9].

            Devido a idolatria e rebeldia o povo de Israel deveria se acalmar até que D’us em Sua providência os libertasse e devolvesse a Jerusalém:

Carta do profeta Jeremias ao Cativeiro Babilônio:

“Eis as palavras da carta: Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, que eu fiz levar cativos de Jerusalém para Babilônia:   Edificai casas e habitai-as; plantai jardins, e comei o seu fruto.   Tomai mulheres e gerai filhos e filhas; também tomai mulheres para vossos filhos, e daí vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; assim multiplicai-vos ali, e não vos diminuais.   E procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz.   Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhadores; nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que vós sonhais; porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o Senhor.

Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, eu vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar.    Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.  Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei.   Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.  E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos, e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor; e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei.
Jeremias 29:4-14. RA

          Dentro deste contexto aonde a disciplina de Hashem estava sendo aplicada aos israelitas o ambiente tornara-se propício ao arrependimento, mas, havia um risco senão da assimilação, mas, do sincretismo religioso.

Babilônia II

Cabalá

            A idolatria e seu esoterismo sempre foram uma tentação para os israelitas, e agora sob circunstâncias humilhantes de dominação total, a ideologia esotérica penetraria sutilmente e influenciaria os ensinos dos sábios judeus, em especial em relação a natureza humana.

            “Geralmente entende-se por Cabala a sabedoria oculta dos rabinos judeus da Idade Média; esta, porém, é apenas uma de suas ramificações ou a maneira hebraica de interpretar a verdadeira Cabalá. Segundo alguns autores, a origem desta ciência remonte aos antigos caldeus, donde a teriam derivado os judeus durante o seu cativeiro na Babilônia, adaptando-a à interpretação esotérica de suas Escrituras e das alegorias bíblicas”[10].

cabalá kabbalah1

            “A Cabalá representa a suma judaica[11]. Trata-se de uma tradição judaica – que no decorrer dos séculos adentra a esfera do misticismo cristão e islâmico – que se debruça sobre as coisas divinas. Esta tradição caminha lado a lado com a Bíblia e funciona como “uma tradição destinada a capacitar certa classe de iniciados a explicar e compreender a Lei (Torá) ”[12]. Em termos da dogmática místico-filosófica da Cabala, esta pode ser estruturada a partir de duas obras essenciais: o Sêfer Ietsirá e o Zohar. As especulações místicas nesta área se dividem na obra do carro (maase mercaba – o Zohar) e na obra da criação (maasse bereschit – o Sêfer Ietsirá)[13].

            “O Sêfer Ietsirá trata da obra da criação estruturando uma diferença entre o Deus não manifesto entendido como pura negatividade, o Ain-Sof Or , e o mundo manifesto, ou seja, as dez Sephiroth e os vinte e dois caminhos da Árvore da Vida . O Zohar, por seu turno, “é um comentário cabalístico do Pentateuco”[14].

cabalá

            “Dentro de seu corpo respira uma pessoa – uma alma. Dentro do corpo da prática judaica respira uma sabedoria interior – a alma do Judaísmo. Nós a chamamos de “Cabalá”, que significa “receber[15].

            “Por volta do ano 3860 da criação do mundo (ano 100 da Era Comum), ao Rabi Shimon Bar Yochai – também conhecido pelo acrônimo Rashbi – foram dados o poder e permissão Celestiais para revelar aos seus discípulos a sabedoria oculta da Cabalá. Ele explicou as funções individuais das emanações da luz Divina – as dez sefirot (níveis da alma) – e como as sefirot se manifestam em cada versículo da Torá e em cada fenômeno da natureza. Seus ensinamentos estão contidos no grande texto clássico da Cabalá, o “Livro da Luminosidade”, mais comumente conhecido como Zohar[16]”.

