Fotos de sobreviventes do Holocausto no SS Exodus são incríveis




Foi no verão de 1947 em que os britânicos interceptaram o navio SS Êxodo e o mundo assistia. Diante dos olhos da mídia internacional, as tropas britânicas atacaram violentamente os passageiros do navio – a maioria deles sobreviventes do Holocausto. Relatórios sobre o caso ajudaram a tornar a opinião pública a favor do movimento sionista e ser contra a política britânica pró-árabe de limitar a imigração judaica para a Palestina.
Muita coisa acontecia. Um dos poucos jornalistas que manteve a historia ativa foi o correspondente da ATJ, Robert Gary, que apresentou uma série de informações sobre essas pessoas.

Setenta anos e décadas depois de sua morte, Gary voltou a chamar a atenção do mundo sobre os “judeus do Êxodo”, principalmente em Israel. Um álbum com 230 de suas fotos será vendido pelo Kedem Auction House, em Jerusalém, no dia 31 de outubro. As imagens mostram a realidade dentro dos campos de refugiados onde os judeus se preparavam antes de tentar a vida na Palestina.

Algumas fotos têm pouco ou nenhum título e capturaram as semelhanças assustadoras com os campos de concentração nazista. Fotos mostram “judeus do Êxodo” consertando cercas de arame farpado, sob os olhares de guardas. Outros mostram atividades comunitárias e preparação para um futuro na Palestina.


Judeus consertando as cercas – setembro de 1947.

Shay Mendelovich, pesquisador da Kedem, acredita que haja muito interesse no álbum que está sendo vendido por um colecionador que comprou da família de Gary. 

Mendelovich previu que o álbum poderia ser vendido por até US$ 10.000: “As fotos são únicas”, disse. “Eram muitas pessoas e Robert Gary era um dos poucos que tinham uma câmera e sabia como tirar fotos “.

Entre 1945 e 1952, mais de 250 mil judeus viviam nos campos de refugiados na Alemanha, Áustria e Itália, que eram supervisionados pelas autoridades aliadas e pela Administração das Nações Unidas de Socorro e Reabilitação. 

Gary era um repórter judeu americano que a JTA enviou para a Europa para cobrir as conseqüências da Segunda Guerra Mundial. Ele detalhou as condições de vida nos campos, mais de um ano antes da viagem do Êxodo: comida inadequada, quartos frios e lotados, violência por guardas e aborrecimento mental. Ele relatou, em setembro de 1946, que a maior preocupação dos judeus era sair da Europa, de preferência para a Palestina.

Em julho de 1947, mais de 4.500 judeus dos campos embarcaram no Êxodo na França e partiram para a Palestina sem certificados legais de imigração. Eles esperavam juntar-se às centenas de milhares de judeus criando um estado pró-judaico.

Organizado pela Haganah, uma força paramilitar sionista na Palestina, a missão foi a maior das dezenas de tentativas, na maioria das vezes sem sucesso de imigração judaica ilegal, durante décadas da administração britânica do território, após a Primeira Guerra Mundial. Os britânicos procuraram em grande parte limitar a chegada dos judeus à Palestina.

A Haganah tinha equipado o Êxodo na esperança de superar a marinha britânica e descarregar os passageiros na praia. Mas, perto do fim de sua viagem, os britânicos interceptaram o navio na costa da Palestina e o levaram ao porto de Haifa. O combate feriu várias pessoas e matou três.

Um jornal americano encabeçou uma história sobre o Êxodo com o titulo: “De volta ao Reich”. O delegado iugoslavo da Comissão Especial das Nações Unidas sobre a Palestina declarou: “este caso é a melhor evidência possível que temos para permitir que os judeus passem para a Palestina”.

Pnina Dromi, que mais tarde se tornou esposa de Gary, estava entre os emissários que a Agência judaica para Israel enviou aos campos de refugiados para preparar os judeus para a aliá. Como professora de jardim de infância, ela ensinava hebraico às crianças. Outros voluntários ofereciam treinamento militar em preparação para as futuras batalhas com a maioria árabe na Palestina. Nas fotos é possível ver muitos jovens com roupas típicas israelenses. Eles se preparavam para a vida em Israel, boa e má, até porque Israel estava em guerra nesta época.


Judeus dançam no Campo – setembro de 1947

Gary foi um dos poucos jornalistas que continuou visitando os campos. De alguma forma ele obteve um certificado falso identificando-o como um dos antigos passageiros do navio: “Gary e o repórter do jornal de Nova York, Maurice Pearlman, foram os únicos correspondentes que permaneceram nos campos e que foram acusados pelas autoridades de estarem “bisbilhotando demais “.


Uma foto de 1947 do certificado falso que identifica Robert Gary como passageiro do Êxodo da SS.

Israel declarou a independência, em maio de 1948. Após a Grã-Bretanha reconhecer o estado judaico, em janeiro de 1949, finalmente o restante do povo do Êxodo foi enviado à Terra de Israel. Quase todos os campos na Europa foram fechados.

Gary imigrou para Israel e se casou com Dromi, em 1949, meses após conhecê-la em uma festa de Hanukkah, na sede da Agência Judaica, em Munique. O casal se mudou para Jerusalém, onde tiveram duas filhas. Robert Gary assumiu o cargo no Jerusalém Post e depois trabalhou para a agência de notícias britânica Reuters. Ele faleceu em Tel Aviv, em 1987, aos 67 anos.

 

www.ruajudaica.com

 

Anúncios