FILME AUSTRÍACO DE 1924 QUE MOSTRA RAÍZES DO HOLOCAUSTO É RESTAURADO



BERLIM – Na Europa, o antissemitismo dominou novamente a agenda de notícias nesta semana. Na segunda-feira, milhares de pessoas marcharam em Londres contra o que consideram antissemitismo flagrante no Partido Trabalhista britânico. No mesmo dia, a promotoria de Paris disse que estava investigando se o antissemitismo foi motivação para a morte, na semana passada, de um homem de 85 anos que sobrevivera ao Holocausto. Incidentes em escolas desencadearam uma busca por soluções na Alemanha. E, na Polônia, um renomado ativista antirracista foi considerado traidor após se manifestar contra a controversa lei antidifamação que proíbe acusações de cumplicidade do país com o Holocausto.

É nesse pano de fundo que os responsáveis pela restauração de um filme de 1924 recentemente redescoberto querem que seu trabalho seja visto.

O Arquivo Nacional de Filmes da Áustria trabalhou por mais de um ano para restaurar com cuidado “A cidade sem judeus”, um filme mudo pré-Segunda Guerra Mundial que serviu como advertência contra a perseguição aos judeus na época. O filme — que provocou reações furiosas em meados da década de 1920 — era considerado perdido até uma cópia ser descoberta em um mercado de pulgas de Paris, em 2015.

O longa-metragem descreve uma cidade fictícia austríaca na década de 1920, perturbada pelo aumento do desemprego e da pobreza. Nesse cenário, os ressentimentos contra os judeus aumentam à medida que as pessoas os culpam cada vez mais pelos males da cidade. Uma lei nacional acaba sendo aprovada para forçar todos os judeus a deixar o país, separando várias famílias. Os moradores comemoram, mas logo percebem que a Áustria ficou pior do que antes, e a lei é revertida.

Digitalizado e restaurado após milhares de horas de trabalho meticuloso financiado por doações de todo o mundo, o filme agora está pronto para percorrer a Europa e servir como um alerta deliberadamente sombrio e contemporâneo.

— Recebemos um enorme apoio financeiro do exterior, inclusive de americanos após as eleições de 2016 — disse Nikolaus Wostry, diretor do Arquivo Nacional de Filmes da Áustria, uma organização administrada de forma privada, mas em grande parte financiada por fundos públicos. — Na Europa de hoje, podemos ver claramente a exploração dos medos das pessoas mais uma vez. Políticos se concentram em grupos-alvo, sejam imigrantes ou seguidores de outras religiões. E, como austríacos, temos uma responsabilidade especial. Mesmo antes de os nazistas anexarem a Áustria, esse era um dos centros do antissemitismo. Hitler aprendeu a explorar o antissemitismo aqui em Viena.

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