CABALÁ

            “O Zohar propõe que a alma humana possui três elementos, o nefesh, ru’ach, e neshamah. O nefesh é encontrado em todos os humanos e entra no corpo físico durante o nascimento. É a fonte da natureza física e psicológica do indivíduo. As próximas duas partes da alma não são implantadas durante o nascimento, mas são criadas lentamente com o passar do tempo; Seu desenvolvimento depende da ações e crenças do indivíduo. É dito que elas só existem por completo em pessoas espiritualmente despertas. Uma forma comum de explicar as três partes da alma é como mostrada a seguir:

  • Nefesh (נפש) – A parte inferior, ou animal, da alma. Está associada aos instintos e desejos corporais.
  • Ruach (רוח) – A alma mediana, o espírito. Ela contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o bem e o mal.
  • Neshamah (נשמה) – A alma superior, ou super-alma. Essa separa o homem de todas as outras formas de vida.

            Está relacionada ao intelecto, e permite ao homem aproveitar e se beneficiar da pós vida. Essa parte da alma é fornecida tanto para judeus quanto para não-judeus no nascimento. Ela permite ao indivíduo ter alguma consciência da existência e presença de Deus[17]”.

CABALÁ I

             “A “Cabala” é uma filosofia esotérica que visa conhecer a Deus e o Universo, sendo afirmado que nos chegou como uma revelação para eleger santos de um passado remoto, e reservada apenas a alguns privilegiados. Formas antigas de misticismo judaico consistiam inicialmente de doutrina empírica. Mais tarde, sob a influência da filosofia neoplatônica e neopitagórica, assumiu um carácter especulativo. Na era medieval desenvolveu-se bastante com o surgimento do texto místico, Sefer Yetzirah, ou Sheper Bahir que significa Livro da Luz, do qual há menção antes do século XIII. Porém o mais antigo monumento literário sobre a Cabala é o Livro da Formação (Sepher Yetsirah), considerado anterior ao século VI, onde se defende a ideia de que o mundo é a emanação de Deus”[18].

Bíblia Hebraica e Cabalá
            Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça!  

 

 

 

[1] 1 –  https://herancajudaica.wordpress.com/2017/11/20/a-vida-eterna-segundo-o-judaismo/

2 – https://herancajudaica.wordpress.com/2017/11/20/imortalidade-e-judaismo/

3 – https://herancajudaica.wordpress.com/2017/11/20/transmigracao-das-almas/

[2] http://medquimheo.com.br/transfusao-de-sangue-e-sua-importancia/

[3] http://www.hebraico.pro.br/dicionario/qdrsdic.asp, assim como as demais definições do hebraico que aparecerem nesta pesquisa.

[4] Neste artigo utilizamos a Bíblia Hebraica Sêfer, quando não, será informada versão.

[5] Tratado de Teologia ASD, págs. 355 e 356.

[6] http://www.revistatheos.com.br/Artigos/Artigo_06_2_02.pdf

[7] Idem, (cf. DANDAMAYEV, M. “Babylonian in the Persian Age”. In: DAVIES, W. D.; FINKELSTEIN, Louis (editors).

[8] Idem,  RUSSELL, D. S. El Período Intertestamentário, p.17.i

[9] Idem.

[10]  LEVI, ELIPHAS, AS ORIGENS DA CABALA. https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/esoterismo/ocultismo/as-origens-da-cabala-268779?layoutVersion=2017&home=A

[11] Professor Doutor em Filosofia pela UFPE. Professor da Faculdade Joaquim Nabuco. E-mail:

introitu@hotmail.com. https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/COR/article/viewFile/3263/3309

[12] Cf. SCHOLEM, Gershom. A Cabala e seu simbolismo. 2ª Ed. São Paulo: Perspectiva, 2006. p. 7.

[13] PAPUS. A Cabala. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 22. 3

Cf. Op. Cit.

[14] Op. Cit. p. 34

[15] http://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1745252/jewish/O-Que-Cabal.htm

[16]

[17] http://www.ocultura.org.br/index.php/Cabala

[18] http://culturahebraica.blogspot.com.br/2010/01/o-que-e-cabala.html

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